segunda-feira, agosto 28, 2017

Comissão de Instruídos da Liga

Tivesse a Comissão de Instrutores da Liga as devidas preocupações ambientais e, certamente, teria elaborado "um auto de flagrante delito" ao Eliseu por ter andado a queimar gasóleo à tripa-forra na "zona técnica" das cabinas do Estádio da Luz para depois, não contente com a desfaçatez, ter o mesmo Eliseu continuado a queimar gasóleo no relvado do referido recinto em piruetas motorizadas para depois, como se não bastasse, ter-se enfiado com o veículo de duas rodas dentro de um autocarro de quatro rodas – o que é proibido pelo código dos transitários – para, finalmente, o mesmíssimo Eliseu desembocar em mais e maiores emissões de dióxido de carbono em voltinhas na Praça do Marquês causando aquele "alarme social" que varreu o país de lés-a-lés na noite do dia 13 de Maio passado. Fosse a Comissão de Instrutores da Liga uma Comissão de Instruídos da Liga, instruídos naturalmente em questões civilizacionais básicas, e o Eliseu estaria algemado desde a festa do "tetra" pelo horror que causou a uma quantidade de gente alérgica a estas coisas. Mas, infelizmente para o bom nome das competições profissionais no nosso país, existe uma Comissão de Instrutores da Liga mas uma Comissão de Instruídos da Liga é coisa que não existe. Pensem nisso.

Um voo proveniente de Bruxelas aterrou em Lisboa trazendo a bordo um adolescente de 17 anos a quem, presume-se, um dia será confiada a baliza do Benfica. É verdade que os fora-de-série Oblak e Ederson eram muito jovens quando se viram de pedra e cal no onze titular mas nenhum deles era propriamente um "teenager" quando Jorge Jesus, no caso do esloveno, e Rui Vitória, no caso do brasileiro, os fizeram alinhar pela primeira vez na equipa principal. O que pretenderá fazer o Benfica com Mile Svilar até ao momento em que o belgazinho estiver maduro para as altas tarefas da competição no mundo dos adultos? Ou já está? O mais jovem guarda-redes que alinhou alguma vez pelo Benfica em mais de um século de história foi Rui Nereu que se estreou aos 19 anos num jogo da Liga dos Campeões com o Villareal. O "teenager" Nereu substituiu Quim que se lesionou à meia hora do jogo no El Madrigal e fez os 90 minutos inteiros na recepção ao mesmo Villareal porque, à data, Quim continuava inoperacional e Moreira também tinha caído à enfermaria. Não foi nada feliz Rui Nereu nessa ocasião com o Villareal no Estádio da Luz e, desde então, a ideia de guarda-redes adolescentes de águia ao peito sempre horripilou um bocadinho os adeptos. A qualidade excepcional de Oblak e de Ederson ajudou, entretanto, a desfazer o preconceito contra a juventude extrema num lugar de tanta responsabilidade. Confiantes depois destes dois magníficos exemplos do passado recentíssimo, os benfiquistas anseiam agora por ver a alegada qualidade excepcional de Mile Svilar estabelecer um novo marco etário nos registos da casa. Ou isso ou esperar.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, agosto 26, 2017

Uma questão de vírgulas

É injusta, deselegante e discriminatória a pena de três jogos de suspensão aplicada pelo Conselho de Disciplina da FPF ao árbitro Jorge Sousa. Foi-lhe aplicado esta semana o castigo por ter posto na ordem um jogador de futebol dirigindo-se--lhe, é verdade que autoritariamente – mas não é essa a sua função? – em termos isentos de perfídia, isentos de deseducação e de vulgaridade tendo em conta (e foi isto, precisamente, que os doutos juízes e conselheiros da justiça desportiva não tiveram em conta!) que o sobredito cidadão Manuel Jorge Sousa nasceu no Porto. Lá nasceu há 42 anos e lá, no Porto, deve ter sido criado desde o berço pelo que, à luz da Academia da Língua Portuguesa – que não existe mas devia de existir – está o árbitro em questão superior e civilizacionalmente autorizado a proferir a palavra "c……" no princípio, no meio ou no fim da cada frase, como soar melhor, sem que se lhe possa atribuir intenções de ofender quem quer que seja ou de se ofender a si próprio por recorrer a baixezas, a grosserias ou a coisas ainda piores. 

