sábado, março 04, 2017

Rafa, um hat-trick, já!

O Benfica joga hoje à noite em Santa Maria da Feira e não vai ser fácil, até porque, como se tem vindo a notar desde o princípio da temporada, já não há jogos fáceis para ninguém na Liga portuguesa. Trata-se de um bom sintoma de equilíbrio competitivo para os amantes puros do jogo mas, por outro lado, do lado do clubismo exacerbado, trata-se de uma contumaz e mais do que certa carrada de nervos jornada após jornada. 

Nesta época de 2016/2017, têm sido escassas as goleadas com que, noutros tempos, as equipas dos grandes, e até as equipas dos assim-assim, brindavam os mais pequenos, nomeadamente nos jogos disputados em casa. Tudo isto a propósito do caso de Rafa, o excelente jogador que o Benfica foi buscar a Braga no verão passado e a quem o público e a crítica exigem agora que seja o intratável goleador que, na realidade, nunca foi, até porque não é essa a sua vocação. 

Na noite de terça-feira, no jogo da 1ª mão da meia-final da Taça de Portugal, Rafa fartou-se de labutar – aliás, por toda a primeira parte não se viu outro labutador tão obstinado vestido de vermelho – e ainda teve duas oportunidades de fazer golo que esbanjou "escandalosamente", segundo os exacerbados que, na sua sanha, nem conseguem reconhecer os altos méritos de Luís Ribeiro, o guarda-redes do Estoril, nos seus magníficos frente a frente com Rafa, o não-goleador em crise de golos. 

A absurda pressão sobre Rafa no momento de rematar à baliza é de tal monta que já não lhe bastará mais um golinho – ainda assim soma 2 tentos na Liga – para ultrapassar este transe e recuperar a confiança que, inevitavelmente, lhe vai faltando. Rafa precisa de fazer um hat-trick para calar as más-línguas e, para não perder mais tempo com cantigas, bem o podia fazer já hoje. Rafa jogou uma temporada, a de 2012/2013, no Feirense e marcou 11 golos ao serviço dos fogaceiros. Conhece, portanto, os cantos à casa, as peculiaridades do palco que vai voltar a pisar, a localização exata das balizas, os segredos dos ventos e a intensidade que irradia da iluminação artificial do simpático Estádio Marcolino de Castro. 

É hoje, Rafa! É hoje, independentemente de o mais jovem comendador do Benfica jogar pelo meio do campo nas costas de Mitroglou ou de jogar na ala esquerda ou na ala direita e, convenhamos, que tanta função geométrica diferente de Rafa não o ajudará, certamente, a decorar o lugar exato das balizas adversárias. 

Para terminar, um recado aos seus colegas: quando Rafa voltar a marcar, e está para breve, não lhe façam uma festa como se marcar um golo pelo Benfica fosse uma coisa do outro mundo. É que não é. 


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Depois de Claudio Ranieri, o Leicester terá inevitavelmente um novo treinador. A vida de uma equipa de futebol não se detém em pormenores de ingratidão nem em assomos de solidariedade. Só se pede que o novo treinador do Leicester não seja português. Sendo tão merecidamente alta a cotação dos treinadores portugueses que operam no estrangeiro seria grande lástima para o bom-nome desta classe profissional de emigrantes ver um deles assumir o cargo deixado pelo italiano que conduziu o Leicester ao título inglês surpreendendo o mundo. E que foi agora posto a andar perante a indignação do mesmo mundo. Ranieri é, neste momento, o treinador mais amado, mais simpático, mais considerado do planeta do futebol. O seu substituto, seja quem for, vai passar a ser o treinador menos amado, mais antipático, menos considerado por toda a gente que viu no despedimento de Ranieri uma injustiça tremenda. Sérgio Conceição, Vítor Pereira, façam-nos um grande favor, deixem-se estar onde estão. 



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

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