sábado, fevereiro 27, 2016

A liberdade incondicional

Num campo de futebol em Paços de Ferreira, um espectador transportado ao céu pelos golos que Mitroglou vem marcando ao serviço do Benfica entendeu que a melhor maneira de se mostrar ao Mundo como um adepto feliz e de agradecer ao grego tantas benesses concedidas era a de proceder a uma solitária e demencial invasão de campo com o intuito único de engraxar as botas do seu herói. O adepto apaixonado correu umas boas dezenas de metros, chegou-se aos pés de Mitroglou, engraxou-lhe as botas como levava na ideia e recebeu, à laia de recompensa, um gesto carinhoso do jogador grego, que não ficou indiferente à lisonja. 

O adepto do Benfica foi de seguida dominado pelos ‘stewards’ do estádio e entregue às autoridades locais. Dizem- -nos os jornais que o homem passou duas noites na prisão para aprender a nunca mais repetir a brincadeira. É louvável a rapidez com que a justiça atuou neste caso tão pitoresco, mas, ainda assim, ficou muito aquém da rapidez com que o invasor de Paços de Ferreira chegou até Mitroglou. 

Aliás, foi apenas por falta de espaço que não teve cobertura mediática a primeira noite que o adepto do Benfica passou no calabouço. De modo geral e bem concertado, as estações de televisão que se dedicam ao futebol – e são todas – tinham no ar programas de debate futebolístico onde gente supostamente bem informada apregoava que o árbitro do jogo Paços de Ferreira-Benfica era um consabido sócio fundador da Casa do Benfica de Fafe, um árbitro benfiquista ainda mais apaixonado pelo clube fundado em 1904 por Cosme Damião do que o intruso de vermelho que invadiu o campo em Paços de Ferreira e foi engraxar as chuteiras de Mitroglou. 

Justificados pelas aldrabices difundidas, mas menos rápidos do que o adepto do Benfica a chegar às botas do grego, foram os Super Dragões – e continuam todos em liberdade incondicional – a chegar a Fafe e a irromper pelo restaurante do pai do dito árbitro. O árbitro, um tipo com mau feitio, ainda perguntou na generalidade aos dirigentes dos clubes "se concordam com o comportamento de elementos das suas claques que recorrentemente ameaçam e tentam coagir os árbitros de futebol". O presidente do Porto foi o único a responder. Saiu logo em defesa espiritual dos tempos gloriosos da fruta e do café com leite e das claques que "têm direito a protestar como qualquer adepto". 

Este árbitro tem pai, ficámos então todos a saber, mas de certeza que nunca foi a casa de  Jorge Nuno Pinto da Costa beber um chazinho e solicitar-lhe conselhos matrimoniais. 



Outras histórias 
Hugo Almeida pediu desculpa   
O enquadramento da cotovelada em Portugal e na Alemanha Já lá vão três meses desde a cotovelada de Slimani e as nossas alegadas "instâncias competentes" ainda não produziram sentença nem absolvição. Como não há notícias, tudo leva a crer que a ação de Slimani continua a ser analisada por um comité de especialistas nacionais. É a sorte de ele ter vindo parar ao Terceiro Mundo. Quem não teve a mesma sorte foi Hugo Almeida. No domingo, o nosso compatriota que joga no Hanôver pregou uma cotovelada num jogador do Augsburgo e passou impune porque o árbitro não viu. Mas como viram as instâncias competentes alemãs o jogador português soube na terça-feira que estava suspenso por três jogos. Um argelino "julgado" por portugueses é igual a três meses de indecisão, um português "julgado" por alemães é igual a uma decisão em 48 horas. "Peço desculpa ao clube e aos adeptos. Foi um ato estúpido", disse Hugo Almeida sem pestanejar. É a civilização. Veremos, um dia, o que dirá Slimani. Se ainda se lembrar do que aconteceu, naturalmente. 



Sobe e Desce 
Sobe Stojiljkovic - Não é por acaso 
O Sporting de Braga deve o seu apuramento europeu a este excelente sérvio que chegou discretamente ao futebol português e que não se cansa de marcar golos. 


João Mário - Uma parte de luxo 
O médio do Sporting assinou uma bela primeira parte em Leverkusen. Até marcou um golo. Mas não chegou para que a equipa de Jorge Jesus seguisse em frente. 



Desce 
Fiscal de linha - Perseguição internacional 
Se o pai deste "bandeirinha" inglês que validou o golo a Aubameyang tiver uma taberna lá na terra dele, o melhor será ter o Livro de Reclamações sempre à mão. 



Pérola 
"O Benfica ainda tem de comer muita papa Cerelac", Bruno de Carvalho 



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha 

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