sábado, março 19, 2016

Ir buscar lã, sair tosquiado

Nesta altura do campeonato em que tanto se fala de pressão é caso para se dizer que a famosíssima pressão extravasou largamente a sua incumbência natural de pressionar árbitros, jogadores e adeptos para passar a fazer cair todo o seu peso de toneladas sobre as costas – mais ou menos largas - dos chamados "comentadores" das estações de televisão. 

Ofender árbitros e ameaçar-lhes os parentes, desconsiderar jogadores e insultar os adeptos dos rivais já era o pão nosso de cada dia sobretudo quando se aproximam os tempos, sempre conturbados, das decisões. Mas alcandorar os "comentadores" televisivos à posição de responsáveis pelo que de bom ou de mau vai acontecendo nos respetivos quintais é, de facto, a grande novidade que esta temporada de 2015/2016 nos trouxe. 

E é quase certo que a novidade veio para ficar não andassem os próprios presidentes dos grandes clubes à caça das suas "ovelhas tresmalhadas" – utilizando uma expressão ainda fresca do presidente do Sporting – e dos "vendidos a Lisboa" – utilizando uma velhíssima expressão do presidente do Porto. 

Na última assembleia do seu clube, Pinto da Costa apontou o dedo e nomeou um a um os comentadores portistas que não defendem como era suposto defenderem o emblema do dragão e as virtudes do presidente em exercício há mais três décadas. Ou seja, incondicionalmente. Ficou-se o vetusto presidente pelo rol de nomes, o que é positivo. Se para além dos nomes fornecesse também as moradas poderia um dia destes vir a ser responsabilizado por algum desacato intolerável numa sociedade de bem. 

Já o presidente do Sporting não se coibiu de chamar "sportinguistas hipócritas" aos desalinhados do seu regime e ainda "carneirada" à sua massa de adeptos, amplificando para todo o país um desabafo inócuo de um comentador sportinguista – José de Pina – que, no rescaldo do último dérbi, lamentando o resultado se contentou em dizer que "para carneiradas de desculpas fáceis não contem comigo". O comentador de eleição em Alvalade é, por tudo isto, Augusto Inácio. Tal como Pinto da Costa, Inácio forneceu esta semana uma lista de nomes de comentadores indesejáveis, mas, ao contrário de Pinto da Costa, na sua lista só constavam comentadores do inimigo. Teria sido uma semana inesquecível para Inácio se, por excesso de zelo, não se tivesse lembrado de se meter com Júlio César. Aí correu-lhe tudo mal, muito mal. "Carneirada" à parte, foi buscar lã e saiu tosquiado. Imperador é imperador. 


Outras histórias 
Os árbitros bons e os árbitros maus   
Um concerto de violinos para o presidente da Liga   
O Sporting, detentor de um inédito recorde mundial – mais de 4 anos sem sofrer grandes penalidades no campeonato entre as épocas de 1996/1997 e 1999/2000 –, continua a exigir, todas as semanas, que se marque um penálti contra o Benfica mesmo sem razão para tal. Como contributo para a discussão, todos os sportinguistas com assento em estúdios de televisão afirmam e reafirmam que o último árbitro que assinalou um penálti contra o Benfica foi despromovido tendo abandonado a função em protesto. 

Curiosamente, o último árbitro que tirou "mesmo" um campeonato ao Benfica graças a uma má decisão do seu apito – a validação daquele golo irregular de Maicon no período de descontos de um clássico que ficou para a História – não só não foi despromovido como ocupa hoje o distinto cargo de presidente da Liga de Clubes. Marco Ferreira poderá, assim, chegar um dia a presidente da Liga com os apoios certos das pessoas mais do que certas e com todos os violinos em concerto a vibrar. 



Sobe e Desce 
Sobe 
Augusto Inácio - 5 minutos de fama 
A subir o tom do desagrado sportinguista, o diretor das relações internacionais de Alvalade lançou insinuações sobre o futuro do brasileiro Júlio César na Luz. 

Júlio César - Resposta à patrão 
"Inácio? Quem? Não conheço…" Foi assim, à patrão, que Júlio César deu por encerrado o não assunto da sua renovação de contrato com o Benfica. Que categoria! 


Desce 
Justiça Desportiva - Talvez lá para o verão 
Os órgãos (in)competentes da justiça desportiva conseguiram transformar a não resolução do caso Slimani numa anedota. Uma anedota daquelas que não tem fim… 



Pérola 
"Vouchers? Quem critica que comece a dizer o que oferece", Olegário Benquerença


Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

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