terça-feira, dezembro 12, 2017

O maior mistério da primeira volta

O director-geral do FC Porto foi expulso no fim do último clássico, que terminou empatado, tal como tinha sido expulso no fim do Vitória de Setúbal-FC Porto da última Liga, que também terminou empatado. Também no fim do recente Aves-FC Porto, que terminou empatado, Luís Gonçalves foi visto a ser agarrado por José Sá de para o impedir de perder o tino. Num outro jogo, que também terminou empatado – o Benfica-FC Porto da última Liga –, o director-geral do FC Porto surgiria alterado na chamada zona mista e, de acordo com os relatos, ameaçou um operador de câmara de uma estação de televisão por suspeitar, erradamente, de que teria sido aquele "o engraçadinho" que se atrevera a colocar uma questão incómoda ao senhor Pinto da Costa.

Está visto que este Luís Gonçalves é dono de um temperamento peculiar ao ponto de qualquer relativo insucesso lhe provocar nervoso miudinho, irritabilidade, enfim, carradas de nervos à flor da pele. Feitios não se discutem mas esta ausência de sangue-frio, este descontrole das emoções, esta impulsividade de feira, este pavio curto não rimam com a serenidade, com a ponderação e, sobretudo, com a imensa prudência de um suposto "Luís Gonçalves" que ainda hoje se pode ouvir através do Youtube no capítulo das escutas do Apito Dourado.

Dissuadindo gentilmente o empresário António Araújo de se alargar em pormenores depois de ter estado "a tratar com o presidente daquela situação do Nacional", o Luís Gonçalves disponível no Youtube é um compêndio de fleuma e de sagacidade: "…claro, claro, aquilo de que você me falou já sei." E quando Araújo, entusiasmado, insiste com um "agora…" logo se ouve o presumível Luís Gonçalves cortar-lhe o pio com um "…você hoje não vai tratar de nada, tratamos amanhã os dois" para logo ali se acabar com a conversa telefónica.

Estes dois "Luíses Gonçalves", está mais do que visto, não podem ser a mesma pessoa. Se o Gonçalves de hoje, o que evolui nos relvados, é um prodígio de fúrias, já o Gonçalves de ontem, o que fala ao telefone, é um prodígio de precaução.

Este é, para já, o maior mistério da primeira volta do campeonato nacional de 2017/2018. A nível internacional, foi incrível como um misterioso árbitro estrangeiro chamado Jonas (olha quem!) Eriksson (pois claro!) expulsou o cordial Filipe.

"Senti que estávamos a precisar de uma derrota" disse Guardiola depois de perder com o Shaktar Donestk. Esta soberba anormalidade do treinador City acabaria, no entanto, por perder para o figurino de Zorro com que Paulo Fonseca se apresentou à imprensa desdenhando-se a si próprio como se fosse, de facto, uma anormalidade o sucesso que acabara de obter. "Senti que estávamos a precisar de seis derrotas", é, no entanto, o que todos os benfiquistas querem ouvir de Rui Vitória num Maio festivo. Já que estamos em maré de anormalidades.



Fonte: Leonor Pinhão @ Record

sábado, dezembro 09, 2017

A Europa a feijões

Nenhum adepto do Benfica no seu perfeito juízo duvidou durante esta semana que o jogo marcado para o fim da tarde de hoje, no Estádio da Luz, com o Estoril Praia, será sempre muito mais importante para o definir da temporada de 2017/18 do que foi o jogo da última terça-feira, no mesmo distinto palco, com a equipa suíça do Basileia. Não é a valia dos adversários que está em causa. O que esteve e está em causa é a realidade das circunstâncias, triste realidade, circunstâncias lamentáveis em que o Benfica se viu inapelavelmente arredado de qualquer tipo de aventura internacional depois de uma série de cinco derrotas nos seus primeiros cinco jogos na fase de grupos da mais importante prova de futebol do continente. 

A perspetiva de uma sexta derrota a fechar o périplo apresentava-se não como uma inevitabilidade histórica mas, a acontecer, como o sintoma indisfarçável de uma mania já aguda. E aconteceu. É sempre assim o popular Benfica, avassalador na maré alta, eminentemente trágico nas suas marés baixas, sendo que esta maré europeia, baixíssima, vai ficar como um dos momentos mais falhados e mais embaraçantes a castigar a História do maior clube português. Castigos, sim, e muitos. Foi exatamente isso de que se tratou na noite de terça-feira com os suíços na Luz. Castigo para Pizzi, obrigado a ser titular depois dos seus remoques para o treinador quando se viu substituído no Dragão, castigo para o treinador por ter apresentado uma equipa 100% talhada para um jogo de pré-temporada a feijões, castigo também para Jiménez obrigado a ver do banco a entrada do noctívago Gabigol quando ele, pobre mexicano, nunca foi apanhado em tais práticas. 

E, finalmente, castigo imenso para os adeptos, que, ainda assim, preencheram metade da lotação do recinto na esperança de que alguém de encarnado vestido salvasse a honra do convento numa arrancada maluca, numa insistência desesperada. Como aquela de Seferovic, à meia hora de jogo, quando se viu sozinho no meio de muitos adversários e, sem ter ninguém dos seus com quem trocar a bola, resolveu dar meia-volta, fugir às marcações e rematar à baliza. Foi o melhor lance do ataque do Benfica contra o Basileia. Já na sexta-feira anterior, o melhor lance do ataque do Benfica contra o FC Porto foi no momento em que Krovinovic, sem ter ninguém dos seus com quem trocar a bola, resolveu arrancar sozinho para a baliza de José Sá. E quase que deu em golo. 

