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sábado, março 30, 2019

Dyego Sousa abre a porta a Gabriel

Cristiano Ronaldo fez o que fez na terça-feira em Turim e a mãe de Cristiano Ronaldo não lhe quis ficar atrás e, na quinta-feira, destroçou também ela muita gente ao vestir-se de vermelho e branco para desejar as felicidades ao Benfica através do Instagram. Os benfiquistas adoraram. Aliás, o namoro entre Dolores Aveiro e os fãs do maior clube português já vem do último dérbi em Alvalade. No fim do jogo, estabelecido o resultado de 4-2 favorável aos visitantes, a mãe de Cristiano Ronaldo respondeu com acenos e um gingar bem-disposto a um cântico que lhe foi dedicado."A Dolores é do Benfica! A Dolores é do Benfica", entoaram os benfiquistas em Alvalade e o momento, que só pode ser entendido com um acto de gentileza mútua, como o quase-hat-trick de João Félix nessa noite. 
Quase-hat-trick porque o número 79 do Benfica marcou dois golos, tendo um sido invalidado pelo VAR, e ainda teve ocasião flagrantíssima para fazer o terceiro num lance anterior à sua substituição. Nesta sua mais recente incursão pelo universo encarnado, teve a mãe do carrasco do Atlético de Madrid (e do presidente do Real Madrid) o cuidado de especificar que não é benfiquista, o que não a impediu de fazer votos de uma "óptima" quinta-feira para a equipa de Bruno Lage. Os votos de Dolores Aveiro não terão contribuído para os três golos sem resposta com que o Benfica despachou o Dínamo de Zagreb ao cabo de 120 minutos de futebol, mas lá que caíram muito bem entre os benfiquistas, caíram. Não há, actualmente, pessoa-não-benfiquista mais apreciada pelos benfiquista do que a mãe de Cristiano Ronaldo. E não será só pelos piores motivos.
O "hacker" de Budapeste soube que vai ser extraditado para Portugal, onde lhe será muito mais fácil estabelecer-se como comentador desportivo "indoor" e João Félix foi convocado para a Selecção A, o seu destino natural. Fernando Santos convocou também Dyego Sousa para os trabalhos. O jogador do Braga tem estatuto de luso-brasileiro e a sua chamada não fere nenhum princípio. A presença de Dyego Sousa no grupo que vai abordar a fase de qualificação para o Europeu de 2020 faz prever que, por um destes dias, seja também chamado por Fernando Santos um outro luso-brasileiro do futebol português, o benfiquista Gabriel. E será pelos melhores motivos.
O sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa não foi bom para o Benfica. O Eintracht de Frankfurt é uma complicação a caminho e, em caso de apuramento da equipa da Luz, o favoritíssimo Chelsea seria uma grande, uma enorme complicação. também não teve nada de bom para o Benfica o empate consentido ao Belenenses. Tal como na Liga Europa, também no campeonato nacional tem o Benfica de se esforçar imenso para chegar onde quer. Que se comece já a esforçar amanhã em Moreira de Cónegos.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, março 02, 2019

Melhor na delação do que na competição

Foi uma boa semana da comunicação do Benfica. E nem foi preciso suar para que tudo corresse de feição. Foi, por outro lado, a pior semana da comunicação do FC Porto desde que entraram em vigor as coordenadas nascidas daquele concílio com o Sporting num quarto de um hotel em Lisboa e fotografado à socapa pelos serviços secretos sabe-se lá de quem. Antes de revisitarmos os passos trocados da comunicação do comandante da Liga desde o preciso instante em que Jorge Sousa deu por findo o jogo em Moreira de Cónegos, 100 minutos depois do apito inicial, é justo proceder ao reconhecimento do supremo laconismo do treinador Benfica ao longo da semana. Até no futebol-falado da guerrilha ocorrem, por vezes, situações, em que menos é mais.
Recapitulemos, então, o minimalismo do antigo treinador da equipa B da Luz.
Sobre a goleada imposta ao adversário da 21.ª jornada do campeonato, disse: “O Benfica são as pessoas.” Quanto à interdição do Estádio da Luz por 4 jogos por requisição do Sporting – …e que lhe valerá por outros 4 títulos a reconhecer pela Assembleia da República –, afirmou Lage, sem dramas: “Jogaremos onde quer que seja.” No que diz respeito à primeira vitória do Benfica em solo turco com recurso a mais de meia-equipa de garotada formada em casa, anunciou burocraticamente: “Amanhã há treino.”
E basta porque o importante é vencer no campo e, vencendo no campo, quanto menos conversa e menos explicações, melhor.
Outros, porém, não vencendo no campo no decorrer de uma semana (atípica), viram-se forçados a um registo inaudito de conversas a mais e, sobretudo, de explicações a mais.
E, assim, lá foi obrigado – pelas circunstâncias e pelo patronato – o treinador das crianças do FC Porto a vir a terreiro explicar ao país as razões ponderosas e sábias que o levaram a excluir o Félix da “cantera” local e a despachá-lo para o Padroense.
Como se não bastasse, no dia seguinte, lá se viu forçado – pelo patronato e pelas circunstâncias – o valente defesa central Filipe a vir a terreiro acrescentar à explicação oficial fornecida por F. J. Marques a sua própria explicação oficiosa para o gesto (atípico) que dirigiu ao seu treinador mal terminou o jogo em Roma.
Numa semana menos risonha em termos de resultados, de linguagem gestual e de outras coisas – bem melhor na delação do que na competição estiveram, por exemplo, os parceiros do Altis –, deu-se por feliz o patronato por não ter de dar explicações a ninguém.
Patrão é patrão. Fala quando quer e visita quem quer sem que lhe exijam carta de intenções. E se foi à cabina dos árbitros no fim do jogo em Moreira de Cónegos só haverá a lamentar que os eventuais conselhos matrimoniais prestados a Jorge Sousa não sejam já do domínio público porque muita gente, árbitros e não-árbitros, beneficiaria certamente com tanto “know-how” acumulado.
Isto é que não foi nada atípico.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

Traços de personalidade de um ascendente remoto

O presidente do Sporting atirou-se ao presidente do Benfica como gato a bofe. Os analistas convencionais não demoraram a descodificar esta volúpia insultuosa de Frederico Varandas. trata-se de um ativismo, foi a conclusão a que chegaram. No campo da Biologia diz-se que um ativismo é a "reaparição em um descendente de traços de personalidade de um ascendente remoto que permaneceram latentes por várias gerações". Em sentido figurado, um ativismo remete para a "hereditariedade biológica de características psicológicas, intelectuais, comportamentais". Perante a ânsia latente na diatribe de Varandas, os analistas parecem ter toda a razão. É que este episódio, apesar de recentíssimo, remete para todo um historial de episódios já seculares. E, assim, é legítimo concluir que esta semana o presidente do Sporting limitou-se a ser presidente do Sporting.
Existe, no entanto, uma segunda escola de analistas que explica de outro modo, bastante menos convencional, a inspiração para esta epístola furiosamente anti-Benfica assinada por Varandas a meio da semana. Não lhe terá surgido por causa daquele impulso atávico de insultar o presidente do clube rival fornecendo, sem custos, uma alegria e um suplemento motivacional às suas hostes em vésperas de dérbi.. Não, nada disso. Não é com o Benfica nem com o lugar onde se vai sentar para assistir ao jogo que o presidente do Sporting está preocupado. É com a aproximação vertiginosa do dia do lançamento do livro de memórias do ex-presidente do Sporting que o actual presidente do Sporting está preocupado. E ainda que à pala do Benfica, tocou a unir as hostes, fez bem.
Há qualquer coisa de inatingível e de muito perverso nesta febre com que o Benfica se dedica a contratar para as suas camadas jovens os descendentes de velhas glórias portistas. Depois do filho de Sérgio Conceição, teremos agora no Seixal um filho de Domingos Paciência e ambos os progenitores estão descansadíssimos porque têm os filhos bem entregues. No entanto, o "benfiquismo" mais básico torce um bocadinho o nariz a estas notícias. Ah, se "eles" fossem mesmo jeitosos, de certeza que jogariam no FC Porto e não os deixavam sair... - é esta a suposição corrente entre os que não acreditam no Pai Natal e são pessimistas por natureza. Já os optimistas por natureza vêem a coisa de uma maneira totalmente diferente. Para estes, é óbvio que Sérgio Conceição e Domingos Paciência estão apenas a zelar para que ninguém diga aos seus talentosos filhos o que foi dito ao pequeno João Félix lá no FC Porto: aqui não, miúdo, no Padroense, talvez...
O Benfica despachou as suas quatro contratações mais ou menos sonantes do defeso passado e fez subir à equipa principal o mesmo número de jogadores da equipa B. E passou duas mensagens para o exterior: que se espalhou ao comprido no mercado de verão e que o Seixal é que é. E será. Ou não será?



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, fevereiro 02, 2019

Daqui a 10 anos o vídeo-árbitro não cometerá erros

Na primeira quarta-feira de Fevereiro o Benfica recebe em sua casa o Sporting no jogo da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Um dérbi é sempre um dérbi e sobre esse assunto está tudo dito. A Federação Portuguesa de Futebol, entretanto, já fez saber que os quatro jogos das meias-finais da Taça de Portugal vão ter o contributo do vídeo-árbitro, o que não deixa de ser uma notícia sensacional para quem acompanhou criteriosamente as nomeações do vídeo-árbitro nas meias-finais da Taça da Liga. Acontece que os quatro semifinalistas da Taça de Portugal são exactamente os mesmos quatro semifinalistas da Taça da Liga, embora emparelhados de forma diferente. Aceitam-se apostas, portanto, sobre quem tombarão aos magotes as naturais "dores de crescimento" do VAR nestes iminentes desafios da maior importância do nosso calendário oficial de provas. Benfica ou Sporting? FC Porto ou Sporting de Braga? Onde é que vai doer é o que se vai ver. As casas vão esgotar, isso é certo.

O golo de Pizzi foi uma beleza. Um hino ao futebol "association", ao futebol colectivo que se afirma em desenhos geométricos e no esplendor das suas linhas de fuga. Mas não valeu. Que chatice. Eu, como sou do Benfica e vivo dez anos à frente, posso dizer-vos umas coisas sobre o funcionamento do VAR em 2029. Ficam já a saber que o recurso ao vídeo-árbitro melhorou imenso nesta década que vos levo de avanço. E, por incrível que pareça, melhorou ao ponto de ter deixado de haver erros de arbitragem, quer nas competições nacionais quer nas competições internacionais. O pioneirismo nacional nesta matéria continua a dar cartas por esse mundo fora e agora, se já ninguém se queixa dos árbitros e dos vídeo-árbitros, ao futebol português o devem, fiquem também a saber. A solução nasceu por mero acaso quando ainda antes do pontapé de saída de um desafio importante se registou uma falha técnica nos equipamentos de vídeo na Cidade do Futebol e a imagem nos ecrãs acessíveis ao vídeo-árbitro de serviço surgiu descolorida, turva, "indiferenciada", como clamaram depois os licenciados na matéria, de modo que ao VAR se tormou impossível distinguir com propriedade a identidade das equipas contendoras. Embora fossem 100% nítidas as evoluções dos dois onzes e suficientemente definidos os contornos dos jogadores e as linhas no relvado, nenhum vídeo-árbitro honesto até ao tutano poderia afirmar concerteza qual era o nome das equipas em ação. Foi um milagres. Com imagens "indiferenciadas", sem cores nem emblemas à vista desarmada, o vídeo-árbitro não cometeu um único erro de apreciação e saiu em triunfo. A patente desta invenção - nascida de uma falha técnica, nunca é demais repetir - foi imediatamente registada pela Liga de Clubes e depois comercializada para todo o Mundo civilizado. Os primeiros a comprar foram os chineses, naturalmente.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Amiguinhos, o 'hacker do Benfica' é a vossa prima

As tropas do Benfica celebram a detenção do mais recente Pinto a atingir a celebridade por razões obscuras. As tropas do Sporting e do Porto, depois dos primeiros momentos de estupefacção - e a estupefacção é paralisante – aplicam-se agora numa contra-campanha de índole hortícola. Querem ‘chuva na eira e sol no nabal’, ou seja, combatem por uma excepcionalidade que lhes conceda a ilibação moral através do estatuto de vítimas do hacker-via Football Leaks -, mas não resistem a celebrar os sucessos e a ética republicana do mesmíssimo hacker quando a vítima via blogue Mercado de Benfica & associados – é, precisamente, o grande Sport Lisboa e Benfica, o inimigo jurado da Liga Cyberduna.
Em defesa do hacker-bom, o sínodo do Altis não tardará a provar que não passou de um acto de caridade aquele desfalque bancário de centenas de milhares de euros que foi atribuído ao hacker-mau pela Polícia internacional. E também será provado pela Liga Cyberduna, nem que seja à força de desmaios, que há momentos na vida das pessoas e das instituições em que ‘extorsão’ significa ‘altruísmo’ dê lá para onde der.
Três anos e três meses depois de Bruno de Carvalho, à época presidente do Sporting, ter anunciado a prisão iminente dos responsáveis pela divulgação do contrato de Jorge Jesus, entre outros documentos internos do Sporting -“vão todos presos, rapidamente!”-, foi finalmente preso o autor confesso desses mesmos crimes. O “rapidamente”, neste caso, ficou a dever muito à rapidez. Porém, há casos em que o “rapidamente” se faz cumprir num virote.
Dez dias, por exemplo, foi o tempo que demorou até ser preso o rapaz de Budapeste depois do ataque informático conduzido ao escritório de advogados PLMJ que lhe permitiu a exposição pública, no blogue Mercado de Benfica, de uma quanta papelada dos processos judiciais respeitantes à EDP, à Operação Marquês e à holding estatal Parvalorem e ainda a outras acções respeitantes a Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro, Manuel Pinho e António Mexia. Dez dias. 10! Uma dezena de dias. Com esta rapidez -certamente uma coincidência! - é que não contava o imprevidente hacker Pinto! 
Enfim, bom ou mau, conforme as conveniências, o hacker Pinto tão cedo não se livra da fama de não passar de um hacker-burro. Excesso de confiança é a explicação fornecida pelos especialistas forenses. Só um tipo 100% confiante se atreveria a expor num blogue chamado Mercado de Benfica… – documentos judiciais dos maiores casos políticos e dos nomes maiores do país sem esperar consequências fatais. Burro, sim.
Um dos seus clientes até arrepelou os cabelos quando deu conta de que o rapaz se estava a meter com quem não devia.
– Este tipo é um exibicionista! Lamentou-se, mas já não foi a tempo.
Será que o chamado ‘hacker do Benfica’ é mesmo do Benfica? Não, amiguinhos, ‘o hacker do Benfica’ é a vossa prima."



