domingo, outubro 28, 2018

Electricidade comprada no chinês

Vamos imaginar que a dona Arminda vende flores. É uma ocupação bem digna e respeitável, quer para a dona Arminda, quer para outra dona qualquer. Vem o furacão Leslie e destrói o furgão da dona Arminda. No dia seguinte, os clientes perguntam: “A como são as rosas, dona Arminda?” Diz ela: “Cem euros cada uma, para eu comprar outro furgão.” O mais provável é que as pessoas se riam da dona Arminda. Em princípio vão comprar as rosas à banca do lado, cujo proprietário não ficou sem o furgão, ou tinha o furgão no seguro. É possível que o caso dê notícia (“Rosas valem mais que caviar? Esta feirante acha que sim”) e sirva de tema aos comentadores dos jornais. Mais uma prova da falta de iniciativa do povo português, da sua incapacidade de fazer face a um mercado competitivo, isto é tudo uma cambada que só quer andar pendurada no Estado à caça do subsidiozinho, e tal.

Agora vamos imaginar que a dona EDP vende electricidade. Ou melhor, não precisamos de imaginar. De acordo com os jornais, a classificação do Leslie como “evento excepcional” fará com que a EDP não tenha de compensar os consumidores pela quebra do serviço. Além disso, a lei prevê que sejam os consumidores a pagar à EDP os prejuízos provocados pelo furacão. A não ser que seja o Governo a pagar, o que vai dar mais ao menos ao mesmo. Neste caso, os consumidores não riem da dona EDP. Primeiro, porque têm mais vontade de chorar. Segundo, porque não é muito evidente que possam ir comprar electricidade à banca do lado. A diferença entre os donos da EDP e a dona Arminda é que os primeiros usam gravata, pelo que se vê logo que são grandes empresários. Não se penduram no Estado, fazem negócios em que o lucro é sempre deles e o prejuízo é sempre nosso – o que é muito, muito diferente. Não são como esses calões incapazes de competir no mercado, como a dona Arminda. Incrivelmente, o consumidor ainda não tem de ir trabalhar de graça nas obras das barragens. Talvez isso possa ser contemplado num próximo contrato ainda mais competitivo.

É preciso ter azar. As coisas que compramos aos chineses costumam ser baratas. A electricidade logo tinha de ir parar às mãos dos únicos chineses careiros. A EDP é uma espécie de loja dos 300 da electricidade. Só que é dos 300 milhões.



Fonte: Leonor Pinhão @ visão

sábado, outubro 20, 2018

Modalidades - 2018/10/20

Sábado, 2018/10/20
 - 15:00 - Basquetebol - SL Benfica -v- SC Lusitânia - Campeonato Nacional - Jornada 3
 - 16:00 - Rugby - SL Benfica -v- RC Lousã - Campeonato Nacional - Jornada 3
 - 18:00 - Voleibol - Sporting CP -v- SL Benfica - Campeonato - Jornada 4
 - 19:00 - Hóquei Em Patins - SL Benfica -v- HRC Monza - Liga Europeia - Grupo D Jogo 1


Domingo, 2018/10/21
  - 14:20 - Futsal - SL Benfica -v- Sporting CP - Campeonato Nacional - Jornada 6
  - 15:00 - Futebol Feminino - União FC Almeirim -v- SL Benfica - II Divisão - Jornada 4
  
  
Segunda-feira, 2018/10/22
  - 18:00 - Futebol - GD Estoril Praia -v- SL Benfica - Liga Revelação - Sub 23 - Jornada 10
  
  
Terça-feira, 2018/10/23
  - 13:00 - Futebol - Ajax Amsterdão -v- SL Benfica - UEFA Youth League - Grupo E Jogo 3
  - 20:00 - Futebol - Ajax -v- SL Benfica - Liga dos Campeões - Grupo E Jogo 3
  
Quarta-feira, 2018/01/24
  - 21:00 - Hóquei em Patins - SL Benfica -v- SC Tomar - Campeonato Nacional de - 2ª Volta Jornada 2
  
  
Sexta-feira, 2018/10/26
  - 17:00 - Futebol - SL Benfica -v- Belenenses - Liga Revelação - Sub 23 - Jornada 11
  



Desporto de fim de semana - 2018/10/20

Futebol 
Sábado, 2018/10/20
 - 12:00 - Real Madrid -v- Levante -  Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)
 - 12:30 - Chelsea -v- Manchester United -  Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 14:00 - Roma -v- SPAL 2013 -  Serie A 2018/19 (SportTv1)
 - 14:30 - Stuttgart -v- Borussia Dortmund -  1. Bundesliga 18/19 (11Sports 2)
 - 14:30 - Wolfsburg -v- Bayern München -  1. Bundesliga 18/19 (11Sports 3)
 - 15:00 - Manchester City -v- Burnley -  Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 15:15 - Valencia -v- Leganés -  Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)
 - 16:00 - Paris SG -v- Amiens -  Ligue 1 18/19 (11Sports 4)
 - 17:00 - Juventus -v- Genoa -  Serie A 2018/19 (SportTv1)
 - 17:30 - Huddersfield Town -v- Liverpool -  Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 17:30 - Villarreal -v- Atlético Madrid -  Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)
 - 19:00 - Strasbourg -v- Monaco -  Ligue 1 18/19 (11Sports 3)
 - 19:00 - Dijon -v- Lille -  Ligue 1 18/19 (11Sports 4)
 - 19:30 - Udinese -v- Napoli -  Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 19:45 - Heerenveen -v- Ajax -  Holland 18/19 (SportTv2)
 - 19:45 - Barcelona -v- Sevilla -  Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)
 - 21:40 - Wolverhampton -v- Watford -  Premier League 2018/19 (SportTv2)

Domingo, 2018/10/21
 - 19:30 - Internazionale -v- Milan -  Serie A 2018/19 (SportTv3)

Segunda-feira, 2018/10/22
 - 17:00 - Estoril Praia -v- Benfica -  Liga Revelação 2018/19 (TVI24)
 - 20:00 - Arsenal -v- Leicester City -  Premier League 2018/19 (SportTv1)

Terça-feira, 2018/10/23
 - 13:00 - Ajax -v- Benfica -  UEFA Youth League 18/19 (11Sports 1)
 - 17:55 - AEK -v- Bayern München -  LC 2018/2019 (11Sports 2)
 - 17:55 - Young Boys -v- Valencia -  LC 2018/2019 (11Sports 3)
 - 20:00 - Ajax -v- Benfica -  LC 2018/2019 (11Sports 1)
 - 20:00 - Manchester United -v- Juventus -  LC 2018/2019 (11Sports 2)
 - 20:00 - Shakhtar Donetsk -v- Manchester City -  LC 2018/2019 (11Sports 3)
 - 20:00 - Roma -v- CSKA Moskva -  LC 2018/2019 (11Sports 6)
 - 20:00 - Real Madrid -v- Plzen -  LC 2018/2019 (11Sports 5)
 - 23:30 - River Plate -v- Grêmio -  Libertadores 2018 (SportTv1)

Quarta-feira, 2018/10/24
 - 17:55 - PSV -v- Tottenham -  LC 2018/2019 (11Sports 2)
 - 17:55 - Club Brugge -v- Monaco -  LC 2018/2019 (11Sports 3)
 - 20:00 - Liverpool -v- Crvena Zvezda -  LC 2018/2019 (11Sports 2)
 - 20:00 - Borussia Dortmund -v- Atlético Madrid -  LC 2018/2019 (11Sports 3)
 - 20:00 - Barcelona -v- Internazionale -  LC 2018/2019 (11Sports 5)
 - 20:00 - Paris SG -v- Napoli -  LC 2018/2019 (11Sports 4)

Quinta-feira, 2018/10/25
 - 01:45 - Boca Juniors -v- Palmeiras -  Libertadores 2018 (SportTv2)
 - 17:55 - Sporting -v- Arsenal -  Europa League 2018/19 (SIC)
 - 17:55 - Milan -v- Real Betis -  Europa League 2018/19 (SportTv2)
 - 20:00 - Chelsea -v- BATE Borisov -  Europa League 2018/19 (SportTv1)



quinta-feira, outubro 18, 2018

O esmolfe da discórdia

Quem foi responsável pela Guerra de Tróia? Vamos recapitular: Éris não foi convidada para o casamento de Peleu e Tétis. Como era uma dessas pessoas estranhíssimas que gostam de ir a casamentos, levou a mal. E então fez chegar à boda uma maçã de ouro com a indicação de que devia ser entregue à mais bela da festa. Hera, Atena e Afrodite começaram a disputar o prémio, mas precisavam de um juiz. Zeus, mostrando ser esperto, esquivou-se ao cargo; mas, mostrando ser pérfido, delegou a tarefa num pastor desgraçado chamado Páris. E então as três deusas tentaram cativar o juiz através de subornos. Uma dava-lhe grande poder político, a outra oferecia glória militar e a última prometeu-lhe o amor da mulher mais bela do mundo. Páris, incompreensivelmente, optou pela terceira. Foi mal pensado: tanto o poder político como a glória militar fariam com que ele obtivesse o amor de várias mulheres bastante belas, mas ele queria a mais bela de todas. Sucede que a mulher mais bela do mundo já era casada, e foi por ter trocado o marido por Páris que a Guerra de Tróia eclodiu. Muita gente atribui a culpa da guerra à vaidade das mulheres, ou à ambição dos homens, mas eu não tenho dúvidas: a culpa foi da maçã. É um fruto terrível, gerador de confusões e desgraças. Ah, pomo malvado. Na Bíblia não há qualquer indicação de que o fruto proibido seja uma maçã, mas toda a gente pensa que é. E a mais traiçoeira maçã, a que mais desentendimentos tem provocado, é, sem dúvida nenhuma, a maçã Bravo de Esmolfe. Ninguém sabe ao certo como se chama esta maçã (é Bravo de Esmolfe), nem porquê (porque é oriunda da região de Esmolfe, em Penalva do Castelo). É uma maçã que tem denominação de origem protegida desde 1994 – e no entanto ninguém se entende quanto à sua denominação. Um número inquietantemente vasto de pessoas chama-lhe “Bravo Mofo”, o que é lamentável. Parece que se está a vitoriar o bafio. Bravo, mofo, continua o teu excelente trabalho. Não me surpreenderia que fosse precisamente esse o fruto da árvore proibida. E que, quando Adão lhe deu uma dentada, Eva tenha perguntado: “Que maçã é essa, uma Bravo Mofo?” E o homem, com os nervos, engasgou-se e ficou com aquilo entalado na garganta. Dando origem à maçã de Adão. Nome completo: maçã Bravo de Esmolfe de Adão.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão


Caminhando alegremente rumo à Liga Panda

A selecção nacional jogou e ganhou na Polónia com a naturalidade das coisas naturais. São maravilhosamente jovens muitos dos nossos jogadores mas dão conta do recado como gente crescida. Na realidade, dão boa conta de todos os recados. Bernardo Silva, por exemplo, antes do jogo com os polacos enviou a Leonardo Jardim palavras de estima por ocasião do despedimento do homem com quem trabalhou e com quem foi campeão de França no Mónaco. De seguida equipou-se, subiu ao relvado e foi o melhor em Chorzow. Quando acabou o jogo, Bernardo Silva agradeceu os elogios e explicou o que se tinha passado em campo numa frase curta: "trata-se de uma selecção nova com uma forma diferente de jogar." Gente crescida.
Os trabalhos das selecções europeias e sul-americanas levaram do Seixal um forte contingente de jogadores do Benfica. É bom sinal. Rui Vitória continuará, assim, a gozar o estatuto de líder por mais 15 dias até o campeonato regressar e, enquanto não regressa, segue o treinador do Benfica trabalhando com os disponíveis. Nestas circunstâncias tão pouco invulgares é frequente recorrer a jogadores do escalão abaixo para suprir ausências e completar o elenco necessário para a função. E foi isso mesmo que Rui Vitória fez chamando Rodrigo Conceição para se juntar ao treino do remanescente da equipa sénior nesta última quinta-feira. Rodrigo é filho de Sérgio Conceição, o treinador do FC Porto.
A propósito, um bom nome para o campeonato português seria Liga Panda. Sim, Liga Panda. Os seus responsáveis estão a fazer por isso. Depois do castigo aplicado a uma mascote por ocupação de uma área reservada a não-mascotes surgiu agora a notícia de uma multa ao Portimonense por delito artístico do corte da relva. Regressemos rapidamente ao Estádio da Luz.
O próximo jogo oficial levará o Benfica até à Sertã para discutir com o Sertanense uma eliminatória precoce da Taça de Portugal. Por todas as razões, a equipa a apresentar na Beira Baixa vai ser muito diferente da equipa que venceu tangencialmente o clássico no domingo passado com um golo suíço festejado exuberantemente à moda latina. O facto de Rui Vitória ter chamado aos trabalhos o filho do treinador do FC Porto não significa que Rodrigo Conceição se vá estrear na equipa principal na Sertã. Nada garante que tal venha a suceder. O que garantidamente não pode deixar de ocorrer é um vago, vaguíssimo mal-estar no Dragão e nos dragões provocado pela notícia e pelas imagens de Conceição Júnior esforçando-se sorridentemente ao lado de campeões como Jonas e Samaris e logo na semana em que o FC Porto perdeu com o Benfica na Luz e "a culpa não foi do árbitro" tal como disse, com toda a propriedade, Conceição pai. Se Rui Vitória fosse um sujeito maquiavélico chamava todas as semanas Rodrigo Conceição. Mas não é.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, outubro 13, 2018