A Europa jogada a feijões já lá vai. E como fazer pior do que esta campanha é impossível, este pequeno Benfica só pode mesmo melhorar. 

Podence é mais baixo do que Messi mas daí a ser "baixinho"…  

A imprensa espanhola, que tanto embirrou com José Mourinho, resolveu agora embirrar com Jorge Jesus, não reconhecendo nem estatuto nem dimensão ao treinador do Sporting para tratar Lionel Messi por "ó, baixinho!" naquela ginga lusitana de lhe cravar um abraço em frente às câmaras no fim do jogo de Barcelona. "Demasiada confiança", escreveu o ‘AS’ com as peneiras do costume. 

Também é verdade que o argentino ajudou à festa, fingindo, à primeira, que não ouvia. Ergueu os olhos para o céu, como que à procura de um interlocutor francamente superior, mas acabou por se condoer e fez o obséquio de se deixar abraçar pelo treinador português. O esforço de Jorge Jesus, note-se, não foi o de um caça-autógrafos fascinado por celebridades. Foi o de um adepto emocionado por estar à beira do pequeno e fabuloso Lionel Messi. E, em Alvalade, Jesus até conta ao seu dispor com um rodas-baixas, Podence, que tem menos cinco centímetros do que o argentino. Mas daí a ser "baixinho"...



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

quinta-feira, dezembro 07, 2017

Sentido de voto

Toda a vida votei em partidos de esquerda – o que significa que nunca votei, por exemplo, no PS. Voto sempre com um misto de convicção, conformação e alívio. Convicção porque, de entre as propostas que me são apresentadas no boletim, é com as destes partidos que tenho mais afinidade, sobretudo no tema político que me interessa acima de todos: o da distribuição (ou redistribuição) da riqueza. Conformação porque o meu voto implica que eu aceite algumas características desses partidos que são difíceis de tolerar: uma rigidez de princípios um pouco assustadora, um sectarismo bastante incomodativo, uma inclinação absolutista que consegue ser inquietante. Recordo-me muitas vezes daquele passo do “FMI” em que José Mário Branco diz: “O menino é malcriado, o menino é pequeno-burguês, o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê?” Imagino sempre que gente inevitavelmente mais pura do que eu me faz os mesmos reparos. Só não formulo a pergunta final porque, no meu caso, a resposta é claramente afirmativa, e eu não quero oferecer argumentos fáceis aos acusadores, mesmo sendo eles imaginários. Alívio porque, até por causa do que fica escrito atrás, me satisfaz saber que os partidos que apoio não têm hipótese de ganhar. Gosto que tenham força, que sejam capazes de fazer contrapeso, que consigam inclinar a bússola para a esquerda, mas ficaria preocupado se deixassem de ser o tempero e passassem a ser a refeição.

Há alturas, porém, em que a convicção se sobrepõe ao resto. Esta semana foi uma dessas alturas. Um destes partidos extremistas, irrealistas, lunáticos, propôs a seguinte excentricidade: empresas que obtêm rendas excessivas e injustificadas, e que, também injustificadamente, cobram a factura energética mais cara da Europa, deveriam fazer uma contribuição, contribuição essa que não colocaria em causa o apoio que o Estado deve, justamente, prestar à produção de energias renováveis. BE e PCP votaram a favor da medida. Os sensatos PS e CDS votaram contra. O também ajuizado PSD absteve-se. E assim a proposta foi chumbada. Os lunáticos fizeram uma proposta sensata e os sensatos rejeitaram-na. Na EDP há vários ex-ministros do PS, do PSD e do CDS. E há ainda João Manuel Manso Neto, que tem as características físicas que eu, em criança, costumava atribuir aos desconhecidos que a minha avó dizia que viriam obrigar-me a comer a sopa. Talvez não seja sensato indispor toda esta gente. Mas, de facto, é um tipo de sensatez muito especial.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

sábado, dezembro 02, 2017

Uma bela coboiada

E lá foi na terça-feira Fernando Gomes, o presidente da FPF, todo ele um monumento de circunspeção, bater à porta da Procuradoria-Geral da nossa República praticamente um mês depois de ter ido bater à porta da Assembleia da mesmíssima República onde foi recebido por um simpático conjunto de deputados a quem expôs, compungidamente, alguns factos mais picantes – chamemos-lhes assim – desta enorme e deslustrosa coboiada em que se transformou a autodenominada indústria do futebol português. 

O esforço do presidente Gomes nem é sequer em prol da Verdade Desportiva visto que essa, com a introdução do vídeo-árbitro, pode-se considerar já como canonizada. O esforço do presidente da FPF é em prol dos burros tal como são vituperados pelo diretor de comunicação do Sporting todos os adeptos daquela coletividade – e das outras, também – que se recusam a perceber o que está verdadeiramente em causa no que diz respeito às coisas do futebol na sua relação com a lei geral do país. 

No seu périplo em prol da sanidade da indústria, chegou, portanto, Fernando Gomes na passada terça-feira ao gabinete da Procuradora-Geral da República, sito em Lisboa – claro! –, o que é mais uma prova da ‘macrocefalia’ assassina da Capital. Relatou, entretanto, a imprensa que a reunião do presidente da FPF com Joana Marques Vidal não terá demorado muito mais de 45 minutos. 

Sabe-se, de fonte seguríssima, que os 45 minutos a que teve direito na PGR, que é o órgão de cúpula do Ministério Público, gastou-os o presidente da FPF da seguinte maneira: 5 minutos para o ataque ao centro de treinos dos árbitros da Maia, 5 minutos para os e-mails, 5 minutos para as denúncias do Porto Canal, 5 minutos para as denúncias da BTV, 5 minutos para as claques legalizadas, 5 minutos paras as claques ilegalizadas, 5 minutos para aquele caso do dirigente do Porto no ativo que está a ser investigado por corrupção ativa, 5 minutos para as comissões de um jogador japonês tendo os 5 minutos finais sido inteiramente preenchidos na precaução de motins em face de uma iminente decisão do Supremo Tribunal de Justiça que pretende ver um antigo funcionário do Sporting ser ressarcido em 300 mil euros pela entidade patronal em causa. 