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Liga a meio, Taças a caminho e malas a voar

Seferovic voltou ontem a marcar e Jardel voltou a marcar na baliza certa. E o Benfica lá ganhou ao Santa Clara, que jogou a segunda parte toda com menos um jogador em campo e que, mesmo assim, ainda assustou umas quantas vezes o guarda-redes grego do Benfica. Estranhamente, o Benfica jogou bem melhor contra 11 do que contra 10. Quando se viu com mais um jogador em campo do que o adversário, a equipa de Bruno Lage começou a pensar nos jogos com o Vitória de Guimarães para a Liga e para a Taça de Portugal e no jogo com o FC do Porto para a Taça da Liga e resolveu "desligar". Vá lá que correu bem. O Benfica aguarda agora o desfecho do Sporting-FC Porto para definir o seu ataque à segunda volta da prova. É o que se lhe exige.

E novidades, há? Há pois! E de monta. A tese do "Ministério Público do Porto" aproxima-se amorosamente da tese que o ex-presidente do Sporting Clube de Portugal não se cansou de brandir em sua defesa durante meses a fio: o ataque "hediondo" a Alcochete, que conduziu à queda do próprio, o saudoso Bruno Miguel, foi obra do Benfica. Aliás, se não fosse obra do Benfica não seria "hediondo". seria apenas "chato". O Ministério Público portuense, de acordo com as notícias que têm vindo a lume (brando), alinha em toda a sua plenitude com a tese de Carvalho. O Benfica comprou, um a um, os jogadores do Marítimo para vencerem o Sporting no encontro da última jornada da última Liga, garantindo, assim, a qualificação para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. Mas não se ficaram por aqui as manipulações dos vermelhos. O Benfica assegurou também com a derrota comprada na ilha da Madeira, e numa relação antecipadíssima de causa-efeito, a invasão do centro de treino de Alcochete, a carga de pancada em jogadores-chave, o despedimento de Jorge Jesus, as rescisões de contrato por parte de trânsfugas de alto coturno e, finalmente, a volatividade do projecto presidencial do carvalhismo que, em poucas palavras, se reduz ao facto, indesmentível, de ter sido o artefacto mais conveniente que alguma vez caiu no colo do FC Porto em 125 anos de história ou mesmo em 250 anos de história, tal como os vindouros terão oportunidade de constatar.

Não tardará que o "Ministério Público do Porto" relate ao país como o dinheiro foi transportado numa mala do estádio da Luz para o Funchal e como ficou à guarda da mãe de um fabricante de ponchas artesanais da região. Naquele domingo à tarde já distante de maio, a senhora estava aflita porque não sabia o que fazer ao guito,já que os jogadores do Marítimo nunca mais perdiam o jogo e o plano ameaçava ir por água abaixo. Foi então que Rui Patrício em tempo de descontos, ofereceu a vitória aos insulares através de aquilo a que se pode chamar um frango monumental. A mãe do do fabricante de ponchas artesanais encolheu os ombros e disse para com os seus botões "estes tipos pensam em tudo" e nunca mais pensou no assunto.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, janeiro 12, 2019

E agora temos Ferrari ou não temos

João Félix foi lançado para o campo quando faltava um quarto de hora para terminar o jogo do Benfica com o Portimonense. O resultado cifrava-se num dois-a-zero a favor da equipa nipónica-algarvia. Perante as circunstâncias, caberia a João Félix a tarefa de provar a sua qualidade assinando um hat trick que conduzisse o Benfica à vitória. Isto se a mais nenhum dos seus companheiros lhe desse para reproduzir os anteriores lapsos de Rúben Dias e de Jardel naqueles instantes fatídicos em que bateram o estupefacto Odisseas Vlachodimos. Assim não aconteceu. Nem nenhum jogador do Benfica voltou a marcar na sua própria baliza nem João Félix conseguiu apontar um golo que se visse em Portimão. Mal por mal, antes assim.

Rui Vitória que ao serviço do Benfica ganhou 2 Campeonatos Nacionais, 2 Supertaças, , 1 Taça de Portugal e 1 Taça da Liga, não saiu pela porta grande como o seu currículo só por si o exigiria. Saiu pela porta pequena e não está isento de responsabilidades neste final a todos os títulos infeliz. Para o presidente da Associação Nacional de Treinadores, José Pereira, Rui Vitória acabou por sair do Benfica porque por portas travessas, não teve mãos nem, sobretudo, voz para lidar com a transformação do "Ferrari" que herdou num carrinho utilitário de cilindrada média. Pereira em declarações à Rádio Renascença, apontou culpas à SAD da Luz por ter criado a ilusão de que o "plantel" - palavra mais feia não há - construído para atacar a época corrente chegava e sobrava. É evidente que o presidente da Associação Nacional de Treinadores, não abdicando da solidariedade corporativa, o que só lhe fica bem, não se expressou exactamente com estas palavras, optando por um discurso de carácter generalista e indiferenciado. Mas foi precisamente isto que quis dizer - que andaram de facto, todos enganados.

Se foi aquilo que quis dizer, foi isto o que José Pereira disse à RR: "Esta situação resulta da ineficácia das direcções e dos presidentes dos clubes, que não planificam as épocas de acordo com as suas aspirações e necessidades. É fácil fazer uma apreciação aos plantéis e verificar que uns beneficiaram mais com as contratações do que outros e, às vezes, os treinadores não são os responsáveis pelos reforços nas equipas. Há uma influência acentuada dos empresários dos clubes que, por vezes, não se coaduna com as ideias do treinador.". Eis um discurso marcado pelo dever da diplomacia. O futuro vai agora trazer ao Benfica um treinador provisório a quem sucederá um treinador não-provisório - o que é uma contradição de termos porque não há nada mais provisório do que o trabalho de um treinador. Mas o futuro dirá quem tem razão, José Pereira, a SAD do Benfica ou os adeptos, que são quem sempre sofre mais nestes transes. 

Temos Ferrari ou não temos? - é a questão.



Fonte: Leonor Pinhão @ record



Comparações em saco roto e mais sacrifícios

O Benfica comparou o atentado contra um grupo de adeptos seus - que no domingo regressava áa Barcelos pela A1 - ao atentado que contra os jogadores e técnicos do Sporting que aconteceu em Alcochete no último mês de maio. Formalmente o Benfica tem razão. A coberto da noite, no caso recente da autoestrada, ou cobertos por capuzes, no caso da Academia do Sporting, bandos de meliantes atacaram cidadãos tão inocentes quanto desprevenidos. A comparação caiu, no entanto, em saco roto porque a imagem da cabeça ensanguentada de um adepto não se compara em impacto mediático à cabeça ensanguentada de um profissional de futebol.
A cabeça do adepto Bruno Simões, não tem o valor da cabeça do jogador Bas Dost, nem em termos das chamadas "audiências" nem sequer em capacidade para suscitar o mesmo nível de indignação social. Cinco dias já se passaram, entretanto, sobre o ataque que ocorreu no alcatrão entre Grijó e Gaia. E a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga de Clubes continuam tão absorvidas por este género de questões em abstracto que ainda não conseguiram produzir uma palavra sobre o crime de domingo à noite. Para o Ministério da Administração Interna o assunto não existirá porque é "futebol". O MAI talvez se intrometesse se os utentes agredidos da A1 voltassem a casa depois de uma visita ao Oceanário de Lisboa ou ao Portugal dos Pequeninos em Coimbra. Sendo "futebol", tenham lá paciência...
O Sérgio Conceição foi multado por ter tirado a braçadeira de treinador e o Benfica foi multado por ter passado uma imagem em directo de Abel Ferreira nos ecrãs gigantes da Luz. Não há nada de verdadeiramente importante que escape à alçada civilizacional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.
O Benfica somou no domingo a sua 7.ª vitória consecutiva desde que a Luís Filipe Vieira lhe deu a luz no Seixal. Aparentemente foi uma exibição categórica, sobretudo na segunda parte, da equipa de Rui Vitória, que ficará sempre para a história como o primeiro treinador do Mundo a substituir-se a si próprio depois de ser alvo de uma chicotada psicológica. A exibição produzida e o resultado averbado nesse jogo com o Sporting de Braga terão sido só ‘aparentemente’ categóricos porque, tal como tem vindo a ser exposto em todos os areópagos de gente séria e bem informada, o Sporting de Braga fez um frete, ofereceu-se ao sacrifício na Luz por força do amor que o seu presidente, o treinador e todos os jogadores, um a um, dedicam ao Sport Lisboa e Benfica.
Ontem, na Vila das Aves, o Benfica até parecia que estava a fazer um frete ao Desportivo local. As situações de quase-golo dos donos da casa teriam produzido um resultado histórico se a bola estivesse em noite de entrar na baliza de Svilar. Mas Seferovic lá fez um golito e assim segue o Benfica para a final four da Taça da Liga. Mas que o resultado foi injusto, isso foi.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

