sábado, outubro 03, 2015

Andam mosquitos por cordas

O treinador do Sporting, lá longe em Istambul, disse que a revelação "online" do seu contrato de trabalho em nada o apoquenta porque nada tem a esconder. O que é, certamente, verdade. Por sua vez, a entidade patronal disse, em comunicado, que vai pedir às autoridades competentes "uma investigação" que permita desvendar a autoria de mais este roubo de que foi vítima. Neste caso específico não se tratou nem de um penálti, nem de um golo mal invalidado nem da expulsão de campo do presidente ou do treinador, à vez. Não, nada dessas coisas corriqueiras que estão sempre a acontecer nos campos de futebol. 
Desta vez roubaram ao Sporting meia dúzia de folhas A4 preenchidas com um contrato de trabalho impresso em papel elegantemente timbrado com o sinete do clube e assinado na sua última página pelo treinador e pelo presidente, também à vez como facilmente se imagina. À partida foram estas as duas primeiras pessoas a possuir o documento que terão rubricado pelos seus próprios punhos pelos primeiros dias de junho. Agora, que apareceu na "net" e que já toda a gente sabe, indevidamente, os pormenores mais pitorescos do contrato de Jorge Jesus com o Sporting, fica a grande dúvida sobre o ponto de origem que permitiu que todas esta inconfidências fossem assunto de conversa nos cafés e nos transportes públicos de norte a sul do País. 
A verdadeira questão é esta: o contrato que chegou a público saiu da gaveta da cómoda estilo Império de Bruno de Carvalho ou da gaveta das ferramentas da garagem de Jorge Jesus? A dúvida é premente e daí ser muito bem-vinda uma investigação policial ao caso sobretudo se vier a provar, como se aguarda a qualquer momento em Alvalade, que nem o presidente nem o treinador do clube têm responsabilidade na matéria visto que o contrato foi roubado e publicitado por um benfiquista, por certo residente em Carnide, maliciosamente disfarçado de engenheiro hidráulico do Recreativo de Caála, aquele simpático clube angolano do senhor Mosquito que tem sempre as portas abertas no Lumiar. 
Será festejada com três horas de discurso presidencial esta feliz conclusão do caso de mais um roubo ao Sporting com assinatura benfiquista. 


Outras histórias 
O silêncio é de ouro, ou não 
O Benfica venceu o primeiro jogo fora da temporada e escolheu um dos melhores sítios para quebrar esse enguiço. Foi ganhar a casa do At. Madrid e nem se pode dizer que tenha tido a sorte do jogo. Aconteceu apenas ao Benfica fazer tudo para ganhar e ter na baliza o Júlio César que é muito melhor do que o Oblak, como ficou demonstrado repetidas vezes. Este Benfica mais recente tem vivido alegremente às costas de Jonas e de Gaitán e da pontaria de uma criança, Gonçalo Guedes. E, afinal, até parece que Rui Vitória percebe um bocado da coisa. Por isso mesmo estão todos de parabéns. O presidente do Benfica também está de parabéns porque, assim que acabou o jogo desancou forte, feio e merecido no punhado de "arruaceiros" das tochas que viajaram de Lisboa até ao Vicente Calderón não para apoiar a equipa de futebol mas para "envergonhar" o clube. Esteve bem Vieira ao afrontar estes vandalismos na quarta-feira. Também já estivera bem no domingo ao não dar troco ao presidente do Sporting. 

Sobe e Desce 
Sobe: 
Uma rapidez fulminante - Julen Lopetegui - Notável a rapidez de Lopetegui a abandonar Moreira de Cónegos à primeira questão sobre a sua tão propalada "rotatividade". 

Que semana inesquecível - Gonçalo Guedes - Na mesma semana estreou-se a marcar no campeonato e na Liga dos Campeões. Para 18 anos, não está mal, não senhor. 

Stand-up histórico - Bruno de Carvalho - Esteve duas horas de pé para proferir um discurso que já é considerado, por unanimidade e aclamação, um caso de estudo. 

Pérola 
"Prostituição? Falava dele próprio porque saberá de onde saiu", Carlos Pereira 


Fonte: Leonor Pinhão @ Correio da Manha

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