quinta-feira, agosto 20, 2015

Desempregado: procura-se

Quando se descobriu que um cartaz do PS continha uma falsidade, fui tomado por um niilismo tão intenso que Nietzshe, junto de mim, é um crédulo consumidor de time sharing. Se até na propaganda política, outrora um refrescante oásis de pureza e de verdade, começamos a detectar mentiras, que esperança nos resta? E que dizer da passividade da CNE, perante uma situação desta gravidade?

Dediquei-me então a procurar, no meio destas inesperadas trevas, um raio de luz que alumiasse as nossas vidas. Felizmente, descobri vários. Receio mesmo ter ficado encadeado.

Vamos por partes. O cartaz mente, disso não há dúvidas. A senhora que aparece a dizer que está desempregada, na verdade, tem emprego. Ou seja, trata-se de uma mentira agradável. Recordo-me de um cartaz antigo do PS que anunciava 150 000 empregos, promessa que não foi cumprida. Este cartaz falha quando anuncia desemprego. Parece-me uma evolução. Em segundo lugar, ao que tudo indica, o PS não conseguiu encontrar, em Portugal, um verdadeiro desempregado para exibir. O que significa que o País está bastante melhor do que parece. Fica a nota de esperança. Mais: o cartaz revela que os socialistas não desejam tocar no tema sensível que mancharia a campanha. O PS poderia ter recorrido a uma pessoa cujo nível de vida desceu incontestavelmente durante a governação de Passos Coelho e reside agora num T0, em Évora (sendo que, além do mais, a pessoa em causa tem experiência anterior no que respeita a protagonizar cartazes do partido). Dando mostras de uma decência política notável, o PS optou por não o fazer.

Por causa da polémica, o director da campanha do PS demitiu-se. Isto é, perdeu o emprego. Também é azar: precisamente na altura em que podia ajudar a campanha, protagonizando um cartaz, já não trabalha nela. Há dias em que uma oposição não pode sair de casa. Entretanto, soube-se também que as pessoas que aparecem, sorridentes, nos cartazes da coligação, são figurantes estrangeiros. Ao contrário do que alguns pretendem, nada há de desonesto nessa circunstância, antes pelo contrário: é sabido que a governação do PSD e do CDS agradou muito mais a estrangeiros do que a portugueses. É natural que sejam eles a manifestar satisfação pelo trabalho do governo.


Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

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