quinta-feira, julho 14, 2016

Rumo ao 1, outra vez

Quem havia de dizer que a nossa Selecção, a indisputada dona do futebol mais entediante deste Europeu, chegava à final de Paris? Pelos vistos, toda a gente. Porque não houve em Portugal nestes últimos dias frase mais dita, gritada e soluçada do que a velha máxima do 'eu sempre acreditei', o que, sendo verdade, é admirável em função das hesitações exibidas nesta caminhada. Sendo mentira, continua a ser admirável porque se a fé move montanhas, como dizem, mais difícil lhe deve ser impor-se em retroactivos à população de descrentes em geral.

Acreditassem ou não acreditassem - o que interessa isso agora? - a questão é que a Selecção portuguesa segue 'Rumo ao 1', porque em todo o seu historial (sénior) nunca conseguiu ganhar um torneio desta envergadura. O mais perto que esteve desse céu foi há 12 anos mas viria a perder, a final do Euro'2004 para a Grécia, perante o desconsolo de um país inteiro que tão depressa sempre acreditou como deixou de acreditar quando o árbitro apitou para o fim e só valeu o golo de Charisteas e o nosso embaraço.

Rumo ao 1, portanto. Portugal tem tudo para vencer. Tem uma raça de futebol capaz de adormecer até o adversário. E tem a sua velha toalha branca de volta. A toalha branca que Eusébio enrolava no braço para dar sorte sempre que a Selecção jogava foi na quarta-feira o adereço com que Pepe se apresentou na bancada. Pepe, note-se, quando joga bem é português mas quando compromete passa logo a ser brasileiro. Tal como Renato Sanches que quando joga muito tem 25 anos e quando joga pouco tem 18. É nestas coisas que temos de acreditar. Rumo ao 1, outra vez, quem diria?"


Fonte: Leonor Pinhão @ Record


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