domingo, dezembro 16, 2018

O problema do VAR é o protocolo ou é o Porto ao colo?

A questão da semana incide sobre a crise do vídeo-árbitro: o problema é o protocolo ou é o Porto ao colo?

Pressionado pela opinião pública na sequência de uma série de decisões absurdas, viu-se obrigado o Conselho de Arbitragem a sair à rua para defender a excelência dos serviços prestados por esse fautor da modernidade que, pela segunda temporada consecutiva, vem assentando arraiais no nosso campeonato.
Explicou também Tiago Craveiro, director-geral da FPF, que “o VAR não nasceu para acabar com as discussões de café’.
Qualquer proprietário de um café sabe que Craveiro está a falar a verdade. Mas não toda a verdade. De norte a sul do país, registam os observadores destes fenómenos sociais que as discussões, as zaragatas entre os clientes dos cafés e dos snack-bars não acabaram de todo com a chegada do VAR. 
Porém, aumentaram imenso.
Já nem discussões são, são verdadeiros motins que começando dificilmente terminam sem – umas quantas mesas pelo ar e um valioso stock de louça partida. Os donos dos cafés estão a passar-se com o VAR porque lhes está a dar prejuízo.
A conclusão a que se chega é que uma coisa como o VAR, que nasceu para acabar com benefícios, está dar prejuízos e logo ao comércio. Ao cabo de 11 jornadas da prova maior do futebol português, o Conselho de Arbitragem soube contar até 9 as avaliações erradas desta invenção que não dá sossego aos cafés de Portugal. Mas o mesmo Conselho de Arbitragem não soube apontar, uma a uma, que 9 avaliações erradas foram essas e em que jogos e com que intervenientes. Laxistas. Depois admiram-se com cadeiras a voar nos cafés e com zaragatas afins por todos as cervejarias do país. O Conselho de Arbitragem, ao não informar o público detalhadamente sobre estes 9 incidentes de percurso do VAR, está a proceder muito mal. Infelizmente, o dano não se fica por aqui porque o Conselho de Arbitragem ,ao não informar o público sobre o número de ‘não-avaliações-passíveis-de-avaliação’, está a proceder pessimamente, dando azo à má-língua.
As desculpas oficiais para estes constrangimentos do VAR residem invariavelmente naquilo a que os especialistas chamam ‘protocolo’. O problema é o protocolo, diz-se à boca cheia.
Mas o que é o protocolo do VAR? É o Manual de Implementação para Competições concebido pelo International Board e no qual se encontram descritos princípios como “apenas o árbitro pode iniciar uma revisão” ou “a decisão original tomada pelo árbitro não é alterada a menos que a revisão mostre claramente que a decisão estava claramente errada” ou “um jogador que faça o sinal de revisão será advertido com um cartão amarelo”. Tudo coisas que entram pelos olhos dentro por força da sensatez. À mesa ou ao balcão, a conclusão é que o “protocolo do VAR” não tem culpa nenhuma do ambiente nos cafés de Portugal.
Não é, portanto, o protocolo. É mesmo o Porto ao colo.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

O VAR hesita se não saber de que clube é o cão

Num jogo de uma divisão secundária da Argentina houve um cão que entrou em campo e acabou por salvar um golo quando uma bola que ia direita à baliza, estando o guarda-redes fora do lance, foi direitinha ao cão que passava em direcção à dita baliza, acabando por sair rolando pela linha de fundo. O vídeo desse lance inusitado foi um êxito tremendo no mundo online, vendo-se reproduzido nas redes sociais e também nos sites de informação desportiva e generalista. Vejam-no os que ainda não viram, porque é engraçado. O guarda-redes tinha a bola nas mãos e com a pressa de relançar o jogo para o campo do adversário avançou uns largos passos e executou tão atabalhoadamente o seu fortíssimo pontapé de baliza que acabou por acertar com a bola em cheio nas costas de um jogador da outra equipa produzindo-se um efeito de ricochete que encaminhou o esférico em direcção às redes desertas, coitado, nem teve tempo de voltar para trás. Foi nesse momento que o cão entrou em cena para salvar a honra do guarda-redes e para converter o jogador que levou com a bola nas costas no primeiro jogador do mundo a quem um cão roubou um golo.
Tudo isto para lembrar o jogo entre o Boavista e o FC do Porto. de domingo passado. Não o jogo propriamente dito, que não teve nada de anormal. Mais normal não poderia ter sido. Mas como decidiria o VAR do Bessa este lance do cão se houvesse VAR nos campeonatos secundários ou se, por absurdo, uma situação semelhante ocorresse num desafio do campeonato português, prova que já há mais de um ano dispõe de VAR?
É que não é fácil para um VAR responder a situação tão invulgar. Para aquela situação vulgaríssima de Brahimi com Rochinha, qualquer VAR cá dos nossos nem demora 2 segundo a chegar à decisão. "Fez falta?", pergunta o juiz de campo. "Nada segue", logo respondem da Cidade do futebol. E segue. O lance do cão na Argentina seria muito mais difícil de ajuizar."E agora o que é que eu faço? é reposição de bola para o guarda-redes?", pergunta o árbitro pelo intercomunicador. "Houve lá, de que clube é o cão?", quer saber o VAR, porque é sempre importante conhecer a cor das camisolas. "Sei lá", responde o juiz de campo já um bocadinho irritado. "Não sabendo de que clube é o cão, não sabemos o que decidir..." lamenta-se o VAR, que se remete a um prolongado silêncio. "Querem ver que esta porcaria se avariou outra vez?", desabafa o juiz de campo, receando uma falha tecnológica. depois de muita ponderação, o VAR lá dá a sua sentença com voz firme: "Nós aqui na Cidade do Futebol achamos que é penálti e cartão vermelho directo para o cão", esclarece o VAR. "Mas como vou expulsar o cão se o cão já saiu do campo?" protesta o juiz de campo e com razão, porque esta coisa do VAR já lhe parece abaixo de cão, com todo o respeito pelo cão, sejamos justos e compassivos com os pobres animais.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

