domingo, junho 04, 2017

O filho do filho do dragão

Sérgio Conceição poderá vir a ser (ou a não ser) o próximo treinador do FC Porto e não foi esta a primeira vez que os azuis-e-brancos se interessaram pelos serviços de Conceição. 

Há bem pouco tempo, quando urgia despachar Julen Lopetegui, foi notícia a cobiça do FC Porto pelos serviços do jovem treinador e seu ex-jogador e logo na semana em que o V. Guimarães de Sérgio Conceição recebia, justamente, o FC Porto de Lopetegui. 

Diga-se, resumidamente, que o resultado do jogo não foi favorável à transferência do treinador português nascido em Coimbra e acabou por ser José Peseiro o eleito pela SAD portista para assumir o comando da equipa. A coisa com Peseiro foi rápida e não correu bem. 

Tal como não correra bem com o basco nem, anteriormente, com Paulo Fonseca. Com Nuno Espírito Santo a coisa foi menos rápida – demorou uma temporada completa – e também esteve longe, muito longe de ser um sucesso apesar de tudo o que prometia em função da propalada "mística" carregada pelo antigo guarda-redes da casa. 

Convém precisar que "mística" é… ganhar. Vendo o Benfica ganhar três campeonatos de assentada, Espírito Santo foi, assim, contratado pelo FC Porto porque um dia, quando era guarda-redes da casa e num raro período menos feliz dos dragões, teve a inspiração de soltar um grito – "Somos Porto!" – que se transformou num slogan feliz que caiu no goto da vasta nação portista. 

Mas o "somos Porto" de Espírito Santo esboroou-se com o quarto título do Benfica e transformou-se num "fomos Porto". Na semana passada, foi explicado ao país do dragão que, afinal, Nuno sempre foi um benfiquista dos sete costados. Entretanto andou o FC Porto à cata de Marco Silva, que o preteriu em favor do Watford, o que se explica porque Marco Silva é outro benfiquista do piorio. Isto para não falar do benfiquismo de Paulo Fonseca, enfim, outro que tal… 

Sobre Sérgio Conceição é que, para já, não há dúvidas. É um filho do dragão certificado e como tal será recebido no Porto se o Nantes deixar. O problema maior é o filho do filho do dragão. Um dos filhos de Conceição, Rodrigo Conceição, 17 anos, é futebolista juvenil dos quadros do Benfica e ainda recentemente prolongou o seu vínculo com os mouros. 

Saberão, certamente, os adeptos e os profissionais da comunicação separar as águas perante esta minúscula traição. É que estes pormenores, na realidade, não valem nada. Veja-se o caso do filho do dirigente dos árbitros que foi contratado pelo Sporting no arranque da época passada e que pouco valeu ao autor da ideia. O futebol tem destas coisas. 



OUTRAS HISTÓRIAS 
Primeiro título na era do vídeo-árbitro  
O futuro parece ser um lugar cheio de possibilidades 
O Benfica conquistou o seu primeiro título e o primeiro título da história do futebol português na era do vídeo-árbitro. Foi a 26ª Taça de Portugal. 

Vencer a Taça é sempre uma festa para qualquer emblema mas para o Benfica foi ainda mais festa porque se tratou não só da sua 11ª dobradinha mas também de responder aos rivais – para quem o vídeo-árbitro era garantia da queda do império romano – levando para o Museu Cosme Damião o primeiro caneco disputado em condições tecnológicas que garantem o triunfo a 100% da verdade desportiva. 

A estreia do vídeo-árbitro foi um êxito. Nos poucos lances em que foi chamado a intervir, o vídeo-árbitro decidiu sempre em desfavor do Benfica, o que não impediu que a superioridade da equipa de Rui Vitória se afirmasse em campo e no resultado final. 

Até a chegada da bola do jogo impressionou o público. Um "trooper" galáctico voando num drone entregou a redondinha ao árbitro-humano. O futuro parece ser um lugar cheio de possibilidades.


Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

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