sábado, novembro 18, 2017

1.ª classe e sem classe nenhuma

Por onde anda António Pimenta Machado? Onde parará o homem que foi presidente do Vitória de Guimarães durante um quarto de século e que ficou para a história ao resumir numa frase a insofismável natureza da verborreia da indústria: “No futebol o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira", disse no século passado. A propósito de quê já ninguém se lembra – talvez do iminente despedimento de um qualquer treinador… – mas a realidade é que o seu axioma não só perdura como se revigora a cada dia. Esta semana, então, tem sido um exagero.

Faz falta aquela verve única e descomprometida de Pimenta Machado que, talvez por não ser presidente de nenhum “grande” e por ter fortuna própria, podia dar-se ao luxo de dizer o que lhe ia na alma antes de haver redes sociais e diretores de comunicação. Muitos gostariam de conhecer a opinião que terá hoje António Pimenta Machado, se ainda tiver paciência para estas coisas, ao ouvir “o pior funcionário do mundo”, o ex-futebolista Manuel Fernandes segundo o seu ex-atual-patrão, afirmar que o seu ex-actual-patrão não passa a vida a dizer que “trabalha 24 horas por dia” quando, comprovadamente, passa o mesmo a vida a proclamar que trabalha 24 horas por dia? E o que teria a dizer hoje António Pimenta Machado, se é que segue estas aventuras culinárias, sobre “o melhor funcionário do mundo”, Francisco José Marques, publicando sobre cefalópodes neste Outono quando ainda no último Inverno as paredes das casas, dos escritórios e as montras dos restaurantes dos seus patrões e afins foram pintadas a tinta de choco por adeptos portistas – “híbridos”, certamente – em fúria? Em fúria, sim, vá lá saber-se porquê.

Volta o futebol a sério neste final de semana com a Taça de Portugal depois de uma paragem devida a dois jogos amigáveis da nossa seleção neste período que pode ser chamado de tudo menos de amigável no âmbito alargado do futebol português. Até insultos tem havido. Neste interregno, o presidente do Benfica, por exemplo, chamou “merceeiro” a um comentador afeto ao clube, o que pode ser considerado um insulto. O presidente do Sporting, para não ficar atrás, insultou Luís Filipe Vieira, António Salvador, Augusto Baganha, Octávio Ribeiro, Ribeiro e Castro, Pedro Madeira Rodrigues, Paulo Pereira Cristóvão, Rui Santos e todos os sportinguistas que não o amam a quem chamou “vermes”, o que também poderá ser considerado um insulto. O presidente do Porto não insultou ninguém. Está a aprender francês.

A última prestação de João Gobern no programa “Trio de Ataque” da RTP3 foi o melhor momento de comunicação em prol do Sport Lisboa e Benfica desde que Eliseu saltou para a lambreta na festa do “tetra”. Que classe, Gobern. Aliás, nestas coisas, só há duas classes: 1.ª classe e sem classe nenhuma.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

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