sábado, dezembro 12, 2015

Já passaram os ciclistas

O Benfica tem quase dois meses para gozar a sua presença nos oitavos de final da Liga dos Campeões e são dois meses de satisfação garantida por uma razoável proeza excecionalmente bem paga. E depois? Depois logo se verá. Para já, é um descanso. Dois meses livres de inquietações internacionais. De facto, dois meses entre as melhores 16 equipas da Europa e dois meses de alocuções triviais em que não se cansarão de nos lembrar o patamar que foi alcançado, sobretudo se a nível interno as coisas não melhorarem significativamente, tal como muita gente teme que venha a acontecer. 

O que já se percebeu é que 2016 não vai ser o ano do regresso à estrada do ciclismo do Benfica. A única estrada a que o Benfica vai regressar é à da Liga dos Campeões nas suas curvas mais palpitantes e assustadoras. E já é um grande entretém até fevereiro. Porfiando em não perder mais terreno para os rivais na luta pelo título nacional, assinando negócios que deixaram os mesmíssimos rivais num mutismo tão incómodo como justificável, o Benfica viu esta semana Sporting e Porto disputar a posse de uma equipa de ciclismo que, aparentemente, garante a conquista da próxima edição da Volta a Portugal em bicicleta. 

Pelo Benfica, apeado e noutros afazeres, já passaram os ciclistas. Ganhou o Porto este curioso prólogo quase sem dar aos pedais, sendo que o Sporting, de tanto falar, acabou por não ter pulmão para chegar à meta. Quem haveria de dizer que dezembro era o mês do ciclismo no futebol português? Sim, no futebol português. Estamos a três semanas do Sporting-Porto para a Liga e esta questão das bicicletas, estando à mão de semear, foi apenas o primeiro estouro que antecipa o confronto em agenda. 

Quanto ao Benfica, que até tem uma roda de bicicleta no seu emblema, terá muito a beneficiar em deixar-se de tais ciclismos. Cabe-lhe somente prosseguir o caminho pelo seu pé, fazer os possíveis por não se espalhar mais no campeonato e, sem dar cavaco a ninguém, negociar o ‘naming’ do seu estádio com os executivos de uma grande empresa multinacional. E, de preferência, sem os avisar de que, qualquer que seja o ‘name’, nunca na vida o Estádio da Luz deixará de ser o Estádio da Luz. 


Outras histórias 
Um silêncio falsamente consternado 
O presidente do Marítimo goza da boa fama de não se acanhar em palavras quando os ‘grandes’ o irritam. Já tem acontecido. Agora foi por causa de uma caixa com bolas de berlim de pastelaria que recebeu das mãos do presidente do Sporting no papel de visitante de mãos- -largas. Partindo do episódio da doçaria e, posteriormente, do resultado do jogo que sorriu ao Sporting, logo se seguiu entre presidente insular e presidente insuflado uma troca de galhardetes que, por estar fresca na memória de todos, não vale a pena repetir nem insistir em como acabou. A questão é que, finalmente, o presidente do Sporting  encontrou um congénere que lhe deu alto troco em respostas diretamente disparadas às suas provocações. E não só diretas como igualmente insultuosas. Nunca os presidentes do Benfica e do Porto assim procederam em público. Optaram sempre por um silêncio falsamente consternado. Era, no fundo, o que se exigia também a Carlos Pereira em prol do urgente progresso da modalidade. 


Sobe e Desce 
Sobe 
Nuno Luz- Hablas español? 
Foi notável a desenvoltura em língua castelhana do jornalista da SIC por ocasião da visita dos adeptos ‘colchoneros’ à Luz. 

Musgueira - Por causa de um Renato
Um bairro pobre da periferia de Lisboa chega à imprensa internacional graças às habilidades de um jovem residente de 18 anos. 


Desce 
Volta a Portugal - Adeus ao pódio 
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Pérola 
"Só de pensar nos Aliados fico com pele de galinha", Julen Lopetegui 



Fonte : Leonor Pinhão @ correio da manhã


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