segunda-feira, março 27, 2017

Frases - III


"User experience is everything. It always has been, but it’s undervalued and underinvested in. If you don’t know user-centered design, study it. Hire people who know it. Obsess over it. Live and breathe it. Get your whole company on board."
  - Evan Williams, CoFounder, Twitter

sábado, março 25, 2017

A inteligência amarela

E , subitamente, o V. Setúbal, o carrasco que nesta edição do campeonato sonegou 5 pontos ao campeão, transformou-se à pala do esforço do seu coletivo e de dois toques de magia de um tal João Carvalho naquilo a que se pode chamar, com toda a propriedade, ‘o abono de família do Benfica’ porque foi ao Estádio do Dragão empatar com o FC Porto exibindo uma total desconsideração pelo programa das festas, um supino descaramento perante o ‘status quo’ e uma inaceitável falta de humildade perante o triste fado que lhe estava traçado. 

Frustração, tristeza, deceção – foram estas as palavras com que Nuno Espírito Santo resumiu o que lhe ia na alma mal o jogo terminou. Mas não serão estas as palavras condescendentes com que a massa adepta do FC Porto terá avaliado o trabalho do seu treinador e da sua equipa consumado o empate caseiro com o V. Setúbal. 

E tal como muitos adeptos do Benfica, aqueles menos sugestionáveis pela bolorenta tradição de assacar aos árbitros todas as culpas, se recusaram a ver numa eventual grande penalidade perdoada ao Paços de Ferreira nos derradeiros segundos do jogo a explicação completa para a exibição ineficaz e para o triste nulo de sábado, também muitos adeptos do Porto, os menos sugestionáveis pelos ditames da propaganda, não aceitarão no seu íntimo que houve 2 pontos a voar no domingo por causa de o árbitro se ter recusado a apontar, no mínimo, três vezes para a marca de penálti como era costume antigamente. 

Esta foi a jornada em que, para lá do exposto, se viu fortemente abalada pelos acontecimentos reais a teoria da chamada gestão inteligente dos cartões amarelos que, em termos práticos de resultados, se revelaria de uma burrice a toda a prova. 

Com conivências inadmissíveis na exigência de um 5º cartão que o colocaria fora do clássico, o massacre a Pizzi durou uma semana inteira nas primeiras páginas dos jornais e redundou num fracasso. Por outro lado, com cânticos à sagacidade de Nuno Espírito Santo, a tal gestão dos amarelos a pensar no clássico tirou Maxi Pereira e André André do joguinho a feijões com o V. Setúbal. 

E, agora, vão lá perguntar aos adeptos portistas se não lhes fizeram falta, no domingo, os dois excedentários do assalto falhado à liderança. Certo é que também Pizzi vai jogar o clássico. E Felipe também lá estará, se bem que podia ter sido expulso sem escândalo nos instantes finais do jogo com o Vitória. 

Mas não foi expulso e ainda bem. Quem sabe se não volta a escorregar no Dia das Mentiras e, assim, cairá uma vez mais por terra o trabalho porfiado dos cientistas dessa extraordinária especialidade de gestão em cartões amarelos. 



Outras histórias... 
Reescrever a História na Costa Remediada 
A inauguração do Pavilhão ex-João Rocha, esse incompetente.  
Em digressão pela Costa Rica, o presidente do Sporting admitiu fazer o sacrifício de prolongar a sua estada se o proposto martírio, pacífico ou caribenho, tanto faz, garantir que o Sporting continua a recuperar os pontos que leva de atraso dos seus alegados rivais como aconteceu no último fim de semana. 

É que ambos, por comparação com o Sporting, continuam muito bem instalados no topo da tabela. Na condição de líder ou em qualquer outra condição, Bruno terá, no entanto, de regressar ao país já em abril para proceder formalmente à inauguração do Pavilhão João Rocha ou, melhor, do Pavilhão ex-João Rocha. 

Isto, tendo em conta que, de acordo com o que afirmou perentoriamente a um oceano de distância, nem João Rocha prestou para alguma coisa como presidente do Sporting. Nem Rocha, nem nenhum outro se lhe chega aos calcanhares. "Em 110 anos não vi um presidente preocupado com a nossa identidade", disse na Costa Rica. Ou na Costa Pobre. Ou terá sido na Costa Remediada?


Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha


Núncio costureira e Núncio patroa

A revista à portuguesa já não é o que era. Quando Paulo Núncio resolveu reeditar a rábula clássica da Olívia costureira e Olívia patroa, todos ficámos com ainda mais saudades de Ivone Silva. Do ponto de vista do texto, Núncio começou por revelar imaginação: a actualização do número, transformando a dicotomia 
Olívia costureira/Olívia patroa na moderna Núncio advogado especialista em evasão fiscal/Núncio secretário de Estado dos 
Assuntos Fiscais, deu frescura e novidade à rábula. 
O problema é que Núncio, muito menos talentoso do que Ivone Silva, é manifestamente incapaz de representar duas personagens diferentes. O Núncio secretário de Estado mantinha a tal ponto as motivações e os tiques do Núncio advogado que era praticamente impossível distingui-los. Assim se vê a falta que faz um bom director de actores.
A rábula original vivia, precisamente, da tensão gerada, na mesma pessoa, por duas personalidades antagónicas. Em certo passo célebre, Ivone Silva queixava-se: “Ó mulher, tu sabes lá o que é uma 
pessoa adormecer do PCP e acordar do CDS.” Núncio não passou pelo mesmo problema porque, como ficou claro, adormeceu advogado e, enquanto secretário de Estado, esteve sempre a dormir. Perdeu-se por completo a densidade humorística – embora, curiosamente, haja quem tenha ficado a rir, e muito.

O momento em que a Olívia costureira topava no espelho com a Olívia patroa também não transitou para o novo número. Ivone Silva insultava-se a si mesma, porque na verdade tinha duas almas, ao passo que Núncio não tinha nenhuma, uma vez que a tinha posto à venda logo no começo da rábula. Desperdiçou-se uma oportunidade de ouro para fazer bons jogos de palavras, tão ao gosto popular. O Núncio secretário de Estado poderia esconjurar o Núncio advogado dizendo “Abrenúncio, Núncio!”, ou insultá-lo de “pafúncio Núncio”, por exemplo. Executada deste modo, a rábula teria feito rir a plateia. Assim, fez chorar os contribuintes. Também tem graça, mas é bastante mais amarga. E, para este tipo de espectáculo, o bilhete acaba por ser sempre mais caro.

Os apreciadores de teatro de revista terão sentido falta, também, do número musical que costumava fechar a rábula. Assunção Cristas bem tentou, mas apresentou-se desacompanhada de viola e guitarra, e a cantiga que entoou não conseguiu convencer ninguém. Foi pena.


Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão



segunda-feira, março 20, 2017

Frases - II


"Remember to celebrate milestones as you prepare for the road ahead."
  - Nelson Mandela


sábado, março 18, 2017

Estão com medo do Pizzi ?

O Benfica joga esta noite em Paços de Ferreira e, para além da valia dos donos da casa, já sabe com o que contar. O Pizzi tem de ver um cartão amarelo dê lá por onde der. Um cartão amarelo que o impeça de defrontar o Porto daqui por duas semanas sob pena de o árbitro, se for o do talho, ficar sem talho, se for o do restaurante, ficar sem restaurante, se for o da advocacia, ficar sem escritório, se for o bancário, ficar sem balcão de atendimento ao público. Estão com medo do Pizzi? Parece que sim. Imagine-se, ter medo do Pizzi, esse excedentário do futebol português que só foi agora chamado aos trabalhos da Seleção porque o selecionador, de tanto ouvir falar no Pizzi e no Pizzi e, outra vez, no Pizzi, se lembrou que o Pizzi existia. E poderia parecer mal não dar uma oportunidade a um jogador de que toda a gente fala por amor à verdade desportiva e por respeito aos bens materiais e imóveis dos nossos pobres árbitros que não têm quem os defenda.

Pizzi, atenção, hoje à noite em Paços de Ferreira não te ponhas com continências que podem ser consideradas flagrante atitude de grosseria para com as instituições militares tendo em conta que és um civil nem, muito menos, te atrevas a franzir o rosto semicerrando os olhos quando te couber cobrar uma falta a favor do Benfica, isto se houver faltas a favor do Benfica, naturalmente. Aquele teu olhar maroto, tão característico, configura há 15 jornadas um grande desrespeito pela oftalmologia nacional. É hoje, Pizzi, é hoje.

Julgado, uma vez mais, improcedente, terminou no Tribunal Arbitral do Desporto o, afinal, não-caso dos vouchers. O queixoso reagiu através das redes sociais, o seu campo de eleição, clamando por uma “total sintonia entre os regulamentos disciplinares” do futebol e “as leis da República”. Ninguém com bom senso e espírito democrático poderá ser contra essa desejável concordância que, em boa hora, retiraria a todo o edifício do futebol o privilégio absurdo de se ver como um Estado à parte dentro do Estado a sério. Tome-se por exemplo o caso judicial que ficou conhecido como Apito Dourado em que o FC Porto foi condenado na justiça desportiva e os seus responsáveis ilibados na justiça civil. Ou, mais recentemente, o caso Cardinal em que o seu responsável foi condenado na justiça civil e que, entretanto, já prescreveu alegremente na justiça desportiva. Ah, que sinfonia seria se houvesse sintonia.


Fonte: Leonor Pinhão @ record


Trezentos minutos

O futebol mudou muito. Quer dizer, o futebol propriamente dito não mudou nada. Aqueles 90 minutos mantêm-se obedientes a dúzia-e-meia de regras, muito claras, que tornam o essencial acessível à inteligência de todos, incluindo criancinhas. Por vezes, há quem queira mexer nas leis deste jogo. Ainda recentemente apareceu um sujeito holandês a clamar pelo fim do offside, essa regra sem a qual qualquer burro pode ser um razoável futebolista. 

Imagine-se uma coisa destas. Não foi, portanto, o futebol que mudou nos últimos anos. Foi o público. Os adeptos, os associados e até os curiosos, que são imensos, à força de tanto noticiário e debate sobre economia, finanças e gestão dos clubes de futebol passaram a comportar-se como técnicos de contas sapientíssimos de balancetes e conscientíssimos das terríveis debilidades de tesouraria das suas grandes associações desportivas que vão fazendo pela vida neste cantinho da Europa. 

Assim se explica o indisputado fair-play com que encaixaram as esperadas más notícias os valentes adeptos do Benfica e do FC Porto que viajaram até Dortmund e até Turim para apoiar, ao vivo, as suas equipas nas respetivas decisões destes fatais ‘oitavos’ da Liga dos Campeões. Certos das dificuldades operativas dos seus conselhos de administração, conhecedores de todos os orçamentos, cientes dos valores do mercado e informados da nada desprezível quota-parte que, feitas as contas, lhes coube nesta edição do grande negócio do futebol europeu, os adeptos portugueses que estiveram nas Arenas do Dortmund e da Juventus despediram as suas equipas, consumadas as eliminações, com cânticos de louvor e trovoadas de aplausos. 

Será um sinal de progresso, este racionalismo que não se deleita em lamúrias? Das duas, uma: ou é um progresso porque os adeptos se viram livres da cegueira e reconhecem as limitações próprias ou, na realidade, não é progresso nenhum porque o que os adeptos do Benfica e os do Porto pretenderam ao ovacionar as suas equipas foi, muito interesseiramente, não as deixar cair em depressão depois das respetivas derrotas internacionais num momento em que se aproxima, a todo o vapor, o Benfica-FC Porto para o campeonato nacional. Que é o que interessa, como todos estamos de acordo. 

Para o FC Porto, porque jogou com 10 durante 100 minutos dos dois jogos com a Juve, será grande conforto voltar a jogar na Liga onde já jogou contra 10 por 9 vezes durante 300 minutos. Faz toda a diferença como se viu em Turim, em Vila do Conde, no Funchal, em Santa Maria da Feira, no Estoril e, em casa, com o Sp. Braga, com o Chaves, com o Tondela e, pela segunda vez, com o Nacional. É muito minuto. 


É uma mudança não ir para o Besiktas em vez de não ir para o Porto
E pronto, outro ano se passou. Cá estamos por março com o seu rol de promessas de mais uma primavera a caminho. Verdes como nunca, os pastos aparecem agora salpicados de florzinhas brancas e amarelas, é a vida do campo. 

A vida da cidade, por março, também apresenta as suas costumeiras manifestações que anunciam a estação. Nomeadamente em torno dos quiosques onde a população se junta para espreitar as primeiras páginas dos jornais constatando que, este ano, pela primavera, é o Besiktas o clube interessado em assegurar os serviços de Jorge Jesus. No ano passado, pela primavera, era o FC Porto. 

E por três vezes nas anteriores seis primaveras, foi também o FC Porto que se viu descrito como clube interessado nos mesmos serviços de Jesus. Tal como, na realidade, nunca foi para o Porto, o treinador também não vai, na realidade, para a Turquia. Mas é uma mudança não ir para o Besiktas em vez de não ir para o Porto. Um ligeiro cambiante primaveril não menos encantador.


Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

sexta-feira, março 17, 2017

O regresso ao momento mastóideu

O Momento Mastóideo (marca registada), 
que defini neste mesmo espaço em colunas anteriores, antecipando-
-me ao professor Eduardo Lourenço, continua a fazer aparições periódicas na imprensa portuguesa, e eu gostaria de continuar a registar essas ocorrências. Para os leigos que não conhecem ainda o conceito, recordo o episódio que inspira este instrumento indispensável para compreender a alma portuguesa e o próprio universo em geral. Quando, n’A Canção de Lisboa, Vasco Santana passa com distinção no exame de medicina, uma das suas tias exclama, com orgulho: “Rico filho! Ele até sabe o que é o mastóideo!” O mastóideo é, por isso, um tipo de erudição especial. Nem toda a erudição seduz tias. As tias podem aborrecer-se com o latim, desprezar o conhecimento dos clássicos, mas o mastóideo – o mastóideo é um poderoso deslumbra-tias. A imprensa portuguesa é uma tia fácil de encantar, e qualquer mastóideo a deixa maravilhada. Esta semana, vários jornais noticiaram o seguinte mastóideo: a geringonça vai ser estudada em Harvard. A notícia injectou um suplemento de orgulho lusitano nos leitores. Pessoalmente, imaginei um conjunto de académicos, uns envergando batas brancas, outros fumando cachimbos, a examinar demoradamente uma intervenção parlamentar de Catarina Martins, uma proposta de lei do PCP, um discurso de António Costa. Três jornais usaram a formulação “a prestigiada universidade norte-
-americana”, ao passo que outro preferiu “uma das mais prestigiadas universidades dos EUA”, e outro ainda optou por outro adjectivo: “a conceituada universidade norte-americana”. Em qualquer dos casos, fica claro que o prestígio e a conceituação migram do examinador para o examinado, na medida em que um estudioso respeitado só se debruça sobre tópicos extremamente respeitáveis.

Lendo melhor as notícias, percebe-se que um centro de estudos vai organizar um debate subordinado ao tema “Há futuro para a esquerda na Europa?”, e um académico português estará presente para dar o seu ponto de vista. O mais provável é que os americanos queiram saber mais sobre a geringonça porque, nesta altura, estarão especialmente interessados numa solução em que o chefe do governo é o segundo mais votado nas eleições. Não admira. Mas é preciso cuidado: 
a hipersensibilidade de Trump é famosa. Trata-se de uma pessoa que se ofende com rábulas televisivas, peças de teatro e com observações de Meryl Streep. Esse tipo de pessoa melindrosa costuma fazer tudo para cancelar simpósios universitários.


Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

domingo, março 12, 2017

Se a bola lá chegasse

Pela valia do adversário, o jogo de Dortmund tornou mais evidente o óbice maior deste Benfica que vai discutir, no derradeiro terço da época, os títulos que sobram - campeonato e Taça de Portugal, enfim, nada mau... - depois de ter sido despedido da Taça CTT em janeiro e da Liga dos Campeões na quarta-feira. A questão é que, mesmo com Fejsa operacional, o que nem sempre é o caso, o Benfica tem um problema de monta no seu meio-campo, onde parece faltar sempre alguém. E, na realidade, falta. 

Alguém capaz de carregar a equipa. De esticar o jogo sem tibiezas. Foi esse o papel de Renato Sanches, um médio, na segunda metade da época de 2015/16 valendo ao Benfica uma recuperação que lhe garantiu a conquista do título interno e um percurso honroso na Europa. Era esse também o papel de Gonçalo Guedes, um avançado, na primeira metade de 1016/17 valendo ao Benfica uma lideranda que, entretanto, se esboroou. Nem Sanches nem Guedes alguma vez foram goleadores natos mas eram rápidos, fortíssimos nas situações de um para um que desbloqueiam os emaranhados no miolo do jogo e projetam a equipa para a frente arrastando tudo e todos atrás de si. 

Aparentemente, no atual quadro de jogadores do Benfica, sendo um quadro riquíssimo, não existem jogadores com o reportório bravo de Sanches & Guedes. Sem maquinistas para o comboio, o Benfica perde-se agora nas dificuldades de estnder a sua presença no campo. Pior do que isso, perde frequentemente a bola nos momentos de transição ofensiva e não se vê maneira de o jogo chegar em substância aos homens da frente, que até são muitos ao dispor. E bons. 

