sábado, março 11, 2017

Muito gelo e massagens

O Benfica ficou-se pelo caminho nos oitavos de final da Liga dos Campeões o que não é, propriamente, uma notícia sensacional. Já o contrário seria uma proeza do mais alto gabarito. Por falar em gabarito, foi precisamente isso que faltou aos tricampeões nacionais na meia hora final do jogo de Dortmund quando trocou o honroso papel de credível oponente na discussão com a equipa alemã pelo triste papel de conjunto goleado sem apelo nem agravo.
São coisas que acontecem com a maior das naturalidades a quem anda nestas coisas. Podem, se quiserem, os adeptos do Benfica procurar conforto nas desgraças alheias que, pela expressividade dos números e dos nomes envolvidos, foram bem mais sonoras do que as suas.
O que aconteceu ao Arsenal trucidado pelo Bayern com uns 10-2 na soma dos dois jogos e o que haveria de acontecer ao Paris Saint-Germain em Barcelona encaixando meia dúzia de golos como seria de esperar de uma equipa de pobrezinhos, podem servir de consolo para os lados da Luz.
E até de alívio perante o que poderia aguardar o Benfica nos quartos de final dando-se o caso de a equipa não ter entrado em colapso da mente e do físico quando sofreu o segundo e o terceiro golo no espaço de dois longuíssimos e penosos minutos. Os 4-1 da soma dos dois jogos com o Dortmund estão longe de ser o maior embaraço europeu da história do Benfica, mas a verdade é que o Benfica não fez boa figura, longe disso.
Na temporada passada, por exemplo, frente ao Bayern deixou o Benfica uma excelente imagem vendo- -se afastado por um tangencial 3-2 que não só não deixou mágoas na alma da equipa como a ajudou a acreditar em si própria e a projetar-se para a saborosa conquista do tricampeonato.
De regresso à sua realidade nacional, importa agora adivinhar o peso que terá a goleada sofrida na Alemanha no percurso do Benfica até à última jornada da Liga. Fosse isto boxe e poder-se-ia dizer que o Benfica se aguentou com valentia nos primeiros três assaltos com o Dortmund mas claudicou com estrondo no assalto derradeiro que o encostou às cordas e deixou estendido num KO de maus agouros.
Caberá a Rui Vitória, treinador e responsável máximo, inventar panaceias para minimizar os danos provocados pela jornada europeia. O próximo jogo com o Belenenses dirá muito sobre a arte curandeira do treinador. Gelo, muito gelo, e massagens costuma ser a receita para casos destes.
Mas, além do frio que atenua a dor e dos toques subtis que reanimam o espírito, muito jeito daria a Rui Vitória a ressurreição de Grimaldo e de Fejsa. E até umas visitinhas de um tal Jardel, lembram-se?


Outras histórias Uma visita ao Museu Cosme Damião A boa notícia é que Pedro Proença não desapareceu em combate O presidente da Liga foi visto a entregar a Vieira a taça correspondente aos três campeonatos que o Benfica conquistou nos últimos três anos. O diretor no exílio da comunicação do Benfica comentou que Proença lá conseguiu sair da Luz sem ter "prejudicado" o clube.
A questão é que Proença não fez favor nenhum ao Benfica ao entregar a dita taça, mas fez um grande favor a si próprio ao aparecer quando já se suspeitava que tinha desaparecido em combate. O ex-árbitro, agora patrão da Liga, que em tempos foi visto em alegre convívio com o senhor ‘Macaco’ numa ação de formação de jovens árbitros, não foi visto, nem ouvido em qualquer tipo de ação de deformação do ataque levado a cabo por uns quantos energúmenos no centro de treinos dos árbitros na Maia.
Ação disciplinar da Liga, népia, zero, está visto. Mas, ao menos, umas palavrinhas, uma douta opinião, um esboço de protesto, um arremedo de solidariedade do presidente. Mas não, zero também, népia também. Está visto.
Fonte : Leonor Pinhão @ correio da manha



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