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segunda-feira, maio 11, 2009

Portugal lava mais branco

O Benfica não foi feito para lutar pelo terceiro lugar. A BOLA não me paga para escrever evidências (na verdade, paga-me para escrever parvoíces, e eu levo muito a sério os meus contratos), mas pelos vistos tem de ser. Nós não fomos feitos para andar a fazer contas aos resultados do Nacional da Madeira. Por isso, como é evidente, não encontro especial consolo nas declarações de Quique Flores, segundo o qual foram atingidos certos objectivos invisíveis. Na qualidade de benfiquista que não é dotado de visão de raio x, devo dizer que prefiro os objectivos que se podem ver, sobretudo os que têm forma de taça.

Eu sou pela estabilidade, mas não para o treinador. Para o director desportivo, sim: espero que Rui Costa tenha estabilidade para trabalhar muitos anos. De preferência com um treinador que perceba mesmo de futebol. Acho que era giro e inovador. Se tiver de ser um espanhol, o Ernesto Valverde está disponível.

Bruno Carvalho é, até agora, o único candidato à presidência do Benfica. Confesso que gosto de candidatos à presidência do Benfica. Não conheço cargo mais importante, e simpatizo com todos os que acreditam ter capacidade para o desempenhar — e mesmo com os que além disso acreditam que são Napoleão Bonaparte, como Guerra Madaleno. Mas acho um mau sinal que o mandatário da candidatura de Bruno Carvalho seja Petit. O Petit era um jogador à Benfica, e o que fez em campo pelo Glorioso só merece admiração. O problema é que o Petit é do Boavista. No dia 14 de Setembro de 2008, Petit confessou à imprensa que gostaria de voltar para o Boavista «como jogador, como director ou noutra qualquer função.» Volto a citar o Petit: «Quero levantar-me cedo da cama para fazer o que mais gosto e ajudar o clube do meu coração.» Nada disto é censurável: o Petit tem todo o direito a amar o clube que o formou. Mas o mandatário dos candidatos a presidente do Benfica não devia ser um benfiquista?

Pinto da Costa revelou esta semana o segredo do seu sucesso: o Porto é campeão porque ele escolhe os melhores. Os melhores quê?, pergunta o leitor. Pinto da Costa não disse. Mas quem, como nós, tem acompanhado a carreira do presidente do Porto, pode conjecturar. Os melhores lotes de café, talvez, para receber os árbitros em casa com a dignidade que eles merecem. Ou os melhores lugares no avião, para que eles cheguem ao Brasil mais descansados. São hipóteses possíveis, mas em Portugal os limites do possível excedem em muito a fronteira do provável. Em Portugal, é possível um dirigente estar a cumprir pena de suspensão por tentativa de corrupção activa e, simultaneamente, ser apontado pela comunicação social como um modelo irrepreensível de dirigismo competente. É um país em que nada mancha. Portugal lava mais branco que o OMO.

Há tempos dei por mim a pensar que o Brasil é o único país da América do Sul que pode ambicionar ser campeão da Europa: com a quantidade de brasileiros naturalizados nas selecções europeias, em breve haverá uma equipa exclusivamente composta por brasileiro a vencer o Campeonato da Europa. Portugal detém um recorde parecido: é o único país da América Latina que fica no continente europeu.

Fonte : RAP@Chama Imensa in Jornal A Bola - 2009/05/10

São Paulo Bento, padroeiro da asneirada

Um dos aspectos mais surpreendentes da derrota do Benfica de ontem foi o facto de o treinador adversário não ter substituído os seus dois jogadores mais perigosos pouco depois do intervalo. Quando, na semana passada, o treinador do Setúbal (por coincidência, um clube com dificuldades financeiras) substituiu os seus dois melhores jogadores (por coincidência, ambos emprestados pelo Porto) ao minuto 58 do jogo contra o Porto, pensei que esta nova moda do futebol português ainda nos poderia salvar a época. Enganei-me. A estratégia só se aplica em jogos contra o Porto.

Quando, na final da Taça da Liga, Paulo Bento se dirigiu ao árbitro para fazer o gesto que popularmente designa o acto de roubar, a Liga examinou o caso e, com o fim de moralizar o futebol português, não fez rigorosamente nada. Depois, quando o mesmo Paulo Bento foi expulso em Guimarães e recomendou repetidas vezes ao árbitro que visitasse determinada localidade, a Liga examinou o caso e, sempre com a moralização do futebol português em mente, optou por não fazer rigorosamente nada. Significa isto, evidentemente, que Paulo Bento tem razão. O modelo de arbitragem, neste país, é uma vergonha. Um sistema que não pune severamente um treinador que trata os árbitros como um campino trata o gado acaba por dar razão ao treinador que trata os árbitros como um campino trata o gado. É uma pescadinha de rabo na boca bem divertida: se a Liga punisse Paulo Bento como deve, Paulo Bento teria menos razões de queixa. Já Rui Costa, não se pode queixar. «Tenham vergonha das asneiras que fazem», terá dito o maestro, e foi exemplarmente castigado. Os árbitros, pelos vistos, são assim: não se importam de ser ladrões, mas ai de quem lhes peça para terem vergonha.