Em Dortmund, o melhor que o Benfica conseguiu foi obrigar o árbitro a mostrar um cartão amarelo a Gonzalo Castro e um outro amarelo a Dembélé. Curiosamente, nenhuma destas sanções se ficou a dever a arrancadas letais dos seus dos seus alas ou a desequilíbrios fulminantes nascidos dos pés dos seus médios-ofensivos. Foi André Almeida quem provocou o amarelo a Castro e foi Eliseu quem provocou o cartão amarelo a Dembélé. E ainda foi o mesmo Eliseu quem provocou um segundo amarelo a Dembélé a que o árbitro amavelmente, se escusou. Almeida e Eliseu, imagine-se, dois jogadores a quem não se exige mais do que competência defensiva a fazer o trabalho do desequilíbrio que competia aos companheiros mais avançados. Se a bola lá chegasse, evidentemente.


Fonte: Leonor Pinhão @ record


sábado, março 11, 2017

Muito gelo e massagens

O Benfica ficou-se pelo caminho nos oitavos de final da Liga dos Campeões o que não é, propriamente, uma notícia sensacional. Já o contrário seria uma proeza do mais alto gabarito. Por falar em gabarito, foi precisamente isso que faltou aos tricampeões nacionais na meia hora final do jogo de Dortmund quando trocou o honroso papel de credível oponente na discussão com a equipa alemã pelo triste papel de conjunto goleado sem apelo nem agravo.
São coisas que acontecem com a maior das naturalidades a quem anda nestas coisas. Podem, se quiserem, os adeptos do Benfica procurar conforto nas desgraças alheias que, pela expressividade dos números e dos nomes envolvidos, foram bem mais sonoras do que as suas.
O que aconteceu ao Arsenal trucidado pelo Bayern com uns 10-2 na soma dos dois jogos e o que haveria de acontecer ao Paris Saint-Germain em Barcelona encaixando meia dúzia de golos como seria de esperar de uma equipa de pobrezinhos, podem servir de consolo para os lados da Luz.
E até de alívio perante o que poderia aguardar o Benfica nos quartos de final dando-se o caso de a equipa não ter entrado em colapso da mente e do físico quando sofreu o segundo e o terceiro golo no espaço de dois longuíssimos e penosos minutos. Os 4-1 da soma dos dois jogos com o Dortmund estão longe de ser o maior embaraço europeu da história do Benfica, mas a verdade é que o Benfica não fez boa figura, longe disso.
Na temporada passada, por exemplo, frente ao Bayern deixou o Benfica uma excelente imagem vendo- -se afastado por um tangencial 3-2 que não só não deixou mágoas na alma da equipa como a ajudou a acreditar em si própria e a projetar-se para a saborosa conquista do tricampeonato.
De regresso à sua realidade nacional, importa agora adivinhar o peso que terá a goleada sofrida na Alemanha no percurso do Benfica até à última jornada da Liga. Fosse isto boxe e poder-se-ia dizer que o Benfica se aguentou com valentia nos primeiros três assaltos com o Dortmund mas claudicou com estrondo no assalto derradeiro que o encostou às cordas e deixou estendido num KO de maus agouros.
Caberá a Rui Vitória, treinador e responsável máximo, inventar panaceias para minimizar os danos provocados pela jornada europeia. O próximo jogo com o Belenenses dirá muito sobre a arte curandeira do treinador. Gelo, muito gelo, e massagens costuma ser a receita para casos destes.
Mas, além do frio que atenua a dor e dos toques subtis que reanimam o espírito, muito jeito daria a Rui Vitória a ressurreição de Grimaldo e de Fejsa. E até umas visitinhas de um tal Jardel, lembram-se?


Outras histórias Uma visita ao Museu Cosme Damião A boa notícia é que Pedro Proença não desapareceu em combate O presidente da Liga foi visto a entregar a Vieira a taça correspondente aos três campeonatos que o Benfica conquistou nos últimos três anos. O diretor no exílio da comunicação do Benfica comentou que Proença lá conseguiu sair da Luz sem ter "prejudicado" o clube.
A questão é que Proença não fez favor nenhum ao Benfica ao entregar a dita taça, mas fez um grande favor a si próprio ao aparecer quando já se suspeitava que tinha desaparecido em combate. O ex-árbitro, agora patrão da Liga, que em tempos foi visto em alegre convívio com o senhor ‘Macaco’ numa ação de formação de jovens árbitros, não foi visto, nem ouvido em qualquer tipo de ação de deformação do ataque levado a cabo por uns quantos energúmenos no centro de treinos dos árbitros na Maia.
Ação disciplinar da Liga, népia, zero, está visto. Mas, ao menos, umas palavrinhas, uma douta opinião, um esboço de protesto, um arremedo de solidariedade do presidente. Mas não, zero também, népia também. Está visto.
Fonte : Leonor Pinhão @ correio da manha