A condenação absurda de Jorge Sousa começa logo por incorrer num gravíssimo erro formal. A gravação das suas palavras não foi autorizada por um juiz!!! E, no entanto, já todo o país as ouviu. Ora aqui está o famosíssimo erro formal que, em tempos não muito distantes, serviu para safar das garras da lei uma catrefada de acusados de um outro processo em que o vernáculo era rei e senhor num rol infindo de palavras, de metáforas pecaminosas e de interjeições da mais variada estirpe que nada valeram em tribunal mas que continuam disponíveis no Youtube para os estudiosos destas coisas do linguarejar das nossas regiões. 

Ao infeliz Jorge Sousa bastou-lhe uns poucos "c……." para se ver castigado pela  FPF que tem sede em Lisboa e está, por certo, contaminada pelos falares de uma Capital de snobes onde as frases mais ouvidas nas suas ruas terminam invariavelmente num horrível "ok" – será por causa dos turistas? – e  não em "c……" que sempre é nosso porque é português. Deixem que vos relate um caso que vivi há meia dúzia de anos e que ajudará, espero, a ilibar Jorge Sousa perante a opinião pública. Conversava eu com uma simpática portuense que era professora de Língua Portuguesa no secundário quando, ao trigésimo oitavo "c……" em cinco minutos de diálogo, lhe perguntei sem agastamento mas com curiosidade. "Oh senhora doutora, não serão ‘c…….’ a mais?" E que resposta sublime recebi: "Oh, não ligue, sabe que no Porto ‘c……’ é como se fosse uma vírgula!" E com isto logo se me calou a sobranceria alfacinha. E por isto não posso aceitar o castigo a um árbitro só porque abusou das vírgulas quando utilizava o discurso direto numa ação pedagógica. Liberdade para Jorge Sousa! 



Outras Histórias 
Conspirações internacionais  

A questão da máquina de lavar não tem importância formal 
Uma fonte colocada na Comissão de Instrutores da Liga jurou-nos que a dita Comissão, dando provimento à queixa do diretor de comunicação do Sporting, acaba de abrir um auto disciplinar ao jornaleco "New York Times", esse bastião lampião a um oceano de distância, por se ter atrevido a escrever erradamente o nome do clube português. Aconteceu que o pasquim elaborou uma maçadora peça jornalística e, a propósito não se sabe de quê, entendeu arrolar o "Sporting Lisbon" a uma quantidade de dislates inspirados na teoria, absurda, de que o nosso país se transformou numa "máquina de lavar dinheiro" de uma antiga colónia. A questão da máquina de lavar não tem importância formal porque sendo coisa singela da área dos eletrodomésticos nem sequer é notícia. Já o caso da troca do nome do clube configura, em todo o seu esplendor, uma conspiração internacional que foi prontamente denunciada. Como se dirá ao "jornaleiro" do NYT, e em língua americana, "anda lá o quê, c……!"?.



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha 

quarta-feira, agosto 23, 2017

Previsão de uma vida de sucessos

O Benfica recebe esta noite o Belenenses no Estádio da Luz e o desejo da multidão benfiquista será ver Filipe Augusto entrar em campo o mais cedo possível porque sempre que Rui Vitória lança Filipe Augusto é sinal de que a coisa se resolveu a bem. Na segunda-feira, em Chaves, o nosso Filipe Augusto só entrou aos 90+4 minutos porque o Benfica só conseguiu marcar aos 90+2 minutos e como o árbitro – que, no fim do jogo, até recebeu uma camisola oficial das águias por deferência com a grande penalidade sonegada – concedeu 6 minutos de tempo extra só conseguiram descansar os adeptos do Benfica entre os 90’+4 e os 90’+6. Foi, assim, curto o descanso que nos foi dado no jogo de Trás-os-Montes que nem sequer foi um ‘clássico’. Já o desta noite, sim, é um ‘clássico’ com tudo o que isso implica de imprevisibilidade. Corram, corram. Parece que o Fejsa se lesionou. Mas que grande novidade. Corre, corre, Filipe Augusto.