O certo é que Rui Costa ainda tem pouca experiência como dirigente, e talvez tenha aprendido aqui uma lição para o futuro: da próxima vez que quiser criticar um árbitro, o melhor é não cometer o ilícito de lhe recomendar que tenha vergonha. Mais vale adoptar a conduta digna e séria de lhe chamar gatuno e fazer umas considerações azedas sobre a actividade profissional isenta de impostos desenvolvida pela mãe do juiz em causa. Quando se opta por uma postura honrosa, evitam-se os castigos. Mesmo assim, não sei se será possível evitá-los: a boca de Paulo Bento é santa. Qualquer bojarda que de lá saia tem perdão. Ou Rui Costa atinge depressa o mesmo estado de virtude ou continuará a ser castigado por bagatelas.

Ao que parece, o próximo presidente do Sporting será o actual presidente do Sporting, o mesmo que disse que não seria candidato a presidente do Sporting. É, sem dúvida nenhuma, um clube diferente. Só um reparo: proponho que, em vez de «presidente», Soares Franco seja tratado por D. Filipe I. Se se trata de um regime monárquico, mais vale tratar o rei como ele merece.

Fonte : RAP@Chama Imensa in Jornal Abola in 2009/05/03

quinta-feira, abril 30, 2009

Aprender a falar com um arbitro

Isto de falar com árbitros tem muito que se lhe diga e o meu director desportivo bem o sabe. Rui Costa (o DD) no final do jogo contra o Marítimo virou-se para o árbitro (por sinal seu homónimo) e disse:
"Tenham vergonha das decisões e dos critérios disciplinares que andam a tomar"
e
"Vocês não falam com as pessoas porque não têm carácter".

Pois bem, os árbitros não estão habituados a este nível de conversa e este palavreado é demasiado elaborado para eles. Palavras como VERGONHA e CARÁCTER não fazem parte do léxico deste tipo de Juiz, isto é como lhe chamar nomes numa língua que eles não conhecem... logo como não conhecem deve ser palavrão... como é palavrão tem de se mencionar no relatório.

Depois disto e como seria óbvio o Rui Costa tinha de ser castigado, e foi... 1 mês suspenso.

Para confirmar a minha tese basta ver o que se passou quando o Paulo Bento foi expulso onde ele se vira para o árbitro e diz claramente: "VAI PARA O CARALHO... VAI PARA O CARALHO".
Isto sim já é linguagem que os árbitros conhecem e estão habituados a ouvir diariamente, faz parte do dicionário de bolso que eles não dispensam... o mesmo dicionário que serve para descodificar as conversas telefónicas que mantêm com dirigentes desportivos, ou mesmo nas conversas que são obrigados a ter quando, no dia anterior ao jogos, têm de ir a casa deste ou daquele presidente de clube. Como isto é corriqueiro para os árbitros estas palavras não foram mencionadas no relatório e por isso mesmo o Paulo Bento não foi castigado.

Caro Rui Costa, tens de baixar o nível das palavras e começar no calão, já que estes FILHOS DA P*** assim o exigem.


Retirado do Forum do Publico

A podridão do sistema

Penaliza-se o Rui Costa por estar numa zona em que podia estar, por falar (sem insultar) com o arbitro. Ver Publico.
Castiga-se o Katso por ter dito num flash-interview que o arbitro roubou o Benfica.

Isenta-se o afilhado do padrinho (Paulo Bento) dos insultos que fez ao arbitro, que o arbitro viu, que todos viram, que todos viram que o arbitro viu, mas que habilidosamente omitiu do relatório.

As escutas telefónicas mostraram que o Pinto da Costa pressionava para que jogadores, técnico e dirigentes não fossem penalizados.

O clube do sistema apenas esta a seguir o caminho do clube do "padrinho".
Há muito que se devia impedir os árbitros de receberem chamadas durante o intervalo e antes de fazerem o relatório do jogo.

sábado, março 29, 2008

Modalidades - 2026/06/20

Sábado, 2026/06/20  - 15:00 - Hóquei Em Patins - SL Benfica -v- Sporting Cp - Campeonato Nacional | 25/26 - Playoff Final Jornada 3  - 20:0...