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sábado, julho 04, 2009

Votar contra interesseiros

Sou sócio do Benfica desde 1993 e estas foram as primeiras eleições em que participei. As eleições anteriores nunca me motivaram a participar, quer pelo folclore que as restantes eleições estiveram envolvidas, quer pelo facto de considerar que o meu voto não seria necessário.
Mas desta vez, mesmo tendo consciência que o vencedor era obvio, achei que devia ir votar, dando o meu apoio a continuidade do projecto em curso, expressar a minha indignação contra a campanha negra que foi lançada no final do campeonato.

A marca Benfica vale muitos, quer em termos desportivos, marketing e financeiro, pelo que o “assalto” ao clube é tentador por parte de terceiros. O acordo que em breve se vai assinar, referente aos direitos desportivos será o maior feito em Portugal, pelo que o grupo de comunicação que o conseguir, irá conseguir obter um excelente retorno financeiro do investimento efectuado e irá permitir ao Benfica encaixar uma verba demasiado apetitosa.
Pelo que seja natural que tenha aparecido 2 candidatos da área da TV, o Bruno Carvalho do canal “Porto TV” e o quase–candidato Moniz (TVI e com o seu movimento “Benfica, Vencer, Vencer”). Todos estes pseudo candidatos foram referenciados para estas eleições, todos eles procuravam obter benefícios do Benfica, mas nada prometiam em troca. Tiveram os seus 15 minutos de fama.

A pré-campanha começou muito cedo, desde o final da época, que o movimento “Benfica, Vencer, Vencer” tem lançado noticias via Record/CM/TVI, com o intuito de atingir o Luis Filipe Vieira. Pretendiam chegar a Outubro com um candidato desgastado e descredibilizado. Durante muitas semanas os ataques ao Benfica surgiam com uma cadencia diária, atingiram de raspão o LFV, mas conseguiram abanar fortemente a equipa de futebol, até a queda nos jogos e por fim a queda do treinador. Um movimento pelo Benfica, que pretendia candidatar-se a presidencia do Benfica, que andou semana após semana a tentar atingir o LFV, mas que foi atingindo o próprio Benfica. Com amigos destes …..

Com a instabilidade que se vivia passou a fazer todo o sentido em antecipar as eleições, que deviam ser estatutariamente após a conclusão das provas oficiais. Com a antecipação das eleições, apanhou-se o movimento “Benfica, Vencer, Vencer” descalço, que durante semanas se andou a apregoar e com grandes anúncios de que seriam uma lufada de ar fresco no Benfica, que iriam trazer pessoas credíveis, modelo de gestão de sucesso e ideias novas. Quando foi necessário que surgisse um movimento de forma a concorrer contra o Vieira e que apresenta-se novas soluções, o que nos foi apresentado foi nada. Nem conseguiram apresentar um único candidato.

O Viera viu-se a concorrer sozinho, os adversários eram bastantes maus, devia-se ter em atenção aos padrões de qualidade. Era importante que tivessem aparecido movimentos com ideias concretas e pessoas credíveis, de forma a dinamizar o clube com ideias e soluções. Quem sabe nas próximas eleições.

Nestas eleições, tal como na maioria das eleições desportivas, existe sempre um candidato favorito, tem sido o Vieira. Independentemente de se gostar dele ou não, temos que reconhecer o trabalho realizado, a recuperação financeira e da credibilidade do clube. Em termos desportivos vê-se resultados nas modalidades, no futebol percebe-se que tem sido feito um grande investimento e que vamos tendo uma equipa ao nível do que se pretende para o Benfica. O resultado das eleições expressa bem que os Benfiquistas reconhecem o trabalho realizado e dão o seu voto de confiança para a continuação do projecto.
A oposição, que votou no Bruno Carvalho e em branco, tem um resultado demasiado insignificante, que se percebe que se não fosse o apoio dado pela comunicação social, eles nunca teriam existido.

Agora espera-se o inicio da pré-época, a preparação da equipa de futebol, o reforço orçamental nas modalidades e a continuação na aposta na formação. Em breve irá iniciar-se mais uma nova época desportiva e a principal preocupação deverá ser a de conseguir fazer mais e melhor e não andar a defender-se dos ataques de interesseiros.

segunda-feira, junho 29, 2009

Em quem eu voto

Na próxima sexta-feira realizam-se as eleições para a presidência do Sport Lisboa e Benfica e, pelo menos até ao momento em que escrevo, nenhum candidato ou candidato a candidato foi atirado por umas escadas abaixo. Já não é mau, e acaba por ser motivo de orgulho: no Benfica há candidatos (e há também escadas) e eles podem concorrer com a certeza de que não serão incentivados a fracturar o crânio contra um degrau.

Quanto aos candidatos, calculo que Bruno Carvalho não tenha convencido muita gente — até porque, aparentemente, não conseguiu convencer o próprio Bruno Carvalho. Eu confesso que concordo com muitas das ideias de Bruno Carvalho. O problema é que Bruno Carvalho não concorda. Tenho, por exemplo, simpatia pela ideia segundo a qual a identidade do clube sai reforçada se forem benfiquistas a representar e a trabalhar no Benfica. Foi o que disse Bruno Carvalho. E depois convidou Petit, um boavisteiro confesso, para mandatário de campanha. Também acredito que o Benfica precisa de uma liderança forte, determinada e coerente, que não diga hoje uma coisa e amanhã outra. Foi o que defendeu Bruno Carvalho. Depois disse que Jorge Jesus seria despedido por si no dia seguinte às eleições, e uma semana depois disse que Jorge Jesus não seria despedido por si no dia seguinte às eleições. Penso que o papel de Rui Costa no futebol do Benfica é inestimável. Bruno Carvalho também. Mas quer despromovê-lo de director desportivo para conselheiro do presidente para a área do futebol. Quer isto dizer que os conhecimentos de Rui Costa sobre futebol não o qualificam para dirigir, mas apenas para aconselhar. Bruno Carvalho deixa que Rui Costa colabore, mas o que o maestro sabe sobre futebol deve ser depurado pelo superior julgamento de Bruno Carvalho.

Como é evidente, também tenho divergências (é certo que pequenas) com Bruno Carvalho. Por exemplo, não concordo com o conceito de geração de Bruno Carvalho. O candidato afirmou que Carlos Azenha (técnico que propõe para o Benfica) era o melhor treinador português da sua geração. Sucede que Carlos Azenha é três ou quatro anos mais novo que José Mourinho. Não tenho dúvidas de que Carlos Azenha seja competente (por alguma razão Jorge Jesus o convidou para adjunto quando treinou o Vitória de Setúbal), mas enquanto for da mesma idade de José Mourinho (e julgo que terá dificuldade em deixar de o ser) não será o melhor da sua geração. Discordo, igualmente, do conceito de competência de Bruno Carvalho, que afirma que a actual direcção é totalmente incompetente. Bruno Carvalho é sócio efectivo do Benfica desde o ano passado, e é possível que tenha começado a acompanhar a vida do clube apenas nessa altura, mas quem se lembra da situação em que o clube estava quando Vale e Azevedo saiu terá mais cuidado a avaliar as capacidades dos actuais dirigentes. Além disso, não concordo com o conceito de justiça de um candidato que propõe tratar de igual modo todos os dirigentes adversários: desde os que estão a cumprir pena de suspensão de dois anos por tentativa de corrupção aos que não recebem árbitros em casa para tomar café.

Havia também o Movimento Benfica, Vencer, Vencer — que, para movimento, há que reconhecer que está um bocado parado. Era um movimento que tinha projecto, ideólogos e lista — só não tinha presidente. Tentou arranjar um, mas não conseguiu. E torna-se difícil mobilizar milhares de sócios quando não se tem capacidade para mobilizar só um.

Ponderadas todas estas questões, concluí que concordo com quase tudo o que diz Bruno Carvalho e que, tal como o movimento de notáveis, desejo que o Benfica vença (e até, se puder, que vença vença). Mas é mais ou menos por isso que vou votar em Luís Filipe Vieira.

Fonte : Fórum Benfica - RAP @ A chama imensa in Jornal A Bola - 28/06/2009

Modalidades - 2026/06/20

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