André Silva estreou-se na quinta-feira em San Siro e marcou dois belos golos deixando os adeptos AC Milan felizes com a categórica apresentação do avançado. Mais contente do que os adeptos do AC Milan – e trata-se de uma plateia exigente – ficou, no entanto, o próprio André Silva. Festejou as proezas com um sorriso largo que não engana. Ficou, assim, aprovada pelos ‘tiffosi’ locais a contratação do jogador português e, melhor ainda, ficou também explicado o sentido da misteriosa frase do director de comunicação do FC Porto – "o melhor ainda está para vir!" – que se referia, como agora se percebe, ao brilhante futuro profissional que inevitavelmente aguarda André Silva depois de ter trocado de patrão. Tomara sobre tantos outros funcionários do futebol português poder vaticinar-se uma vida de êxitos deste quilate a cada mudança de entidade patronal.

Menos de 24 horas depois do encosto ao árbitro de Camp Nou ficou Cristiano Ronaldo a saber que o seu gesto lhe valerá 5 jogos de suspensão. Apreciem como a justiça desportiva espanhola é tão mais célere do que a nossa em matéria de decisões. Esta semana, por cá, houve a decisão do caso do túnel de Alvalade 283 dias depois da rixa tabernal entre os presidentes do Sporting e do Arouca. E até já se pensava que os prazos para a condenação destas inclemências estariam a evoluir para uma aproximação aos ritmos dos patamares disciplinares europeus.

Foi, porém, enganosa a esperança. Enganosa e induzida pelo facto de o castigo a Slimani pela cotovelada em Samaris ter demorado 203 dias a ser conhecido e pelo facto seguinte, tão promissor: o castigo ao mesmo Samaris pelo ‘uppercut’ a Diego Ivo demorou ‘apenas’ 44 dias a ser pronunciado. Deu-se, assim, a entender aos optimistas que estava em curso o progresso. É que de 203 para 44 dias, enfim, é outra aceleração. Agora, com estes 283 dias, voltou tudo a andar para trás. Ou para a frente, como preferirem. Estas conclusões dependem sempre da perspectiva.



Fonte: Leonor Pinhão @ record


sábado, agosto 19, 2017

O saudoso disco rígido

Talvez por se ter festejado um tanto ou quanto a mais do que teria sido aceitável, à luz do bom senso, o facto de o Sporting ter partido para o sorteio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões na condição de cabeça de série – o que, por um conjunto milagroso de circunstâncias, afastou conjuntos como o Liverpool ou o CSKA do caminho dos leões – acabou por ser recebido como dececionante o empate sem golos com que veio a terminar o jogo de terça-feira, em Alvalade, com o Steaua Bucareste referente à 1ª mão da tal pré-eliminatória que dará, ou não dará, acesso à ambicionada fase de grupos da prova maior da UEFA. Ambicionada, porém não "obrigatória" como tão bem explicou Jorge Jesus à imprensa. "Obrigatória entre as aspas", disse o treinador, que, mesmo tendo deixado o "disco rígido" do seu computador no Seixal, consegue, ainda assim, ser sempre o mais lúcido dos elementos do staff do futebol sportinguista. 

Nesta premente questão europeia – premente porque a questão é dinheiro –, o discurso de Jesus é notoriamente oposto ao discurso do presidente. Bruno de Carvalho diz que é tempo de "o leão mostrar que é o rei da selva" e o treinador diz que só é "entre aspas" que o Sporting tem de se qualificar obrigatoriamente para a selvajaria da Liga dos Campeões, o presidente diz que "o nome" do Sporting não o desobriga de lutar por afastar os romenos e Jesus responde afirmando que os dois emblemas "são do mesmo nível"… Todas estas salutares divergências de opinião serão, normalmente, reduzidas a nada se o Sporting, como se espera, afastar o Steaua e entrar direitinho na Liga milionária. 

E, dando razão a Jesus e ao seu otimismo racional, não há motivo para considerar que o 0-0 da 1ª mão seja, de facto, um mau resultado. Não é, obviamente, um "score" que tenha resolvido a discussão a favor do Sporting – como muita gente inocente tinha como garantido – mas é um resultado mais do que aceitável e até promissor. O Sporting não marcou, é verdade, mas não sofreu nenhum golo, o que lhe dá enorme vantagem se marcar em Bucareste, o que a acontecer não será de todo uma proeza do outro mundo. A bipolaridade dos adeptos – de todos os adeptos de todos os emblemas – é bem mais difícil de contornar do que este nulo de terça-feira. Do triunfalismo perante os acasos que terão ditado um sorteio doce na Europa ao pessimismo destrutivo que passou a imperar consumada que foi a não-goleada prevista, vai um passo, enfim, um passinho de Podence que é, entre todos, o que terá o passo mais curto. Ora isto não é ciência exata. É um jogo de bola. E Jesus nem precisa do saudoso disco rígido do velho computador do velho emprego para saber o que vem aí se a coisa der para o torto. 



O tal Luís Miguel Afonso Fernandes  
Eis como o Benfica se tornou num caso de Pizzi-dependência 
Foi eleito o melhor jogador da última Liga e ninguém se atreveu a protestar essa eleição porque, de facto, Pizzi foi o melhor jogador da última Liga. Não tem, no entanto, lugar no "onze" de Fernando Santos porque abundarão na seleção nacional centrocampistas capazes de meter a bola à distância e de inventar soluções maravilhosas quando o jogo da equipa emperra. É também notícia pelo seu futebol avesso a picardias e, de tal forma avesso, que não há maneira de ver um cartão amarelo para desgosto e escândalo do comité de decência do nosso futebol onde se abrigam os mais decentes entre os moralizadores do reino. Tem um tique muito próprio que é o de franzir os olhos antes de meter a bola onde quer e uma esquisitice destas devia, no mínimo, ser investigada. No início da semana, em Trás-os-Montes, inventou o lance de que resultaria o golo do triunfo da sua equipa e festejou-o como se não houvesse amanhã. Tudo isto somado e eis como o Benfica se tornou Pizzidependente.



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

Centro de treino do vídeo-árbitro

Realizou-se a 1ª jornada do campeonato de 2017/2018. Começou, assim, a era moderna do futebol português com a introdução de tecnologia no intuito, louvável, de reduzir ao mínimo os erros de avaliação dos juízes de campo. O vídeo-árbitro será a solução para o futuro mas, face aos eventos registados na primeira jornada da nossa Liga, pode considerar-se, com muita pena, que o vídeo-árbitro não é de todo a solução para o presente da indústria. 

Apesar de haver "vídeo", uma maquinaria impessoal que debita imagens reais, continua a haver "árbitro" e esse fator humano – demasiadamente humano – parece que só lá está para atrapalhar. Sucedem-se, por exemplo, situações, inauditas, em que os jogadores têm de esperar até poderem festejar os golos que apontaram depois do visionamento e revisionamento do lance e da concomitante aprovação das autoridades sentadas. 

Casos destes são péssimos para o natural fluir do espetáculo e só são ótimos para os espectadores e para os adeptos quando se dá o caso de a decisão final ser do seu agrado. E como o agrado de uns é o desagrado de outros, prevê-se igual número de dissabores da multidão entre esperas pouco naturais em função do historial do jogo. 

O cidadão comum, que acha perfeitamente natural esperar dois ou três minutos pela chegada do metropolitano, já não achará aceitável esperar essa eternidade para poder festejar um golo dos seus ou para lançar as mãos à cabeça perante o desespero de um golo que teve de ser sancionado com "delay" pela equipa de vídeo-árbitros. 

No entanto, mesmo com estes soluços práticos dos primeiros tempos, a chegada do vídeo-árbitro ao campeonato português encerra grandes, enormes vantagens para uns quantos agentes da indústria. Os primeiros beneficiados são os árbitros de campo propriamente ditos. 

Se o vídeo-árbitro não é ainda a melhor coisa que aconteceu ao futebol, já é, certamente, a melhor coisa que aconteceu aos árbitros, que, de apito na boca, dirigem jogos na vida real. Pelos montantes de ódio que recaíram sobre os vídeo-árbitros na sequência de decisões tomadas nos jogos FC Porto-Estoril e Benfica-Sp. Braga não é difícil concluir que a tarefa e a vida dos árbitros-a-sério fica bem mais facilitada com a introdução desta era de modernidade. 

Que ninguém se admire se lá mais para o Natal, quando a tabela ferver, uma qualquer claque – legalizada, obviamente – invadir furiosamente o centro de treinos dos vídeo-árbitros pedindo satisfações aos árbitros-sentados e deixando em paz o centro de treinos dos árbitros-em-pé. Mas que futuro extraordinário se adivinha para os nossos futebóis. 



A receita: custo zero + custo zero + 22 milhões de euros 
Faz hoje uma semana que o Benfica arrecadou o primeiro título oficial da temporada vencendo o Vitória de Guimarães por 3-1 na discussão da Supertaça com golos de Jonas, Seferovic e Jiménez. 

A única novidade deste episódio, por comparação com os protagonistas dos êxitos nas últimas épocas, é o tal tento de Seferovic, um suíço recém-chegado a "custo zero" depois de esgotado o contrato que o prendia ao Eintracht de Frankfurt. Também Jonas chegou ao Benfica a "custo zero" em 2014 com amplos proveitos para todas as partes. 

Com Seferovic à disposição parece ter-se reduzido o campo de Mitroglou, que, nas artes de se chegar às balizas, é dono de um reportório mais curto do que o do suíço. São estas as primeiras impressões deixadas em campo por Seferovic, que voltou a marcar ao Braga. 

Mas quem resolveu mesmo a questão da Supertaça foi o mexicano Jiménez, o tradicional solucionador, que custou 22 milhões de euros e que, normalmente, se senta no banco. E qual é o problema?



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha

domingo, agosto 13, 2017

É tudo uma questão de tamanho

Três metros! Medem tudo os fautores da inovação. Vão acabar a medir ecrãs de televisão de régua em punho porque o golpe de vista já não chega. Nesta senda, "O Jogo" chamou para título de uma sua recente edição on-line o caso do "tamanho das bandeiras do Benfica" nos estádios de futebol. Depreende-se, pela melancolia da reportagem, que têm tamanho a mais. No entanto, maior força moralizadora teria esta luta se o alerta bandeiral do diário portuense apresentasse as medidas concretas dos panos. Até porque naquele célebre rendez-vous elegante no Hotel Altis entre os chefes-comunicadores do FC Porto e do Sporting ficou logo assente que, no que a bandeiras do Benfica dissesse respeito, pertencia ao pessoal do Porto medir os estandartes propriamente ditos enquanto ao pessoal de Alvalade caberia medir os respectivos paus.

Saúde-se, assim, quem leva a peito as incumbências. Neste caso preciso, saúde-se o diligente Saraiva que, ao contrário dos amigos negligentes que medem tamanhos a olho nu, deu-se ao trabalho – e, aliás, viu-se bem atrapalhado… – de desenrolar 300 centímetros de fita métrica até se poder apresentar em público denunciando a verdade sobre o tamanho dos paus das bandeiras do Benfica. Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu e, também, elegantemente porque as hastes sempre lhe soam melhor do que os paus como, aliás, soam melhor a toda a gente de bom senso.
Os dois primeiros jogos oficiais confirmaram as suspeitas: para Seferovic não há ângulos difíceis. Todos os ângulos são bons para o suíço atirar à baliza. Eis um facto que não se enquadra em nenhum ilícito penal.

Já para Ricardo Espírito Santo, o realizador da transmissão televisiva do jogo da Supertaça, houve um ângulo difícil. O Ricardo, o extraordinário profissional, o cavalheiro que docemente nos poupou ao abuso necrófilo na hora da morte de Féher, viu-se em fogueiras porque, inadvertidamente, deixou ir para o ar 3 segundos mais cedo do que estava previsto o plano de uma rapariga extraordinariamente bem equipada. E o que estaria destinado a ser o milionésimo plano geral de uma adepta vistosa num estádio de futebol apareceu em casa de toda a gente como um zoom ao peito da rapariga. Pediu desculpa o Ricardo, claro. Mas não chegou para pôr cobro à indignação, o que é de estranhar porque, por exemplo, os três jornais desportivos nacionais, que tanto se orgulham de ter mulheres nos seus quadros como prova absoluta da "igualdade" entre sexos, publicam a toda a hora nas suas edições on-line fotografias de raparigas quase 100% desequipadas e a que correspondem legendas como "É de ver e de chorar por mais" ou "Chame-lhe o que quiser mas depois não se queixe" ou "Esta tailandesa leva qualquer um para a cadeia". E, segundo parece, ninguém se ofende apesar de já estarmos na 2.ª década do século XXI.

Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

segunda-feira, agosto 07, 2017

Rui Vitória e a difícil arte de substituir insubstituíveis

O Benfica sofreu 14 golos em 6 jogos na pré-temporada, o que é um exagero para uma equipa que se habituou e que habituou os seus adeptos a uma solidez defensiva só ao alcance de campeões. O problema, bastante visível, não encerra nada de sobrenatural. 

O bruxo é, presume-se, o mesmo mas o Benfica viu sair de uma assentada o guarda-redes Ederson, o defesa-lateral Nélson Semedo e o defesa-central Lindelof e os destinos que tomaram estes jogadores dizem tudo sobre a sua incomparável valia. E, assim sendo, comparar o atual grupo defensivo do Benfica ao "ensemble" que brilhou em 2016/2017 será sempre um exercício confrangedor. 

Só por milagre conseguirá o Benfica reconstruir um setor recuado que se aproxime da qualidade exposta por aquele trio de ouro e este "drama" vai marcar, inelutavelmente, a temporada de 2017/2018 na Luz. 

Do meio-campo para a frente continua o Benfica aparentemente bem servido e três dos chamados "reforços" apresentaram credenciais nestes 6 jogos de preparação antes de a coisa ser a sério. O suíço Seferovic, o inglês Willock e o eslovaco Chrien, sem deslumbrar, mostraram habilidades em número suficiente para aprovação nestes exames de verão. 

Pena que nenhum deles seja um médio-defensivo porque o Benfica, até ver, continua dependente de Fejsa – e só de Fejsa – nessa zona charneira de tudo o que de bom e de mau pode acontecer a uma equipa num jogo de futebol. Boa sorte e toda a saúde do Mundo para Jonas, Pizzi e Luisão – os 3 essenciais – e quem sabe se o tal ‘penta’ não acabará mesmo por acontecer? 



O preço dos golos, Jiménez e os outros  
Se a História se repetir e o Benfica chegar às derradeiras jornadas da próxima Liga apertado na classificação por um dos seus rivais (ou pelos dois ou até por três, dando-se o caso de aparecer um intruso na luta pelo título) e se vir na obrigação de conquistar os 3 pontos na sempre difícil deslocação a Vila do Conde, quem é que vai marcar desta vez o golo salvador se Raúl Jiménez for vendido até ao fim deste mês de agosto? Seferovic, pois claro, dirão os adeptos mais otimistas ainda encantados com os golos suíços na pré-temporada. 

Mitroglou, pois claro, dirão os mais tradicionalistas que não esquecem o golo grego que valeu os 3 pontos em Braga na época passada. No entanto, dificilmente conseguirá o Benfica manter o mexicano, o suíço e o grego nos quadros. Raúl Jiménez é o mais completo dos três e é o que detém um reportório mais amplo. Por isso mesmo é o que tem maior valor de mercado e o que fará mais falta. 


Rafa 
Ou sim ou sopas 
Não foi barato o preço que o Benfica pagou ao Sp. Braga por Rafa e eram bem altas as expectativas criadas em torno do jogador. Em 2016/17, o ano de estreia na Luz, Rafa não passou do assim-assim. Em 2017/2018, passará? 



Cervi  
Em todo o campo 
O argentino foi figura importante na conquista do ‘tetra’ acrescentando aos seus dotes ofensivos uma surpreendente capacidade de luta e de sacrifício. E foi assim que conquistou o treinador e os adeptos. 



Grimaldo  
Questão lateral 
Vender Grimaldo é uma possibilidade para o Benfica, o indisputado rei dos encaixes chorudos. A questão é que com Grimaldo o Benfica fica mais forte e sem Grimaldo nem de perto nem de longe se lhe vê sucessor no horizonte. Haverá sempre Eliseu?



Fonte: Leonor Pinhão @ correio da manha