sábado, agosto 15, 2015

O julgamento da jornada 1

O Benfica estreia-se amanhã no campeonato na Luz defrontando o Estoril, que há três temporadas foi ao mesmo palco roubar descaradamente o título ao mesmo Benfica. Estarão todos recordados desse resultado na antepenúltima jornada da Liga de 2012/2013, um bisonho empate a uma bola que colocou o Benfica numa posição altamente periclitante antes de uma deslocação ao Porto que lhe seria fatal. E depois todos vimos Jorge Jesus a ajoelhar-se no Dragão. 

Não é uma coisa do outro mundo ver uma equipa despedir-se das suas ilusões na antepenúltima jornada de qualquer campeonato. Acontece e acontecerá sempre. Na última Liga, por exemplo, o Porto só se despediu das suas ilusões na penúltima jornada, quando sofreu o empate nos minutos finais do jogo com o Belenenses. E não houve quem não visse Julen Lopetegui a ajoelhar-se no Restelo no momento em que Tiago Caeiro fez o golo que lançou a festa do bicampeonato em Guimarães. 

De gente de joelhos tem estado o campeonato português cheio nos últimos anos. Parece até já ser uma tradição muito nossa que ocorre entre as jornadas 32 e 33. No fim de contas, nada mais natural, porque os títulos ganham-se e perdem-se lá para o fim, sendo que o caminho é longuíssimo. Não há memória, nem pode haver, de uma equipa candidata ao título ter perdido as suas ilusões na primeira jornada do campeonato. 

Vem tudo isto a propósito, como já terão entendido, do jogo que o Benfica vai disputar amanhã com o tal Estoril. Os bicampeões conseguiram a pequena singularidade de não ganhar um único encontro desde que a preparação para a nova época se iniciou. E, para serenar ânimos e reerguer o orgulho, melhor será incluir a decisão da Supertaça, que sorriu ao Sporting, no pacote global da tristonha pré-época que, felizmente, já terminou. Amanhã os benfiquistas querem ver a equipa vencer. Como é do domínio público, não há decisões definitivas nem técnicos de joelhos à 1ª jornada. Mas, dando-se o caso de o Benfica se atrever a não ganhar ao Estoril, será precisamente nessa desconfortável posição que os adeptos verão o seu treinador no fim do jogo. O que é injusto, precipitado e, no entanto, francamente inevitável. 


Outras histórias 
Antes e depois do Projeto Roquette 

Numa semana em que tudo sorria ao Sporting, a morte medonha de Jorge Gonçalves fez evocar os tempos conturbados da presidência de um tipo bem simpático que foi a charneira entre o "Rochismo" e o Projeto Roquette. A sua eleição foi uma surpresa. E um choque tremendo para as supostas elites sportinguistas, confrontadas com um líder "pé-descalço", como não hesitaram em o classificar sem ponta de piedade. 
Em 1988, já à míngua de títulos, os sportinguistas optaram por um corte com o passado e puseram na presidência um homem comum, sem créditos familiares e, mais arriscado ainda, sem qualquer crédito na banca. O curto mandato de Jorge Gonçalves redundaria num caos. Sucedeu-lhe Sousa Cintra, que, por comparação, foi recebido como uma espécie de Barão de Vila do Bispo e que viria, mais tarde, a abrir as portas ao chamado Projeto Roquette. Sem Jorge Gonçalves, provavelmente, nunca haveria Projeto Roquette. E a história permite-nos supor que sem Projeto Roquette jamais haveria Bruno de Carvalho. É assim a vida dos clubes. 


Sobe e Desce 
Sobe: 
Júlio César - Ao nível de um campeão Da jornada algarvia do bicampeão nacional apenas se salvou a prestação do guarda-redes do Benfica. E já é alguma coisa.  

Iker Casillas - Duplo emprego Casillas acaba de criar uma empresa de agenciamento de jogadores. O Porto tem agora um guarda-redes- -empresário. É moderno.   

Desce: 
Beto - Sem passos à frente… Teve jeito para defender penáltis numa final da Liga Europa. Menos condão teve para livres de Messi na final da Supertaça Europeia.  

Pérola 
"A luta pelo título vai ser entre o Porto e o Sporting" - Manuel Serrão


Fonte: Leonor Pinhão@Correio da manha

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