sábado, janeiro 14, 2017

Próxima paragem, Chaves

A bem da verdade desportiva espera-se que o Vitória Futebol Clube, popularmente conhecido por Vitória de Setúbal por questão de facilidade geográfica, já se tenha deixado dessas manias da seriedade e dos regulamentos e não se atreva de modo nenhum a retaliar indignamente contra a digníssima retaliação que o Sporting Clube, também por facilidades geográficas, de Portugal lhe moveu em função do escândalo vivido na noite fria do passado dia 5 de janeiro no Estádio do Bonfim. 

Para quem não tenha dado pelo caso por imposição de outros deveres mais absorventes fica aqui o resumo da ocorrência: o V. Setúbal afastou por "média de idades" o Sporting das meias-finais da Taça da Liga. Mas do que se fala é do golo de penálti apontado à beira do fim pelo Edinho, que, no jogo retórico da eficácia no posto de trabalho do Facebook, dá 10-0 ao presidente, e até mesmo ao diretor de comunicação do clube de Alvalade. 

Talvez também por isto, que é tudo menos um pormenor, o Sporting sentindo-se ofendido, deu ordem imediata de retirada do Bonfim a dois dos seus jovens jogadores emprestados ao Vitória de Setúbal pretendendo, sem perder tempo, emprestá-los agora ao Chaves, com o qual joga hoje, ao final da tarde, para o campeonato e na próxima terça-feira para a Taça de Portugal. Fica, inevitavelmente, por adivinhar para onde serão uma vez mais deslocados estes dois jovens "globetrotters" involuntários dando-se o caso de o Sporting pretender retaliar contra o Chaves se alguma coisa não lhe correr de feição em Trás-os-Montes. 

Por puro maquiavelismo veio a meio da semana o V. Setúbal agitar preceitos e regulamentos tentando, com as insignificâncias da alínea 5 do artigo 78 de uma papelada qualquer, obstruir à bonita retaliação do Sporting com uma retaliação absolutamente disparatada porque, em primeiro lugar, deveria o Vitória ver com quem é que se mete antes de se meter com quem é muito maior do que ele até na média de idades, como se veio a verificar na tal noite fria do Bonfim. 

Está, assim, o país desportivo em suspenso da boa vontade dos setubalenses, mais do que do cumprimento estrito da lei, pelo menos até que termine esta dupla jornada do Sporting por terras transmontanas onde a porca, normalmente, torce o rabo. 

Não vá, portanto, o honrado V. Setúbal, por afeição aos regulamentos ou telecomandado a partir de Carnide, impedir os dois rapazes de seguir o rumo traçado e privar o público de seguir tudo isto como é suposto acontecer. E com todos os condimentos para que nada falta à crítica, sempre imparcial no momento de julgar. 



Os vaidosos nunca são espertos porque são incapazes de se calar  
Poderá uma pessoa ser orgulhosa sem ser vaidosa? Sim e Cristiano Ronaldo é disso mesmo o maior exemplo do nosso tempo. Uma romancista inglesa, morta há quase 200 anos, resumiu a questão, velha como a humanidade, com suprema clareza: "O orgulho relaciona-se com a opinião que temos de nós mesmos e a vaidade com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós." Cristiano tem a melhor opinião sobre si próprio e ninguém lhe pode levar a mal perante o cúmulo de distinções com que o seu trabalho é reconhecido. 

Sobre o que os outros pensam dele, vem o madeirense dando provas sólidas e frequentemente bem-humoradas da mais completa indiferença, o que só lhe fica bem. Cristiano, que já ganhou quase tudo o que havia para ganhar no mundo, não é um tipo vaidoso tendo currículo para isso. Cristiano é, acima de tudo, astuto. Bem nos ensinou um moralista francês de outro século que "os vaidosos nunca são espertos porque são incapazes de se calar". E por hoje chega de literatura.


Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

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