E muito rapidamente. Como facilmente se depreende foi pouca parra - uns míseros 45 minutos!- para tanta uva. Mas louve- -se a boa-vontade justiceira do presidente da FPF que, como é aceitável, gostaria de levar uma vida mais sossegada dentro dos condicionalismos inerentes à profissão. E louve-se também a paciência do nosso Ministério Público. E também a paciência do país em geral. 



Da beira da glória à beira do precipício  
Avoluma-se em densidade o estranho caso de Renato Sanches 
Na deslocação do pobre Swansea a Londres, onde se defrontou com o campeão Chelsea, mais pobre ficou, se ainda é possível, a reputação de Renato Sanches. Do internacional português com 20 anos feitos, campeão da Europa e pedra fulcral no tricampeonato do Benfica, se poderá dizer que nem idade tem para ter uma reputação sólida. Mas tem. E não é boa. 

Em Stamford Bridge, por volta da meia hora de jogo, recebeu a bola no meio-campo, procurou um colega com quem a trocar e, para espanto da vasta plateia, passou-a direitinha na direção de um placard de publicidade junto à linha lateral. Ajudando à festa, o atónito Paul Clement, que é o treinador dos galeses, levou a mão à cabeça em sinal de não querer acreditar no que tinha acabado de ver. 

As imagens do lance deram a volta ao mundo enquanto o diabo esfregou um olho. Avoluma-se em densidade este estranho caso de Renato Sanches que aos 18 anos esteve à beira da glória e aos 20 parece estar à beira do precipício. O que virá aí?




Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Benfica na TV - 2017/12/01

Sexta-feira, 2017/12/01
 - 16:00 - Futebol - SL Benfica B -v- FC Arouca - Segunda Liga - Jornada 15
 - 16:30 - Basquetebol Feminina  - Algés -v- SL Benfica - Campeonato Nacional - Jornada 9
 - 20:30 - Futebol - FC Porto -v- SL Benfica - Liga NOS - Jornada 13
  
Sábado, 2017/12/02
 - 15:00 - Futsal - SL Benfica -v- Quinta do Lombos - Campeonato Nacional - Jornada 13
 - 20:00 - Hóquei Feminina  - SL Benfica -v- CHP Plegamans - Liga Europeia
 - 21:00 - Andebol  - Arsenal C Devesa -v- SL Benfica - Taça de Portugal - Ronda 1

Domingo, 2017/12/03
 - 17:00 - Voleibol  - Castêlo da Maia GC -v- SL Benfica - Campeonato Nacional - Jornada 13

Terça-feira, 2017/12/05
 - 16:00 - Basquetebol - Avtodor Saratov -v- SL Benfica - Fiba Europe Cup - Grupo B Jogo 6
 - 17:00 - Voliebol - SL Benfica -v- UVC Holding GRAZ
 - 19:45 - Futebol - SL Benfica -v- FC Basel - Liga dos Campeões - Grupo A Jogo 6  (19:45)

Quarta-feira, 2017/12/06
 - 21:00 - Hóquei femininos - SL Benfica -v- APAC Tojal - Campeonato Nacional - Jornada 6

Sexta-feira, 2017/12/08
 - 17:00 - Voleibol - SL Benfica -v- Sporting CP - Taça de Portugal


Desporto de fim de semana - 2017/12/01

Futebol
Sexta-feira, 2017/12/01
 - 16:00 - Benfica B -v- Arouca -  Ledman LigaPro 17/18 (BTv)
 - 17:30 - Roma -v- SPAL 2013 -  Serie A 2017/18 (SportTv3)
 - 19:45 - Napoli -v- Juventus -  Serie A 2017/18 (SportTv3)
 - 20:30 - FC Porto -v- Benfica -  Liga NOS 17/18 (SportTv1)

Sábado, 2017/12/02
 - 12:00 - Barcelona -v- Celta de Vigo -  Liga Espanhola 17/18 (SportTv2)
 - 12:30 - Chelsea -v- Newcastle -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 14:30 - Bayern München -v- Hannover 96 -  1. Bundesliga 17/18 (SportTv3)
 - 15:15 - Atlético Madrid -v- Real Sociedad -  Liga Espanhola 17/18 (SportTv2)
 - 16:00 - Strasbourg -v- Paris SG -  Ligue 1 17/18 (SportTv5)
 - 16:00 - Benfica -v- Quinta dos Lombos -  Liga SportZone 17/18 (BTv)
 - 17:30 - Arsenal -v- Manchester United -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 19:00 - Monaco -v- Angers -  Ligue 1 17/18 (SportTv5)
 - 19:45 - Athletic -v- Real Madrid -  Liga Espanhola 17/18 (SportTv2)
 - 21:30 - Watford -v- Tottenham -  Premier League 2017/18 (SportTv3)

Domingo, 2017/12/03
 - 11:30 - Benevento -v- Milan -  Serie A 2017/18 (SportTv3)
 - 13:30 - PSV -v- Sparta Rotterdam -  Holland 17/18 (SportTv4)
 - 16:00 - Manchester City -v- West Ham -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 21:40 - Wolfsburg -v- Borussia M´gladbach -  1. Bundesliga 17/18 (SportTv3)

Terça-feira, 2017/12/05
 - 11:00 - Benfica -v- FC Basel -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv1)
 - 13:00 - Barcelona -v- Sporting -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv1)
 - 15:00 - Chelsea -v- Atlético Madrid -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 17:00 - Bayern München -v- Paris SG -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 19:45 - Barcelona -v- Sporting -  LC 2017/2018 (RTP1)
 - 19:45 - Benfica -v- FC Basel -  LC 2017/2018 (SportTv1)
 - 19:45 - Manchester United -v- CSKA Moskva -  LC 2017/2018 (SportTv2)
 - 19:45 - Bayern München -v- Paris SG -  LC 2017/2018 (SportTv3)
 - 19:45 - Olympiacos -v- Juventus -  LC 2017/2018 (SportTv4)
 - 21:40 - Chelsea -v- Atlético Madrid -  LC 2017/2018 (SportTv2)
 - 21:40 - Roma -v- Karabakh -  LC 2017/2018 (SportTv3)

Quarta-feira, 2017/12/06
 - 14:00 - FC Porto -v- Monaco -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv1)
 - 15:00 - Feyenoord -v- Napoli -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 17:00 - Real Madrid -v- Borussia Dortmund -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 19:45 - FC Porto -v- Monaco -  LC 2017/2018 (SportTv1)
 - 19:45 - Shakhtar Donetsk -v- Manchester City -  LC 2017/2018 (SportTv3)
 - 19:45 - Real Madrid -v- Borussia Dortmund -  LC 2017/2018 (SportTv2)
 - 19:45 - Liverpool -v- Spartak Moskva -  LC 2017/2018 (SportTv4)
 - 21:40 - Feyenoord -v- Napoli -  LC 2017/2018 (SportTv3)

Quinta-feira, 2017/12/07
 - 18:00 - HNK Rijeka -v- Milan -  Europa League 2017/18 (SportTv1)

Discriminar como Jesus discriminou

Duas semanas depois de se saber que um padre madeirense tinha sido pai de uma menina, o cardeal-patriarca defendeu que os homossexuais não deviam poder ingressar no seminário. Desejo a todo o custo evitar ser acusado do terrível pecado de atheistsplaining, mas este parece-me um raciocínio difícil de seguir: o facto de paroquianas aparecerem grávidas indica que talvez a homossexualidade dos clérigos não seja o problema mais premente da igreja. Não se percebe, aliás, como poderia ser um problema. Antes pelo contrário: os padres juram manter-se celibatários, e impor o celibato a um homossexual é uma solução que a moral católica costuma ver com muito agrado.

Para justificar a proibição, o cardeal-patriarca disse: “Em Cristo não há nada de homossexual, como os evangelhos relatam”. É verdade.  Mas também não há nada de heterossexual.  Cristo não manifesta interesse sexual por ninguém. O que, deve dizer-se, é pena. A Bíblia teria ainda mais leitores se o Messias, em conversa com os apóstolos, fizesse considerações do género: “Em verdade vos digo que a filha daquele fariseu é mesmo boa.” O que pode dizer-se com propriedade é que em Cristo não há nada de discriminatório. Parece ser essa, aliás, a característica que mais seduz os crentes. Por outro lado, é muito raro ouvirmos um teólogo louvar-lhe a heterossexualidade.

Na mesma ocasião em que rejeitou a entrada de homossexuais no seminário, o cardeal-patriarca também falou no padre madeirense. Disse que o padre poderia continuar na igreja, desde que “na fidelidade ao celibato, sem vida dupla”. Porque, acrescentou, um padre deve escolher “não constituir família”, pois só assim poderá ser “familiar de todos”. Estas declarações são ainda mais surpreendentes. Ninguém defende mais a família e o superior interesse da criança do que a igreja. Essa defesa costuma ser feita nestes termos: uma criança precisa de uma família, e uma família é constituída por um pai e uma mãe. A criança, sublinham sempre, precisa imprescindivelmente dessas duas figuras. É por isso que outros modelos de família não são admissíveis. Mas neste caso, ao que parece, acima do inferior interesse da criança está o superior interesse da diocese. O pai da criança deve renunciar à família, porque tem outras obrigações mais importantes. Aquela criança não pode ter uma família porque o pai tem de ser “familiar de todos”. Resumindo: naquele dia, o cardeal-patriarca disse que um homossexual não deve procurar uma vida de celibato e um heterossexual não deve constituir família. Julgo que é disto que fala o livro do Apocalipse. Vou procurar abrigo.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

sábado, novembro 25, 2017

6 minutos para marcar 3 golos

No minuto 84.º do jogo CSKA-Benfica com o “placard” em 2-0 a favor dos donos da casa, precisando o Benfica de ganhar o jogo, no mínimo por 3-2 para suplantar o resultado conseguido na Luz pelos russos, e confiando espiritualmente numa vitória do Manchester United em Basileia – o que não viria de todo a acontecer – atirou de supetão o treinador do Benfica com o sérvio Andrija Zivkovic para o relvado segredando-lhe, baixinho, ao ouvido gelado: “Vai, miúdo, tens 6 minutos para marcar 3 golos!”, o que também acabou por não suceder. O futebol, na verdade, tem destas coisas incríveis. O melhor que Zivkovic ainda conseguiu foi cobrar um pontapé de canto de que resultou um alívio da defesa moscovita. Que chatice, Zivkovic. Assim não vais a lado nenhum.

O presidente do FC Porto responsabilizou os “Ruis Gomes das Silvas” e os “Goberns” pelo momento destemperado do futebol português. “Há muitos anos que estes senhores minam o futebol português e o clima na arbitragem”, especificou. Dito isto, e não foi pouco, apelou o mesmíssimo presidente do FC Porto a um momento de “meditação” geral. Pois muito bem, vou seguir-lhe o conselho e meditar um bocadinho sobre tamanhos assuntos e já cá volto.

