quinta-feira, agosto 28, 2014

Magnificências do futebol dito vertical

Não querendo contrariar ninguém, tenho para mim que o Benfica passou no Bessa com distinção. Distinguiu-se e muito do Benfica da temporada passada o que não admira porque só no meio do campo, onde tudo se pensa, as diferenças são enormes, sem especificar.
O Benfica chegou ao 1-0 ainda na primeira parte graças a Eliseu, o bombista, que fez aquilo que tantas vezes o vimos fazer ao serviço do Málaga. Pumba! Já lá está. Pelo andar da carruagem, em jogo-jogado, dificilmente chegaríamos lá…
Na temporada passada, se bem se lembram, chegou muitas vezes o Benfica ao 1-0 limitando-se, em seguida, a controlar o jogo e o adversário admiravelmente. Tão admiravelmente o fez em Portugal e na Europa que, inevitavelmente, muitos dos seus melhores jogadores foram comprados por clubes estrangeiros no Verão.
Foram comprados pelo que fizeram na Europa. Porque ao campeonato exclusivamente português ninguém liga nenhuma para lá de Badajoz. Custa dizer mas é a verdade, verdadinha.
Ao contrário do que sucedia num passado ainda recente, o 1-0 atingido no Bessa não lançou o Benfica para uma exibição tranquila, encantadora, convincente, sabendo sempre a equipa transmitir aos adeptos, como tão bem transmitia, a confiança de que, com o 1-0, mais pontapé de canto, menos pontapé de canto, o resultado estava no papo. 
Não foi, de facto, assim que as coisas se passaram no jogo com o regressado Boavista, o famoso bode expiatório do Apito Dourado. O Boavista é treinado por Petit e se é verdade que as equipas acabam sempre por tomar a personalidade do seu treinador imaginem, os que não viram o jogo, a dificuldade que foi jogar contra onze Petits.
Do lado do Benfica ainda não temos onze Jorges Jesuses porque a equipa, sofrendo rombos, está em reconstrução. Mas lá chegaremos, acredito, ainda que sem o esplendor do passado recente. Mas com determinação.
Nos últimos minutos do Bessa, foi frequente ver jogadores do Benfica a sacudir o assédio dos donos da casa à bela charutada, com pontapés para os céus, roscas, balões para longe. Há muito que não se via um despautério assim em tratando-se de defender o resultado.
Deve ser isto aquilo a que a elite dos nossos comentadores apelida sabiamente de “futebol vertical”. Que, em função da desejada horizontalidade do terreno, só pode referir-se ao futebol praticado nas mais profícuas alturas. Demos, portanto, um recital de futebol vertical no Bessa.
Mesmo assim, gostei do Benfica, muito, durante 89 minutos. Só não gostei do minuto em que Ruben Amorim se magoou.



Ninguém ganha campeonatos em Agosto. E se ninguém ganha campeonatos em Agosto é porque, obviamente, ninguém perde campeonatos em Agosto. 
No entanto, será sempre da maior utilidade não desprezar as tendências. E, desse ponto de vista, Agosto é um mês igual aos demais mesmo sendo o primeiro mês da dita competição, o campeonato.
No calendário civil, Agosto é o mês 8. No calendário da bola, Agosto é o mês 1.
Um “derby” de Lisboa a 31 de Agosto jamais será o jogo do título mas está, inevitavelmente, destinado a perspetivar as modas nos dois campos para o Outono/Inverno subsequentes.
O Benfica, que joga em casa, vai apresentar os restos da sua coleção 2013/2014. O Sporting, por seu lado, vai-se apresentar com grossas novidades e com uma certeza absoluta: se houver penalty na Luz a seu favor é o Adrien que marca.
E não há derby sem penalty, sempre ouvi dizer.


