segunda-feira, novembro 30, 2015

Os cabelos brancos de Renato Sanches

Alguém se lembrou de inscrever Renato Sanches na lista para a Champions, de modo que o vimos jogar na quarta-feira no Cazaquistão. Tem um reportório que mais ninguém tem no actual meio-campo do Benfica. Trata-se de um médio-ofensivo. Tão ofensivo que acabou o jogo a fazer de médio-defensivo para não destoar e não estragar, com as suas arrancadas, o futebol compulsivamente amarrado dos bicampeões.

Os benfiquistas gostaram de ver Renato Sanches. Os adversários do Benfica apreciaram menos. Por exemplo, Carlos Severino - um amigo, um antigo companheiro dos jornais, um candidato à presidência do Sporting - não deu grande valor à exibição de Renato Sanches, porque lhe dá 28 anos e não 18. Quem sabe, sabe. Quando, cheinho de cabelos brancos, evoluía como iniciado no Seixal já tinha 20 e não 8 anos o nosso Renato Sanches. É que salta à vista.

Não há tormento maior para a índole fatalista do futebol português do que aquele engodo do 'basta empatar'. O Benfica, por exemplo, passou por esse transe há três anos quando lhe bastava empatar no Porto e acabou por perder o jogo e o título nos instantes derradeiros. Agora, numa prova de outra projecção, volta o Benfica ao 'basta empatar' quando receber o Atlético Madrid. Não é que o Benfica precise sequer de empatar para chegar aos 'oitavos', porque já lá está. O que importava era assegurar o primeiro lugar do grupo, evitando assim aqueles potentados da estratosfera financeira que, normalmente e sem piedade, dão cabo de quem se lhes atravessa ao caminho. E, desse ponto de vista, diga-se que a Liga Europa é um descanso...

O mesmo 'basta empatar' tramou também o Porto na terça-feira porque, bastando-lhe empatar com o Dínamo Kiev para seguir em frente na Champions, acabou por perder e colocar-se numa posição em que já não depende só de si. A ninguém no Dragão passaria pela cabeça um desfecho daqueles. E muito menos a Julen Lopetegui, que até deixou de fora André André. A ideia patriótica do treinador basco, consumando-se uma esmagadora vitória tangencial sobre os ucranianos, seria a de responsabilizar Fernando Santos por ter esmifrado até ao tutano o jovem médio portista ao serviço da Selecção Nacional. Mas a coisa acabou por sair ao contrário, o que, às vezes, acontece. E, assim sendo, lá se ouviram as ainda mais infelizes explicações tácticas...

Fonte: Leonor Pinhão @ Record

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