sábado, março 12, 2016

Não é Jorge Nuno quem quer

Faça-se justiça à coerência do venerando presidente do Futebol Clube do Porto. Vai para 40 anos que diz, repete e volta a insistir sempre na mesma ideia, afinal, a ideia fundadora do seu regime: "Somos o baluarte contra o centralismo de Lisboa." Poderão os críticos modernos considerar que já era tempo de Pinto da Costa mudar o discurso, visto que o País em alguma coisa terá mudado e as novas gerações de portuenses e de portistas nem sequer se reveem nesta conversa de menorização da sua cidade ou do seu clube face à maléfica capital. 

Mas o presidente do FC Porto não muda. Ainda no mês passado, solidário com a guerra que o presidente da câmara da Invicta decretou à TAP, entendeu Pinto da Costa que a equipa de futebol do clube não viajaria para Dortmund a bordo de um avião daquela companhia aérea. Em atitude de legítimo protesto, fretou-se a uma outra companhia um aparelho voador que – oh, suprema ironia – se avariou no regresso, obrigando a comitiva a dormir uma noite a mais na Alemanha. E uma coisa assim, tão fora do programa, algum transtorno terá causado aos passageiros da nave anti-TAP. 

Goste-se ou não, é notável a coerência de Pinto da Costa, que chegou à presidência do clube em 1982 derrubando Américo de Sá – um "rendido" a Lisboa" – e que chega a 2016 mantendo-se firme no cargo e hirto no discurso. Tem o seu valor. 

E se, na semana passada, à beira dos 80 anos de vida foi reeleito presidente da SAD portista com 99,9995% dos votos é porque os acionistas lhe reconhecem o mérito da constância intelectual fora das quatro linhas, ainda que os resultados desportivos tenham perdido, incrivelmente, a tal constância no que respeita ao sucesso dentro das mesmas quatro linhas. 

Já do atual presidente do Sporting, sendo um homem de meia-idade, ainda que preocupantemente convencido de que é "um jovem" – como, aliás, a si próprio se refere –, não se pode dizer a mesma coisa no capítulo da coerência da conversa em pouco mais de 3 anos de mandato do líder leonino. Abreviando, esqueçamos as mil particularidades do triénio do atual regime de Alvalade e foquemo-nos apenas em 5 dias da semana passada. Na quinta-feira, antes do dérbi, o presidente rejubilou: "Os outros estão calados." No domingo, depois do funesto jogo, disse: "É tempo de continuarmos a deixar os outros falar." E, na segunda-feira, rematou assim: "Não me irei calar." Em que ficamos, Bruno Miguel? 

Na verdade, não é Jorge Nuno quem quer, é quem pode. Ou podia. 



Outras histórias 
Recordações de São Petersburgo 
Há momentos em que um guarda-redes pode sair da baliza 
Com Ederson a estrear-se na Liga dos Campeões, com Lindelof e com Renato Sanches em campo – jovens jogadores a quem um dia foi vaticinado que teriam de "nascer 10 vezes" para se afirmarem numa equipa de topo –, o Benfica viu-se apurado para os quartos de final da prova. No seu percurso seguem-se agora, inevitavelmente, os ‘tubarões’ do futebol europeu. Saiba agora o Benfica cumprir com dignidade o passo seguinte, que não se adivinha fácil. Na baliza, Ederson esteve em grande. Cabe- -lhe substituir o veterano ‘imperador’, que é como os benfiquistas carinhosamente chamam a Júlio César, e tem vindo a dar conta do recado sem tremer. Na Rússia, na noite de quarta-feira, quando Gaitán empatou o jogo e desempatou a eliminatória, Ederson não se conteve e saiu disparado da sua área, indo até ao meio do campo festejar com os companheiros. Há, na verdade, momentos especiais em que um guarda-redes está autorizadíssimo a abandonar a baliza e a avançar relvado fora, não é, Casillas? 



Sobe e Desce 
Sobe 
Rui Vitória - Sem cérebro em Alvalade 
Terminado o jogo com o Sporting, o técnico do Benfica comemorou com os adeptos a preciosa vitória que conferiu a liderança à "pequena" equipa sem "cérebro". 


Rui Vitória - Na Rússia sem cérebro 
Terminado o jogo de São Petersburgo, o mesmo treinador do Benfica festeja com os adeptos a empolgante qualificação europeia da "pequena" equipa sem "cérebro". 


Desce 
Raúl José - Com cérebro apesar de tudo 
O adjunto Raul José foi submetido a um episódio de ‘violência doméstica’ nos instantes finais do dérbi de sábado passado, mantendo- -se sereno e obediente. 



Pérola 
"Para carneiradas não contem comigo", José de Pina


Fonte : Leonor Pinhão @ correio da manha

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