quinta-feira, outubro 18, 2018

Caminhando alegremente rumo à Liga Panda

A selecção nacional jogou e ganhou na Polónia com a naturalidade das coisas naturais. São maravilhosamente jovens muitos dos nossos jogadores mas dão conta do recado como gente crescida. Na realidade, dão boa conta de todos os recados. Bernardo Silva, por exemplo, antes do jogo com os polacos enviou a Leonardo Jardim palavras de estima por ocasião do despedimento do homem com quem trabalhou e com quem foi campeão de França no Mónaco. De seguida equipou-se, subiu ao relvado e foi o melhor em Chorzow. Quando acabou o jogo, Bernardo Silva agradeceu os elogios e explicou o que se tinha passado em campo numa frase curta: "trata-se de uma selecção nova com uma forma diferente de jogar." Gente crescida.
Os trabalhos das selecções europeias e sul-americanas levaram do Seixal um forte contingente de jogadores do Benfica. É bom sinal. Rui Vitória continuará, assim, a gozar o estatuto de líder por mais 15 dias até o campeonato regressar e, enquanto não regressa, segue o treinador do Benfica trabalhando com os disponíveis. Nestas circunstâncias tão pouco invulgares é frequente recorrer a jogadores do escalão abaixo para suprir ausências e completar o elenco necessário para a função. E foi isso mesmo que Rui Vitória fez chamando Rodrigo Conceição para se juntar ao treino do remanescente da equipa sénior nesta última quinta-feira. Rodrigo é filho de Sérgio Conceição, o treinador do FC Porto.
A propósito, um bom nome para o campeonato português seria Liga Panda. Sim, Liga Panda. Os seus responsáveis estão a fazer por isso. Depois do castigo aplicado a uma mascote por ocupação de uma área reservada a não-mascotes surgiu agora a notícia de uma multa ao Portimonense por delito artístico do corte da relva. Regressemos rapidamente ao Estádio da Luz.
O próximo jogo oficial levará o Benfica até à Sertã para discutir com o Sertanense uma eliminatória precoce da Taça de Portugal. Por todas as razões, a equipa a apresentar na Beira Baixa vai ser muito diferente da equipa que venceu tangencialmente o clássico no domingo passado com um golo suíço festejado exuberantemente à moda latina. O facto de Rui Vitória ter chamado aos trabalhos o filho do treinador do FC Porto não significa que Rodrigo Conceição se vá estrear na equipa principal na Sertã. Nada garante que tal venha a suceder. O que garantidamente não pode deixar de ocorrer é um vago, vaguíssimo mal-estar no Dragão e nos dragões provocado pela notícia e pelas imagens de Conceição Júnior esforçando-se sorridentemente ao lado de campeões como Jonas e Samaris e logo na semana em que o FC Porto perdeu com o Benfica na Luz e "a culpa não foi do árbitro" tal como disse, com toda a propriedade, Conceição pai. Se Rui Vitória fosse um sujeito maquiavélico chamava todas as semanas Rodrigo Conceição. Mas não é.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, outubro 13, 2018

À porta fechada, fechadíssima, por favor, IPDJ!

A melhor coisa que podia acontecer ao Benfica era o jogo com o Porto ser à porta fechada. Explicações, não sei dar. É só a intuição a falar. E, nestas como em outras matérias, a intuição é que sabe. Assim sendo, uma vez mais, cá vai: a melhor coisa que de longe poderia acontecer ao Benfica era ver-se condenado a disputar o seu jogo com o Porto à porta fechada. E é exactamente por esta razão, por ser a melhor coisa que podia acontecer ao Benfica, que tal coisa não vai acontecer. Não é porque não haja coragem política ou desportiva para fechar o Estádio da Luz ao público por um ou dois ou três jogos ou mesmo por uma década. Há. Dessa coragem há. Não há é da outra. E porquê? Olhem, porque, quer interna quer externamente, o que o Benfica se arriscava a ganhar no presente, no futuro imediato e no longínquo se o seu jogo com o Porto fosse à porta fechada, compensá-lo-ia com abundância de todos estes pequenos e tão transitórios incómodos.
O próprio presidente do Porto, que ainda saberá prestar atenção ao seu instinto, tem abordado a situação em modo tremeliques. Ouçam-no bem. "Ainda bem que o jogo não vai ser à porta fechada porque o futebol é um espectáculo para ser vivido pelos adeptos", disse aos jornalistas sem nada que se parecesse com a ironia do costume. Carrega, IPDJ! Coragem, IPDJ! Atrevam-se lá a desmentir o velhote!
Durou escassos 14 minutos o serviço inaugural de Jardel como 1.º capitão do Benfica. O serviço foi interrompido porque Jardel se magoou num pé e teve de ser substituído por um companheiro estreante nestas responsabilidades, muito estreante mesmo como se acabaria por constatar. Jardel era o sub-capitão do Benfica até ao dia, no princípio desta semana, em que Luisão anunciou a retirada. Agora o Benfica não tem Luisão, não tem Jardel e não tem Conti para o seu próximo compromisso caseiro. O soldado desconhecido Lema dará certamente conta do recado para espanto de toda a gente. E até Luisão, depois de gozar uma semana e meia de reforma, poderá voltar ao trabalho para fazer uma perninha no clássico. E que perninha.
Esta direcção da Liga de Clubes revela-se tal-qual uma nulidade. Ou talvez não. Talvez seja de uma benevolência descabida qualificar como nulidade um órgão que se demite das suas responsabilidades mais básicas. Por exemplo, as de velar pelo bom nome das competições profissionais organizadas sob a sua égide. Permanentemente e pelas vias oficiais, vai-se assistindo desde o arranque das provas da corrente temporada, que ainda vai no adro, a uma troca de insultos e de insinuações entre os dois emblemas que por cá costumam disputar os títulos principais. Como não podia deixar de ser, é a arbitragem o foco de todas acusações, denúncias e chorares lancinantes. A direcção da Liga faz ouvidos de mercador e, inquestionada, lá vai mantendo a pose de pechisbeque. É isto ou é má consciência? É má consciência.
E o que choveu em Chaves? Até parecia mentira.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

Empates-morais, sinais de respeito e outras coisas mais

O Benfica atingiu uma marca impressionante. Foi a 8.ª derrota consecutiva da equipa de Rui Vitória na Liga dos Campeões. É obra. As 6 derrotas da tristíssima campanha de 2017/18 seguiram-se à goleada sofrida em Dortmund no jogo da 2.ª mão dos oitavos-de-final da edição de 2016/17 e, nesta quarta-feira, acontecendo o jogo com o Bayern Munique aconteceu a última derrota desta série intolerável tendo em conta os supostos pergaminhos europeus do clube e a prosápia geral da casa no que a esta matéria diz respeito.
São, no entanto, extraordinariamente pacientes os adeptos do Benfica. Por exemplo, o treinador mais criticado no fim do jogo com os campeões da Alemanha não foi Rui Vitória mas, sim, Niko Kovac. Não por ter tomado conta do jogo e da manobra dos donos da casa como e quando quis à boa maneira de um forasteiro prepotente mas, imagine-se, por não ter substituído Renato Sanches nos instantes finais do desafio de modo a permitir que o ex-benfiquista recebesse, pela segunda vez na mesma noite, a estrondosa ovação que lhe seria devida.
"Sacana de treinador, vê-se logo que é alemão, que falta de sentimento…", foram os protestos que campearam pelas bancadas da Luz mal o árbitro espanhol deu por encerrada a sessão. O facto de Kovac ser mais croata do que alemão nem sequer foi relevante perante a indignação da plateia. Sem grandes motivos para aplaudir os seus, a multidão da casa, tendo pago ingresso, queria aplaudir Renato considerando-o ainda um bocadinho como "seu" ou, enfim, considerando-o como a coisa mais parecida, entre todas as coisas que estiveram em campo, com um jogador do Benfica.
Houve muitas crianças que, no fim do jogo, regressaram a suas casas convencidas de que o resultado tinha sido um honroso 1-1 construído com um golo de Lewandowski para os alemães e com um golo de Renato Sanches para nós. E houve um considerável número de espectadores adultos que também regressaram a suas casas com idêntica opinião. São as liberdades interpretativas que, felizmente, se concedem ao público de todas as idades. Mas a verdade é que foi muito especial aquele momento em que o estádio ressoou numa formidável ovação a Renato Sanches não por ter marcado um golo ao Benfica mas por não o ter celebrado em sinal de respeito. E o respeito é sempre muito bonito de se ver. O respeito marca.
Aliás, não foi só o público que sentiu a particularidade daquele raro instante amoroso. Toda a equipa bávara sentiu o mesmo e não houve jogador que não o referisse no pós-match. O Benfica, de facto, não ficou a dever um empate-moral a Renato Sanches mas talvez lhe tenha ficado a dever a condescendência e a bondade da exibição do Bayern Munique depois dos 2-0. "Já chega", terão pensado os campeões da Alemanha em sinal de respeito pelos adeptos mais amáveis da Europa. E foi por isso que o resultado ficou por ali."