José Mourinho defende o direito dos treinadores a interromper o jogo, pelo menos uma vez em cada parte, para poderem falar com os jogadores e proceder às alterações táticas julgadas convenientes. Tal como acontece no basquetebol sem que ninguém se queixe.
Também sou a favor, em nome do espetáculo. Reconhecendo, com antecipado entusiasmo, que muitas reputações de muitos treinadores cairiam ou subiriam vertiginosamente conforme os resultados práticos verificáveis depois dessas autorizadas interrupções.
O futebol, aliás, tem muito que aprender com as demais modalidades.
Louis Van Gaal, por exemplo, terá ido buscar ao andebol a feliz ideia de poder trocar de guarda-redes antes de penaltis. Foi o que fez no jogo com a Costa Rica dos quartos-de-final do último Mundial. Encaminhando-se a decisão para as grandes penalidades, Van Gaal trocou Jasper Cilessen por Tim Krull e deixou mundo inteiro pasmado.
Teve sorte o seleccionador holandês. Saiu-lhe bem. Krull defendeu o que havia para defender desenhando-se ali mesmo, em Salvador da Baía, numa aura de glória, as suspeitas de que Van Gaal era, no mínimo, um mágico encartado.
Tudo isto vem a propósito de um desejo que ouvi exprimir no princípio da semana a um benfiquista encartado e encantado com a contratação de Júlio César para a nossa baliza. 
- Devia jogar já com o Sporting mas se houver um penalty contra nós devia entrar imediatamente o Artur.
Dito isto foi muito aplaudido pelos circundantes.
- E o Artur ficava em campo até ao fim do jogo?
- Depois de ter defendido o penalty? Claro que sim!
Como o jogo é só no domingo temos de esperar para ver o que vai acontecer na baliza do Benfica. Quanto ao tal Van Gaal, encontra-se presentemente em Manchester a lutar com uma maré de infortúnios. Deixou de ser mágico num ápice. São as coisas do futebol.


Julen Lopetegui é um tipo simpático. E o que faz falta por estas bandas são tipos simpáticos. Aparentemente terá havido um ligeiríssimo quiproquó entre o treinador basco e Ricardo Quaresma. O poderoso jogador ficou de fora no penúltimo jogo e no último jogo, o de anteontem com o Lille, ficou sentado no banco durantes os 90 minutos.
Lopetegui anda armado em Paulo Bento, é o que parece.


O presidente da Federação Portuguesa de Futebol disse esta semana que o que faltou à nossa selecção no Mundial do Brasil foi “competência”. É uma opinião respeitável e tão válida como tantas outras.
Fernando Gomes anunciou mudanças na estrutura profissional que acompanhará a selecção na campanha que aí vem. A da qualificação para o Europeu de 2016. A selecção vai mudar de médicos. Por causa da tosse.


Houve o defeso. Depois a pré-temporada. Agora já começou o futebol a sério em Portugal. Os três “grandes” continuam a trazer nas costas dos respetivos equipamentos o letreiro do banco que a todos patrocina. Com igual ou desigual boa vontade, para o caso tanto faz.
Mas será o banco bom ou o banco mau que levam nas costas os jogadores do Benfica, do FC Porto e do Sporting? Em breve se saberá. Fiquemos atentos. Se houver troca do velho e tão desconsiderado logotipo por uma borboleta é porque o patrocinador comum é o banco bom. Se continuar tudo na mesma nas costas dos jogadores das três equipas é porque o banco mau continua a ser o “sponsor” benemérito dos emblemas de top do nosso futebol.
Faz mais sentido que assim seja.


Ao cabo de muitos e maravilhosos anos, o Benfica vai jogar contra o Sporting sem Óscar Cardozo. Assim, a seco, é uma má notícia porque Cardozo, de facto, foi impagável em quase todos os derbies em que participou, quer na Luz quer em Alvalade.
Para Rui Patrício a ausência de Cardozo só pode ser um enorme descanso. Para os benfiquistas é uma enorme incógnita.
Terá o Benfica um substituto à altura do paraguaio no que diz respeito a clássicos da Segunda Circular? No domingo à noite já se saberá a resposta.


Por mérito próprio e para valorizar a conquista da Supertaça pelo Benfica, o Rio Ave é o sensacional líder do campeonato à segunda jornada.


Fonte: Leonor Pinhão@A Bola

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