segunda-feira, outubro 19, 2015

O Panteão já está a arder?

No seu mundo ideal, aquele mundo platónico onde se imagina diariamente triunfal e em que também é presidente das Nações Unidas, por obra sua acabou-se finalmente com o Benfica. E por unanimidade e aclamação, como não podia deixar de acontecer. Perante esta grossa novidade, é feliz. O Benfica deixou de existir. 


De um momento para o outro, o maléfico rival evaporou-se, desintegrou-se, explodiu, tossiu três vezes e morreu. Bruno Miguel já pode abrir as portas do seu estádio para vender bifanas a 20 euros a unidade que ninguém fará pouco dele. E, melhor ainda, sobre as ruínas do Estádio da Luz ergue-se agora, com majestade, um parque temático celebrando a vida do grande líder que não só conseguiu apagar o Benfica da face da Terra como também, pelos ares, se mostrou de uma eficácia tremenda. Exterminou com um piscar de olhos a transportadora Fly Emirates acusada de associação criminosa num processo que levou de vencida no Tribunal de Haia e lhe granjeou admiração mundial.



É, portanto, um homem satisfeito num mundo perfeito. E foi magnânimo na vitória. Do ex-Benfica, praticamente, só reclamou para si o património imaterial do defunto rival alegando que não sendo o parente mais próximo era, sem dúvida, o vizinho mais próximo o que lhe conferia direitos de que não pretendia abdicar. Com naturalidade e justiça, viu-se a sair em ombros da reunião em que anunciou à banca e aos patrocinadores o legítimo e súbito enriquecimento do seu currículo pessoal em mais 34 campeonatos nacionais, mais 25 Taças de Portugal, mais 5 Supertaças e ainda 2 Taças dos Campeões Europeus. Isto sem esquecer as 5 infames Taças da Liga que também pertenciam ao falecido. Abichou tudo. Foi de arromba.


A única contrariedade neste mundo ideal é que, por incrível que pareça, tendo conseguido num passe de mágica fazer evaporar o Estádio da Luz e todos os que estavam lá dentro, não conseguiu fazer o mesmo ao Panteão nem ao homem negro que continua lá dentro. Equaciona neste momento um bombardeamento cirúrgico ao mono de Santa Engrácia desde que seja ele, Bruno Miguel, a pilotar a avioneta. E não lhe deve ser difícil arranjar a autorização visto que também é presidente das Nações Unidas, ponto.

Fonte: Leonor Pinhão @ Correio da Manhã

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