segunda-feira, setembro 07, 2009

É o nosso fado

Durante uma fase da historia, Portugal conseguiu diferenciar-se dos restantes por ser um pais com iniciativa, que sabia aceitar e enfrentar os desafios. Depois disso passou a cumprir os mínimos exigidos e a conseguiram os seus objectivos apenas com a ajuda de terceiros. Lembro-me que na década de 80 as queixas era que as principais selecções tinham estrelas a jogar nas principais equipas, em 90 veio as queixas de tínhamos os jogadores a jogar no estrangeiro e que não estavam habituados a jogar juntos. Com o Scolari na selecção e com o trabalho de Mourinho no fcp, a selecção passou a ser uma das melhores equipas do mundo.
Actualmente achamos que faltam bons jogadores em Portugal pelo que a selecção voltou 20 anos atrás, para uma altura em que ganhar a Malta ou ao Liechtenstein era uma grande vitoria, todas as outras selecções eram temíveis frente a Portugal.
Com a saída do Scolari (que soube sair na altura certa), a equipa das quinas perdeu tudo o que tinha sido construído durante a sua passagem por Portugal. Mais do que ter utilizado um modelo de jogo assente nos jogadores Portugueses do fcp, o que Scolari soube, e bem, construir foi a união em torno da selecção e da própria selecção.
É certo que o apoio dos adeptos só se faz com base em vitorias e em boas exibições, Scolari soube motivar o orgulho dos Portugueses em torno da selecção e mostra que exigia o melhor de cada jogador. Dando confiança a cada jogador, a equipa e aos adeptos. Hoje ninguém confia, nem acredita na selecção nacional.

Hoje, a selecção Nacional esta longe de ser um equipa una, de jogarem como equipa. Uma defesa que fica coxa sempre que ataca, pois o meio campo não faz as devidas compensações pelas subidas dos alas. Um meio campo muito permissivo, que preenche muito o miolo, defende a zona e que não consegue colocar a bola nos avançados, nem avançar com a bola. Por fim os avançados, que deviam desmarcar-se e ter a bola jogável frente a baliza, pelo contrario são mal fornecidos de lances de ataque, gozam de liberdade na frente mas ficam desligados da equipa, pois o resto da equipa não só acompanha no ataque, não integra o ataque, nem os fornece como deve de ser.

Para o jogo frente a Dinamarca, em que o único resultado positivo era a vitoria, não se percebe o porque de ter enchido o meio campo com jogadores defensivos e ter deixado na frente 2 extremos. Nem os médios defensivos conseguiram passar a muralha de 7 jogadores defensivos da Dinamarca, nem os avançados conseguiram desmarcar-se no meio das torres dinamarquesas. Mais incompreensível é o facto de estar a perder e não abrir a frente de ataque.
A transposição da bola para o ataque, podia ter sido feita pelos laterais (Duda e Boswingua) desde que o Raul Meireles e o Tiago fizessem as devidas compensações. Ou com a colocação dos extremos Simão/Nani/Ronaldo e no ataque 2 avançados (Liedson e Nuno Gomes). Atrás dos avançados, faz todo o sentido manter o Deco (e não pelas faixas) ou adaptar Ronaldo (que passou grande parte da 2ª parte por essas zonas), para pautar o jogo.

A interpretação do jogo do Carlos Queiroz é um erro total, que fez demasiadas experiencias e não conseguiu ter uma equipa completa. Fez com que a selecção joga-se um futebol muito fechado no meio campo, mas descurado nas laterais e entregando o ataque a criatividade e rasgos de génio individual.

A ida a África do Sul depende de terceiros, mesmo ganhando os 2 jogos com a Hungria e o jogo com a Malta, ainda teremos de rezar para que a Hungria e Suécia não ganhem os próximos jogos. A ida ao mundial esta assim muito longe.
Mesmo a jogar mal, espero que tenhamos a sorte que não tivemos até agora. Temos tido azar desde a entrada do Queiroz.

Curioso é que a equipa técnica sempre diz que esta a trabalhar para o futuro, ou seja já estão a pensar em algo mais alem de 2010. Se o mundial de 2010 já é carta fora do baralho, não devia já ter-se incluído os principais juniores ?

1 comentário:

fernando disse...

No tempo do Scolari deixamos de fazer contas! A meio do torneio já estavamos apurados.

Com Queiroz também não fazemos contas. Estamos a meio e já sabemos que não vamos estar em Africa!

Haja vergonha na cara!