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segunda-feira, junho 17, 2013

Os professores faliram a educação

Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe de medíocres reivindicam o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. 

Nisso são os professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e esforço individual. 

Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do País que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. 

O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. (…) 

Se alguém conhece uma alternativa mágica em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6,7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga.


Miguel Sousa Tavares, Expresso 15 Junho 2013



sábado, maio 15, 2010

Surpresa! Benfica Campeão

Recordar é viver:

«Acontratação do Saviola é igual à do Aimar no ano passado. Se fossem mesmo bons, se estivessem na parte boa da carreira, não vinham para o Benfica. Quero descobrir novos talentos, jogadores que possam dar tudo pelo Benfica e não acabar a carreira e passar férias. (…) Com estes jogadores, o Benfica vai fazer uma grande figura no Torneio do Guadiana».
Bruno Carvalho, candidato à presidência do Benfica, 27 de Junho de 2009.


«A aposta em Saviola faz lembrar a do ano anterior em Aimar: jogadores que já tiveram nome e que por isso são pagos caro e com elevadíssimos ordenados, mas que há vários anos não passam do estatuto de suplentes de luxo em Espanha.»
Miguel Sousa Tavares, 7 de Julho de 2009.


«(…) não vejo ninguém [no plantel do Benfica], nem o Luisão, que desperte o interesse de um clube disposto a pagar dinheiro que se veja (…). Eu, pessoalmente, não quereria, para o plantel do FC Porto, um só dos que constituem o do Benfica. Um só.»
Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009, referindo-se ao plantel do Benfica da época transacta, que incluía nomes como Di Maria, David Luiz ou Cardozo, para dar apenas três exemplos de jogadores sem qualquer valor de mercado.


«O Benfica, quando bem pressionado no meio-campo, torna-se frágil».
António Tavares-Teles, 23 de Setembro de 2009.


«Adivinho, pois, um Benfica crescentemente impaciente, para dentro e para fora, a protestar contra tudo e todos quando as coisas não lhe correrem de feição e convencido, como de costume, que lhe basta alinhar vedetas como Aimar ou Saviola ou outras tidas como tais, para que o mundo lhe caia aos pés e todos se disponham a prestar-lhe vassalagem.»
Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009.


«[Jorge Jesus] (…) estreou-se no comando dos encarnados com um empate frente à modesta equipa do Sion. (…) Relevante não foi (…) o empate frente aos suíços, mas as declarações de Jorge Jesus, após o jogo. Disse ele que vai ser muito difícil «travar este Benfica». Porquê, é que não entendi: por que razão uma equipa que, mesmo com todas as desculpas e atenuantes, tinha acabado de ser travada pelo Sion, há-de ser muito difícil de travar… por um FC Porto, por exemplo?»
Miguel Sousa Tavares, 14 de Julho de 2009. Quem nos dera que o mundo respondesse a todas as nossas inquietações com a mesma eloquência com que se encarregou de responder a esta.


«O Benfica em grande euforia. O novo treinador está satisfeitíssimo e confiante, e garante que ninguém será, doravante, capaz de travar a sua equipa. Os adeptos rejubilam com as boas novas, os jornalistas excitam-se com as exibições e encantam-se com Jesus e com a sua prosápia. Tudo isto é habitual e vulgar. Afinal, é preciso vender jornais, há seis milhões de almas que desesperam por boas notícias e, mais não seja para sairmos da crise, não se lhes pode retirar a esperança durante os meses de verão.»
Rui Moreira, 17 de Julho de 2009.


«(…) há, no mínimo, algum exagero relativamente às conquistas encarnadas.

Uma nota para o Sporting, que tem sido muito desvalorizado mas conseguiu, para já, o seu primeiro objectivo a caminho da Liga dos Campeões. Paulo Bento tem sabido concorrer com menos argumentos e, por isso, tenho a certeza que a sua equipa estará, certamente também, na corrida ao título nacional.»
Rui Moreira, 7 de Agosto de 2009. É incrível que, com esta capacidade para analisar o fenómeno futebolístico, Rui Moreira tenha o seu espaço reduzido a um programa de televisão e a uma coluna de jornal. Para quando uma rubrica na rádio?


«(…) a equipa [do Benfica] parece acusar o esforço prematuro do princípio da época».
Rui Moreira, 18 de Dezembro de 2009.

«Durante muito tempo, achei (…) que, com túnel ou sem túnel, o Benfica merecia ganhar este campeonato, porque era a equipa que melhor jogava (…). Mas a verdade é que um campeonato não são 15, nem 20, nem 25 jornadas: são 30 e o saldo final deve-se fazer às 30. E, no último terço do campeonato, desapareceu aquele Benfica que jogava mais e melhor.»
Miguel Sousa Tavares, 11 de Maio de 2010.


«(…) para grande irritação de alguns portistas, reafirmo, uma vez mais, os elogios que tenho feito, desde o início da época, ao futebol jogado pelo Benfica.»
Miguel Sousa Tavares, 23 de Março de 2010. Ou seja, já durante o último terço do campeonato.

Arquive-se!

P.S.: Algumas estatísticas curiosas deste campeonato: Weldon termina a prova com cinco golos marcados, exactamente o mesmo número de golos obtidos pelo super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo, embora o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo tenha jogado mais 1091 minutos que Weldon, ou seja, o equivalente a um pouco mais de 12 jogos.

Nas jornadas em que pôde contar com o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo, o Porto perdeu três jogos e empatou dois. No período em que o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo esteve castigado só por ter participado num espancamento, o Porto perdeu apenas um jogo e empatou três. Em resumo, o Porto com Givanildo perdeu 13 pontos; sem Givanildo perdeu apenas 9. Maldita Comissão Disciplinar da Liga!

Jorge Jesus acaba o campeonato na dupla qualidade de campeão e vice-campeão, como autor material do título do Benfica e autor moral do segundo lugar do Braga, clube no qual foi o último treinador a vencer um título, a Taça Intertoto.

Miguel Sousa Tavares, em quem as exibições da equipa de futebol do Porto têm feito despertar um profundo amor pelo ténis, resumiu muito bem o último fim-de-semana desportivo. Fez referência à boa prestação de Frederico Gil no Estoril Open e anunciou a atribuição da Bola de Prata Imaginária a Falcao — cerimónia que não teve a cobertura noticiosa que merecia: uma vez que MST persiste em chamar Radomel a um desgraçado que se chama Radamel (logo ele, que é tão sensível com os nomes próprios), pela primeira vez na história um jogador que não existe venceu um troféu de fantasia, o que coloca dificuldades filosóficas extremamente interessantes. Mas, muito provavelmente por modéstia, MST não incluiu na lista de vitórias do fim-de-semana o troféu que o Porto ganhou: a Taça Rennie. Do ponto de vista digestivo é irónico que um campeonato ganho sem recurso à indigesta mistura de café com leite, rebuçadinhos e fruta tenha, ainda assim, causado tanta azia.


Fonte : RAP@Chama Imensa in Jornal "A Bola" - 2010/05/15
Publica em : Forum Benfica

domingo, março 15, 2009

A credibilidade sazonal das irmãs Salgado

No momento em que escrevo, nenhuma das irmãs Salgado é de fiar. No entanto, nem sempre foi assim. No princípio, Carolina Salgado era uma respeitada primeira dama, e o presidente do Porto tinha nela confiança suficiente para a fazer fotografar junto dos mais importantes troféus ganhos pelo clube, tendo ficado especialmente célebre o retrato em que Carolina aparece a enfiar um rafeiro dentro de um caneco obtido em Gelsenkierchen. Quando Carolina Salgado acusou Pinto da Costa de entregar um envelope com dinheiro ao árbitro Augusto Duarte, a sua credibilidade desvaneceu-se, e nunca mais foi autorizada a introduzir canídeos em taças, nem sequer na da Liga Intercalar. Foi nessa altura que a credibilidade da família Salgado migrou de Carolina para a irmã Ana. Até que Ana Salgado acusou Pinto da Costa de lhe ter dado um primeiro envelope com 500 euros, e depois um envelope mensal com 5.000 euros, para que depusesse a seu favor no julgamento do Caso do Envelope.

O leitor já terá reparado que há mais envelopes nesta história do que na Papelaria Fernandes. Tenho estado a elaborar um projecto para abrir uma papelaria em frente ao Estádio do Dragão, uma vez que, a confirmarem-se todas estas acusações, Pinto da Costa gasta tantos envelopes que a Portucel terá de fazer horas extraordinárias.

Seja como for, assim que falou nos envelopes, Ana Salgado perdeu toda a credibilidade que tinha. Essa é outra recorrência deste caso: sempre que alguém fala em envelopes, perde credibilidade. A referência a sobrescritos é inversamente proporcional ao prestígio dos intervenientes. Não é por acaso que Pinto da Costa, a personalidade mais credível de toda esta história, não só não fala em envelopes como parece muito pouco interessado em ouvir falar neles.

Ainda assim, o Caso do Envelope, por mais polémico que seja, consegue cristalizar aquilo que o futebol e o desporto têm de mais positivo. É bonito constatar que dois adversários como Miguel Sousa Tavares e eu conseguem dar as mãos, ainda que metaforicamente, e encontrar um ponto de concórdia precisamente a propósito deste processo judicial. No histórico dia 21 de Agosto de 2007, Miguel Sousa Tavares escreveu, nestas mesmas páginas, o seguinte: «Por que razão a D. Carolina — com o curriculum vitae e as motivações de vingança que se conhecem — é uma testemunha tão credível para a dra. Maria José Morgado, e a irmã, sem passado nem motivações correspondentes, é apenas uma difamadora, quando se atreve a vir a público desmentir a maninha?» É o que se chama ter razão antes do tempo, e só está ao alcance dos grandes analistas. Resta-me esperar que alguém oiça Miguel Sousa Tavares e dê a Ana Salgado a credibilidade que ele reclama.

Fonte : RAP @ Chama Imensa in Jornal Abola - 2009/03/15


Modalidades - 2026/06/20

Sábado, 2026/06/20  - 15:00 - Hóquei Em Patins - SL Benfica -v- Sporting Cp - Campeonato Nacional | 25/26 - Playoff Final Jornada 3  - 20:0...