domingo, agosto 13, 2017

É tudo uma questão de tamanho

"Três metros! Medem tudo os fautores da inovação. Vão acabar a medir ecrãs de televisão de régua em punho porque o golpe de vista já não chega. Nesta senda, "O Jogo" chamou para título de uma sua recente edição on-line o caso do "tamanho das bandeiras do Benfica" nos estádios de futebol. Depreende-se, pela melancolia da reportagem, que têm tamanho a mais. No entanto, maior força moralizadora teria esta luta se o alerta bandeiral do diário portuense apresentasse as medidas concretas dos panos. Até porque naquele célebre rendez-vous elegante no Hotel Altis entre os chefes-comunicadores do FC Porto e do Sporting ficou logo assente que, no que a bandeiras do Benfica dissesse respeito, pertencia ao pessoal do Porto medir os estandartes propriamente ditos enquanto ao pessoal de Alvalade caberia medir os respectivos paus.
Saúde-se, assim, quem leva a peito as incumbências. Neste caso preciso, saúde-se o diligente Saraiva que, ao contrário dos amigos negligentes que medem tamanhos a olho nu, deu-se ao trabalho – e, aliás, viu-se bem atrapalhado… – de desenrolar 300 centímetros de fita métrica até se poder apresentar em público denunciando a verdade sobre o tamanho dos paus das bandeiras do Benfica. Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu e, também, elegantemente porque as hastes sempre lhe soam melhor do que os paus como, aliás, soam melhor a toda a gente de bom senso.
Os dois primeiros jogos oficiais confirmaram as suspeitas: para Seferovic não há ângulos difíceis. Todos os ângulos são bons para o suíço atirar à baliza. Eis um facto que não se enquadra em nenhum ilícito penal.
Já para Ricardo Espírito Santo, o realizador da transmissão televisiva do jogo da Supertaça, houve um ângulo difícil. O Ricardo, o extraordinário profissional, o cavalheiro que docemente nos poupou ao abuso necrófilo na hora da morte de Féher, viu-se em fogueiras porque, inadvertidamente, deixou ir para o ar 3 segundos mais cedo do que estava previsto o plano de uma rapariga extraordinariamente bem equipada. E o que estaria destinado a ser o milionésimo plano geral de uma adepta vistosa num estádio de futebol apareceu em casa de toda a gente como um zoom ao peito da rapariga. Pediu desculpa o Ricardo, claro. Mas não chegou para pôr cobro à indignação, o que é de estranhar porque, por exemplo, os três jornais desportivos nacionais, que tanto se orgulham de ter mulheres nos seus quadros como prova absoluta da "igualdade" entre sexos, publicam a toda a hora nas suas edições on-line fotografias de raparigas quase 100% desequipadas e a que correspondem legendas como "É de ver e de chorar por mais" ou "Chame-lhe o que quiser mas depois não se queixe" ou "Esta tailandesa leva qualquer um para a cadeia". E, segundo parece, ninguém se ofende apesar de já estarmos na 2.ª década do século XXI.
Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu."

Fonte: Leonor Pinhão @ record

segunda-feira, agosto 07, 2017

Rui Vitória e a difícil arte de substituir insubstituíveis

O Benfica sofreu 14 golos em 6 jogos na pré-temporada, o que é um exagero para uma equipa que se habituou e que habituou os seus adeptos a uma solidez defensiva só ao alcance de campeões. O problema, bastante visível, não encerra nada de sobrenatural. 

O bruxo é, presume-se, o mesmo mas o Benfica viu sair de uma assentada o guarda-redes Ederson, o defesa-lateral Nélson Semedo e o defesa-central Lindelof e os destinos que tomaram estes jogadores dizem tudo sobre a sua incomparável valia. E, assim sendo, comparar o atual grupo defensivo do Benfica ao "ensemble" que brilhou em 2016/2017 será sempre um exercício confrangedor. 

Só por milagre conseguirá o Benfica reconstruir um setor recuado que se aproxime da qualidade exposta por aquele trio de ouro e este "drama" vai marcar, inelutavelmente, a temporada de 2017/2018 na Luz. 

Do meio-campo para a frente continua o Benfica aparentemente bem servido e três dos chamados "reforços" apresentaram credenciais nestes 6 jogos de preparação antes de a coisa ser a sério. O suíço Seferovic, o inglês Willock e o eslovaco Chrien, sem deslumbrar, mostraram habilidades em número suficiente para aprovação nestes exames de verão. 

Pena que nenhum deles seja um médio-defensivo porque o Benfica, até ver, continua dependente de Fejsa – e só de Fejsa – nessa zona charneira de tudo o que de bom e de mau pode acontecer a uma equipa num jogo de futebol. Boa sorte e toda a saúde do Mundo para Jonas, Pizzi e Luisão – os 3 essenciais – e quem sabe se o tal ‘penta’ não acabará mesmo por acontecer? 



O preço dos golos, Jiménez e os outros  
Se a História se repetir e o Benfica chegar às derradeiras jornadas da próxima Liga apertado na classificação por um dos seus rivais (ou pelos dois ou até por três, dando-se o caso de aparecer um intruso na luta pelo título) e se vir na obrigação de conquistar os 3 pontos na sempre difícil deslocação a Vila do Conde, quem é que vai marcar desta vez o golo salvador se Raúl Jiménez for vendido até ao fim deste mês de agosto? Seferovic, pois claro, dirão os adeptos mais otimistas ainda encantados com os golos suíços na pré-temporada. 

Mitroglou, pois claro, dirão os mais tradicionalistas que não esquecem o golo grego que valeu os 3 pontos em Braga na época passada. No entanto, dificilmente conseguirá o Benfica manter o mexicano, o suíço e o grego nos quadros. Raúl Jiménez é o mais completo dos três e é o que detém um reportório mais amplo. Por isso mesmo é o que tem maior valor de mercado e o que fará mais falta. 


Rafa 
Ou sim ou sopas 
Não foi barato o preço que o Benfica pagou ao Sp. Braga por Rafa e eram bem altas as expectativas criadas em torno do jogador. Em 2016/17, o ano de estreia na Luz, Rafa não passou do assim-assim. Em 2017/2018, passará? 



Cervi  
Em todo o campo 
O argentino foi figura importante na conquista do ‘tetra’ acrescentando aos seus dotes ofensivos uma surpreendente capacidade de luta e de sacrifício. E foi assim que conquistou o treinador e os adeptos. 



Grimaldo  
Questão lateral 
Vender Grimaldo é uma possibilidade para o Benfica, o indisputado rei dos encaixes chorudos. A questão é que com Grimaldo o Benfica fica mais forte e sem Grimaldo nem de perto nem de longe se lhe vê sucessor no horizonte. Haverá sempre Eliseu?



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha