terça-feira, maio 31, 2016

Santos e boas maneiras

A época terminou com Maxi Pereira a falhar o penálti que manteria o Porto vivo no Jamor e houve muito benfiquista que rejubilou com a justiça poética do momento infeliz do uruguaio. Maxi merece fazer da carreira o que entender mas não merecerá, certamente, a inclemência dos benfiquistas porque foi um profissional inquestionável no período em que vestiu a camisola encarnada.

Aliás, foi ele o primeiro jogador do Benfica a vestir a camisola oficial de 2015/16 com o logótipo da Fly Emirates na cerimónia de apresentação do distinto patrocinador. Foi a primeira e a única vez que a vestiu, porque assinaria contrato com o Porto pouco depois. Ainda assim, já portista por opção, levou a camisola do Benfica para as férias gozadas no Uruguai e, quiçá insensatamente, depositou-a aos pés da imagem de Santo Cono, um santo da sua predileção na sua terra natal. Santo Cono nunca falha, essa é que é essa.

No domingo passado o Sporting de Braga levou para casa a Taça de Portugal. Terminada a função, o treinador do Porto não foi especialmente eloquente - nem podia ser, não é?...- mas, registe-se, não deixou de exibir o fair play possível naquela hora aziaga: "Resta-me dar os parabéns ao Braga", disse José Peseiro. E disse muito bem.

Ainda no domínio das coisas bem ditas... a meio da semana o treinador do Benfica multiplicou-se em entrevistas e sempre que questionado sobre a imensa trabalheira que o Sporting deu esta época aos tricampeões nacionais, não se escusou a confessar que, pela sua parte, daria com naturalidade os "parabéns ao Sporting" se, eventualmente, os rivais tivessem terminado o campeonato no primeiro lugar.

Prosseguindo no campo do desportivismo também Iker Casillas, na véspera da final do Jamor, deu os parabéns ao Benfica pela conquista do título. Todo este arraial de boa educação terá começado, há duas semanas, quando o presidente do Benfica elogiou o comportamento da equipa de Jorge Jesus na Liga, dando os parabéns à equipa e aos adeptos de Alvalade.

Foi assim que a temporada oficial fechou no nosso país: um triunfo total das boas maneiras e do respeito pelos adversários a contrastar com o ambiente doentiamente odioso que prevaleceu ao longo de 2015/16. É virtude dos responsáveis péssimos fazer com que os demais surjam como mais do que aceitáveis aos olhos de toda a gente. 
Foi o que aconteceu.


Fonte: Leonor Pinhão @ record



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