segunda-feira, abril 13, 2015

Não tivemos estofo de campeão. Nós, o público.

A primeira hora de jogo do Benfica com o Nacional foi de altíssima categoria. Depois, com o resultado já em 3-0, e sendo impossível manter aquele padrão de excelência, lá veio a descontracção e com a descontracção reinante veio, naturalmente, o golo do Nacional.
E com o golo do Nacional vieram as manifestações de desagrado do público da Luz num momento posterior em que o adversário recuperou uma bola e voltou a aproximar-se da baliza de Júlio César.
A situação nem sequer era de perigo extremo mas memórias recentes de jogos em que o Benfica não soube segurar vantagens adquiridas provocaram um ataque de nervos no público que praticamente enchia o Estádio da Luz.
No entanto, o que Jorge Jesus ouviu e não gostou não foram assobios. Foram suspiros de aflição. São coisas muito diferentes ainda que ambas desagradáveis.
A verdade é que das bancadas saíram em catadupa «ais!» que deveriam ter sido diplomaticamente abafados em cada peito benfiquista a bem da tranquilidade e do sucesso da equipa, que é o nosso sucesso também. Mas aos suspiros não houve maneira de os conter, aconteceu mesmo.
O treinador viria a lamentar publicamente a atitude do público e dou-lhe inteira razão.
Não tivemos estofo de campeão. Nós, o público. Não custa reconhecer esta evidência.
Na penúltima jornada, a da visita a Vila do Conde, aconteceu precisamente o oposto. Do lado de dentro, o Benfica não teve estofo de campeão porque se iludiu fatalmente com aparentes facilidades enquanto o público afecto, ao comparecer em massa no Estádio dos Arcos apoiando do primeiro ao último minuto, deu uma cabal demonstração do que é ter estofo de campeão do lado de fora.
Voltemos ao incidente de domingo passado. Julgo ter sido a primeira vez nesta época que se ouviram na Luz manifestações de desagrado.
Nem quando a equipa foi prematuramente eliminada da Taça de Portugal pelo Sporting de Braga houve quem protestasse de modo a se fazer escutar. E, com mais classe ainda, se comportou o público da Luz quando a equipa se viu derrotada contundentemente pelo Zénite de São Petersburgo e recebeu, à despedida, uma calorosa ovação pelo empenho real demonstrado em campo jogando em inferioridade numérica grande parte do encontro.
O que aconteceu no domingo depois do golo do Nacional foi, portanto, uma raridade. O que também não custa reconhecer.
Foi a primeira vez que nesta temporada o público falhou à equipa. A equipa, em contrapartida, já nos falhou mais uma ou duas vezes.
O ideal era dar por encerrada a contabilidade dos falhanços mútuos de 2014/2015. Fiquemo-nos todos, equipa e adeptos, por aqui.
Falhando pouco, já falhámos todos demais.
Carrega Benfica!


O Benfica já conhece o nome do seu adversário na final da edição corrente da Taça da Liga. Trata-se do Marítimo que conquistou esse direito na quinta-feira passada.
O semi-finalista vencido foi o Porto que, ano após ano, lá se continua a ver livre da dita Taça da Liga. E com os preciosismos que a proeza exige.
Sim, porque já constitui proeza, porque mania não deve ser, em oito edições da prova não se contar uma que sorrisse ao Porto.


A relação de Jonas com o Benfica, ou vice-versa, é de igual para igual em aspectos do ponto de vista prático. Ambos são enormes.
O Benfica é um clube enorme e Jonas é um jogador enorme. Juntos ficam ambos muito bem. Uma beleza. 
Do ponto de vista exclusivamente sentimental também só pode existir grande reciprocidade entre Jonas e o Benfica. Gostam um do outro. E ambos lamentam ter-se conhecido só agora.
Que pena não ter chegado um ou dois aninhos mais cedo ao Benfica, pensará Jonas quando não está ocupado a marcar golos. E também nisso estamos com ele, totalmente de acordo. Que pena o Jonas não ter vindo mais cedo para o Benfica. Que desperdício.