O melhor momento da semana no que diz respeito à comunicação do Benfica – se entendermos a “comunicação” como a arte de expressar a cultura de uma agremiação nos bons e nos maus momentos e até nos momentos assim-assim – foi a intervenção do senhor Jonas mal terminou o jogo com o CSKA consumada a eliminação do campeão português de toda e qualquer aventura europeia até à próxima temporada. Que se apresenta longínqua, muito longínqua. Ainda equipado e com os cabelos em natural desalinho, disse Jonas, entre outras coisas mais circunstanciais, ao jornalista que lhe apareceu pela frente na zona das entrevistas rápidas: “Devemos dar os parabéns às equipas que se classificaram”. Melhor e mais rápido do não se podia pedir ao extraordinário jogador brasileiro que está à beira de marcar o seu centésimo golo com a camisola do Sport Lisboa e Benfica. Jonas é História.

Bem tento seguir o apelo do presidente do FC Porto em prol da urgente “meditação” geral sobre os malefícios causados ao futebol português pelas pessoas que há muitos anos “minam o clima na arbitragem”. Mas é tão difícil atingir este estado de abstração proposto pelo grande Dalai Lima. Por mais que uma pessoa se esforce é praticamente impossível.

O Conselho de Arbitragem da FPF autorizou a transmissão audiovisual em direto das azáfamas vividas no Centro do Video-Árbitro no decorrer dos jogos do campeonato. Seria uma belíssima e profícua medida de saneamento dos costumes se Portugal fosse culturalmente um país europeu. Não sendo, é de temer o pior. Meditemos.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

Falta de comparência

Solidário com os árbitros portugueses, vítimas de uma campanha de coação por parte de estranhos – tal como o Benfica proclamou através da sua estação de televisão –, entendeu o mesmo Benfica que o modo mais eficaz de apoiar a anunciada falta de comparência dos ditos árbitros na próxima jornada do campeonato seria rubricar estrategicamente a sua posição sobre este tema com uma estrondosa falta de comparência da sua equipa principal no jogo de Moscovo na quarta-feira seguinte. Dito e feito. 

Os árbitros, entretanto, resolveram pensar melhor no assunto, reuniram-se e desconvocaram a greve com que chegaram a ameaçar o ‘status quo’ – expressão latina que significa qualquer coisa como o ‘estado atual’ – do futebol português apresentando, em alternativa, um caderno de reivindicações semânticas que pretendem ver respeitadas com caráter de urgência sob pena de voltarem a equacionar o uso do último recurso das classes laborais, a malfadada greve. Por pura maldade, está visto, a assembleia de árbitros ocorreu já depois das sete da tarde de quarta-feira, não dando a mínima hipótese ao Benfica de rever a sua expressão de solidariedade com a falta de comparência dos juízes de campo que seria desconvocada já depois de a equipa campeã de Portugal ter assumido no relvado a sua própria falta de comparência no decisivo jogo com os russos do CSKA. 

Foi, assim, em vão o sacrifício da equipa orientada por Rui Vitória. A falta de comparência, a não-exibição em Moscovo redundou naturalmente numa derrota por 2-0 que acabou por não servir para coisíssima nenhuma a não ser para dar moral e para devolver o bom nome ao guarda-redes do CSKA, que vinha sofrendo golos há 43 jogos consecutivos na Liga dos Campeões e que, ao 44º jogo, tendo pela frente o Benfica lá conseguiu ver interrompida a sua série negra. Digo-te já, meu caro Akinfeev, que ou era naquela noite ou nunca mais era. Chegando o Benfica à gélida da Rússia com um cúmulo adquirido de quatro faltas de comparência nos quatro jogos entretanto disputados nesta fase inicial da prova e apenas com um golo apontado, ser-lhe-ia, na realidade, muito difícil contrariar o padrão imposto. 

A greve total do Benfica na Europa teve, no entanto, um mérito que poderá vir a servir para alguma coisa tendo em conta que ainda faltam seis meses para o fim da temporada. É que, no meio de tudo isto, salvou-se Filip Krovinovic. Por não ter sido inscrito na UEFA – bem visto! – o croata escapou à mão cheia de desastres internacionais e pode apresentar-se com o moral intacto para o muito que ainda vem aí. É o único.



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

Miguel Abracadabrantes

Tão fascinante como a questão da existência de Cristo foi, durante anos, o debate sobre a existência de Miguel Abrantes. Os crentes diziam que Miguel Abrantes existia mesmo e era óbvio que mantinha um blog de apoio a José Sócrates por gosto, até porque a ideia de pagar a um blogger para elogiar o governo era cómica; os incréus diziam que não existia uma pessoa chamada Miguel Abrantes mas alguém que, escondido atrás desse nome, era pago para defender Sócrates e atacar quem o criticasse. Como se verificou mais tarde, em certa medida todos tinham razão: de facto, não existia um Miguel Abrantes; de facto, ele era pago para elogiar o governo; de facto, a ideia de pagar a um blogger para elogiar o governo era cómica. O problema é que, quando se trata de José Sócrates, quanto mais cómicas são as suspeições, mais verdadeiras vêm a revelar-se. Se determinada acção é ridícula, em princípio foi praticada por José Sócrates: eis uma lei natural que escapou a Newton.