Desporto de fim de semana - 2018/10/13

Futebol 
Sábado, 2018/10/13
 - 17:00 - Portugal -v- Bielorrússia - Qual. Euro U17 2019 (CM TV)
 - 19:45 - Holanda -v- Alemanha - UEFA Nations League A 2018/19 (SportTv1)

Domingo, 2018/10/14
 - 17:00 - Escócia -v- Portugal - Amigáveis 2018 (RTP1)
 - 19:45 - Polónia -v- Itália - UEFA Nations League A 2018/19 (SportTv1)

Segunda-feira, 2018/10/15
 - 19:45 - Espanha -v- Inglaterra - UEFA Nations League A 2018/19 (SportTv1)
 - 19:45 - Finlândia -v- Grécia - UEFA Nations League C 2018/19 (SportTv3)

Terça-feira, 2018/10/16
 - 16:45 - País de Gales -v- Portugal - Qual. Euro U17 2019 (CM TV)
 - 19:00 - Brasil -v- Argentina - Amigáveis 2018 (SportTv2)
 - 19:00 - Portugal -v- Bósnia e Herzegovina - Euro U21 19 (Q) (CM TV)
 - 19:45 - Bélgica -v- Holanda - Amigáveis 2018 (SportTv3)
 - 19:45 - França -v- Alemanha - UEFA Nations League A 2018/19 (SportTv1)

Quinta-feira, 2018/10/18
 - 01:45 - Corinthians -v- Cruzeiro - Copa do Brasil 2018 (SportTv2)




Tenis
Domingo, 2018/10/13

O estranho caso da fantochada ridicula

Foi o último caso do meu amigo Holmes. Quando nos bateram à porta, no número 221 B de Baker Street, para nos falarem do furto das armas em Tancos, estávamos longe de imaginar que aquele episódio nos deixaria marcas indeléveis. Holmes estava muito habituado a casos diabolicamente intrincados, mas era a primeira vez que se deparava com uma fantochada ridícula. Tudo começou quando um jornalista português nos pediu ajuda para deslindar um crime: armas tinham sido roubadas de um paiol do exército. 

Holmes nem pestanejou:
– Inside job – disse. – Foi alguém de dentro. Os paióis militares têm alta segurança que nenhum civil seria capaz de contornar.
– Isso é verdade na maior parte dos países – observou o jornalista. – Mas em Portugal é tudo um bocado à balda.
– À balda… – repetiu Holmes.

Ficou preocupado. O problema apresentava elementos de fantochada ridícula, o único tipo de caso que a sua argúcia extraordinariamente racional não era capaz de resolver.

– Repare que o exército nem foi capaz de dizer ao certo quantas armas tinham desaparecido – disse o jornalista.
– Hum… Só falta dizerem que nem sequer têm a certeza de que existiu um roubo – escarneceu Holmes.
– Foi o que disse o ministro.

Holmes ficou branco. Fizera uma piada parva e afinal a sua conjectura absurda era realidade. Naquele momento, ficara sem dúvidas: estava perante uma fantochada ridícula.

– Watson, isto é uma fantochada ridícula. Vá buscar o meu ópio, por favor.
– Mas Holmes…
– Tenha paciência, meu amigo. Já sabe que só consigo compreender estes casos portugueses se estiver drogado. E mesmo assim é difícil. Ainda não consegui perceber o processo da transferência do Infarmed para o Porto.
– Afinal o Infarmed já não vai para o Porto – informou o jornalista.
– Rápido, Watson, o ópio.

Assim que a droga fez efeito, Holmes começou a delirar e a dizer coisas sem nexo. E aí, sim, começou a acertar no que se passava em Portugal.

– Se calhar o furto foi um favor que os ladrões fizeram, porque as armas não prestavam.
– Sim, isso foi dito.
– Mais ópio, Watson. Entretanto, como as armas eram sucata, os ladrões devolveram-nas.
– Exactamente!

O jornalista estava impressionado.

– Mas devolveram armas a mais.
– Sim! – disse o jornalista. – Mas depois afinal descobriu-se que devolveram a menos.
– Raios! Mais ópio, Watson! O ladrão foi ajudado pela polícia.
– Bravo, sr. Holmes! – gritou o jornalista. O modo como Holmes dizia coisas absurdas que se confirmavam era incrível. – E onde é que o ladrão escondeu as armas?
– Num… num… num parque infantil! Não, num hospital! Nos Jerónimos! – Holmes delirava.
– Foi em casa da avó, sr. Holmes. O ladrão escondeu as armas em casa da sua avozinha.
– Raios, Watson! Mais ópio!

E foram as suas últimas palavras, antes de entrar em coma.



Fonte: Ricardo Araujo Pereira @ visão

À porta fechada, fechadíssima, por favor, IPDJ!