No capítulo das expectativas, contra o pessimismo de uns e contra o optimismo de outros, Carlos Xistra foi tudo menos um árbitro condicionado no Estádio dos Barreiros, na quinta-feira à noite, e no Estádio da Luz, no sábado à tarde.
No Benfica-Nacional, enganou-se por uma vez transformando um pontapé-de-canto num livre indirecto (ou vice-versa) e terá sido somítico no tempo de desconto. Concedeu apenas 3 minutos. Tivesse concedido 4 minutos e teria recebido nota máxima.
O mesmo árbitro, diga-se, já tinha estado em excelente plano no Marítimo-Porto.
Para o treinador do Porto, no entanto, Carlos Xistra falhou estrondosamente ao assinalar a grande penalidade que permitiu ao Marítimo chegar ao empate.
É uma desculpa como outra qualquer. E nem sequer é o momento mais criativo de Lopetegui na sua saga contra os árbitros portugueses.
Em primeiro lugar, porque não falou em latim.
Em segundo lugar, porque já lhe é difícil ultrapassar-se a si próprio depois de ter acusado os tocadores de bombos da claque do Nacional de serem responsáveis pelos 2 pontos perdidos na anterior viagem à Madeira.
E em terceiro lugar, porque não falou em latim em primeiro lugar.


Eliseu viu um cartão amarelo no sábado e não pode jogar com a Académica, o próximo adversário do Benfica. Diz-se que na sua posição vai estar André Almeida que fez uma belíssima exibição com o FC Porto no jogo da primeira volta ocupando o lugar ingrato de defesa-esquerdo. Lembram-se?


No sábado à noite houve muita discussão por esse país fora mas discussão da boa, 100 por cento construtiva.
E, enfim, depois de muita troca de opiniões foi praticamente impossível chegar-se a consenso sobre o que de melhor o Benfica nos acabara de oferecer no jogo com o Nacional.
Havia muitas dúvidas e opiniões contrárias.
Se foi o segundo golo de Jonas ou se foi a exibição de Gaitán ou se foi a chiquelina aplicada por Salvio a um adversário, ou se foi… ou se antes foi…
Pela parte que me toca, apreciei imenso a chiquelina do Sálvio, a exibição do Gaitán e o segundo golo do Jonas mas não consigo dar primazia a nenhum destes momentos artísticos e por uma boa razão, acho eu. 
Porque, na verdade, do que mais gostei no jogo com o Nacional foi do instante, já mais para o fim, em que Maxi Pereira, defendendo a sua zona perante uma investida contrária, foi empurrando o adversário que transportava a bola num ombro-a-ombro tão notável quando legítimo, forçando-o a andar para trás uma dúzia de metros e a regressar ao seu meio campo bastante desmoralizado e sem saber o que fazer.
É assim que se ganham campeonatos.
O que seria dos artistas da bola sem os operários do futebol?


O Benfica-Porto está ameaçado! – foi a manchete de anteontem da imprensa desportiva e não só.
Isto por causa de um movimento reivindicativo dos árbitros portugueses.
Expresso aqui a minha solidariedade com a sua luta. Exigem receber as verbas a que têm direito e que a Liga retém sem lhes dar cavaco nem mostras de arrependimento.
Com o intuito de fazer valer as suas pretensões, os árbitros pediram dispensa de apitar nas últimas cinco jornadas do campeonato. É uma forma de pressão legítima.
E continuo a expressar a minha solidariedade com esta luta desde que, longe vá o agouro, não se lembrem as entidades competentes de resolver o assunto da falta de árbitros repescando árbitros já retirados para dirigir os jogos das últimas cinco jornadas.
Expresso, portanto, a minha solidariedade com a greve dos árbitros desde que não se lembrem de ir repescar o já aposentado Pedro Proença para dirigir o próximo Benfica-Porto como só ele sabe."


Fonte: Leonor Pinhão @A Bola

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