quinta-feira, setembro 20, 2018

Não há machadinha que corte a raiz ao pensamento

Às vezes decido acabar uma SMS escrevendo: “Um abraço do Ricardo.” Sucede que, sempre que começo a escrever o meu nome, o telefone sugere a palavra “ridículo”. Até hoje nunca aceitei a sugestão, mas o telefone mantém a convicção de que eu deveria despedir-me dizendo: “Um abraço do Ridículo.” Portanto, confirma-se: os smartphones conhecem-nos mesmo muito bem. Não é difícil. O facto de andar sempre comigo, dentro da algibeira, e de assistir às minhas pesquisas no Google, faz com que o telefone adquira uma ideia bastante precisa acerca de quem eu sou. Ridículo é um resumo muito perspicaz. Ainda assim, há alguns pormenores que o telefone desconhece – e que ajudariam a compor e reforçar este retrato. Permitam-me que vos revele um deles, para edificação de todos.

Quando, nas aulas de latim, foi preciso aprender a primeira declinação, o professor dispôs os casos pela ordem do costume (nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo, ablativo) e depois escreveu as terminações (singular: a, a, am, ae, ae, a; plural: ae, ae, as, arum, is, is). E então ocorreu-me que um bom modo de memorizar as desinências seria recitá-las ao som da música infantil A Machadinha. Foi o que fiz. A, a, am, era o início da cantiga. Ae, ae, a, correspondia ao verso “minha machadinha”. E por aí fora. Resultou. Entre a primeira declinação e a Machadinha não havia outra semelhança a não ser o facto de uma começar por “A, a, a” e outra por “a, a, am”. Ambas eram difíceis de compreender: eu estranhava igualmente que, por um lado, as palavras tivessem uma forma diferente consoante a função que desempenhavam na frase e, por outro, que alguém quisesse cantar sobre uma machadinha que, não se sabia bem como, saltava para o meio da rua. A voz feminina que cantava na Machadinha acabava a dizer que havia de ir à roda escolher o seu par, que era um rapazinho chamado José. O verso seguinte dizia: “Chamado José, chamado João.” Tratava-se, portanto, de um rapazinho que, como as palavras na língua latina, mudava de designação com facilidade. Resumindo, quando o professor me perguntava pela forma da palavra rosa no genitivo plural, eu cantava mentalmente a Machadinha até à parte “quem te pôs a mão sabendo” e respondia “rosarum”. O professor, desconhecendo o logro que decorria à sua frente, dizia “muito bem”. Mas eu não conseguia evitar corar um bocadinho. E foi assim que estudei latim. Um abraço para todos do Ridículo.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

segunda-feira, setembro 17, 2018

As tais coisas que acontecem na nossa terra



Na imagem que ilustra esta crónica vê-se claramente visto um senhor bombeiro conversando agarrado ao telemóvel (com a mão esquerda), enquanto, agarrado a uma cana de pesca (com a mão direita), procura observar minuciosamente, no meio da fumarada, o funcionamento dos artefactos do festival legalizado de pirotecnia que abrilhantou o dérbi de maio em Alvalade.

O senhor bombeiro vira e revira os artefactos com a ponta da cana de pesca para não se queimar e também para não estragar o espectáculo e lá vai conversando, ao mesmo tempo, com a Protecção Civil de quem recebe instruções concretas: terá de verificar todas as tochas que foram artisticamente disparadas para o relvado, observar-lhes a cor de origem, interrogá-las, uma a uma, exigindo-lhes a apresentação do alvará emitido pelo Instituto Português dos Desportos e da Juventude e do Ver Se Te Avias. Concluídos os procedimentos legais e superiormente confirmada a legalidade dos artefactos artísticos, lá se prosseguiu com a função daquela noite como se nada de raro se tivesse passado. E não se passou nada de raro. Nem de condenável. São as tais coisas que acontecem na nossa terra
O sufrágio do último sábado colocou ponto final no francamente exagerado período de turbulência institucional no Sporting. Apurados os resultados, clarificou-se a situação e dissiparam-se as dúvidas que eram mais do que muitas, eram imensas. Ficou, assim, tudo explicadinho acabando-se pela força do voto com os "alegadamentes" e com as "putativas" mais os "putativos": Bruno de Carvalho é, de facto, o ex-presidente do Sporting, Frederico Varandas é, de facto, o atual presidente do Sporting, José Sousa Cintra será, mais cedo ou mais tarde, o presidente honorário do Sporting e João Benedito será, mais cedo ou mais tarde, o próximo presidente de facto do Sporting.
Quanto a José Maria Ricciardi, que foi durante anos a fio titular do cargo de ‘presidente-sombra’ de facto do clube, acabando por sofrer nas urnas uma gritante penalização com que poucos contavam, a começar pelo próprio Ricciardi, viu-se democraticamente despojado da insondável posição de ‘presidente’ e passou a ser, apenas, ‘sombra’ porque lhe aconteceu não colher votos que lhe sustentassem o anterior e singular duplo estatuto. Coisas que acontecem.
Acusado pelo Ministério Público de corromper funcionários judiciais a troco de bilhetes para a bola e de camisolas do Benfica, Paulo Gonçalves estará de saída do cargo que ocupou na SAD da Luz. Gonçalves irá defender-se fora do Benfica de tudo o que pesa sobre a sua honorabilidade. Elementar. Aliás, coisa mais elementar do que esta não há.
Recebendo esta noite o Rio Ave, o Benfica entra em acção na Taça da Liga onde, na temporada passada, fez uma pequeníssima figura. Espalhou-se ao comprido, é verdade, e logo na temporada em que a Taça da Liga, por milagre, passou a ser importante e considerada. Coisas…



Fonte : Leonor Pinhão @ record

sexta-feira, setembro 14, 2018

Hora essa

Quando se soube que a Comissão  Europeia ia propor o fim da mudança da hora tive, mais uma vez, uma sensação de conforto e segurança. É muito bom saber que, enquanto eu vivo de forma inconsciente e despreocupada, há gente responsável, num gabinete de Bruxelas, a operar as transformações de que o mundo precisa. Além disso, esta proposta vem ao encontro da minha perspectiva sobre a vida. Com o fim da mudança da hora, no inverno o dia nasce às 9 da manhã, e eu sempre disse que 9 da manhã é madrugada. Talvez agora me compreendam.

