terça-feira, janeiro 30, 2018

O novo substitui o velho? Sim, talvez, mas calma aí...

Ainda que entradote na idade e, por isso mesmo, já esfumada aquela verve que lhe foi tão preciosa nas batalhas contra o Terreiro do Paço, deu-nos o presidente do FC Porto esta semana – a semana em que pelo décimo ano consecutivo se conseguiu "ver livre" de mais uma Taça da Liga – prova cabal de que em matéria de bom senso e de agilidade mental nada tem a temer no confronto directo com o seu anunciado sucessor Francisco José Marques. O funcionário em questão será, em função das circunstâncias, um bom director de comunicação do FC Porto mas, realmente, tem de contratar com urgência um director de comunicação para si próprio se quiser avançar para a presidência.

É que este Francisco, sendo umas boas décadas mais jovem do que o presidente do FC Porto, saiu-se esta semana com uma frase de índole autopromocional – "no futebol português tem de haver um Chico esperto" – que, certamente, nem como slogan lhe renderá proveitos. Porque se é para ser "esperto" que se candidata, com franqueza, apenas "esperto" é, enfim, coisa pouca.

Esperto a valer foi o ainda Pinto da Costa quando a imprensa – ávida de sururus e nostálgica daquelas tiradas "com a ironia do costume" (tão século XX!) – quis saber a sua opinião sobre o modo e, sobretudo, os modos com que o presidente do Sporting celebrou na tribuna VIP de Braga a grande penalidade convertida por Bryan Ruiz que colocaria a sua equipa na final da Taça da Liga. Ao contrário de qualquer Chico esperto intelectualmente capaz de dedicar a semana que antecede a visita do Benfica ao Restelo a insultar de alto-a-baixo "Os Belenenses", o presidente do FC Porto sabe dar importância às urgências do momento e sabe dar valor à utilidade prática de um parceiro institucional por mais idiota que se apresente aos olhos vesgos de escrutinadores parciais.

Frustrando os intentos sensacionalistas dos jornalistas, e mantendo com firmeza o rumo da estratégia traçada, disse Pinto da Costa não estar ali "para dar lições" a ninguém. Isto, sim, é de estadista consciente da sua obra, do seu currículo, do seu legado. No dia – que venha longe! – em que o presidente do FC Porto quiser e puder "dar lições", aí sim, vamos ter o caldo entornado.

Na semana passada, como estarão recordados, nasceram e morreram milhões de especialistas instantâneos em estruturas de betão e esta semana, para variar, foi a vez de milhões de especialistas instantâneos em leitura labial surgirem do nada e para nada. O Tiquinho já pediu desculpa ao treinador que de tão traumatizado que ficou nem conseguiu ver os penáltis. O Coentrão não pede desculpa a ninguém porque, segundo explicou, é "um homem" e não "uma máquina". Mas está equivocado. É uma máquina. Se fosse um ser humano tinha sido expulso em Setúbal e em Braga. Agora, francamente, expulsar uma máquina…



Fonte: Leonor Pinhão @ Record

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