domingo, outubro 11, 2015

Um colégio na Suíça

Enquanto o Benfica demora eternidades a negociar o prolongamento do seu vínculo contratual com o indispensável Júlio César, o Sporting conseguiu em menos de uma semana resolver as injustiças de algumas situações internas duplicando o ordenado do seu presidente e triplicando o ordenado do seu lateral-esquerdo Jefferson. Também Teo Gutiérrez está na calha para lhe ser, no mínimo, triplicado o vencimento, tendo em conta as celebrações nas redes sociais oficiais suscitadas pela sua entrada feroz sobre André Carrillo no decorrer do jogo entre a Colômbia e o Peru a meio da semana.

Trinta e dois anos depois, a selecção portuguesa vai voltar a França para disputar a fase final de um Campeonato da Europa. As memórias de 1984 estão carimbadas pelo génio absoluto de Fernando Chalana. Veremos quem entre os nossos jogadores do presente se atreverá a marcar o torneio de 2016 com a distinção do seu talento. Candidatos, há uns poucos, Chalanas é que já não há mais.

Para Bruno de Carvalho poder vir a exercer na idade adulta, com modos básicos e maneiras elementares, o cargo de presidente de qualquer Junta, Fundação, agremiação social ou até desportiva - e nem refiro especificamente o Sporting - teria sido imprescindível que, logo na sua mais tenra idade, os previdentes serviços de assistência do Estado não tivessem hesitado em mandá-lo a educar num colégio na Suíça. E, mesmo assim, há dúvidas se não seria grande o desperdício do bom zelo helvético neste caso particular e tão desesperado.

Ainda a propósito da Suíça do esmero educativo e dos relógios de cuco, note-se que duas poderosas organizações sediadas naquele país viram os seus presidentes afastados de todas as funções por suspeitas de desvios de milhões em proveito próprio. O Comité de Ética da FIFA, composto por uns quantos velhotes educados com esmero em colégios suíços, decidiu suspender Joseph Blatter e Michel Platini das presidências da FIFA e da UEFA enquanto prosseguir o inquérito policial às alegadas actividades criminosas destes dois dirigentes que, entre outras disparidades no consumo, decretaram um limite máximo de 200 francos suíços para o valor dos 'souvenirs' atribuíveis pelos clubes de futebol do Mundo inteiro aos árbitros que os visitam. Para Blatter e Platini, o limite era o quase tudo. Para os árbitros, quase nada. Depois dá nisto.

Fonte : Leonor Pinhão @ Record


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