sábado, janeiro 18, 2014

Reinventar não é suficiente

Na semana em que chega à liderança isolada do campeonato, reforçada por uma vitória incontestável sobre um FC Porto estranhamente débil e inerte, o Benfica vê Matic partir para o Chelsea, afigurando-se como cada vez mais plausíveis as saídas de Garay e Rodrigo.
Rui Malheiro
A perda de dois titulares indiscutíveis e de um prodígio cuja preponderância tem aumentado com o acréscimo de utilização, na sequência de um jogo em que o coletivo transmitiu sinais de maturação que entusiasmaram os adeptos, descrentes após um final de época passada atroz e um início de exercício com 5 pontos perdidos nas primeiras três jornadas, é uma opção de um risco desmesurado para um clube que tem o título nacional como principal objetivo para a temporada, depois de desvanecido o sonho de disputar a final da Liga dos Campeões em casa.

Reinventar é um dos verbos que marca os 1.673 dias do consolado de Jorge Jesus no comando técnico dos encarnados, mesmo que se mantenha fiel a um modelo de jogo e agarrado à obstinação de vencer sem abdicar do 4x4x2 como sistema tático preferencial. Jardel, Steven e Mitrovic são as opções imediatas para fazer face à partida de Garay, sendo que nenhuma delas se afigura como ideal para complementar o inquestionável Luisão. O recurso ao mercado revela-se crucial em busca de um central rápido, eficaz como recuperador, culto posicionalmente e capaz de sair a jogar. Luís Neto, internacional português com pouco espaço no Zenit, poderá ser a resolução da equação, até porque opções interessantes como Dória ou Dedé teriam de se adaptar imediatamente a uma realidade competitiva que desconhecem.

Colocado na rota de Benfica e FC Porto, Vietto é o jogador mais desejado do futebol argentino, apesar da paupérrima prestação do Racing Club, a popular Academia, no Apertura’2013, à qual não escapou. O Saviolita de Balnearia possui características que o colocam na linha de sucessão de Rodrigo (e Saviola), já que se mostra talhado para atuar a toda a largura do ataque, mesmo quando assume o papel de referência ofensiva. Destaca-se pela mobilidade, agilidade, velocidade e virtuosismo técnico que imprime às suas ações, o que lhe permite assumir ações de condução e criar desequilíbrios em espaços curtos e largos. Dotado de bons predicados no passe, Lucky evidencia grande facilidade no remate, de dentro ou de fora da área, com ambos os pés: o direito é o que melhor define.


NO MERCADO
NETO (Zenit) - 4,5-6 milhões de euros
Cobiçado em Itália, o defesa-central, de 25 anos, é um nome a ter em conta, sabendo-se do interesse do Zenit em Garay e Rodrigo. Seguido há bastante tempo pelo Benfica, que chegou a garantir, quando atuava no Varzim, o direito de opção sobre o seu concurso, é um central com capacidade de deslocação, extremamente astuto na antecipação, dotado de bom sentido posicional e eficaz a sair a jogar.

DÓRIA (botafogo) - 6-8 milhões de euros
Central canhoto, de 19 anos, com uma maturidade invulgar, tem todas as condições para se impor no futebol europeu. Agressivo, possante e disponível do ponto de vista físico (1,89/82), é forte no jogo aéreo, enérgico no desarme e arguto na antecipação. Jogador de processos simples, sabe sair a jogar, mas a eficácia no passe é uma das arestas que deve limar.

JIMÉNEZ (América) - 4-6 milhões de euros
Robusto (1,90m/ 77kg) sem perder agilidade, Rulo Jiménez, internacional mexicano de 22 anos, é um avançado que gosta de partir de espaços exteriores em direção à área. Com um remate forte com ambos os pés – o direito é o que melhor define –, procura a baliza adversária de dentro ou fora da área, para além de se revelar perigoso no jogo aéreo e acutilante a ganhar posição.


O OLHEIRO RECOMENDA
Um médio todo-o-terreno
Melhor jogador jovem do ano na Bulgária, Slavchev, presença regular nas seleções inferiores desde os Sub-17, está a efetuar um exercício admirável, somando 11 golos e 3 assistências em 22 jogos no campeonato búlgaro, o que já motivou a sua estreia pela seleção principal. Médio-centro ou médio-defensivo, destaca-se pela enorme disponibilidade física e bons argumentos no corpo a corpo, ainda que possa gerir melhor o esforço. Eficaz a nível defensivo em ações de desarme e de antecipação tanto pelo chão como pelo ar, é agressivo, pressionante e algo faltoso. Revela predicados na construção, fruto dos seus argumentos no passe e na leitura do jogo, como também na condução de iniciativas ofensivas em transição ou ataque organizado. Perigoso a dar sequência aérea a bolas paradas laterais, patenteia astúcia a desmarcar-se na prossecução de lances de bola corrida, aparecendo com facilidade em posições de finalização dentro ou fora da área, onde procura explorar o seu forte remate de pé direito. Justifica o salto para um patamar mais elevado e tem, apesar da necessidade de se adaptar a um ritmo competitivo mais intenso, condições para vingar.

Fonte: Rui Malheiro@Record

Sem comentários: