sábado, abril 09, 2016

Que caixinha de surpresas

O futebol arrasta multidões porque jamais cessará de nos surpreender com a sua catadupa de episódios inverosímeis. São aquelas ocorrências inimagináveis, até para os espíritos predispostos à novidade, que fazem deste entretenimento popular um sucesso em todo o mundo e uma indústria – chamam-lhe assim – imparável em termos de faturação. 

Esta semana foi riquíssima em assombros que nos obrigam a prestar homenagem à imprevisibilidade de um jogo que, para o bem ou para o mal, arrasta consigo as reputações de jogadores e até de dirigentes da mais alta estirpe nacional e internacional. 

Comecemos pelo nosso compatriota André Almeida, jogador do Benfica, um profissional exemplar a quem raramente se dá o justo valor por ser um tipo discreto, avesso a penteados futuristas. O que se lhe conhece de mais extravagante é um bigodinho meticulosamente aparado que o faz parecer com um qualquer guitarrista de canções populares do tempo em que a televisão ainda era a preto e branco. Por estas e por outras ninguém dava nada pelo André Almeida no duelo que teria de travar com o supersónico Ribéry na noite da última terça-feira, em Munique. Foi um assombro o nosso André Almeida. Poderá um dia contar aos netos que meteu o conceituado Franck Ribéry no bolso e que ainda lhe deu cabo da cabeça ao ponto de o francês acabar por ver um justíssimo cartão amarelo. Quem diria, não é verdade? No seu melhor, o futebol é isto mesmo, uma caixinha de surpresas. 

Surpreendente, ainda que a outro nível, foi também o envolvimento do nome de Gianni Infantino, o recém-eleito presidente da FIFA, no corrente escândalo da sociedade de advogados do Panamá que administra fortunas em paraísos fiscais. É que nem passaram sequer dois meses sobre a eleição de Infantino, que, disse-se, veio pôr cobro ao consulado de ignomínia de Sepp Blatter, e já o líder recém-eleito e supostamente regenerador do futebol mundial se vê metido em sarilhos grandes. 

Também de índole política foi o terceiro assombro da semana. E inteiramente nacional. Talvez ainda mais inesperado do que o nome do vencedor do duelo André Almeida-Franck Ribéry, foi o facto, relatado pelos jornais, de o presidente do Porto ter sido alvo de ira popular no fim do duelo com o Tondela (e eis outro exemplo flagrante de um vencedor inesperado), na anterior jornada da Liga. Que comeram a carne e agora roem os ossos já se ouve dizer, de voz conceituada, no estádio do Dragão onde nunca se tinha vivido tanto título perdido. E foi o que bastou. Quem diria? 


Outras histórias 
O Benfica na Liga dos Campeões
Contrariando as perspetivas menos e mais otimistas…  
Contrariando as perspetivas menos otimistas dos seus adeptos e contrariando também as perspetivas mais otimistas dos seus rivais, o Benfica saiu tangencialmente derrotado de Munique, onde fez boa figura sobretudo se compararmos o resultado desta terça-feira com os resultados que os sobreditos rivais por lá averbaram. 

Agora cabe ao Benfica receber o Bayern com a certeza de que os alemães continuam a ser os grandes favoritos sendo essa, precisamente, a vantagem da equipa de Rui Vitória. Pressão? Zero. A pressão é toda para os bávaros, obrigados a ser campeões europeus enquanto o Benfica nem sequer está obrigado a ser campeão nacional tendo em conta que o Sporting já festejou o título em novembro - "não vamos sair do primeiro lugar!" -, lembram-se? 

Em Munique terá ficado um penálti por marcar contra o Bayern. Foi pena. No entanto, o facto de o Benfica não ter convocado nenhuma manifestação de protesto para a porta da UEFA também faz a diferença. Muita diferença. 


Sobe e Desce 
Sobe 
Muito sofre uma cadeira - Inácio 
As coisas que uma cadeira tem de ouvir… "O vermelho fica mal no verde", proclama Inácio sem consideração por onde se senta. Sempre a subir o nível, é verdade. 

Desce 
Nem escapam os passarocos - Quetzal
"Quem?" respondeu o esplendoroso Quetzal, considerado um dos mais belos pássaros do mundo, quando confrontado com a opinião de Inácio sobre a sua plumagem. 

Muito menos a República - Bandeira Nacional 
Mal por mal, será menos perigoso retirar o vermelho da bandeira nacional do que mandar tirar o vermelho dos semáforos. A segurança sempre em primeiro lugar. 

Pérola
"Não prevejo nada de bom em Munique", Manuel Cajuda



Fonte : Leonor Pinhão @ correio da manhã



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