sábado, novembro 14, 2015

É como andar de bicicleta



A par da figura marcial de Valentim Loureiro, forçado ao recato pelas incidências judiciais que levaram o Boavista à despromoção, Octávio Machado é a outra alta personalidade de uma era em que o falar alto e a insinuação permanente – "vocês sabem do que eu estou a falar…" é o título da sua biografia – marcavam a agenda daquilo que hoje dá pelo nome de "comunicação institucional", mas que antigamente se chamavam apenas de chinfrineira para as massas. Reconheça-se-lhe, no entanto, o mérito de ser insubstituível no papel que, com alguns hiatos, vem desempenhando. Muitos já tentaram mas a verdade é que, em termos de altura nesta arte, ninguém lhe chega aos calcanhares, o que é dizer muito tratando-se de Octávio Machado. Tem reportório escasso mas à sua maneira eficiente. Em plena 2ª década do século XXI, o Octávio Machado que no domingo foi acusado por Carlos Pinho, presidente do Arouca, de comportamento pouco convencional junto à linha é o mesmíssimo Octávio que na década de 80 do século passado fazia-se ver ao longo do comprimento do campo das Antas incentivando, em termos muito próprios, a equipa de arbitragem a operar exclusivamente em prol da verdade desportiva. É como andar de bicicleta. Uma habilidade perene que, note-se, não é a única. Também no discurso não há a registar cambiantes que mais de trinta anos de evolução histórica poderiam consentir. Basta consultar a imprensa ao longo dos tempos para se concluir, não sem uma pontinha de admiração, que tal como o Porto metia medo a muita gente quando Octávio era adjunto, também o Sporting metia medo a muita gente quando foi treinador principal em Alvalade na década de 90. E tal como o Porto voltou a meter medo a muita gente quando para lá voltou como treinador (até ao episódio com Jorge Costa), temos hoje um Sporting, a onde tornou, que "mete medo a muita gente" outra vez. Todo este tema é discutível. Por exemplo, para o presidente do Arouca quem mete medo é o próprio Octávio e quanto à "muita gente", afinal, nem é tanta gente assim. São apenas sucessivas gerações de árbitros e fiscais de linha. Octávio agiganta-se, os árbitros encolhem-se. E mesmo assim não vai ser fácil. 

Memórias de Mini Pereira 
Não é novidade que o Benfica vem sofrendo um avolumar de carências que dificilmente não deixariam de pesar (toneladas) no empobrecimento da sua equipa de futebol. Sobreviveu- -lhe, ainda assim, a alma competitiva. E o Benfica, pasme-se, é o bicampeão nacional sem nunca ter deixado de perder jogadores de categoria nas aberturas bianuais do mercado. De todas estas deserções, umas a bem e outras a mal, a mais difícil de disfarçar é a de Maxi Pereira. O uruguaio, dizia-se, era o transportador da chamada "mística" que não é mais do que a vontade de vencer expressa numa entrega ao alcance de poucos. Maxi é hoje jogador do rival. Sentado numa cadeirinha posta no centro do relvado do Dragão, disse numa entrevista que "o Porto já ganhou coisas únicas que só poderiam acontecer aqui". Tudo indica que se está a referir ao jogo que deu ao Porto o seu último título. Ficou-lhe apenas por esclarecer se conta mais como "coisa única" o golo do Kelvin ou antes o autogolo que ele próprio, Mini Pereira, assinou.  


Sobe e Desce 
Sobe: 
Cosme Machado - Olha o trem de aterragem 
De vermelho, o nosso Collina sobe no terreno para melhor inspecionar se foi falha humana ou falha do trem de aterragem.  

Adilson - Foi uma falha humana 
Afinal foi falha humana. Eis o pobre Adilson a descer, a descer… e só por estar no sítio errado à hora mais do que certa.  

Desce: 
Naldo - Aterragem providencial 
Para baixo todos os Santos ajudam. Eis o momento em que Naldo inicia a sua aterragem providencial no campo arouquense.  

Pérola 
"Vi um vultozito. Vi uma pessoa aos saltitos. Nem sei bem se era uma pessoa", Carlos Pinho


Fonte: Leonor Pinhão @ Correio da Manha

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