A regulamentação do calibre das frutas foi um primeiro passo para vivermos uma vida melhor e mais civilizada. Nunca mais tivemos de passar pela experiência traumática de comprar uma maçã de diâmetro irregular. Mas continuava a ser perturbador adquirir maçãs regulamentares às 9 da manhã no inverno. Havia demasiada luz. Por isso, e concretizando certamente um sonho de Jean Monnet, a União Europeia vai intervir no sentido de acabar com a mudança da hora.
Talvez seja injusto atribuir a responsabilidade desta medida exclusivamente à União Europeia.

As notícias sobre o assunto dizem que, e cito: “A maioria dos europeus quer acabar com a mudança da hora.” Fui então investigar em que consulta popular é que a maioria dos europeus exprimiu este desejo e descobri que a União Europeia fez um inquérito na internet em que participaram 4,6 milhões de cidadãos dos 28 Estados-membros, 3 milhões dos quais eram alemães. Tendo a União Europeia 508 milhões de habitantes, 4,6 milhões corresponde a menos de 1% da população. Sucede então que a maioria de uma esmagadora minoria de cidadãos deseja que, em Janeiro, o dia amanheça às 9. Não sei quantos dos 508 milhões de habitantes da União Europeia trabalham no ramo da electricidade, dos candeeiros e das lanternas, mas suspeito que o número ande à volta dos 4,6 milhões.


Pessoalmente, a alteração vai causar-me algum transtorno. A mudança da hora constituía uma excelente desculpa para chegar atrasado. Com jeito, conseguia esticar a desculpa durante uma ou duas semanas. “Fiz confusão porque ainda não mudei o relógio do carro”, por exemplo, era um clássico muito eficaz. Enfim, é mais uma tradição antiga  que se perde em nome do progresso. Ao menos  sabemos que é por uma boa causa.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

segunda-feira, setembro 10, 2018

Crónica futurística: exílio do Benfica e o país em 2022

Oito de Setembro de 2022. Cumpre-se hoje a 4.ª jornada do campeonato espanhol e o Benfica joga em Valladolid. São esperados 15 mil portugueses. É uma alegria para o comércio local e também para o clube anfitrião, que vê assim esgotada a lotação do Estádio José Zorrilla. O presidente da Real Federación Española de Fútbol tinha razão quando, no já distante verão de 2019, ao aceitar a inscrição do Benfica em La Liga, prometeu aos espanhóis que a presença do maior clube português teria reflexos importantes na indústria. E, de facto, assim tem acontecido, superando até as expectativas. Ainda há duas semanas, quando na 2.ª jornada foi o Benfica jogar no campo do Girona, nem os 1400 quilómetros que distam entre Lisboa e aquela cidade catalã impediram que uma multidão de benfiquistas enchesse o Estádio Montilivi para assistir a uma expressiva vitória do seu emblema e ao regresso de Jonas depois daquele aborrecido problema lombar.

'O Benfica trará maiores benefícios ao futebol espanhol do que aqueles que o Mónaco empresta ao campeonato francês ou mesmo dos que os clubes de Israel emprestam às competições organizadas pela UEFA', disse na altura o presidente da RFEF. Na altura ninguém o levou a sério e a novidade foi até recebida com foros de excentricidade internacionalista. Mas, logo na primeira época em que o Benfica jogou em La Liga 2019/20, os índices da sua presença foram altamente satisfatórios. Aumentaram as assistências no estádios e as receitas dos operadores televisivos espanhóis, aumentaram as tiragens dos jornais 'As' e 'Marca', que passaram a vender-se nos quiosques das cidades portuguesas, aumentaram as receitas do comércio local por todo o país vizinho e aumentou a cotação dos jogadores do Benfica que, jogando no campeonato espanhol, passaram a ter uma visibilidade de mercado inatingível em Portugal.

A economia portuguesa é que tem sofrido um bocado com esta proscrição. A cada segunda-feira, milhares e milhares de cidadãos nacionais comparecem nos seus postos de trabalho extenuados pelos milhares de quilómetros que percorrem na Ibéria ao fim de semana para apoiar o Glorioso. O impacto desta situação por cá e já um caso sociológico: o campeonato português, coitado, é uma miséria total, o Record, 'A Bola' e 'O jogo' fundiram-se num só título e as estações de televisão passaram a transmitir nas suas noites uma programação toda virada para a ópera italiana, para a cartomancia e para a jardinagem. A águia Vitória foi fuzilada em directo - o que levantou algumas objecções dos ambientalistas internacionais - e encontram-se actualmente empalhada no gabinete de uma pessoa importante. Hoje, no Seixal vivem apenas a Madonna mais os filhos e todos aqueles relvados foram transformados num acampamento para lisboetas despejados de suas casas pela pressão imobiliária. Muito mais do que um clube, o Benfica é uma obra social. Y olé!"



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, setembro 08, 2018

Parque de campismo da Portela

Enquanto não sai um novo e muito necessário guia do viajante português, já adaptado às novas dificuldades criadas pelo turismo, avanço aqui com alguns conselhos úteis para os cidadãos que ainda pretendam utilizar o Aeroporto Internacional de Lisboa neste período de férias. Em primeiro lugar, continua a ser importante não esquecer o passaporte mas também a tenda. A tenda vai ser útil para descansar – e, talvez, até pernoitar –, até ao momento de fazer o check-in. O melhor local para montar a tenda seria junto dos balcões, mas é muito improvável que consiga chegar lá sem escolta policial. O melhor é acampar junto dos táxis. Também essencial é levar uma esfregona. Entre a choradeira das crianças aborrecidas com a espera, dos turistas que chegam com atraso e de gente cujos voos são periodicamente adiados, há muitas poças de lágrimas que, se não forem limpas, podem gerar bastante humidade na sua tenda. Passageiros que levem dois ou três dispositivos pirotécnicos são tolerados e até bem recebidos porque, na eventualidade de conseguirem chegar à zona do raio X, é apenas humano querer soltar um ou dois foguetes. A partir daqui, é ajuizado levar um bom lote de mantimentos. Por causa do constante adiamento da hora de embarque, comida enlatada e outros alimentos não perecíveis são aconselhados. Para o período em que, já a bordo do avião, se aguarda pela autorização de partida, é conveniente levar uma boa biblioteca. Quem tenha recursos para isso e tiver empenho em investir na sua educação fará bem em levar consigo um professor, e conseguirá licenciar-se ainda antes de levantar voo. Os cursos de Filosofia e História, que requerem sossego e tempo para ler e reflectir, serão talvez os melhores. A chegada ao destino também requer tramitação complexa. O viajante deve aproveitar o tempo livre para preencher a candidatura ao subsídio de desemprego, uma vez que será despedido antes de voltar a Portugal. Os atrasos nos voos de regresso, motivados pela sobrelotação do aeroporto, obrigá-lo-ão a faltar a uma ou duas semanas de trabalho. O subsequente internamento numas termas, para recuperar do stress vivido no aeroporto, eleva para seis meses o período de inactividade. 

Boas férias!



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão



sábado, setembro 01, 2018

E este calor?

Haverá alguma característica especificamente portuguesa, que se possa identificar sem corrermos o risco de cair numa generalização grotesca?  A minha resposta, que não surpreenderá os leitores habituais desta coluna,  é: não faço a mínima ideia. Mas gostaria de arriscar um palpite. Se há traço que distingue o povo português dos outros é este: a gente gosta de comer e de falar sobre comida. Sendo duas coisas diferentes, na verdade são a mesma. A língua portuguesa tem um valor nutritivo que as outras não têm. Creio que  é possível engordar a falar de comida em português. Vai um chouricinho? E se amanhã fizéssemos uma bacalhauzada? Boa sorte a traduzir estas perguntas para inglês, francês ou alemão. Eles sabem (vagamente) o que é chouriço e bacalhau.  Mas nunca hão-de saber o que é um chouricinho  e uma bacalhauzada. Falar de comida, em português, enche. Já tenho tomado refeições com gente de outros países e nunca vi nada parecido. Numa mesa de portugueses, come-se, recordam-se refeições passadas e projectam-se refeições futuras.  E obtém-se tanto prazer da comida como da conversa sobre comida. Estamos a comer umas sardinhas mas alguém lembra aquela vez que comeu grande sopa de cação e depois conclui-se que o que ia bem ao jantar era uma cabidela.  A gente ama através da comida – e é um amor bruto, como o único amor que vale a pena. Dizemos coisas que, apesar de carinhosas, estão bastante próximas do universo do crime. Por exemplo: “Você não sai daqui sem provar este salpicão.” Isto é vocabulário de sequestrador. E, no entanto, é ternura.

Pelo contrário, a conversa sobre o tempo não tem interesse nenhum. É, digamos, intransitiva. Está calor, não está? Sim, e então? Ui, que frio. Nunca mais vem o tempo quente. Pois, pois.  Não há nada para acrescentar. Ninguém recorda uma tarde muito gira em que estavam 17 graus, nem diz a um amigo que não vai sair lá de casa sem sentir uma brisa quente que às vezes corre  no jardim. A única maneira de tornar interessante  uma conversa sobre o tempo (ou sobre outra  coisa qualquer) é acrescentar uma nota sobre comida. Está calor, não está? Está. Quando  as noites estão assim quentes, o que sabe bem  é uma saladinha de polvo.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ Visão

sábado, agosto 25, 2018

Modalidades - 2018/08/25

Sábado, 25 de Agosto de 2018
 - 11:00 - Futebol - SL Benfica -v- Vitória FC - Liga Revelação - Sub 23 - Jornada 2
 - 15:00 - Futsal - SL Benfica -v- Movistar Inter - Record Masters Cup - Ronda 1 
 - 16:00 - Futebol Feminino - Clube de Albergaria -v- SL Benfica - Amigável
 - 19:00 - Futebol - SL Benfica -v-Sporting CP - Liga NOS - Jornada 3 (BTV)

 Domingo, 26 de Agosto de 2018
 - 13:30 - Futsal - SL Benfica -v- Magnus Futsal - Record Masters Cup - Ronda 2 
 - 17:00 - Andebol - SL Benfica -v- Sporting CP - Supertaça - Final 
 - 18:00 - Futebol - SL Benfica B -v- CD Mafra - Segunda Liga - Jornada 3 (BTV)

Terça-Feira, 28 de Agosto de 2018
 - 18:00 - Futebol - Sporting CP -v- SL Benfica - Liga Revelação - Sub 23 - Jornada 3

Quarta-Feira, 29 de Agosto de 2018
 - 20:00 - Futebol - PAOK Salónica -v- SL Benfica - Liga dos Campeões - Jogo 2



Desporto de fim de semana - 2018/08/25

Futebol
Sábado, 2018/08/25
 - 12:30 - Wolverhampton -v- Manchester City - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 15:00 - Arsenal -v- West Ham - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 16:00 - Paris SG -v- Angers - Ligue 1 18/19 (11Sports 1)
 - 17:00 - Juventus -v- Lazio - Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 17:30 - Liverpool -v- Brighton & Hove Albion - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 19:00 - Benfica -v- Sporting - Liga NOS 18/19 (BTv)
 - 19:15 - Atlético Madrid -v- Rayo Vallecano - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)
 - 19:30 - Napoli -v- Milan - Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 21:15 - Valladolid -v- Barcelona - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 1)

Domingo, 2018/08/26
 - 00:00 - River Plate -v- Argentinos Juniors - Campeonato Argentino 2018/19 (SportTv3)
 - 13:30 - Watford -v- Crystal Palace - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 16:00 - Newcastle -v- Chelsea - Premier League 2018/19 (SportTv2)
 - 16:00 - Bordeaux -v- Monaco - Ligue 1 18/19 (11Sports 1)
 - 17:00 - Borussia Dortmund -v- RB Leipzig - 1. Bundesliga 18/19 (11Sports 3)
 - 17:00 - Alverca -v- Fátima - Campeonato de Portugal SC 2018/19 (Online)
 - 17:15 - Espanyol -v- Valencia - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 2)
 - 18:00 - Benfica B -v- Mafra - Ledman LigaPro 18/19 (BTv)
 - 21:15 - Girona -v- Real Madrid - Liga Espanhola 18/19 (11Sports 2)

Segunda-feira, 2018/08/27
 - 19:30 - Roma -v- Atalanta - Serie A 2018/19 (SportTv3)
 - 20:00 - Manchester United -v- Tottenham - Premier League 2018/19 (SportTv2)

Quarta-feira, 2018/08/29
 - 20:00 - PAOK -v- Benfica - Liga dos Campeões [Qual] 18/19 (TVI)
 - 23:30 - River Plate -v- Racing Club - Libertadores 2018 (SportTv2)

Quinta-feira, 2018/08/30
 - 01:45 - Corinthians -v- Colo-Colo - Libertadores 2018 (SportTv2)

Sexta-feira, 2018/08/31
 - 01:45 - Palmeiras -v- Cerro Porteño - Libertadores 2018 (SportTv2)
 - 19:30 - Milan -v- Roma - Serie A 2018/19 (SportTv2)



Formula 1
Domingo, 2018/08/26
 - 13:00 - Belgica - Johnnie Walker Belgian Grand Prix



Tenis
Domingo, 2018/08/26
 - WTA - Connecticut Open - New Haven, U.S.A.
 - ATP - Winston-Salem Open - Winston-Salem, NC, U.S.A.



Ver futebol: um desporto caro

Há 30 anos quase não havia futebol na televisão. Agora quase não há outra coisa. Naquela altura era preciso ouvir os relatos na rádio. Agora há canais de televisão que transmitem o jogo e outros que transmitem um jornalista a ver o jogo e a relatá-lo. Em breve, aposto, teremos outro canal a fazer o relato do canal que está a fazer o relato. Imagino que uma estação de baixo orçamento, que não tenha dinheiro para subscrever o canal que está a dar o jogo, passe a usar esta estratégia em breve: fazer o relato do relato. “Neste momento, o jornalista que está a ver o jogo diz que o Benfica está a atacar. Parece que a bola foi para fora. Diz que agora é pontapé de baliza.” É como se um vizinho nosso tivesse um vizinho que tem um vizinho que o deixa ver o jogo.

E há ainda os comentários ao futebol, os comentários aos comentários, as pessoas que assinalam o excesso de comentários, e as que, como eu, além de observarem tudo isto, ainda se observam a si mesmas a observar, imaginando assim obter algum tipo de salvação. Quando eu tinha 15 anos os jogos não eram transmitidos, salvo raríssimas excepções. Havia o Domingo Desportivo, que dava o resumo dos melhores momentos e às vezes nem isso porque, “por razões a que somos alheios, só foi possível captar os últimos instantes deste lance”. Agora vemos todos os jogos da primeira divisão, vários da segunda e alguns treinos. Além dos campeonatos estrangeiros e das competições internacionais. Parece que, neste momento, para ter acesso a todos os jogos, é preciso pagar mais ou menos 50 euros por mês, ou seja, 600 euros por ano. Há o campeonato inglês, que é o melhor do mundo. O espanhol, que é o segundo melhor. O italiano, onde joga Cristiano Ronaldo. O francês, que tem Leonardo Jardim. Entretanto, Paulo Sousa e Vítor Pereira estão na China. E ainda falta a Liga dos Campeões, claro. Os campeonatos mais obscuros foram ganhando os chamados “factores de interesse”. Um dos “factores de interesse” mais comuns é a presença de “jogadores bem conhecidos do futebol português”. Que “pontificam” em certas equipas. Assistir ao jogo da equipa chinesa em que “pontifica” um jogador “bem conhecido do futebol português” porque “actuou” no Estoril entre 2013 e 2015 é, de repente, uma absoluta necessidade. Não é ironia, estou mesmo curioso por saber o que fará Sebá ao serviço do Chongqing Lifan, clube em que pontifica. Já estou a poupar dinheiro para subscrever todos os canais.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

quinta-feira, agosto 16, 2018

Partes da vida que não entram nos filmes

E isto é uma obra complicada, sr. Blofeld. Só em escadarias e plataformas, temos aqui trabalho para meses. Se não fosse o lago das piranhas e a ponte que tem o alçapão para matar inimigos e castigar funcionários incompetentes, eu tinha-lhe isto pronto para o Natal

– Isto agora só lá para Fevereiro, sr. Blofeld.

– Ó sr. Martins, o fim do prazo era Junho. Entretanto, já estamos em Agosto. Agora diz-me que é Fevereiro?

– Há sempre imprevistos. Uma pessoa também não controla tudo, não é? Se não me chegam os materiais eu não consigo avançar com a obra.

– Sim, mas daqui a pouco estamos com um ano de atraso.

– E isto é uma obra complicada, sr. Blofeld. Só em escadarias e plataformas, temos aqui trabalho para meses. Se não fosse o lago das piranhas e a ponte que tem o alçapão para matar inimigos e castigar funcionários incompetentes, eu tinha-lhe isto pronto para o Natal.

– Como, se falta tanto? A sala de controlo ainda agora foi acabada e já está cheia de humidade. Tenho os painéis de instrumentos cheios de verdete.

– Pois, mas isso é muito simples: ou quer secretismos e aguenta a humidade ou abre uma boa janela e fica com isto arejado. As duas coisas é que não pode ser. A sala de controlo é abafada? É, sim senhor. Mas eu disse-lhe que era melhor lançar os foguetões lá fora. Você é que teimou que não. Não ouvem os técnicos, e depois é isto. Este já é o terceiro covil subterrâneo que eu faço para a SPECTRE e nunca tive problemas.

– Entretanto, o cheiro a enxofre não desaparece.

– Ah, mas isso, meu amigo: isto é um vulcão. Por mais ventilação que ponha aqui, vai-lhe cheirar sempre a enxofre. Há uns ambientadores bons, agora, com cheiro a lavanda. Experimente.


– Pois, mas seja como for eu assim não consigo dominar o mundo. Tenho os astronautas raptados desde Maio e não posso lançar os foguetões para provocar um conflito mundial, porque as rampas de lançamento não estão prontas.

– O meu cunhado diz que os alumínios chegam para a semana. Assim que eu tiver os alumínios, começo-lhe a fazer as rampas para os foguetões.

– A qualquer momento pode-me chegar aí o 007 e eu tenho um covil inacabado, os painéis de controlo avariados e tresanda a enxofre. Dá muito mau aspecto.

– O pior nem é se chega o 007. Se lhe aparece a vistoria da câmara é que você está tramado. As telas que nós enviámos têm metade da área disto.

– Antes de eles aparecerem fecha-se metade do covil com uma parede de pladur.

– Então tenho de encomendar isso. Preciso de mais um cheque.

– Passe lá no meu escritório e eu dou-lho. Vá mesmo por cima da ponte.

– E vou mesmo. As piranhas só chegam no fim do mês.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão 

sexta-feira, agosto 10, 2018

Exercícios De Discurso Político-Futebolístico

Repare no momento da aquisição em movimento lento: o prédio já estava em queda. O Ricardo Robles nem lhe tocou. É verdade que depois remodela, mas não há qualquer intenção de especular

– Sinceramente, não me parece penalty.

– Mas ainda há pouco, noutra área, considerou ilegal uma acção muito semelhante. Em Alfama não é igual?

– Não, são lances diferentes. Repare no momento da aquisição em movimento lento: o prédio já estava em queda. O Ricardo Robles nem lhe tocou. É verdade que depois remodela, mas não há qualquer intenção de especular.

