domingo, janeiro 24, 2016

Atribulações de um campeão

Luka Modric, o pequeno príncipe croata do Real Madrid, ainda esta semana justificou as continuadas atribulações dos merengues no corrente campeonato espanhol com a factura a pagar pela absurda digressão mundial que a equipa cumpriu na pré-temporada, por força das obrigações contratuais com a Fly Emirates. Aconteceu o mesmo, e de forma bem mais espampanante, ao Chelsea, o campeão inglês que correu Mundo no verão a exibir os seus galões e o nome do seu patrocinador mas que, no regresso a casa, soçobrou no campeonato inglês com tal estrondo, que nem José Mourinho lhe conseguiu resistir.

Ao Benfica, a quem já bastava o corte com o antigo treinador de meia dúzia de anos para lhe garantir um período de inevitável turbulência, terá acontecido exactamente a mesma coisa. A doença dos fusos horários chamemos-lhe assim. O Benfica estreou-se no verão de 2015 nestas supremas andanças intercontinentais em vésperas do arranque oficial da época, o que acabaria por lhe custar, de imediato a decisão de uma Supertaça perdida para o Sporting a que se seguiu uma penosa e não menos medíocre abordagem à Liga portuguesa.

Tão medíocre ao ponto de se ver num repente o Benfica, o bicampeão Nacional,a oito pontos de distância do líder da prova e sem argumentos práticos que conseguisse convencer os seus adeptos e muito principalmente, os seus adversários de que haveria de se contar com a equipa liderada por Rui Vitória para as discussões da temporada de trazer por casa.

Porque o futebol tem destas coisas ou porque Fejsa faz melhor o lugar do que Samaris ou porque jogando com extremos - Carcela e Pizzi - o Benfica é mais eficiente, a verdade é que o Benfica reduziu substancialmente a desvantagem e apresenta-se de novo como candidato ao título. Hoje, pelo fim da tarde, recebe o Arouca na Luz e muito convirá aos campeões nacionais não considerarem o jogo ganho antes de o jogarem. O Benfica perdeu em casa do Arouca na primeira volta da prova quando mal tinha acabado de aterrar das suas viagens pelos EUA e pelo México, e o que, segundo Modric, serve de desculpa para o galáctico Real Madrid, também se aceita como atenuante para um campeão da periferia da Europa, o que, de modo nenhum, se aceitará é o convencimento de que há jogos fáceis ou a fanfarronice que sempre antecede os grandes desastres. Por hoje é tudo. Carrega, Benfica!


Fonte: Leonor Pinhão @ Record


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