Fonte: Leonor Pinhão @ record

segunda-feira, setembro 17, 2018

As tais coisas que acontecem na nossa terra



Na imagem que ilustra esta crónica vê-se claramente visto um senhor bombeiro conversando agarrado ao telemóvel (com a mão esquerda), enquanto, agarrado a uma cana de pesca (com a mão direita), procura observar minuciosamente, no meio da fumarada, o funcionamento dos artefactos do festival legalizado de pirotecnia que abrilhantou o dérbi de maio em Alvalade.

O senhor bombeiro vira e revira os artefactos com a ponta da cana de pesca para não se queimar e também para não estragar o espectáculo e lá vai conversando, ao mesmo tempo, com a Protecção Civil de quem recebe instruções concretas: terá de verificar todas as tochas que foram artisticamente disparadas para o relvado, observar-lhes a cor de origem, interrogá-las, uma a uma, exigindo-lhes a apresentação do alvará emitido pelo Instituto Português dos Desportos e da Juventude e do Ver Se Te Avias. Concluídos os procedimentos legais e superiormente confirmada a legalidade dos artefactos artísticos, lá se prosseguiu com a função daquela noite como se nada de raro se tivesse passado. E não se passou nada de raro. Nem de condenável. São as tais coisas que acontecem na nossa terra
O sufrágio do último sábado colocou ponto final no francamente exagerado período de turbulência institucional no Sporting. Apurados os resultados, clarificou-se a situação e dissiparam-se as dúvidas que eram mais do que muitas, eram imensas. Ficou, assim, tudo explicadinho acabando-se pela força do voto com os "alegadamentes" e com as "putativas" mais os "putativos": Bruno de Carvalho é, de facto, o ex-presidente do Sporting, Frederico Varandas é, de facto, o atual presidente do Sporting, José Sousa Cintra será, mais cedo ou mais tarde, o presidente honorário do Sporting e João Benedito será, mais cedo ou mais tarde, o próximo presidente de facto do Sporting.
Quanto a José Maria Ricciardi, que foi durante anos a fio titular do cargo de ‘presidente-sombra’ de facto do clube, acabando por sofrer nas urnas uma gritante penalização com que poucos contavam, a começar pelo próprio Ricciardi, viu-se democraticamente despojado da insondável posição de ‘presidente’ e passou a ser, apenas, ‘sombra’ porque lhe aconteceu não colher votos que lhe sustentassem o anterior e singular duplo estatuto. Coisas que acontecem.
Acusado pelo Ministério Público de corromper funcionários judiciais a troco de bilhetes para a bola e de camisolas do Benfica, Paulo Gonçalves estará de saída do cargo que ocupou na SAD da Luz. Gonçalves irá defender-se fora do Benfica de tudo o que pesa sobre a sua honorabilidade. Elementar. Aliás, coisa mais elementar do que esta não há.
Recebendo esta noite o Rio Ave, o Benfica entra em acção na Taça da Liga onde, na temporada passada, fez uma pequeníssima figura. Espalhou-se ao comprido, é verdade, e logo na temporada em que a Taça da Liga, por milagre, passou a ser importante e considerada. Coisas…



Fonte : Leonor Pinhão @ record

segunda-feira, setembro 10, 2018

Crónica futurística: exílio do Benfica e o país em 2022

Oito de Setembro de 2022. Cumpre-se hoje a 4.ª jornada do campeonato espanhol e o Benfica joga em Valladolid. São esperados 15 mil portugueses. É uma alegria para o comércio local e também para o clube anfitrião, que vê assim esgotada a lotação do Estádio José Zorrilla. O presidente da Real Federación Española de Fútbol tinha razão quando, no já distante verão de 2019, ao aceitar a inscrição do Benfica em La Liga, prometeu aos espanhóis que a presença do maior clube português teria reflexos importantes na indústria. E, de facto, assim tem acontecido, superando até as expectativas. Ainda há duas semanas, quando na 2.ª jornada foi o Benfica jogar no campo do Girona, nem os 1400 quilómetros que distam entre Lisboa e aquela cidade catalã impediram que uma multidão de benfiquistas enchesse o Estádio Montilivi para assistir a uma expressiva vitória do seu emblema e ao regresso de Jonas depois daquele aborrecido problema lombar.

'O Benfica trará maiores benefícios ao futebol espanhol do que aqueles que o Mónaco empresta ao campeonato francês ou mesmo dos que os clubes de Israel emprestam às competições organizadas pela UEFA', disse na altura o presidente da RFEF. Na altura ninguém o levou a sério e a novidade foi até recebida com foros de excentricidade internacionalista. Mas, logo na primeira época em que o Benfica jogou em La Liga 2019/20, os índices da sua presença foram altamente satisfatórios. Aumentaram as assistências no estádios e as receitas dos operadores televisivos espanhóis, aumentaram as tiragens dos jornais 'As' e 'Marca', que passaram a vender-se nos quiosques das cidades portuguesas, aumentaram as receitas do comércio local por todo o país vizinho e aumentou a cotação dos jogadores do Benfica que, jogando no campeonato espanhol, passaram a ter uma visibilidade de mercado inatingível em Portugal.

A economia portuguesa é que tem sofrido um bocado com esta proscrição. A cada segunda-feira, milhares e milhares de cidadãos nacionais comparecem nos seus postos de trabalho extenuados pelos milhares de quilómetros que percorrem na Ibéria ao fim de semana para apoiar o Glorioso. O impacto desta situação por cá e já um caso sociológico: o campeonato português, coitado, é uma miséria total, o Record, 'A Bola' e 'O jogo' fundiram-se num só título e as estações de televisão passaram a transmitir nas suas noites uma programação toda virada para a ópera italiana, para a cartomancia e para a jardinagem. A águia Vitória foi fuzilada em directo - o que levantou algumas objecções dos ambientalistas internacionais - e encontram-se actualmente empalhada no gabinete de uma pessoa importante. Hoje, no Seixal vivem apenas a Madonna mais os filhos e todos aqueles relvados foram transformados num acampamento para lisboetas despejados de suas casas pela pressão imobiliária. Muito mais do que um clube, o Benfica é uma obra social. Y olé!"



Fonte: Leonor Pinhão @ record

terça-feira, julho 31, 2018

Benfica sem tempo para perder tempo

Com um programa imponente para o mês de Agosto, o Benfica não tem realmente tempo para perder tempo na pré-temporada ou lá como chamam a este período estival. Por norma, a tal pré-temporada é uma fase única, amplamente consentida pelo patronato, em que os treinadores se vão dedicando a atividades de laboratório em lugares mais ou menos exóticos perante o beneplácito da imprensa, a benevolência dos adeptos e a curiosidade mórbida dos rivais. A estes luxos não se pôde entregar o Benfica este ano. Está a pouco mais de uma semana do seu primeiro jogo oficial da temporada, um desafio de importância maior - trata-se de chegar ou não chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões - e tem por adversário o Fenerbahçe da Turquia, que não sendo, nem de perto nem de longe, um papão do continente europeu é, ainda assim, uma grande e presumível chatice.

O presidente do clube turco chama-se Ali Koç e, usando a prerrogativa do optimismo desmesurado que pertence a todos os presidentes dos clubes de futebol, chamou alegremente à atenção para o facto de "este Benfica" que lhes saiu na rifa já não ser "o velho Benfica". Foi assim que foi entendido por cá, como uma provocaçãozinha, o seu discurso. Mas mal. Não quis o presidente do Fenerbahçe menorizar as capacidades do Benfica, com que se irá brevemente encontrar, só pelo prazer da picardia. O senhor Koç referia-se, e com carradas de razão, ao "velho Benfica" de Shéu, de Nené e Jordão que pespegou 7 golos ao Fenerbahçe numa inspirada quarta-feira europeia do distantíssimo ano de 1975, cabazada essa que, ainda hoje, deve provocar uma comoção, para não lhe chamar trauma, aos numerosos adeptos daquele emblema da cidade de Istambul. A cada um o seu Celta de Vigo.

Destinava-se, assim, a consumo interno a comparação deste Benfica - que não pespegará 7-0 a este Fenerbahçe - com o Benfica de há 43 anos que cometeu precisamente essa proeza. O senhor Koç falava para "dentro" do seu clube mas a verdade é que foram igualmente as suas considerações muito apreciadas no Estádio da Luz, não por reconhecimento da homenagem implícita a Shéu, Nené e Jordão, mas porque uma alfinetada destas, mesmo involuntária, espicaça sempre a equipa e sabe-se como é importante ter a equipa espicaçada nas grandes ocasiões. E nas pequenas também. Por vezes, há presidentes que julgando estar a falar para dentro dos seus clubes nem imaginam como estão, de facto, a falar para fora e com que impacto.

O próprio presidente do Benfica falando esta semana em Newark para uma plateia de benfiquistas afirmou ser o Benfica não um grande clube "mas um gigante". Falava para dentro do Benfica ou falava para fora do Benfica, Luís Filipe Vieira? Na realidade, falou exclusivamente para fora e não foi pelos motivos mais piedosos. Um gigante, pois… Fora, uma coisa destas irrita. Dentro, nem é preciso dizer, já toda a gente sabe disso há séculos.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

quinta-feira, julho 19, 2018

Se houver traças a Croácia será Campeã do Mundo

Amanhã haverá um novo campeão do mundo. A França é favorita. Os franceses já conquistaram títulos mundiais e europeus e a selecção da Croácia nunca ganhou nada de jeito. Por isso mesmo, neste altíssimo patamar a que chegaram, manda o bom senso não esperar por surpresas nem, muito menos, por anedotas. Este Mundial da Rússia até teve as suas graças como a saída rápida dos alemães pela porta dos fundos ou a cruelíssima contabilização do tempo que Neymar passou deitado na relva. Mas o que importa é saber se hoje, pelo final da tarde, terão conseguido os croatas fazer em Moscovo o mesmo que os portugueses fizeram há dois anos em Paris perante uma França também favorita até doer. Pode acontecer. Se Modric se magoar e abandonar o campo antes do primeiro quarto-de-hora do jogo não sem que antes uma traça tenha pousado amorosamente numa sobrancelha do próximo melhor jogador do mundo, então teremos uma grande, grande surpresa no Estádio Lujniki em Moscovo. Venham as traças!

O próximo campeonato – aquilo que verdadeiramente a todos interessa – sofreu uma partida em falso. Coisa nunca vista no nosso futebol que, praticamente, já viu de tudo. O primeiro desenho do calendário da prova viu-se deitado ao lixo em função de uma disfunção operacional. Um erro humano na leitura dos números, coisa que a qualquer um pode acontecer ou já ter acontecido, invalidou o que a sorte tinha ditado a todos os concorrentes no sorteio original obrigando a uma segunda tômbola e a um segundo calendário, forçosamente diferente, que foi o que ficou a valer. No calendário errado havia "derby" em Alvalade à 3.ª ronda e no calendário da rifa certa há "derby" na Luz à 3.ª jornada. Ninguém pode adivinhar o que de inovador poderia ter calhado na 3.ª jornada, em termos da Segunda Circular, se os erros de leitura tivessem persistido e houvesse necessidade de um terceiro sorteio… Mas factos são factos e, assim, fica o Benfica a saber que recebe o velho rival entre dois jogos de qualificação para a Liga dos Campeões e fica o Sporting a saber que terá de visitar a casa do rival de sempre nas vésperas do acto eleitoral apontado para 8 de Setembro. Venha o diabo e escolha.

Como nunca mais ninguém lhe louvou o "comportamento ético" desde que as escutas do Apito Dourado viraram um sucesso, o presidente do FC Porto elogiou-se agora a si próprio numa publicação interna do clube a que preside exaltando, justamente, o seu "comportamento ético" face ao momento vivido pelo Sporting. Fez, no entanto, uma distinção preciosa ao nomear as pessoas do Sporting a quem telefonou para, sob "palavra de honra", garantir que não contrataria nenhum dos trânsfugas. Pinto da Costa referiu-se a Bruno de Carvalho diplomaticamente por "presidente" mas para José Maria Ricciardi e para, Eduardo Barroso, num registo mais intimista, empregou os termos "amigos" e "distintos". Que maldade.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

terça-feira, julho 10, 2018

Os rapazes, os passarinhos e o idiota da aldeia

O Estádio da Luz abre hoje as portas para que os adeptos assistam livremente a uma sessão de trabalho da equipa principal de futebol. São de esperar uns quantos milhares movidos pela volúpia de retomar o contacto com aquilo que verdadeiramente os faz vibrar: a bola. Começa, assim, em termos públicos a temporada de 2018/2019 sucessora de uma temporada a todos os títulos medíocre em função das expectativas naturalmente criadas com o desempenho mais do que eficiente de uma equipa que desafiou a História conquistando quatro títulos nacionais consecutivos entre 2013 e 2017. O Benfica contratou neste defeso muita gente que se adivinha importante mas o frenesi maior nas bancadas será o da avaliação "in loco" dos jovens produtos da casa como João Félix ou Gedson Fernandes. São estes jogadores, agora inseridos num ambiente de adultos, que toda a gente vai querer ver hoje em acção na Luz. Em acção hoje e amanhã e depois… porque grande desgosto seria ver Félix e Gedson vendidos aos alegados "tubarões" que os cobiçam no mercados deste Verão antes de os ver dar uns pontapés oficialmente na bola ao serviço de quem os formou.
A meia-dúzia de visitas da Polícia Judiciária ao Estádio da Luz não afastou o patrocinador principal do futebol – a Fly Emirates – da órbita do Benfica. Ora aqui está uma excelente notícia. E, porventura, inesperada.

