sábado, janeiro 09, 2016

Os amigos são para as ocasiões

Um amigo é um amigo. Até no mundo peculiar do futebol, em que as inimizades de hoje são as amizades de amanhã, há honrosas exceções ao dogma que Pimenta Machado estabeleceu há um par de décadas a propósito da verdade passar a ser mentira consoante as conveniências. No capítulo das amizades inabaláveis, não há quem bata, no futebol português, a de Pinto da Costa e Jorge Jesus. Trata-se de uma relação ímpar, que se reafirma através de uma constante renovação de votos publicamente expressos. 

Atente-se, por exemplo, nas declarações do treinador do Sporting mal acabou o desafio do passado domingo em que teve pela frente e venceu, sem apelo nem agravo, o Porto. A já mencionada cegueira da clubite induziu muitos adeptos a concluir apressadamente que as palavras do treinador amadorense sobre a impiedade da imprensa com o qualificadíssimo treinador basco – "por que não questionam outros treinadores que têm menos pontos do que no ano passado?" – se destinavam apenas a escarnecer de Rui Vitória. Nada mais errado. 
Na realidade, Jorge Jesus não perde um minuto por dia a pensar no passado. O Benfica é para ele um assunto arrumado. Na quarta- -feira, o treinador do Sporting só se lançou na mais execrável diatribe contra o seu pseudo-"colega" de profissão, o seu ex-"herdeiro", para atenuar em termos de ruído mais um espalhanço do treinador basco que foi capricho do presidente do Porto. Esta foi a semana em que, à pala do Benfica, o treinador da Reboleira não desperdiçou uma única oportunidade para dizer ao presidente do Porto que está com ele de alma-e- -coração. E que a aposta presidencial no "colega" basco não poderia ser mais racional. 

Os amigos são para as ocasiões. A verdade é que, no rescaldo da derrota em Alvalade, Pinto da Costa recebeu apenas duas manifestações de solidariedade: a de Jorge Jesus a sugerir paciência para o treinador do presidente e o comunicado dos Super Dragões a reforçar idêntica sugestão. "Lopetegui? Amanhã posso estar no mesmo lugar" – concluiu Jesus. A que "mesmo lugar" se candidatou Jesus – se o de treinador importunado por jornalistas ou se o lugar propriamente dito de treinador do Porto – é coisa que o futuro desvendará, inevitavelmente. 



Outras histórias 
Um tipo bem-educado não pode ser campeão 
Goleando o Marítimo, o campeão reforçou a candidatura ao título do "ataque mais avassalador da Liga". É verdade que o Benfica é a equipa com mais golos marcados. O que de nada lhe vale em termos de classificação porque esses golos têm sido mal distribuídos. As goleadas são muito bonitas mas este Benfica já registou um número preocupante de jogos "em branco" frente a rivais de peso como o Porto e o Sporting e a rivais de pouco peso como U. Madeira e Arouca. E por isso mesmo segue em 2º lugar a 4 pontos do líder. Na véspera do jogo com o Marítimo, o treinador do Benfica entendeu que deveria dar aos adeptos a satisfação de o verem responder sem frouxidão ao apelo feito pelo treinador do Sporting. Jesus quer a imprensa a morder canelas ao seu sucessor. Rui Vitória, sem perder a compostura, reagiu de maneira a agradar retoricamente à plateia da Luz e a equipa correspondeu com exibição solidária. Será que um tipo bem-educado não pode ser campeão em Portugal? Há quem diga que não. 



Sobe e Desce 
Sobe 
Postura Olímpica - Pinto da Costa 
Dominado pelo espírito olímpico do barão Pierre de Coubertin, o presidente do FC Porto mantém-se impassível perante todos os acidentes de percurso.   

Em alta consideração - Maxi Pereira 
O defesa internacional uruguaio, bicampeão nacional pelo Benfica, sobe na consideração dos adeptos portistas pelo seu inconformismo face à abdicação geral. 

Desce 
Em baixa consideração - Suk 
O avançado sul-coreano do V. Setúbal convenceu o Porto mas não convenceu Domingos Paciência, que o considera sem categoria para equipar à "dragão" 



Pérola 
"Pedimos que quando forem a assobiar se contenham", comunicado dos Super Dragões 



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

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