Os depoimentos que Miguel Abrantes e Domingos Farinho prestaram perante o juiz da Operação Marquês contêm algumas revelações interessantes. Farinho, por exemplo, explica que a ajuda que deu a Sócrates se justificava porque “era a primeira vez que ele fazia um trabalho académico”. Tendo em conta o modo como sabemos que Sócrates se licenciou, é perfeitamente plausível que o ex-primeiro-ministro tenha chegado ao mestrado sem ter feito um único trabalho académico. As declarações do pseudo-Miguel Abrantes também parecem verdadeiras. Diz que também ele ajudou a rever a tese de mestrado de Sócrates (para simplificar, vou continuar a chamar tese de mestrado àquilo que parece ter sido, na verdade, um trabalho de grupo do 11º ano), mas corrigiu apenas coisas pequenas, como “quando é que ‘demais’ é junto ou quando é ‘de mais’”. Também aqui encontramos uma ressonância de verdade: se há pessoa que parece não saber quando é demais, essa pessoa é José Sócrates. Abrantes acrescenta que chegou a enviar a Sócrates uma entrada do Ciberdúvidas em que se esclarece a diferença entre “demais” e “de mais”. Não tinha custado nada adaptar a informação contida nesse artigo às necessidades pedagógicas de Sócrates, tornando a explicação mais fácil de assimilar. Por exemplo, “demais” enquanto pronome equivalente a “outros”: “Alguns anjinhos engoliram as patranhas do sr. engenheiro sobre o dinheiro de família, mas os demais preferiram acreditar na investigação do José António Cerejo.” “Demais” como advérbio com a função de “além disso”:  “O pavimento que o sr. engenheiro escolheu para a casa do seu amigo não é barato; demais, é muito escuro”. “Demais” como advérbio que tem o significado de “excessivamente”: “O sr. engenheiro não gastará demais para os rendimentos que tem?” Finalmente, temos então “de mais”, a locução adverbial com o significado de “a mais”: “O Carlos Santos Silva já tem cartão de milhas na Fnac, pois comprou livros de mais.” Após esta ajuda, fico à espera do contacto de Rui Mão de Ferro. Passo factura.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

sábado, novembro 18, 2017

1.ª classe e sem classe nenhuma

Por onde anda António Pimenta Machado? Onde parará o homem que foi presidente do Vitória de Guimarães durante um quarto de século e que ficou para a história ao resumir numa frase a insofismável natureza da verborreia da indústria: “No futebol o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira", disse no século passado. A propósito de quê já ninguém se lembra – talvez do iminente despedimento de um qualquer treinador… – mas a realidade é que o seu axioma não só perdura como se revigora a cada dia. Esta semana, então, tem sido um exagero.

Faz falta aquela verve única e descomprometida de Pimenta Machado que, talvez por não ser presidente de nenhum “grande” e por ter fortuna própria, podia dar-se ao luxo de dizer o que lhe ia na alma antes de haver redes sociais e diretores de comunicação. Muitos gostariam de conhecer a opinião que terá hoje António Pimenta Machado, se ainda tiver paciência para estas coisas, ao ouvir “o pior funcionário do mundo”, o ex-futebolista Manuel Fernandes segundo o seu ex-atual-patrão, afirmar que o seu ex-actual-patrão não passa a vida a dizer que “trabalha 24 horas por dia” quando, comprovadamente, passa o mesmo a vida a proclamar que trabalha 24 horas por dia? E o que teria a dizer hoje António Pimenta Machado, se é que segue estas aventuras culinárias, sobre “o melhor funcionário do mundo”, Francisco José Marques, publicando sobre cefalópodes neste Outono quando ainda no último Inverno as paredes das casas, dos escritórios e as montras dos restaurantes dos seus patrões e afins foram pintadas a tinta de choco por adeptos portistas – “híbridos”, certamente – em fúria? Em fúria, sim, vá lá saber-se porquê.

Volta o futebol a sério neste final de semana com a Taça de Portugal depois de uma paragem devida a dois jogos amigáveis da nossa seleção neste período que pode ser chamado de tudo menos de amigável no âmbito alargado do futebol português. Até insultos tem havido. Neste interregno, o presidente do Benfica, por exemplo, chamou “merceeiro” a um comentador afeto ao clube, o que pode ser considerado um insulto. O presidente do Sporting, para não ficar atrás, insultou Luís Filipe Vieira, António Salvador, Augusto Baganha, Octávio Ribeiro, Ribeiro e Castro, Pedro Madeira Rodrigues, Paulo Pereira Cristóvão, Rui Santos e todos os sportinguistas que não o amam a quem chamou “vermes”, o que também poderá ser considerado um insulto. O presidente do Porto não insultou ninguém. Está a aprender francês.

A última prestação de João Gobern no programa “Trio de Ataque” da RTP3 foi o melhor momento de comunicação em prol do Sport Lisboa e Benfica desde que Eliseu saltou para a lambreta na festa do “tetra”. Que classe, Gobern. Aliás, nestas coisas, só há duas classes: 1.ª classe e sem classe nenhuma.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

Sábado, 2017/11/18
 - 14;30 - Basquetebol - Sl Benfica -v- Ovarense - Campeonato LPB - Jornada 8 - Pavilhão Fidelidade
 - 16:00 - Voleibol - Sl Benfica -v- Leixões Sc - Campeonato Nacional - Jornada 10 - Pavilhão Nº 2
 - 18:15 - Futebol - Sl Benfica -v- Vitória Fc - Estádio Do Sport Lisboa E Benfica
 - 20:30 - Andebol - Sl Benfica -v- Ada Maia - Campeonato Nacional - Jornada 11 - Pavilhão Nº 2

Domingo, 2017/11/19
 - 16:00 - Futsal - Sl Benfica -v- Modicus - Campeonato Nacional - Jornada 11 - Pavilhão Nº 2
 - 18:00 - Hóquei Em Patins Femininos - Stuart Hc Massamá -v- Sl Benfica - Campeonato Nacional - Jornada 5