Divulgadas pela Liga de Clubes, as matérias "condicionantes" do sorteio do próximo campeonato nacional não desdenham a possibilidade de haver dérbis ou clássicos nas primeiras três jornadas da prova. Por um lado é aceitável porque os sorteios querem-se livres como os passarinhos. Por outro lado é inaceitável porque, ao contrário das justas benevolências concedidas na época passada ao Sporting por força da sua participação na fase de apuramento para a Liga dos Campeões, não haverá este ano a menor benevolência no que respeita ao calendário do Benfica no exigentíssimo mês de Agosto que se adivinha. Não é de crer que a Liga não considere de "interesse nacional" uma eventual qualificação do Benfica para a prova mais importante de clubes a nível continental tal como considerou no ano passado quando tratou de proporcionar a um outro emblema as melhores condições de acesso ao mais alto patamar do futebol europeu. E o Benfica, o que tem a dizer a isto? Passarinhos?

"O drama da internet é que promoveu o idiota da aldeia a figura nacional", explicou, muito bem explicado, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco numa das suas derradeiras aparições públicas. Eco preocupava-se com "a legião de imbecis" que "antigamente eram imediatamente calados" e que agora "têm o mesmo direito à palavra do que um Prémio Nobel". Vêm estas sábias reflexões a propósito de outras sobre o mesmo tema com que se têm justificado recentemente os clamorosos idiotas da aldeia do futebol em Portugal.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

terça-feira, junho 19, 2018

Cristiano Ronaldo & mais 10

O jogo de abertura de qualquer Campeonato do Mundo é suposto constituir-se numa sensaboria medonha. Reforçando a nota, deve a partida inaugural de um acontecimento desta dimensão terminar num empate, de preferência sem golos, ou numa vitória pindérica da selecção do país anfitrião. É isto o que mandam as boas maneiras do internacionalismo. Os russos, sempre agarrados às suas manias, resolveram mandar às malvas esta bonita tradição da hospitalidade e destroçaram a equipa nacional da Arábia Saudita com uma mão cheia de golos sem resposta. E, ainda assim, com tantos golos, o jogo foi uma sensaboria. Cinco golos e um aborrecimento.

Aparentemente, um Campeonato do Mundo de futebol é para os melhores do mundo, para a elite da elite desta magnífica indústria planetária. Felizmente, há excepções para alegrar com os preciosismos das cores locais o sisudismo da presunçosa organização. Não bastava ter a Espanha despedido o seu treinador 48 horas antes do jogo de estreia (até mais ver é o cúmulo do terceiro-mundismo deste Mundial'2018) e ainda se soube que o presidente da federação saudita, o senhor Ezzat, insultou publicamente os seus jogadores depois da catástrofe inaugural com a Rússia. Imagine-se um acontecimento portentoso como este, um Mundial, a ser beliscado intelectualmente pelos desvarios de um presidente exótico ao ponto de apontar a dedo os nomes dos jogadores que mais o desapontaram em campo e ainda "os erros técnicos" gerais que conduziram à derrota. Uma coisa destas, de facto, só lá nas arábias.

Já o outro jogo do nosso grupo, entre marroquinos e iranianos, só tendo um golo, foi mais interessante do que o dos russos com os sauditas com aquele despudorado fartote de golos. Começou muito bem a selecção de Carlos Queiroz. Jogou um bocadinho menos do que o adversário mas soube atar a equipa de Marrocos e esperar pelo golpe de sorte.

"Cristiano Ronaldo & mais 10" - é uma espécie de firma - conseguiu a proeza de adiantar a equipa no marcador e depois voltou a re-adiantar a equipa no marcador e, finalmente, quando já eram os espanhóis que iam adiantados no marcador e a coisa se apresentava negra, lá voltou a firma "Cristiano Ronaldo & mais 10" a fazer das suas e a impor um empate que soube como ginjas, em função da realidade dos factos. Aliás, quer no penálti com que inaugurou a noite, quer no livre directo com que fechou a noite, Cristiano Ronaldo não precisou dos "mais 10" para nada. Fez tudo sozinho, sofreu as faltas e cobrou-as exemplarmente. Foi lindo.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

segunda-feira, junho 11, 2018

A selecção de 2018 é muito melhor do que a de 2016

Falta uma semana para o arranque do Mundial e o jogo com a Argélia foi excelente para desfazer dúvidas. Há muito que não se via uma exibição tão esclarecedora da nossa selecção e logo em vésperas de um importante torneio, quando é normalíssimo haver montanhas de incertezas na cabeça dos adeptos e também, haja respeito, na cabeça do seleccionador. Isto de ter de escolher 11 entre 23 jogadores é um quebra-cabeças. É verdade que a selecção argelina não é grande espingarda, mas não foram apenas as suas insuficiências que autorizaram Bruno Fernandes, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva a desfazer todas as dúvidas sobre quem devem ser os titulares das posições em que se exibiram no Estádio da Luz naquele que foi o jogo de despedida da Selecção antes da partida para a Rússia. 

Houve ocasiões em que Fernandes, Guedes e Silva até exageraram. Já estava toda a gente mais do que convencida de que aqueles três tinham, como se costuma dizer, "agarrado o lugar", e eles, estilhaçadas as dúvidas, continuavam a elevar a sua arte e as suas eficácias a um patamar francamente indecoroso. Por causa destes (e também por causa de outros) é que a selecção portuguesa de 2018 é muito melhor do que a selecção de 2016 que, há dois anos, conquistou em França o título de campeã da Europa. O facto de ser muito melhor não significa que tenha a obrigação de vencer o Mundial nem de andar lá perto. Não, nada disso. Um Campeonato do Mundo não é um Campeonato da Europa. Graças ao progresso da ciência, é certo que Cristiano Ronaldo está cada vez mais novo e também é verdade que esta nova vaga de jogadores portugueses se apresenta como empolgante, mas nada garantirá na Rússia a sequência de golpes de sorte que pautou a caminhada portuguesa até ao tal título continental naquela noite parisiense. Uma coisa dessas não volta a acontecer. É pena.

As claques não fazem falta nos estádios de futebol, como se viu anteontem na Luz. Casa cheia, apoio incondicional, público comum. Os que dizem que as claques fazem falta porque dão mais alegria às bancadas e mais cor e cânticos ao espectáculo, não sabem do que estão a falar. Por claques entenda-se, obviamente, grupos de desordeiros protegidos pelo colapso do Estado e pelas pessoas que dizem que as claques fazem muita falta ao futebol.

O líder (ou ex-líder, tanto faz) da claque entrou ontem no tribunal algemado, com as mãos atrás das costas e arrastado pelo braço, sem-cerimónia, por um polícia. Imagine-se, um polícia a faltar ao respeito a um líder de uma claque e em público. Que problema tremendo. Nestes casos, no entanto, é bem melhor ser polícia do que ser jogador. Um jogador ainda bem recentemente foi admoestado pelo patrão por ter desconsiderado em público um VIP do hooliganismo: "Por que fizeste aquilo ao chefe da claque? Agora tenho um problema tremendo…" Já não há respeito."



Fonte: Leonor Pinhão @ record

Modalidades - 2026/06/20

Sábado, 2026/06/20  - 15:00 - Hóquei Em Patins - SL Benfica -v- Sporting Cp - Campeonato Nacional | 25/26 - Playoff Final Jornada 3  - 20:0...