segunda-feira, dezembro 28, 2015

Desbaratando créditos

Um presidente - independentemente do tamanho do clube e até do tamanho do presidente – não está sujeito ao constrangimento de horários quando se trata de chegar a casa. Presidente é presidente. Tal como no decorrer dos 90’ de um jogo é o árbitro o dono do relógio, nos outros minutos todos que sobram são os presidentes os donos do seu tempo. Aliás, só um presidente pode ditar a si mesmo ordens de soltura ou de recolher obrigatório no caso de achar conveniente, coisa nunca vista em mais de um século de futebol. 

Ao contrário dos jogadores de futebol, que obedecem a regulamentos disciplinares muito estritos em função dos turnos da noite, um presidente não tem turno. É suposto, aliás, dedicar-se ao seu emblema 24 horas por dia. Já com os treinadores é diferente. Ainda recentemente o treinador do Benfica anunciou, garbosamente, que se dedicava à sua equipa das 8 da manhã às 8 da noite. 

Em função das notícias mais recentes sobre o problema dos horários no futebol português, conclui-se com admiração que 9 horas depois de Rui Vitória ter encerrado o seu turno diário de dedicação à causa, ainda o presidente do Sporting se dedicava ruidosamente ao convívio com a família sportinguista e com outras famílias, como o próprio esclareceu, e que tudo o mais é especulação dos jornais e dos seus jornalistas vendidos. E será, certamente, especulação. 

Não pensem, no entanto, os dois jogadores do Sporting que há três semanas foram notícia por terem abandonado as instalações de um restaurante lisboeta por volta da meia-noite que os horários do presidente lhes poderão valer como atenuante do seu comportamento e das eventuais ações disciplinares em curso. William Carvalho e João Mário são futebolistas profissionais. Conhecem os regulamentos internos a que estão sujeitos e os níveis de sacrifício impostos pelo ofício que escolheram e que desempenham com perfeição. 

Devem aceitar as coisas tal como são e não reclamar por igualdade de tratamento porque presidente é presidente e dispensa ordens de soltura ou de recolhimento. Por tudo isto, não devem também os dois jogadores em questão esboçar sequer um sorriso perante as notícias malévolas do Funchal. 


Outras Histórias 
Saber ou não saber nadar 
Júlio César, que ganhou títulos importantes ao longo da carreira, celebrou como um louco o golo de Jonas ao Rio Ave que recolocou o Benfica em vantagem. Faltavam poucos minutos para o fim e tudo levava a crer que, depois do nulo na Madeira, outro empate vinha a caminho e a somar a mais uma exibição desconchavada dos campeões. Os "dez minutos à Benfica" que salvaram o resultado e acabaram com os protestos na Luz salvaram também retoricamente o Natal do treinador do Benfica. 

Rui Vitória foi infeliz no lançamento do jogo quando comparou as suas responsabilidades como treinador do Benfica com aquela coisa menor da "natação" em que se vive "debaixo de água" a "bater com a cabeça na parede". Não fosse a arte de Jonas e passaria o Benfica uma quadra pouco festiva, repleta de graças cruéis sobre quem sabe e quem não sabe nadar. Júlio César é um tipo experiente e sabe como pesam toneladas as palavras infelizes que antecedem os rescaldos infelizes. Explica-se, assim, a eloquência do seu festejo. 



Sobe e Desce 
Sobe 
Jonas - Isto, sim, é Natal 
O brasileiro ‘desempatou’ o jogo com o Rio Ave e festejou o golo com a juventude em êxtase face à proximidade do ídolo. 

Família Aveiro - À beira da exclusão 
O sócio 100 mil do Sporting pode estar à beira da exclusão já que a sua família esteve no Estádio da Madeira a apoiar o União. 


Desce 
Iker Casillas - Faz falta a cultura 
Em vídeo-alocução, Casillas regozijou-se com a derrota do "Sporting de Lisboa" e com a liderança do Porto. Estes espanhóis… 


Pérola 
"Benfica e Porto não estavam habituados a um Sporting deste nível", José Maria Ricciardi 


Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

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