Quarta-feira, 2017/11/22
 - 11:00 - Futebol Cska De Moscovo -v- Sl Benfica - Uefa Youth League - Grupo A Jogo 5 - Stadium Oktyabr Artificial Turf
 - 17:00 - Futebol - Cska De Moscovo -v- Sl Benfica Liga Dos Campeões - Grupo A Jogo 5 - Arena Cska
 - 20:30 - Voleibol - Sl Benfica -v- Acs Volei Municipal Zalau - Challenge Cup - Apuramento Jogo 2  - Pavilhão Nº 2

Desporto de fim de semana - 2017/11/28

Futebol
Sábado 2017/11/18
 - 12:30 - Arsenal -v- Tottenham -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 14:30 - Bayern München -v- FC Augsburg -  1. Bundesliga 17/18 (SportTv4)
 - 15:00 - Leicester City -v- Manchester City -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 15:15 - Leganés -v- Barcelona -  Liga Espanhola 17/18 (SportTv2)
 - 16:00 - Paris SG -v- Nantes -  Ligue 1 17/18 (SportTv1)
 - 17:00 - Roma -v- Lazio -  Serie A 2017/18 (SportTv4)
 - 17:30 - Manchester United -v- Newcastle -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 18:15 - Benfica -v- V. Setúbal -  Taça Portugal 17/18 (SportTv1)
 - 19:45 - Atlético Madrid -v- Real Madrid -  Liga Espanhola 17/18 (SportTv2)
 - 19:45 - Napoli -v- Milan -  Serie A 2017/18 (SportTv3)
 - 21:40 - Liverpool -v- Southampton -  Premier League 2017/18 (SportTv3)
 - 23:30 - West Bromwich -v- Chelsea -  Premier League 2017/18 (SportTv3)

Domingo 2017/11/19
 - 13:30 - Zwolle -v- PSV -  Holland 17/18 (SportTv3)
 - 14:00 - Sampdoria -v- Juventus -  Serie A 2017/18 (SportTv1)
 - 15:00 - Alverca -v- Lourinhanense - AF Lisboa Pro-nacional 2017/18 - Complexo Desportivo FC Alverca
 - 15:00 - SC Praiense -v- Vilafranquense - Taça de Portugal Placard 2017/2018 - Municipal da Praia da Vitória
 - 16:00 - Benfica -v- Modicus -  Liga SportZone 17/18 (TVI24)

Terça-feira, 2017/11/21
 - 13:00 - Borussia Dortmund -v- Tottenham -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv1)
 - 15:00 - Sevilla -v- Liverpool -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 19:45 - Manchester City -v- Feyenoord -  LC 2017/2018 (SportTv3)
 - 19:45 - Borussia Dortmund -v- Tottenham -  LC 2017/2018 (SportTv2)
 - 19:45 - Monaco -v- RB Leipzig -  LC 2017/2018 (SportTv5)
 - 19:45 - APOEL -v- Real Madrid -  LC 2017/2018 (SportTv1)
 - 19:45 - Sevilla -v- Liverpool -  LC 2017/2018 (SportTv4)
 - 21:40 - Napoli -v- Shakhtar Donetsk -  LC 2017/2018 (SportTv2)

Quarta-feira, 2017/11/22
 - 11:00 - CSKA Moskva -v- Benfica -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv1)
 - 13:00 - Paris SG -v- Celtic -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 15:00 - Juventus -v- Barcelona -  UEFA Youth League 17/18 (SportTv2)
 - 17:00 - CSKA Moskva -v- Benfica -  LC 2017/2018 (SportTv1)
 - 17:00 - Karabakh -v- Chelsea -  LC 2017/2018 (SportTv2)
 - 19:45 - FC Basel -v- Manchester United -  LC 2017/2018 (SportTv3)
 - 19:45 - Atlético Madrid -v- Roma -  LC 2017/2018 (SportTv5)
 - 19:45 - Paris SG -v- Celtic -  LC 2017/2018 (SportTv4)
 - 19:45 - Juventus -v- Barcelona -  LC 2017/2018 (SportTv2)
 - 21:40 - Anderlecht -v- Bayern München -  LC 2017/2018 (SportTv2)

Quinta-feira, 2017/11/23
 - 18:00 - FC Köln -v- Arsenal -  Europa League 2017/18 (SportTv1)
 - 20:05 - Milan -v- Austria Wien -  Europa League 2017/18 (SportTv2)



Esse enorme escultor

Escrevia, no já distante ano de 1983, Marguerite Yourcenar sobre as "modificações sublimes" que a passagem do tempo inevitavelmente produz sobre as obras dos homens e as intenções dos mesmos sem nunca lhe ter passado pela cabeça como o futebol "au" Portugal se viria a transformar nesta segunda década do século XXI numa espécie de laboratório vivo do seu postulado ‘O Tempo, Esse Grande Escultor’. Tomemos por exemplo o fenómeno dos títulos do Sporting segundo Bruno de Carvalho. 

Em abril de 2016 apontou Carvalho na rede social da sua predileção para um número de títulos conquistados pelo emblema de que é o mais inspirado representante de todos os tempos: "Quase 110 anos de história ajudam a explicar o porquê de o Sporting ser unanimemente considerado a Maior Potência Desportiva Nacional e um dos Clubes mais vitoriosos de todo o Mundo. 

Os números podem falar por nós: temos no nosso património cerca de 20 000 títulos arrebatados." Menos de um ano e meio depois desta incursão ao Facebook, e por ocasião de uma festa interna ocorrida na semana passada em Alvalade, verificou-se que o tempo para o presidente do Sporting não é um grande escultor, é um enorme escultor. 

Oiçamo-lo: "Somos o clube do Mundo com mais títulos. Não é de Portugal, não é da Europa. É do Mundo! Temos mais de 22 mil títulos nacionais e internacionais, o que faz de nós a maior potência desportiva nacional e mundial!" 

Os 2 mil títulos "arrebatados" em 17 meses a uma média de 4 títulos por dia podem ter passado despercebidos a muita gente de má-fé mas o que não se pode ignorar de todo é como o tempo, esse grande escultor, foi um enorme escultor no caso ainda mais recente do "perdão" a Bryan Ruiz, o costa-riquenho proscrito vá lá saber-se porquê. Por ter falhado um golo de baliza aberta num jogo com o Benfica não terá sido com certeza. 

No dia 6 de novembro, a FIFA e a Federação Internacional de Futebolistas Profissionais assinaram um acordo que permite automaticamente aos jogadores abandonar os clubes que não cumpram com o pagamento dos salários ou que tenham "condutas abusivas" como é o caso de um clube que obrigue um jogador a treinar-se por conta própria e à parte dos restantes colegas de equipa. 

E, posto isto em cima da mesa, não é que 6 dias depois, a 12 de novembro, foi anunciado o tal "perdão" a Bryan Ruiz depois de um encontro "reconciliatório" com o presidente do clube. Um reencontro adorável, garante a imprensa livre, que só o tempo, esse brutal escultor, poderia finalmente proporcionar. E proporcionou. Qual FIFA, qual carapuça! 



Mais um crime de lesa-Porto  
Danilo no call center e não obriguem o Catão a ir "mais longe"  
Até a seleção nacional tem a sua utilidade para que o combustível pingue para esta fogueira que vai aquecendo e sobreaquecendo o ambiente geral do futebol cá da gente. 

Não se atrevendo – por enquanto…  – a chamar "lampião" a Fernando Santos, veio o FC Porto protestar contra a "sobreutilização" do seu jogador Danilo Pereira nos tão amigáveis encontros com a Arábia Saudita e com os EUA considerando, certamente, que se tratou de um crime de lesa-Porto à semelhança de tantos outros que fazem furor nas redes sociais. 

Prova provada de que o Benfica manda nisto tudo é o facto de Pizzi ter sido convocado não para se cansar jogando mas para se sentar, com toda a comodidade, no call center da Federação Portuguesa de Futebol atendendo telefonemas da linha solidária com as vítimas dos incêndios deste verão. 

Estes tratamentos de privilégio têm de acabar. Não obriguem o Catão a ir "mais longe" desobedecendo "às ordens" para não "rebentar mais bombas". Mas ordens de quem?



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

Incríveis incredibilidades

A Web Summit é uma mistura bastante inteligente de eucaristia com salão erótico, uma vez que alia a crença devota em entidades etéreas invisíveis – como a Cloud –, com a tecnofilia – a excitação sexual provocada pela visualização e/ou o manuseamento de bugigangas electrónicas

Depois do centenário das aparições de Fátima, Portugal teve a sorte de acolher também, e no mesmo ano, a comemoração das aparições de Paddy Cosgrave, o responsável pela Web Summit. A Web Summit, como todos os certames que possuem um nome em estrangeiro, tem bilhetes muito caros e atrai a atenção da imprensa. É uma mistura bastante inteligente de eucaristia com salão erótico, uma vez que alia a crença devota em entidades etéreas invisíveis – como a Cloud –, com a tecnofilia – a excitação sexual provocada pela visualização e/ou o manuseamento de bugigangas electrónicas. Os websummíticos esgotam a lotação da Altice Arena e, durante quatro dias, têm pequenos êxtases místicos a ouvir falar de start-ups, que são empresas que abrem, recebem umas injecções de capital, consomem esse capital, e fecham. De vez em quando, uma destas empresas torna-se multimilionária e, em nome de um mundo novo e melhor, adopta todos os procedimentos das empresas multimilionárias do mundo velho e pior, como a tentação do monopolismo e aversão ao pagamento de impostos.

Na cerimónia de abertura, o já citado Paddy Cosgrave entra em palco vestido como se tivesse menos 20 anos e, para não deixar dúvidas de que nos encontramos num evento extremamente tecnológico, fala em frente a um cenário cheio de luzinhas de várias cores que acendem e apagam. Vê-se imediatamente que estamos na presença de uma pessoa que não acredita em coisas do passado. Por exemplo, em pentes. Cosgrave começa por dizer: “Sejam incrivelmente bem-vindos à Web Summit, e incrivelmente bem-vindos a Lisboa.” Pouco depois, diz: “É incrível que tenham vindo.” Mais à frente, promete: “Vocês vão conhecer pessoas incríveis.” Uma tal concentração de incredibilidade, além de cansativa, parece-me até potencialmente prejudicial à saúde. Depois de quatro dias de contacto intenso com coisas incríveis, os participantes vão sair da Altice Arena e, inevitavelmente, serão confrontados com coisas bastante críveis: arruamentos, edifícios, uma paragem de táxis. A passagem abrupta de um mundo incrível para um universo crível pode causar nas pessoas o efeito da ressaca da droga. Talvez fosse melhor que a Web Summit tivesse um plano de desmame progressivo em que, no último dia, os oradores seriam cada vez menos incríveis, até serem completamente críveis. Paddy Cosgrave não parece preocupado com este problema, tanto que continuou a encadear considerações incríveis. Primeiro fez referência ao seu filho de um ano (que não qualificou como incrível, mas julgo que estava subentendido), e depois revelou o nome da criança: Cloud. Não é tão incrível como se o miúdo se chamasse App, ou JavaScript, mas mesmo assim é bastante incrível.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão