quinta-feira, janeiro 16, 2014

Uma série de clássicos

Estamos a meio da época em que os principais candidatos apresentaram o anunciado melhor plantel dos últimos 30 anos - do Benfica - e o provável pior plantel dos últimos 30 anos - do FC Porto. Até agora, Jorge Jesus teve à disposição (e não terá mais, pelo que se sabe) o melhor plantel em muitos anos, enquanto Paulo Fonseca encontrou um balneário de qualidade inferior ao que (até ele) imaginaria. Aqui chegados, três pontos os separam.

Carlos Daniel
No clássico, o Benfica mostrou o que tem de melhor e o FC Porto não disfarçou o que tem de pior. Naturalmente, ganhou o Benfica. Paulo Fonseca insiste para lá do razoável no duplo pivô, que retira equilíbrio à equipa (flagrante como Fernando não pôde emendar a perda de bola de Lucho no primeiro golo), diminui a qualidade de construção inicial (foi muito fraca, com incrível número de perdas de bola) e deixa Jackson como um náufrago na ilha deserta. Carlos Eduardo, elogiado em excesso, apenas consegue disfarçar e em jogos de menor exigência. Lucho está transformado num problema sério, pelo menos neste sistema, que como médio-ofensivo não gosta de jogar e como segundo médio... já não pode.
O Benfica teve alma mas ganhou sobretudo por duas apostas táticas: no início, a pressão forte de Rodrigo e Lima (muito melhores nesse momento que Cardozo) com apoio de Enzo forçou o FC Porto a jogar como não gosta, em lançamentos longos e mais estendido no campo; em vantagem, o recuo das linhas - mantendo os extremos a bloquear os flancos e proibindo aos laterais as subidas de risco - permitiu aproveitar o talento e a velocidade de Gaitán, Markovic ou Rodrigo que se tornam demolidores se lhe dão espaço (e o FC Porto deu).

E assim se chega a meio da Liga com o Benfica na liderança, pela quarta vez em cinco anos (uma repartida), no que começa a ser clássico. Ao FC Porto resta, como nas duas épocas anteriores, outro clássico, retocar um plantel com lacunas evidentes apesar da fortuna (mal) gasta em Diego Reyes, Herrera, Quintero e Nabil Ghilas. Mas se com Lucho e Janko correu bem, com Izmailov e Liedson correu mal, e agora talvez não baste uma segunda juventude de Quaresma, que a base é mais fraca. No Benfica, o esforço em nome de um plantel de sonho só durou meia época. Mais valia ter vendido em agosto, evitando a oscilação a meio do percurso, mas na Luz este tipo de opção, entre vitórias e negócios, também já é um clássico.

Fonte: Carlos Daniel@DN

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