A melhor coisa que podia acontecer ao Benfica era o jogo com o Porto ser à porta fechada. Explicações, não sei dar. É só a intuição a falar. E, nestas como em outras matérias, a intuição é que sabe. Assim sendo, uma vez mais, cá vai: a melhor coisa que de longe poderia acontecer ao Benfica era ver-se condenado a disputar o seu jogo com o Porto à porta fechada. E é exactamente por esta razão, por ser a melhor coisa que podia acontecer ao Benfica, que tal coisa não vai acontecer. Não é porque não haja coragem política ou desportiva para fechar o Estádio da Luz ao público por um ou dois ou três jogos ou mesmo por uma década. Há. Dessa coragem há. Não há é da outra. E porquê? Olhem, porque, quer interna quer externamente, o que o Benfica se arriscava a ganhar no presente, no futuro imediato e no longínquo se o seu jogo com o Porto fosse à porta fechada, compensá-lo-ia com abundância de todos estes pequenos e tão transitórios incómodos.
O próprio presidente do Porto, que ainda saberá prestar atenção ao seu instinto, tem abordado a situação em modo tremeliques. Ouçam-no bem. "Ainda bem que o jogo não vai ser à porta fechada porque o futebol é um espectáculo para ser vivido pelos adeptos", disse aos jornalistas sem nada que se parecesse com a ironia do costume. Carrega, IPDJ! Coragem, IPDJ! Atrevam-se lá a desmentir o velhote!
Durou escassos 14 minutos o serviço inaugural de Jardel como 1.º capitão do Benfica. O serviço foi interrompido porque Jardel se magoou num pé e teve de ser substituído por um companheiro estreante nestas responsabilidades, muito estreante mesmo como se acabaria por constatar. Jardel era o sub-capitão do Benfica até ao dia, no princípio desta semana, em que Luisão anunciou a retirada. Agora o Benfica não tem Luisão, não tem Jardel e não tem Conti para o seu próximo compromisso caseiro. O soldado desconhecido Lema dará certamente conta do recado para espanto de toda a gente. E até Luisão, depois de gozar uma semana e meia de reforma, poderá voltar ao trabalho para fazer uma perninha no clássico. E que perninha.
Esta direcção da Liga de Clubes revela-se tal-qual uma nulidade. Ou talvez não. Talvez seja de uma benevolência descabida qualificar como nulidade um órgão que se demite das suas responsabilidades mais básicas. Por exemplo, as de velar pelo bom nome das competições profissionais organizadas sob a sua égide. Permanentemente e pelas vias oficiais, vai-se assistindo desde o arranque das provas da corrente temporada, que ainda vai no adro, a uma troca de insultos e de insinuações entre os dois emblemas que por cá costumam disputar os títulos principais. Como não podia deixar de ser, é a arbitragem o foco de todas acusações, denúncias e chorares lancinantes. A direcção da Liga faz ouvidos de mercador e, inquestionada, lá vai mantendo a pose de pechisbeque. É isto ou é má consciência? É má consciência.
E o que choveu em Chaves? Até parecia mentira.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

Os coninhas que escondem as pilas

Ah! Oh! Mas que surpresa tão grande! Então não é que a Fundação de Serralves resolveu expor certas fotografias consideradas chocantes numa sala reservada a maiores de 18 anos, quando a tradição, nos museus, é colocar apenas um aviso e deixar ao critério das pessoas a decisão de visitar ou não visitar a exposição? Não me digam que anda por aí uma vaga de moralismo puritano que deseja proteger os cidadãos inocentes de imagens que chocam, canções que indispõem e palavras que fazem dói-dói. Não posso acreditar. Fazia-nos falta, aos surpreendidos, um pastor Martin Niemöller moderno, que descrevesse com eloquência a nossa surpresa, escrevendo: “Primeiro vieram pelo Mark Twain e pela Harper Lee, mas eu não falei – porque também achava que aquela palavra era um bocadinho desagradável. Depois vieram pelo Balthus, mas eu não falei – porque realmente havia uma sexualização extremamente nociva. Depois vieram pelo ‘Hilas e as Ninfas’, mas eu não falei – porque a curadora, coitada, até tinha boas intenções. Quando vieram pelas pilas do Mapplethorpe, finalmente tive tomates – mas já era tarde.”

Talvez seja melhor explicar, esperando que ninguém fique chocado com o relato dos factos extremamente chocantes: a exposição de Robert Mapplethorpe em Serralves inclui fotografias de, digamos, pilas. E de pessoas que têm coisas enfiadas no, por assim dizer, rabo. Numa primeira fase, a Fundação proibiu que certas fotos fossem vistas por menores de 18. Depois, permitiu a entrada de menores, desde que acompanhados pelos pais ou tutores. A favor da Fundação, devo dizer que suspeito de que um jovem de 13 anos, por exemplo, fique chocado com aquelas fotos. E exprima esse choque dizendo: “Isto é parecido com uma coisa que vi há dias no YouPorn, mas esteticamente mais sofisticado e interessante.”

É o choque natural de quem contacta com experiências artísticas.


O mais surpreendente neste caso talvez seja o seguinte: um museu português recebe uma exposição de um artista homossexual com imagens sexualmente explícitas, o que excita pruridozinhos puritanos – e, no entanto, a igreja não disse uma palavra. Eu ainda sou do tempo em que quem fazia esta figura eram bispos. Enfim, vivemos numa sociedade livre e aberta e certos sacerdotes já se conformaram com a derrota. Mas outros ainda estrebucham.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