– Não empurrou os inquilinos?

– Não. Há contacto, porque a actividade imobiliária é um desporto de contacto, mas tudo dentro da legalidade.

– Alguns inquilinos dizem que foram empurrados.

– Estão claramente a fazer teatro.

– Desculpe, mas parece-me que só diz isso porque o Ricardo Robles está vestido de vermelho. Se estivesse vestido de azul ou de laranja diria a mesma coisa?


– Sim, é claríssimo que não existe infracção. Um dos apartamentos era para a irmã. Só que, como a irmã afinal não regressou ao nosso país, os apartamentos foram colocados na Christie’s com o objectivo de serem vendidos para alojamento local.

– Só havia essas duas hipóteses?

– Sim. Só quem nunca jogou ao imobiliário é que pensa doutra maneira. Quem reabilita um prédio em zona histórica reserva um apartamento para a irmã, para que ela depois faça a gestão do arrendamento sensato e honesto das outras fracções. Ou então coloca o imóvel numa imobiliária de propriedades de luxo e tenta vender para alojamento local pelo quíntuplo do que o prédio custou. Não há mais nenhuma alternativa.

– Não é estranho que a irmã de Ricardo Robles invista um milhão de euros num prédio para depois vir habitar um apartamento que é menor do que uma sala?

– Sim. Gente rica faz coisas muito parvas, como aliás estamos fartos de assinalar. Mas este caso Ricardo Robles visa, no fundo, desviar as atenções de problemas que há noutros clubes, e que...

– Desculpe interromper. Dizem-me agora que Ricardo Robles acaba de se demitir.

– Sim, era inevitável. Vendo bem as imagens de outro ângulo, parece-me que o penalty é claro. Há aqui elementos que eu não tinha há dois minutos. É penalty, é. E dos graves. Ui, a maneira como ele entra a pés juntos num prédio da Segurança Social, provocando gentrificação. Isto é capaz de lesionar gravemente a cidade. Sim, sim. Penalty e vermelho directo. Sempre o disse, aliás.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

quinta-feira, agosto 02, 2018

Teste De História, 8º Ano, 2071

Quais dos memes com que o Irão respondeu ao tweet de Trump podem ter precipitado a III Guerra Mundial? Na resposta, cite alguns dos memes mais engraçados.

1. Qual dos tweets do presidente americano Donald Trump lhe parece ter tido mais impacto na história do Médio Oriente? Justifique.

2. Que rumo diferente poderia o mundo ter tomado se, em vez de Twitter, Trump tivesse Instagram?

3. Faça o mesmo exercício com o Hi5.

4. Às 4h24 da manhã do dia 23 de Julho de 2018, Trump tweetou a histórica mensagem toda em maiúsculas dirigida ao presidente do Irão: “NUNCA MAIS AMEACEM OS ESTADOS UNIDOS OU SOFRERÃO CONSEQUÊNCIAS QUE POUCOS AO LONGO DA HISTÓRIA TÊM SOFRIDO”.

a) Sabendo que escrever em maiúsculas, na internet, equivale a gritar, discuta o novo modelo de política externa que passou a ser conhecido como “diplomacia de taberna”;

b) O ano de 2020 ficou marcado pelos violentos protestos de proprietários e frequentadores de tabernas, contra a designação “diplomacia de taberna”. Comente;


c) 24 horas depois de ter sido escrito, o tweet tinha 310 mil likes e 103 mil retweets. Interprete, tendo em conta que o vídeo daquela senhora que foi comprar uma máscara do Chewbacca teve três milhões de partilhas, só no Facebook;

5. Reescreva a Declaração de Independência dos Estados Unidos em tweets. Tenha o cuidado de usar maiúsculas nos tweets mais ameaçadores para o rei.

6. Quais dos memes com que o Irão respondeu ao tweet de Trump podem ter precipitado a III Guerra Mundial? Na resposta, cite alguns dos memes mais engraçados.

7. Analise a imagem ao lado, que mostra uma notícia de 2021, intitulada: “Cinco coisas que o exército americano está a fazer em Teerão. Você não vai acreditar na terceira.” Discuta a cobertura da guerra após a substituição dos jornais por sites de lifestyle. Consulte, em anexo, as notícias “Os gifs mais engraçados sobre a invasão a Mashhad” e “A internet ficou maluca com os bíceps do carrasco, protagonista desta execução.”

8. As regras do Twitter dizem especificamente que são proibidas ameaças de violência. Destaque, no manual escolar “Tweets de Donald Trump anotados e comentados”, os dois tweets do presidente americano que não violaram as regras do Twitter.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

terça-feira, julho 31, 2018

Benfica sem tempo para perder tempo

Com um programa imponente para o mês de Agosto, o Benfica não tem realmente tempo para perder tempo na pré-temporada ou lá como chamam a este período estival. Por norma, a tal pré-temporada é uma fase única, amplamente consentida pelo patronato, em que os treinadores se vão dedicando a atividades de laboratório em lugares mais ou menos exóticos perante o beneplácito da imprensa, a benevolência dos adeptos e a curiosidade mórbida dos rivais. A estes luxos não se pôde entregar o Benfica este ano. Está a pouco mais de uma semana do seu primeiro jogo oficial da temporada, um desafio de importância maior - trata-se de chegar ou não chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões - e tem por adversário o Fenerbahçe da Turquia, que não sendo, nem de perto nem de longe, um papão do continente europeu é, ainda assim, uma grande e presumível chatice.

O presidente do clube turco chama-se Ali Koç e, usando a prerrogativa do optimismo desmesurado que pertence a todos os presidentes dos clubes de futebol, chamou alegremente à atenção para o facto de "este Benfica" que lhes saiu na rifa já não ser "o velho Benfica". Foi assim que foi entendido por cá, como uma provocaçãozinha, o seu discurso. Mas mal. Não quis o presidente do Fenerbahçe menorizar as capacidades do Benfica, com que se irá brevemente encontrar, só pelo prazer da picardia. O senhor Koç referia-se, e com carradas de razão, ao "velho Benfica" de Shéu, de Nené e Jordão que pespegou 7 golos ao Fenerbahçe numa inspirada quarta-feira europeia do distantíssimo ano de 1975, cabazada essa que, ainda hoje, deve provocar uma comoção, para não lhe chamar trauma, aos numerosos adeptos daquele emblema da cidade de Istambul. A cada um o seu Celta de Vigo.

Destinava-se, assim, a consumo interno a comparação deste Benfica - que não pespegará 7-0 a este Fenerbahçe - com o Benfica de há 43 anos que cometeu precisamente essa proeza. O senhor Koç falava para "dentro" do seu clube mas a verdade é que foram igualmente as suas considerações muito apreciadas no Estádio da Luz, não por reconhecimento da homenagem implícita a Shéu, Nené e Jordão, mas porque uma alfinetada destas, mesmo involuntária, espicaça sempre a equipa e sabe-se como é importante ter a equipa espicaçada nas grandes ocasiões. E nas pequenas também. Por vezes, há presidentes que julgando estar a falar para dentro dos seus clubes nem imaginam como estão, de facto, a falar para fora e com que impacto.

O próprio presidente do Benfica falando esta semana em Newark para uma plateia de benfiquistas afirmou ser o Benfica não um grande clube "mas um gigante". Falava para dentro do Benfica ou falava para fora do Benfica, Luís Filipe Vieira? Na realidade, falou exclusivamente para fora e não foi pelos motivos mais piedosos. Um gigante, pois… Fora, uma coisa destas irrita. Dentro, nem é preciso dizer, já toda a gente sabe disso há séculos.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

quinta-feira, julho 26, 2018

Paióis De Roçarem Ânsias Pela Minha Alma Em Ouro

Um aviãozinho militar atirou uma bomba ao ar. A que terra foi parar?” Esta pergunta tem sido feita vezes sem conta, mas não conheço quem saiba a resposta. Creio que este é o maior e mais antigo mistério militar português, seguido de muito perto pelo de Tancos. É possível que a bomba que o aviãozinho militar atirou ao ar tenha ido parar a Tancos, e é por isso que ninguém sabe dela. Talvez tenha sido roubada, ou mal inventariada, ou esteja esquecida por trás de algum caixote.

O caso de Tancos teve o grande mérito de introduzir na discussão pública a bonita palavra paiol, no plural: paióis. As rondas aos paióis, o assalto aos paióis, a visita do presidente aos paióis. Todos os apreciadores de poesia se lembraram imediatamente do segundo poema das Impressões do Crepúsculo, de Fernando Pessoa, que começa com a palavra “pauis” e fundou a corrente literária conhecida por paulismo. A minha proposta é o lançamento de um movimento estético parecido, chamado paiolismo. É inspirado no assalto aos paióis, evidentemente. E consegue agrupar várias características da portugalidade, como o absurdo quotidiano, a desorganização e a irresponsabilidade.


Para compreender o paiolismo é necessário fazer uma breve cronologia dos acontecimentos: primeiro, os paióis foram assaltados. Depois, ninguém sabia dizer exactamente o que é que tinha sido levado. A seguir, o ministro Azeredo Lopes (um extraordinário paiolista) disse que, “no limite, podia não ter havido furto nenhum”. Um mês depois de o ministro ter colocado a hipótese de não ter havido crime, os criminosos devolveram o material furtado. Duas semanas depois da devolução, descobriu-se que os ladrões tinham devolvido material a mais. Esta semana, soube-se que afinal devolveram material a menos. É muito provável que a história continue a desenrolar-se, até porque há várias teorias. Cada país tem o JFK que merece, e este é o nosso. 
Os americanos prenderam um homem que, ao que parece, não tinha nada a ver com o caso; nós optamos por não prender ninguém. Entre o método americano e o português, prefiro o nosso. Um inocente na cadeia é uma barbaridade. E, no nosso país, há dez milhões de inocentes. Meter-nos a todos na cadeia, além de bárbaro, é impossível



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

sábado, julho 21, 2018

Desporto de fim de semana - 2018/07/21

Futebol
Sábado, 2018/07/21
 - 15:05 - Bayern München -v- Paris SG - International Champions Cup 2018 (SportTv2)
 - 16:30 - Valencia -v- Galatasaray - Pré-Época 2018/19 (SportTv3)
 - 17:05 - Sevilla -v- Benfica - Pré-Época 2018/19 (SportTv1)

Domingo, 2018/07/22
 - 01:00 - São Paulo -v- Corinthians - Brasileirão 2018 (PFC)
 - 16:30 - Portugal -v- Finlândia - Euro U19 2018 (SportTv1)
 - 21:05 - Liverpool -v- Borussia Dortmund - International Champions Cup 2018 (SportTv2)

Terça-feira, 2018/07/24
 - 17:30 - Valencia -v- Lausanne-Sport - Pré-Época 2018/19 (SportTv3)

Quinta-feira, 2018/07/26
 - 00:05 - Juventus -v- Bayern München - International Champions Cup 2018 (SportTv2)
 - 01:05 - Borussia Dortmund -v- Benfica - International Champions Cup 2018 (SportTv1)
 - 01:05 - Manchester City -v- Liverpool - International Champions Cup 2018 (SportTv3)
 - 03:05 - Roma -v- Tottenham - International Champions Cup 2018 (SportTv2)
 - 04:05 - Milan -v- Manchester United - International Champions Cup 2018 (SportTv3)
 - 12:35 - Atlético Madrid -v- Arsenal - International Champions Cup 2018 (SportTv2)


Formula 1
Domingo, 2018/07/22
 - 13:00 - Alemanha - Hockenheim

quinta-feira, julho 19, 2018

Terrorismo sério e responsável

Quando se soube que o Al Shabaab, um grupo terrorista ligado à al-Qaeda, tinha proibido os sacos de plástico por serem perigosos para a humanidade, muita gente riu: assassinam pessoas e preocupam-se com a humanidade? Ora, a pergunta não faz sentido. Primeiro, é bastante frequente que indivíduos muito bem-intencionados proponham soluções grotescas, restrições da liberdade, homicídios. É precisamente por serem tão bonzinhos que se acham no direito de proibir, prender e matar. Em segundo lugar, não há nenhuma contradição entre odiar pessoas e amar a humanidade. São entidades diferentes. Pelas minhas contas, temos: pessoas, gente, povo e humanidade. O pior são as pessoas, claro, e o melhor é a humanidade.

As pessoas não fazem pisca no trânsito; a humanidade foi à Lua. A humanidade é tão digna que, muitas vezes, aparece grafada com h grande: a Humanidade. Isso nunca aconteceu às pessoas, e bem. Não faz sentido escrever que as Pessoas deitam lixo no chão (coisa que a Humanidade, aliás, nunca faria). As pessoas raramente merecem a honra da maiúscula. Em geral, são referidas no fim da conversa, em tom de lamento: “realmente, as pessoas…”, e sempre com p pequeno.

A gente talvez esteja num patamar acima, mas não muito. Há gente muito estúpida. O que é normal, dado que a gente costuma ser formada por muitas pessoas. Mas, apesar de tudo, às vezes é possível confiar na gente, e integrá-la para fazer coisas giras. Por exemplo, determinada festa foi muito divertida, porque estava lá muita gente. Pena que duas ou três pessoas tenham estragado tudo. É sempre assim: as pessoas dão cabo da vida da gente.

O povo já é outra coisa. Dedica-se sobretudo à política, e com uma nobreza que falta claramente às pessoas. Os políticos, infelizmente, são, em geral, pessoas. O povo, que é sábio, vota neles, mas apenas porque não tem alternativa. Pudesse o povo votar no povo e as nações, verdadeiramente governadas pelos povos, prosperariam. No entanto, o povo não tem outro remédio senão votar em pessoas, com os resultados que todos conhecemos.


Não surpreende, por isso, que a Humanidade seja capaz de tantas e tão grandes façanhas: ela é formada pelo conjunto dos povos. Quando os povos se juntam para criar a Humanidade, aliam a excelência de cada um à dos outros, e o resultado é uma entidade que consegue atingir cumes da civilização, como as vacinas, a conquista do espaço e o gin tónico.

Falta descobrir o essencial: em que ponto passam as pessoas a ser gente – e, sobretudo, quando é que a gente se transforma em povo e Humanidade. Esse momento tem de ser identificado e estudado na escola. Deve ser uma delícia andar de autocarro com a Humanidade, aguardar na fila do supermercado atrás da Humanidade, ir à bola na companhia da Humanidade. Fazer tudo isso com pessoas é quase sempre chato, e muitas vezes perigoso.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

Se houver traças a Croácia será Campeã do Mundo

Amanhã haverá um novo campeão do mundo. A França é favorita. Os franceses já conquistaram títulos mundiais e europeus e a selecção da Croácia nunca ganhou nada de jeito. Por isso mesmo, neste altíssimo patamar a que chegaram, manda o bom senso não esperar por surpresas nem, muito menos, por anedotas. Este Mundial da Rússia até teve as suas graças como a saída rápida dos alemães pela porta dos fundos ou a cruelíssima contabilização do tempo que Neymar passou deitado na relva. Mas o que importa é saber se hoje, pelo final da tarde, terão conseguido os croatas fazer em Moscovo o mesmo que os portugueses fizeram há dois anos em Paris perante uma França também favorita até doer. Pode acontecer. Se Modric se magoar e abandonar o campo antes do primeiro quarto-de-hora do jogo não sem que antes uma traça tenha pousado amorosamente numa sobrancelha do próximo melhor jogador do mundo, então teremos uma grande, grande surpresa no Estádio Lujniki em Moscovo. Venham as traças!

O próximo campeonato – aquilo que verdadeiramente a todos interessa – sofreu uma partida em falso. Coisa nunca vista no nosso futebol que, praticamente, já viu de tudo. O primeiro desenho do calendário da prova viu-se deitado ao lixo em função de uma disfunção operacional. Um erro humano na leitura dos números, coisa que a qualquer um pode acontecer ou já ter acontecido, invalidou o que a sorte tinha ditado a todos os concorrentes no sorteio original obrigando a uma segunda tômbola e a um segundo calendário, forçosamente diferente, que foi o que ficou a valer. No calendário errado havia "derby" em Alvalade à 3.ª ronda e no calendário da rifa certa há "derby" na Luz à 3.ª jornada. Ninguém pode adivinhar o que de inovador poderia ter calhado na 3.ª jornada, em termos da Segunda Circular, se os erros de leitura tivessem persistido e houvesse necessidade de um terceiro sorteio… Mas factos são factos e, assim, fica o Benfica a saber que recebe o velho rival entre dois jogos de qualificação para a Liga dos Campeões e fica o Sporting a saber que terá de visitar a casa do rival de sempre nas vésperas do acto eleitoral apontado para 8 de Setembro. Venha o diabo e escolha.

Como nunca mais ninguém lhe louvou o "comportamento ético" desde que as escutas do Apito Dourado viraram um sucesso, o presidente do FC Porto elogiou-se agora a si próprio numa publicação interna do clube a que preside exaltando, justamente, o seu "comportamento ético" face ao momento vivido pelo Sporting. Fez, no entanto, uma distinção preciosa ao nomear as pessoas do Sporting a quem telefonou para, sob "palavra de honra", garantir que não contrataria nenhum dos trânsfugas. Pinto da Costa referiu-se a Bruno de Carvalho diplomaticamente por "presidente" mas para José Maria Ricciardi e para, Eduardo Barroso, num registo mais intimista, empregou os termos "amigos" e "distintos". Que maldade.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

sábado, julho 14, 2018

Fernando Madonna

A minha posição relativamente aos lugares de estacionamento da Madonna é a seguinte: eu levo a mal ter de tomar posição relativamente aos lugares de estacionamento da Madonna. Tenho assistido, com grande sonolência, ao debate. Há chamadas de primeira página nos jornais, intervenções dos partidos, colunas de opinião, revelação de documentos – sobre lugares de estacionamento. Viaturas, e tal. Que ocupam determinada área de metragem quadrada. A problemática do estacionamento é capaz de ser o assunto de conversa mais pequeno e aborrecido da História das Conversas. Mesmo no âmbito do tema geral da circulação rodoviária, ele mesmo um pináculo de chatice, o estacionamento consegue guindar-se ao zingamocho da estopada.

A minha irritação tem dois grandes responsáveis: Medina e Madonna. É por causa deles que estamos há uma semana a discutir estacionamentos. Medina, que já tinha ido ao Ritz dar as boas-vindas a Madonna, está agora preocupado com o sítio onde ela parqueia. Todas as pequenas necessidades de Madonna, Medina supre. E supre pressuroso. 
Ao mesmo tempo que atravanca o trânsito dos 
outros 500 mil munícipes, resolve os problemas 
de circulação de uma.

Mas é em relação a Madonna que tenho o ressentimento mais fundo. Já houve um tempo em que discutíamos com gosto o encontro feliz da Madonna com o sistema rodoviário. Aquela foto de Steven Meisel, em que ela pede boleia na berma da estrada, toda nua só com saltos altos e uma malinha, proporcionou-me horas de gostosa reflexão. Mas esta questão do estacionamento é – não há outra forma de o descrever – pelintrice milionária. Madonna deve dar-se ao respeito. Como mãe de um jogador das camadas jovens do Benfica, tem uma imagem a proteger.


Pedinchar lugares de estacionamento à câmara municipal é uma conduta imprópria dos muito ricos. A parte boa de ter dinheiro é, precisamente, não precisar de pedir favores ao presidente da câmara. Comprar uma frota de 15 carros e depois precisar de ajuda para os estacionar é incongruente: ou bem que se é excêntrico, ou bem que se é mesquinho. A grande vantagem de ter Madonna a viver em Portugal 
é, ao que nos dizem, o prestígio associado ao facto de uma grande vedeta escolher o nosso país para morar. Mas então comporte-se como grande vedeta. Se tem 15 carros, contrate 15 motoristas que os mantenham a circular à volta do palácio, até ter necessidade de se meter num deles para ir ao pão. Coisas 
de grande vedeta. Uma estrela pop a sério teria 
comprado os paços do concelho e estacionado os carros no gabinete do Medina



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão

terça-feira, julho 10, 2018

Os rapazes, os passarinhos e o idiota da aldeia

O Estádio da Luz abre hoje as portas para que os adeptos assistam livremente a uma sessão de trabalho da equipa principal de futebol. São de esperar uns quantos milhares movidos pela volúpia de retomar o contacto com aquilo que verdadeiramente os faz vibrar: a bola. Começa, assim, em termos públicos a temporada de 2018/2019 sucessora de uma temporada a todos os títulos medíocre em função das expectativas naturalmente criadas com o desempenho mais do que eficiente de uma equipa que desafiou a História conquistando quatro títulos nacionais consecutivos entre 2013 e 2017. O Benfica contratou neste defeso muita gente que se adivinha importante mas o frenesi maior nas bancadas será o da avaliação "in loco" dos jovens produtos da casa como João Félix ou Gedson Fernandes. São estes jogadores, agora inseridos num ambiente de adultos, que toda a gente vai querer ver hoje em acção na Luz. Em acção hoje e amanhã e depois… porque grande desgosto seria ver Félix e Gedson vendidos aos alegados "tubarões" que os cobiçam no mercados deste Verão antes de os ver dar uns pontapés oficialmente na bola ao serviço de quem os formou.
A meia-dúzia de visitas da Polícia Judiciária ao Estádio da Luz não afastou o patrocinador principal do futebol – a Fly Emirates – da órbita do Benfica. Ora aqui está uma excelente notícia. E, porventura, inesperada.

Divulgadas pela Liga de Clubes, as matérias "condicionantes" do sorteio do próximo campeonato nacional não desdenham a possibilidade de haver dérbis ou clássicos nas primeiras três jornadas da prova. Por um lado é aceitável porque os sorteios querem-se livres como os passarinhos. Por outro lado é inaceitável porque, ao contrário das justas benevolências concedidas na época passada ao Sporting por força da sua participação na fase de apuramento para a Liga dos Campeões, não haverá este ano a menor benevolência no que respeita ao calendário do Benfica no exigentíssimo mês de Agosto que se adivinha. Não é de crer que a Liga não considere de "interesse nacional" uma eventual qualificação do Benfica para a prova mais importante de clubes a nível continental tal como considerou no ano passado quando tratou de proporcionar a um outro emblema as melhores condições de acesso ao mais alto patamar do futebol europeu. E o Benfica, o que tem a dizer a isto? Passarinhos?

"O drama da internet é que promoveu o idiota da aldeia a figura nacional", explicou, muito bem explicado, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco numa das suas derradeiras aparições públicas. Eco preocupava-se com "a legião de imbecis" que "antigamente eram imediatamente calados" e que agora "têm o mesmo direito à palavra do que um Prémio Nobel". Vêm estas sábias reflexões a propósito de outras sobre o mesmo tema com que se têm justificado recentemente os clamorosos idiotas da aldeia do futebol em Portugal.



Fonte: Leonor Pinhão @ record

José Maria Pincel: Subsídios para uma biografia

A presença de José Maria Pincel no espaço público português é tão intensa quanto misteriosa. A frequência com que se invoca o seu nome, quase sempre com feia altivez, assinala uma contradição incontestável: José Maria Pincel é, muitas vezes, o símbolo do anonimato – e, no entanto, é um dos nomes mais famosos de Portugal. “Então mas agora qualquer Zé Maria Pincel chega a deputado?”, costuma ouvir-se – e afirmações deste tipo contêm, pelo menos, três erros. O primeiro é, como já vimos, que, à força de repetição, o nome de José Maria Pincel ganhou uma proeminência que o desqualifica para designar gente anónima.

O segundo erro é que, neste e noutros casos, José Maria Pincel aparece não apenas como um anónimo, mas também como um borra-botas. Ora, sucede que José Maria Pincel é um péssimo nome para um borra-botas. Um nome vulgar, como Zé Silva, ou Zé Pereira, seria mais apropriado para designar um indivíduo, digamos, sem berço. Mas um José Maria? Note-se que não se trata de um mero Zé, como os que costumam protagonizar frases corriqueiras, a saber: “Ó Zé, 
vai buscar pão, que já não há.” De modo nenhum. Estamos perante um Zé Maria, que costuma ouvir solicitações bem diferentes, tais como: “Ó Zé Maria, venha cá dar um beijinho à tia.” Além do mais, Pincel está longe de ser um apelido banal. Antes pelo contrário, é invulgar sem ser esquisito, com uma ligação às artes que lhe dá mesmo alguma nobreza. É muito improvável, por isso, que José Maria Pincel seja uma pessoa destituída de valor. Associá-lo ao anonimato e à insignificância só pode ter sido resultado de uma vingança – que, como se vê, foi malsucedida.

O terceiro erro é o carácter radicalmente antidemocrático de qualquer declaração começada pela expressão “Então mas agora qualquer Zé Maria Pincel pode...?” Não precisamos de ouvir mais para responder afirmativamente: sim, qualquer Zé Maria Pincel pode, no nosso país, fazer o que lhe apetece. De José Maria Pincel nunca se ouviu dizer nada de desonroso. Antes pelo contrário: sabemos apenas que tem ambições, sempre legítimas, e que muitas vezes lhe são negadas sem justificação. “Não é qualquer Zé Maria Pincel que chega aqui e se senta à mesa com a gente.” Pois não sabem o que perdem, pois José Maria Pincel deve ser uma pessoa bem interessante, com muitas histórias tristes de discriminação para contar.



Fonte: Ricardo Araújo Pereira @ visão