Empates-morais, sinais de respeito e outras coisas mais

O Benfica atingiu uma marca impressionante. Foi a 8.ª derrota consecutiva da equipa de Rui Vitória na Liga dos Campeões. É obra. As 6 derrotas da tristíssima campanha de 2017/18 seguiram-se à goleada sofrida em Dortmund no jogo da 2.ª mão dos oitavos-de-final da edição de 2016/17 e, nesta quarta-feira, acontecendo o jogo com o Bayern Munique aconteceu a última derrota desta série intolerável tendo em conta os supostos pergaminhos europeus do clube e a prosápia geral da casa no que a esta matéria diz respeito.
São, no entanto, extraordinariamente pacientes os adeptos do Benfica. Por exemplo, o treinador mais criticado no fim do jogo com os campeões da Alemanha não foi Rui Vitória mas, sim, Niko Kovac. Não por ter tomado conta do jogo e da manobra dos donos da casa como e quando quis à boa maneira de um forasteiro prepotente mas, imagine-se, por não ter substituído Renato Sanches nos instantes finais do desafio de modo a permitir que o ex-benfiquista recebesse, pela segunda vez na mesma noite, a estrondosa ovação que lhe seria devida.
"Sacana de treinador, vê-se logo que é alemão, que falta de sentimento…", foram os protestos que campearam pelas bancadas da Luz mal o árbitro espanhol deu por encerrada a sessão. O facto de Kovac ser mais croata do que alemão nem sequer foi relevante perante a indignação da plateia. Sem grandes motivos para aplaudir os seus, a multidão da casa, tendo pago ingresso, queria aplaudir Renato considerando-o ainda um bocadinho como "seu" ou, enfim, considerando-o como a coisa mais parecida, entre todas as coisas que estiveram em campo, com um jogador do Benfica.
Houve muitas crianças que, no fim do jogo, regressaram a suas casas convencidas de que o resultado tinha sido um honroso 1-1 construído com um golo de Lewandowski para os alemães e com um golo de Renato Sanches para nós. E houve um considerável número de espectadores adultos que também regressaram a suas casas com idêntica opinião. São as liberdades interpretativas que, felizmente, se concedem ao público de todas as idades. Mas a verdade é que foi muito especial aquele momento em que o estádio ressoou numa formidável ovação a Renato Sanches não por ter marcado um golo ao Benfica mas por não o ter celebrado em sinal de respeito. E o respeito é sempre muito bonito de se ver. O respeito marca.
Aliás, não foi só o público que sentiu a particularidade daquele raro instante amoroso. Toda a equipa bávara sentiu o mesmo e não houve jogador que não o referisse no pós-match. O Benfica, de facto, não ficou a dever um empate-moral a Renato Sanches mas talvez lhe tenha ficado a dever a condescendência e a bondade da exibição do Bayern Munique depois dos 2-0. "Já chega", terão pensado os campeões da Alemanha em sinal de respeito pelos adeptos mais amáveis da Europa. E foi por isso que o resultado ficou por ali."



Fonte: Leonor Pinhão @ record

quarta-feira, outubro 10, 2018

Runaway - Del Shannon



As I walk along I wonder
what went wrong with our love
a love that was so strong
And as I still walk on I think of
the things we've done together
while our hearts were young

I'm a-walkin' in the rain
tears are fallin' and I feel the pain
Wishin' you were here by me
to end this misery
And I wonder, I wo-wo-wo-wo-wonder
Why, why-why-why-why-why she ran away
And I wonder, where she will stay
My little runaway, run-run-run-run runaway


Tema: Runaway 
Artista : Del Shannon



quinta-feira, setembro 20, 2018

Não há machadinha que corte a raiz ao pensamento

Às vezes decido acabar uma SMS escrevendo: “Um abraço do Ricardo.” Sucede que, sempre que começo a escrever o meu nome, o telefone sugere a palavra “ridículo”. Até hoje nunca aceitei a sugestão, mas o telefone mantém a convicção de que eu deveria despedir-me dizendo: “Um abraço do Ridículo.” Portanto, confirma-se: os smartphones conhecem-nos mesmo muito bem. Não é difícil. O facto de andar sempre comigo, dentro da algibeira, e de assistir às minhas pesquisas no Google, faz com que o telefone adquira uma ideia bastante precisa acerca de quem eu sou. Ridículo é um resumo muito perspicaz. Ainda assim, há alguns pormenores que o telefone desconhece – e que ajudariam a compor e reforçar este retrato. Permitam-me que vos revele um deles, para edificação de todos.

Quando, nas aulas de latim, foi preciso aprender a primeira declinação, o professor dispôs os casos pela ordem do costume (nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo, ablativo) e depois escreveu as terminações (singular: a, a, am, ae, ae, a; plural: ae, ae, as, arum, is, is). E então ocorreu-me que um bom modo de memorizar as desinências seria recitá-las ao som da música infantil A Machadinha. Foi o que fiz. A, a, am, era o início da cantiga. Ae, ae, a, correspondia ao verso “minha machadinha”. E por aí fora. Resultou. Entre a primeira declinação e a Machadinha não havia outra semelhança a não ser o facto de uma começar por “A, a, a” e outra por “a, a, am”. Ambas eram difíceis de compreender: eu estranhava igualmente que, por um lado, as palavras tivessem uma forma diferente consoante a função que desempenhavam na frase e, por outro, que alguém quisesse cantar sobre uma machadinha que, não se sabia bem como, saltava para o meio da rua. A voz feminina que cantava na Machadinha acabava a dizer que havia de ir à roda escolher o seu par, que era um rapazinho chamado José. O verso seguinte dizia: “Chamado José, chamado João.” Tratava-se, portanto, de um rapazinho que, como as palavras na língua latina, mudava de designação com facilidade. Resumindo, quando o professor me perguntava pela forma da palavra rosa no genitivo plural, eu cantava mentalmente a Machadinha até à parte “quem te pôs a mão sabendo” e respondia “rosarum”. O professor, desconhecendo o logro que decorria à sua frente, dizia “muito bem”. Mas eu não conseguia evitar corar um bocadinho. E foi assim que estudei latim. Um abraço para todos do Ridículo.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

segunda-feira, setembro 17, 2018

As tais coisas que acontecem na nossa terra



Na imagem que ilustra esta crónica vê-se claramente visto um senhor bombeiro conversando agarrado ao telemóvel (com a mão esquerda), enquanto, agarrado a uma cana de pesca (com a mão direita), procura observar minuciosamente, no meio da fumarada, o funcionamento dos artefactos do festival legalizado de pirotecnia que abrilhantou o dérbi de maio em Alvalade.

O senhor bombeiro vira e revira os artefactos com a ponta da cana de pesca para não se queimar e também para não estragar o espectáculo e lá vai conversando, ao mesmo tempo, com a Protecção Civil de quem recebe instruções concretas: terá de verificar todas as tochas que foram artisticamente disparadas para o relvado, observar-lhes a cor de origem, interrogá-las, uma a uma, exigindo-lhes a apresentação do alvará emitido pelo Instituto Português dos Desportos e da Juventude e do Ver Se Te Avias. Concluídos os procedimentos legais e superiormente confirmada a legalidade dos artefactos artísticos, lá se prosseguiu com a função daquela noite como se nada de raro se tivesse passado. E não se passou nada de raro. Nem de condenável. São as tais coisas que acontecem na nossa terra
O sufrágio do último sábado colocou ponto final no francamente exagerado período de turbulência institucional no Sporting. Apurados os resultados, clarificou-se a situação e dissiparam-se as dúvidas que eram mais do que muitas, eram imensas. Ficou, assim, tudo explicadinho acabando-se pela força do voto com os "alegadamentes" e com as "putativas" mais os "putativos": Bruno de Carvalho é, de facto, o ex-presidente do Sporting, Frederico Varandas é, de facto, o atual presidente do Sporting, José Sousa Cintra será, mais cedo ou mais tarde, o presidente honorário do Sporting e João Benedito será, mais cedo ou mais tarde, o próximo presidente de facto do Sporting.
Quanto a José Maria Ricciardi, que foi durante anos a fio titular do cargo de ‘presidente-sombra’ de facto do clube, acabando por sofrer nas urnas uma gritante penalização com que poucos contavam, a começar pelo próprio Ricciardi, viu-se democraticamente despojado da insondável posição de ‘presidente’ e passou a ser, apenas, ‘sombra’ porque lhe aconteceu não colher votos que lhe sustentassem o anterior e singular duplo estatuto. Coisas que acontecem.
Acusado pelo Ministério Público de corromper funcionários judiciais a troco de bilhetes para a bola e de camisolas do Benfica, Paulo Gonçalves estará de saída do cargo que ocupou na SAD da Luz. Gonçalves irá defender-se fora do Benfica de tudo o que pesa sobre a sua honorabilidade. Elementar. Aliás, coisa mais elementar do que esta não há.
Recebendo esta noite o Rio Ave, o Benfica entra em acção na Taça da Liga onde, na temporada passada, fez uma pequeníssima figura. Espalhou-se ao comprido, é verdade, e logo na temporada em que a Taça da Liga, por milagre, passou a ser importante e considerada. Coisas…



Fonte : Leonor Pinhão @ record

sexta-feira, setembro 14, 2018

Hora essa

Quando se soube que a Comissão  Europeia ia propor o fim da mudança da hora tive, mais uma vez, uma sensação de conforto e segurança. É muito bom saber que, enquanto eu vivo de forma inconsciente e despreocupada, há gente responsável, num gabinete de Bruxelas, a operar as transformações de que o mundo precisa. Além disso, esta proposta vem ao encontro da minha perspectiva sobre a vida. Com o fim da mudança da hora, no inverno o dia nasce às 9 da manhã, e eu sempre disse que 9 da manhã é madrugada. Talvez agora me compreendam.

A regulamentação do calibre das frutas foi um primeiro passo para vivermos uma vida melhor e mais civilizada. Nunca mais tivemos de passar pela experiência traumática de comprar uma maçã de diâmetro irregular. Mas continuava a ser perturbador adquirir maçãs regulamentares às 9 da manhã no inverno. Havia demasiada luz. Por isso, e concretizando certamente um sonho de Jean Monnet, a União Europeia vai intervir no sentido de acabar com a mudança da hora.
Talvez seja injusto atribuir a responsabilidade desta medida exclusivamente à União Europeia.

As notícias sobre o assunto dizem que, e cito: “A maioria dos europeus quer acabar com a mudança da hora.” Fui então investigar em que consulta popular é que a maioria dos europeus exprimiu este desejo e descobri que a União Europeia fez um inquérito na internet em que participaram 4,6 milhões de cidadãos dos 28 Estados-membros, 3 milhões dos quais eram alemães. Tendo a União Europeia 508 milhões de habitantes, 4,6 milhões corresponde a menos de 1% da população. Sucede então que a maioria de uma esmagadora minoria de cidadãos deseja que, em Janeiro, o dia amanheça às 9. Não sei quantos dos 508 milhões de habitantes da União Europeia trabalham no ramo da electricidade, dos candeeiros e das lanternas, mas suspeito que o número ande à volta dos 4,6 milhões.


Pessoalmente, a alteração vai causar-me algum transtorno. A mudança da hora constituía uma excelente desculpa para chegar atrasado. Com jeito, conseguia esticar a desculpa durante uma ou duas semanas. “Fiz confusão porque ainda não mudei o relógio do carro”, por exemplo, era um clássico muito eficaz. Enfim, é mais uma tradição antiga  que se perde em nome do progresso. Ao menos  sabemos que é por uma boa causa.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

segunda-feira, setembro 10, 2018

Crónica futurística: exílio do Benfica e o país em 2022

Oito de Setembro de 2022. Cumpre-se hoje a 4.ª jornada do campeonato espanhol e o Benfica joga em Valladolid. São esperados 15 mil portugueses. É uma alegria para o comércio local e também para o clube anfitrião, que vê assim esgotada a lotação do Estádio José Zorrilla. O presidente da Real Federación Española de Fútbol tinha razão quando, no já distante verão de 2019, ao aceitar a inscrição do Benfica em La Liga, prometeu aos espanhóis que a presença do maior clube português teria reflexos importantes na indústria. E, de facto, assim tem acontecido, superando até as expectativas. Ainda há duas semanas, quando na 2.ª jornada foi o Benfica jogar no campo do Girona, nem os 1400 quilómetros que distam entre Lisboa e aquela cidade catalã impediram que uma multidão de benfiquistas enchesse o Estádio Montilivi para assistir a uma expressiva vitória do seu emblema e ao regresso de Jonas depois daquele aborrecido problema lombar.

'O Benfica trará maiores benefícios ao futebol espanhol do que aqueles que o Mónaco empresta ao campeonato francês ou mesmo dos que os clubes de Israel emprestam às competições organizadas pela UEFA', disse na altura o presidente da RFEF. Na altura ninguém o levou a sério e a novidade foi até recebida com foros de excentricidade internacionalista. Mas, logo na primeira época em que o Benfica jogou em La Liga 2019/20, os índices da sua presença foram altamente satisfatórios. Aumentaram as assistências no estádios e as receitas dos operadores televisivos espanhóis, aumentaram as tiragens dos jornais 'As' e 'Marca', que passaram a vender-se nos quiosques das cidades portuguesas, aumentaram as receitas do comércio local por todo o país vizinho e aumentou a cotação dos jogadores do Benfica que, jogando no campeonato espanhol, passaram a ter uma visibilidade de mercado inatingível em Portugal.

A economia portuguesa é que tem sofrido um bocado com esta proscrição. A cada segunda-feira, milhares e milhares de cidadãos nacionais comparecem nos seus postos de trabalho extenuados pelos milhares de quilómetros que percorrem na Ibéria ao fim de semana para apoiar o Glorioso. O impacto desta situação por cá e já um caso sociológico: o campeonato português, coitado, é uma miséria total, o Record, 'A Bola' e 'O jogo' fundiram-se num só título e as estações de televisão passaram a transmitir nas suas noites uma programação toda virada para a ópera italiana, para a cartomancia e para a jardinagem. A águia Vitória foi fuzilada em directo - o que levantou algumas objecções dos ambientalistas internacionais - e encontram-se actualmente empalhada no gabinete de uma pessoa importante. Hoje, no Seixal vivem apenas a Madonna mais os filhos e todos aqueles relvados foram transformados num acampamento para lisboetas despejados de suas casas pela pressão imobiliária. Muito mais do que um clube, o Benfica é uma obra social. Y olé!"



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, setembro 08, 2018

Parque de campismo da Portela

Enquanto não sai um novo e muito necessário guia do viajante português, já adaptado às novas dificuldades criadas pelo turismo, avanço aqui com alguns conselhos úteis para os cidadãos que ainda pretendam utilizar o Aeroporto Internacional de Lisboa neste período de férias. Em primeiro lugar, continua a ser importante não esquecer o passaporte mas também a tenda. A tenda vai ser útil para descansar – e, talvez, até pernoitar –, até ao momento de fazer o check-in. O melhor local para montar a tenda seria junto dos balcões, mas é muito improvável que consiga chegar lá sem escolta policial. O melhor é acampar junto dos táxis. Também essencial é levar uma esfregona. Entre a choradeira das crianças aborrecidas com a espera, dos turistas que chegam com atraso e de gente cujos voos são periodicamente adiados, há muitas poças de lágrimas que, se não forem limpas, podem gerar bastante humidade na sua tenda. Passageiros que levem dois ou três dispositivos pirotécnicos são tolerados e até bem recebidos porque, na eventualidade de conseguirem chegar à zona do raio X, é apenas humano querer soltar um ou dois foguetes. A partir daqui, é ajuizado levar um bom lote de mantimentos. Por causa do constante adiamento da hora de embarque, comida enlatada e outros alimentos não perecíveis são aconselhados. Para o período em que, já a bordo do avião, se aguarda pela autorização de partida, é conveniente levar uma boa biblioteca. Quem tenha recursos para isso e tiver empenho em investir na sua educação fará bem em levar consigo um professor, e conseguirá licenciar-se ainda antes de levantar voo. Os cursos de Filosofia e História, que requerem sossego e tempo para ler e reflectir, serão talvez os melhores. A chegada ao destino também requer tramitação complexa. O viajante deve aproveitar o tempo livre para preencher a candidatura ao subsídio de desemprego, uma vez que será despedido antes de voltar a Portugal. Os atrasos nos voos de regresso, motivados pela sobrelotação do aeroporto, obrigá-lo-ão a faltar a uma ou duas semanas de trabalho. O subsequente internamento numas termas, para recuperar do stress vivido no aeroporto, eleva para seis meses o período de inactividade. 

Boas férias!



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão



sábado, setembro 01, 2018

E este calor?

Haverá alguma característica especificamente portuguesa, que se possa identificar sem corrermos o risco de cair numa generalização grotesca?  A minha resposta, que não surpreenderá os leitores habituais desta coluna,  é: não faço a mínima ideia. Mas gostaria de arriscar um palpite. Se há traço que distingue o povo português dos outros é este: a gente gosta de comer e de falar sobre comida. Sendo duas coisas diferentes, na verdade são a mesma. A língua portuguesa tem um valor nutritivo que as outras não têm. Creio que  é possível engordar a falar de comida em português. Vai um chouricinho? E se amanhã fizéssemos uma bacalhauzada? Boa sorte a traduzir estas perguntas para inglês, francês ou alemão. Eles sabem (vagamente) o que é chouriço e bacalhau.  Mas nunca hão-de saber o que é um chouricinho  e uma bacalhauzada. Falar de comida, em português, enche. Já tenho tomado refeições com gente de outros países e nunca vi nada parecido. Numa mesa de portugueses, come-se, recordam-se refeições passadas e projectam-se refeições futuras.  E obtém-se tanto prazer da comida como da conversa sobre comida. Estamos a comer umas sardinhas mas alguém lembra aquela vez que comeu grande sopa de cação e depois conclui-se que o que ia bem ao jantar era uma cabidela.  A gente ama através da comida – e é um amor bruto, como o único amor que vale a pena. Dizemos coisas que, apesar de carinhosas, estão bastante próximas do universo do crime. Por exemplo: “Você não sai daqui sem provar este salpicão.” Isto é vocabulário de sequestrador. E, no entanto, é ternura.

Pelo contrário, a conversa sobre o tempo não tem interesse nenhum. É, digamos, intransitiva. Está calor, não está? Sim, e então? Ui, que frio. Nunca mais vem o tempo quente. Pois, pois.  Não há nada para acrescentar. Ninguém recorda uma tarde muito gira em que estavam 17 graus, nem diz a um amigo que não vai sair lá de casa sem sentir uma brisa quente que às vezes corre  no jardim. A única maneira de tornar interessante  uma conversa sobre o tempo (ou sobre outra  coisa qualquer) é acrescentar uma nota sobre comida. Está calor, não está? Está. Quando  as noites estão assim quentes, o que sabe bem  é uma saladinha de polvo.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

sábado, agosto 25, 2018

Modalidades - 2018/08/25

Sábado, 25 de Agosto de 2018
 - 11:00 - Futebol - SL Benfica -v- Vitória FC - Liga Revelação - Sub 23 - Jornada 2
 - 15:00 - Futsal - SL Benfica -v- Movistar Inter - Record Masters Cup - Ronda 1 
 - 16:00 - Futebol Feminino - Clube de Albergaria -v- SL Benfica - Amigável
 - 19:00 - Futebol - SL Benfica -v-Sporting CP - Liga NOS - Jornada 3 (BTV)

 Domingo, 26 de Agosto de 2018
 - 13:30 - Futsal - SL Benfica -v- Magnus Futsal - Record Masters Cup - Ronda 2 
 - 17:00 - Andebol - SL Benfica -v- Sporting CP - Supertaça - Final 
 - 18:00 - Futebol - SL Benfica B -v- CD Mafra - Segunda Liga - Jornada 3 (BTV)

Terça-Feira, 28 de Agosto de 2018
 - 18:00 - Futebol - Sporting CP -v- SL Benfica - Liga Revelação - Sub 23 - Jornada 3

Quarta-Feira, 29 de Agosto de 2018
 - 20:00 - Futebol - PAOK Salónica -v- SL Benfica - Liga dos Campeões - Jogo 2



Desporto de fim de semana - 2018/08/25

Futebol
Sábado, 2018/08/25
 - 12:30 - Wolverhampton -v- Manchester City - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 15:00 - Arsenal -v- West Ham - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 16:00 - Paris SG -v- Angers - Ligue 1 18/19 (11Sports 1)
 - 17:00 - Juventus -v- Lazio - Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 17:30 - Liverpool -v- Brighton & Hove Albion - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 19:00 - Benfica -v- Sporting - Liga NOS 18/19 (BTv)
 - 19:15 - Atlético Madrid -v- Rayo Vallecano - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)
 - 19:30 - Napoli -v- Milan - Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 21:15 - Valladolid -v- Barcelona - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)

Domingo, 2018/08/26
 - 00:00 - River Plate -v- Argentinos Juniors - Campeonato Argentino 2018/19 (SportTv3)
 - 13:30 - Watford -v- Crystal Palace - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 16:00 - Newcastle -v- Chelsea - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 16:00 - Bordeaux -v- Monaco - Ligue 1 18/19 (11Sports 1)
 - 17:00 - Borussia Dortmund -v- RB Leipzig - 1. Bundesliga 18/19 (11Sports 3)
 - 17:00 - Alverca -v- Fátima - Campeonato de Portugal SC 2018/19 (Online)
 - 17:15 - Espanyol -v- Valencia - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 2)
 - 18:00 - Benfica B -v- Mafra - Ledman LigaPro 18/19 (BTv)
 - 21:15 - Girona -v- Real Madrid - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 2)

Segunda-feira, 2018/08/27
 - 19:30 - Roma -v- Atalanta - Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 20:00 - Manchester United -v- Tottenham - Premier League 2018/19 (SportTv2)

Quarta-feira, 2018/08/29
 - 20:00 - PAOK -v- Benfica - Liga dos Campeões [Qual] 18/19 (TVI)
 - 23:30 - River Plate -v- Racing Club - Libertadores 2018 (SportTv2)

Quinta-feira, 2018/08/30
 - 01:45 - Corinthians -v- Colo-Colo - Libertadores 2018 (SportTv2)

Sexta-feira, 2018/08/31
 - 01:45 - Palmeiras -v- Cerro Porteño - Libertadores 2018 (SportTv2)
 - 19:30 - Milan -v- Roma - Serie A 2018/19 (SportTv2)



Formula 1
Domingo, 2018/08/26
 - 13:00 - Belgica - Johnnie Walker Belgian Grand Prix



Tenis
Domingo, 2018/08/26
 - WTA - Connecticut Open - New Haven, U.S.A.
 - ATP - Winston-Salem Open - Winston-Salem, NC, U.S.A.



Ver futebol: um desporto caro

Há 30 anos quase não havia futebol na televisão. Agora quase não há outra coisa. Naquela altura era preciso ouvir os relatos na rádio. Agora há canais de televisão que transmitem o jogo e outros que transmitem um jornalista a ver o jogo e a relatá-lo. Em breve, aposto, teremos outro canal a fazer o relato do canal que está a fazer o relato. Imagino que uma estação de baixo orçamento, que não tenha dinheiro para subscrever o canal que está a dar o jogo, passe a usar esta estratégia em breve: fazer o relato do relato. “Neste momento, o jornalista que está a ver o jogo diz que o Benfica está a atacar. Parece que a bola foi para fora. Diz que agora é pontapé de baliza.” É como se um vizinho nosso tivesse um vizinho que tem um vizinho que o deixa ver o jogo.

E há ainda os comentários ao futebol, os comentários aos comentários, as pessoas que assinalam o excesso de comentários, e as que, como eu, além de observarem tudo isto, ainda se observam a si mesmas a observar, imaginando assim obter algum tipo de salvação. Quando eu tinha 15 anos os jogos não eram transmitidos, salvo raríssimas excepções. Havia o Domingo Desportivo, que dava o resumo dos melhores momentos e às vezes nem isso porque, “por razões a que somos alheios, só foi possível captar os últimos instantes deste lance”. Agora vemos todos os jogos da primeira divisão, vários da segunda e alguns treinos. Além dos campeonatos estrangeiros e das competições internacionais. Parece que, neste momento, para ter acesso a todos os jogos, é preciso pagar mais ou menos 50 euros por mês, ou seja, 600 euros por ano. Há o campeonato inglês, que é o melhor do mundo. O espanhol, que é o segundo melhor. O italiano, onde joga Cristiano Ronaldo. O francês, que tem Leonardo Jardim. Entretanto, Paulo Sousa e Vítor Pereira estão na China. E ainda falta a Liga dos Campeões, claro. Os campeonatos mais obscuros foram ganhando os chamados “factores de interesse”. Um dos “factores de interesse” mais comuns é a presença de “jogadores bem conhecidos do futebol português”. Que “pontificam” em certas equipas. Assistir ao jogo da equipa chinesa em que “pontifica” um jogador “bem conhecido do futebol português” porque “actuou” no Estoril entre 2013 e 2015 é, de repente, uma absoluta necessidade. Não é ironia, estou mesmo curioso por saber o que fará Sebá ao serviço do Chongqing Lifan, clube em que pontifica. Já estou a poupar dinheiro para subscrever todos os canais.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão