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segunda-feira, dezembro 09, 2013

Frases



Management is doing things right; leadership is doing the right things.
Peter Drucker 

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Não há coincidências

O Sporting segue firme, no seu jogo feito de equilíbrio e entrega. Perante o maior autocarro da época - o Paços que se apresentou em Alvalade, sem um único avançado -, os leões cumpriram a obrigação e Montero desmentiu os que, precipitada e erradamente, o viam como suplente de Slimani. São os mesmos que são mais de contabilizar golos do que de analisar jogo, em grande parte os mesmos que no Benfica endeusam Cardozo e ainda há duas semanas eram capazes de jurar que o Benfica não sabia jogar (e marcar, e ganhar) sem ele. No Sporting, Montero é muito mais do que um finalizador, que dele depende a dinâmica da equipa, na aproximação entre meio-campo e ataque e o Benfica sem Cardozo três vezes jogou e três vezes ganhou (com sete golos marcados) e ainda recuperou Lima e Rodrigo.

Nos encarnados, a inclusão de um terceiro médio é mais determinante do que o nome do ponta de lança titular, por muito que Jorge Jesus tente provar-nos (e se calhar a ele próprio) que o 4x3x3 não é o melhor sistema. Sendo certo que não há sistemas bons e maus antes de contrastados com as características dos jogadores, também já não há dúvidas de que é com três médios que o Benfica está mais perto de ganhar. É que não há coincidências.

No FC Porto, e à falta de outros argumentos, repetem-se coisas vagas como "Paulo Fonseca não ter mãos para o Ferrari" ou "não conhece a cultura de clube". Octávio conhecia melhor que ninguém a cultura do clube e deu no que deu. E chamar Ferrari ao atual plantel do FC Porto só por grande bondade ou ingenuidade.

De Fernando para à frente, apenas Lucho (apesar da veterania) e Jackson (uma vítima da época) são jogadores de topo. Os demais nunca foram ou apenas serão, u
m dia. Claro que se Danilo marcava o penálti que Capela inventou, tudo pareceria estar bem. Como falhou, repetiu-se o filme visto há dois anos, após uma outra derrota na mesma Coimbra, mas para a taça: treinador saiu do estádio acompanhado do presidente e teve à espera uma receção hostil no Dragão.
Carlos Daniel

Diz-se que a época do FC Porto (que valeu o primeiro título com Vítor Pereira) mudou nesse dia, porque o treinador sentiu que a SAD estava com ele e os jogadores perceberam que a claque que os idolatra é a mesma que os pode julgar sem misericórdia. Não acredito que se ganhe ou deixe de ganhar graças àquela cena de descontentamento repetida mas, definitivamente, não há coincidências.



Destaque - Robben (Bayern)

Podia ser Bale, por um show de bola que prova como se enganaram os que lhe vaticinavam fracasso em Madrid, mas eu não resisto a Robben. Há os grandes jogadores, os extraordinários, e depois há Robben, um capítulo à parte. Tem o futebol de rua que renuncia às linhas retas para avançar, o improviso que faz implodir estratégias, e vive no reino do drible, de onde desce semanalmente para nos mostrar que eficácia e arte podem dar-se bem. Os dois golos ao Braunschweig foram duas pérolas e tornaram-no no quarto goleador mais eficaz de sempre na Alemanha. Não lhe peçam para ser mais um numa linha de montagem. Ele é o misto de mestre pasteleiro e criador de moda, que coloca a cereja no bolo mas sempre com estilo



Descoberta - Alfred Finnbogason (Heerenveen)

Pode dizer-se que há sempre quem marque muitos golos na Holanda, mas 14 em 11 jogos têm de ser mais do que um acaso (e marcou 24 na época passada). Ter Van Basten como treinador ajudou este islandês de 24 anos, mas ele também tem salvo a carreira de banco do cisne de Utrecht. Jogador de área com mobilidade, como o mestre, Finnbogason até pode jogar a partir da ala (esquerda) e assim tem sido na seleção. Com Djuricic fez uma boa dupla mas não parou de marcar. Mais objetivo do que tecnicista, impressiona pela facilidade com que se desmarca, e surge nas costas da defesa ou lhes ganha a frente em antecipação. Conhece cada vez melhor a vida na área e exibe o sangue-frio de quem nasceu para encarar a baliza.



Fonte: Carlos Daniel @Diário de Noticias

Estamos em segundo e nem há discussão


Na noite de sábado, enquanto o FC Porto jogava em Coimbra com a Briosa, dei comigo a pensar em que, na verdade, não sou uma boa benfiquista. Estou, aliás, muito longe desse estado de perfeição.
O desafio aproximava-se do fim com um resultado absolutamente inesperado visto que a Académica ganhava por 1-0. Foi então que o árbitro descortinou e foi mesmo um grande descortinanço tal era a espessura da cortina, uma falta passível de pontapé de grande penalidade a favor dos visitantes e mais não digo.
Grande alvoroço na sala de estar. Revolta! De penalty poderia o FC Porto igualar facilmente a partida quando já pouco dela restava. 
Ao contrário dos meus amigos, zangadíssimos com a iminência do empate limpinho, limpinho, confessei-me logo contente com o 1-1 “avant la lettre”. Excelente e surpreendente resultado para os interesses das nossas cores, afirmei perante o repúdio geral.
Explicaram-me que, para além da questão pontual – e tratava-se do acesso à eventual co-liderança do campeonato! -, estava também em causa o recorde de invencibilidade em jogos do campeonato nacional, pertença do Benfica de Jimmy Hagan, e que estava à beira de ser batido pelo FC Porto, correntemente de Paulo Fonseca.
Retorqui sem disfarçar o enfado:
- Um empate do Porto já é muito bom nesta altura do campeonato. E estou-me perfeitamente nas tintas para o recorde do Hagan.
Assim que pronunciei a palavra Hagan o guarda-redes da Académica atirou-se para o chão e defendeu com garbo a bola disparada por Danilo da marca de onze metros.
Pela amostra da sala de estar, os bons benfiquistas estavam conscientes de que defender o recorde de invencibilidade em jogos do campeonato, recorde que é nosso, era tão ou mais importante do que, mera circunstância, ver o FC Porto esbulhar pontos à 11.ª jornada da actual edição da prova.
E eu, desatenta aos pormenores da História, já me contentava com o empate. Frouxa.
Hagan, peço-te desculpa. 
Jimmy Hagan, um bonito nome.



*



Jorge Jesus vai ou não vai preso? Esta última semana não trouxe novidades sobre o inquérito em curso. 
Como é do conhecimento de todos, o treinador do Benfica foi visto em Guimarães a atirar uma tochada que acertou em cheio na cabeça de um polícia. Há imagens que o provam. A televisão passou e repassou o incidente.
Que os braços mais avançados da Justiça nacional não se detenham perante o despautério. Uma agressão, ainda por cima à tochada, a um agente da autoridade não pode passar impune.



*



Quando o Rio Ave empatou o jogo, por Ukra, aconteceu o que é normal acontecer nestas situações. Diz-se mal do guarda-redes.
- O Artur demora sempre cair.
- Já no jogo da semana passada com o Anderlecht demorou a cair no primeiro golo deles.
- Demora a cair?
- Sim, demora a chegar ao chão.
- Ponham-lhe pedras nos bolsos.
É o que dá quando se vê futebol com muita gente.



*



Mais uma situação que me vem demonstrar como não sou uma boa benfiquista. E esta é grave, ao que suponho..
Cá vai:
Aceito estar em segundo lugar no campeonato e, com toda a franqueza, até levo a mal quando me dizem que é o Benfica o primeiro da tabela por causa disto ou por causa daquilo.
Estamos em segundo e ponto final. A discussão é de um mau gosto atroz e só diminui quem nela participa.
Estamos em segundo, estamos em segundo e estamos em segundo! – repito.
Por mim, nem há conversa.



*



A rua mais falada em Portugal desde o último fim-de-semana é a rua Paulo Fonseca. Em inglês, Paulo Fonseca Street.
Estas coisas da rua, rua, rua, como se sabe, acontecem em todos os clubes. Mais nuns do que noutros, também é verdade.
Leonor Pinhão
Amigos portistas atiram-se agora com unhas e dentes ao seu treinador porque não tem dimensão para comandar tamanha nau e atiram-se também aos jogadores, nomeadamente aos contratados ao Paços de Ferreira e ao Estoril, exactamente pelas mesmas razões. A tal questão da dimensão do homem e da dimensão da nau.
Parecem-me injustos estes ataques.
Há que confiar no líder.
Paulo Fonseca foi uma aposta pessoal do presidente do FC Porto. Na época passada treinou o Paços de Ferreira com muito sucesso levando a equipa da Capital do Móvel à Liga dos Campeões. 
Terá sido, certamente, contratado pelo FC Porto não pelo que fez na 30.ª e última jornada – quando os dois emblemas se encontraram – mas pelo que fez nas primeiras 29 jornadas da prova.
Tal como terá acontecido com Licá e com Josué. Não se transferiram para o FC Porto graças às exibições que os dois assinaram quando, respectivamente, ao serviço do Estoril e do Paços de Ferreira deram nas vistas na antepenúltima e na última ronda do campeonato de 2012/2013. 
Nada disso. Josué e Licá são hoje jogadores do FFC Porto pelo muito que fizeram nas demais 29 jornadas da Liga anterior.
O problema, portanto, não está na estrutura.
São fases.
E continuo a acreditar firmemente que o FC Porto, mesmo depois deste valente tropeção, continua a ser o mais forte dos candidatos ao título. No sábado teve mais um benfiquista a ajudá-lo embora de nada lhe valesse, por incompetência exclusivamente própria.
Por estes dias tem corrido grande debate entre benfiquistas. Trata-se da questão do momento a que ninguém fica indiferente:
- Proença ou Capela, quem é o maior benfiquista?
As opiniões dividem-se, esgrimem-se argumentos de um lado e do outro.
A meu ver, uma perda de tempo.
Mas alguém consegue ser prior nesta freguesia?



*



O FC Porto esteve, de facto, em maré de falhar penaltis no fim-de-semana passado. Até no jogo da sua equipa B, precisamente contra o Benfica B, com 0-0 à meia hora, o juiz da partida descortinou um castigo máximo contra os vermelhos que os azuis se encarregaram de desperdiçar.
O clássico dos B’s terminou com uma robusta vitória do Benfica (3-1 é robusto, não é?) e, na minha opinião, com três factos dignos de relevo
1 – Tratou-se de um Benfica-FC Porto que não foi dirigido por Pedro Proença, coisa raríssima de se ver.
2 – Hélder Costa, um jovem benfiquista, marcou um golo sensacional, o terceiro, ultrapassando em corrida Reyes, uma das contratações milionárias do último defeso portista. Parecia um foguete o Hélder Costa que tanto joga a extremo como a lateral, sempre do lado esquerdo.
3 – O melhor momento do jogo, filosoficamente falando, aconteceu com o resultado já feito e quando o guarda-redes do FC Porto acudiu em auxílio de um jogador do Benfica que se estatelou na área portista e não ficou em bom estado. O jogo prosseguiu mas as câmaras da Benfica TV por mais de uma vez mostraram o atleta do FC Porto a fornecer os primeiros socorros ao adversário e colega de profissão. 
Só sevandijas é que não gostam deste género de coisas.



*


Anteontem, “A Bola” noticiava na sua primeira página que o portista Danilo “custou mais do que todo a equipa do Sporting”. Que péssima semana para se fazer este tipo de comparações com o infeliz Danilo.

domingo, outubro 27, 2013

2013 - F1 - GP India





Sebastian Vettel, obteve a sua sétima pole-position do ano, e colocou-se na melhor posição para assegurar já no GP da India o seu quarto título mundial consecutivo. 

O piloto alemão só precisa de terminar em quinto (caso Alonso vença), e dessa forma poucos acreditam que não será já amanhã que festeja. Na qualificação de hoje, e depois de dominar as três sessões de treinos livres, o alemão deixou o seu compatriota Nico Rosberg a 0.752s. Lewis Hamilton parte de terceiro, registando um crono a menos de um décimo de Nico Rosberg, que bate o inglês pela sexta vez este ano. 
Mark Webber foi quarto na frente de Felipe Massa, que pela sétima vez foi mais rápido que Fernando Alonso, que arranca de oitavo, com o espanhol a optar por sair com pneus duros, numa estratégia que visa permanecer muito mais tempo em pista que os homens da frente. Kimi Raikkonen parte de sexto, na frente de Nico Hulkenberg, com os pilotos da McLaren a encerrar o top 10 e Sergio Pérez na frente de Jenson Button. 

A grande surpresa da sessão foi a desqualificação de Romain Grosjean na Q1, devido ao facto de ter utilizado pneus médios. Depois de ter lutado pela vitória em Suzuka, o francês vai ter amanhã bastante mais dificuldade em chegar aos homens da frente na corrida. Curiosamente, também Vettel realizou essa fase da sessão com pneus médios, mas enquanto o alemão foi 11º, Grosjean apenas se quedou pela 17ª posição. Para além de Alonso, Mark Webber também vai arrancar com pneus médios, embora o australiano se tenha qualificado em quarto. Tendo em conta as diversas estratégias dos homens da frente, é possível que a corrida só se defina na fase final, já que vários pilotos com condições para vencer apostam em estratégias distintas.


Classificação antes do GP da India - Pilotos
 - 01º -  Sebastian Vettel (Red Bull) - 297 pontos
 - 02º -  Fernando Alonso (Ferrari) - 207 pontos
 - 03º -  Kimi Räikkönen (Lotus) - 177 pontos
 - 04º -  Lewis Hamilton (Mercedes) - 161 pontos
 - 05º -  Mark Webber (Red Bull) - 148 pontos
 - 06º -  Nico Rosberg (Mercedes) - 126 pontos
 - 07º -  Felipe Massa (Ferrari) - 90 pontos
 - 08º -  Romain Grosjean (Lotus) - 87 pontos
 - 09º -  Jenson Button (McLaren) - 60 pontos
 - 10º -  Nico Hülkenberg (Sauber) - 39 pontos
 - 11º -  Paul di Resta (Force India) - 36 pontos
 - 12º -  Adrian Sutil (Force India) - 26 pontos
 - 13º -  Sergio Pérez (McLaren) - 23 pontos
 - 14º -  Daniel Ricciardo (Toro Rosso) - 18 pontos
 - 15º -  Jean-Éric Vergne (Toro Rosso) - 13 pontos
 - 16º -  Esteban Gutiérrez (Sauber) - 6 pontos
 - 17º -  Pastor Maldonado (Williams) - 1 pontos
 - 18º -  Valtteri Bottas (Williams) - 0 pontos
 - 19º -  Jules Bianchi (Marussia) - 0 pontos
 - 20º -  Charles Pic (Caterham) - 0 pontos
 - 21º -  Giedo van der Garde (Caterham) - 0 pontos
 - 22º -  Max Chilton (Marussia) - 0 pontos

Classificação antes do GP da India - Equipas
 - 01º -  Red Bull-Renault - 445 pontos
 - 02º -  Ferrari - 297 pontos
 - 03º -  Mercedes - 287 pontos
 - 04º -  Lotus-Renault - 264 pontos
 - 05º -  McLaren-Mercedes - 83 pontos
 - 06º -  Force India-Mercedes - 62 pontos
 - 07º -  Sauber-Ferrari - 45 pontos
 - 08º -  Toro Rosso-Ferrari - 31 pontos
 - 09º -  Williams-Renault - 1 pontos
 - 10º -  Marussia-Cosworth - 0 pontos
 - 11º -  Caterham-Renault - 0 pontos

Grelha de Partida
 - 01º - Sebastian Vettel (Red Bull Racing-Renault)
 - 02º - Nico Rosberg (Mercedes)
 - 03º - Lewis Hamilton (Mercedes)
 - 04º - Mark Webber (Red Bull Racing-Renault)
 - 05º - Felipe Massa (Ferrari)
 - 06º - Kimi Raikkonen (Lotus-Renault)
 - 07º - Nico Hulkenberg (Sauber-Ferrari)
 - 08º - Fernando Alonso (Ferrari)
 - 09º - Sergio Perez (McLaren-Mercedes)
 - 10º - Jenson Button (McLaren-Mercedes)
 - 11º - Daniel Ricciardo (STR-Ferrari)
 - 12º - Paul di Resta (Force India-Mercedes)
 - 13º - Adrian Sutil (Force India-Mercedes)
 - 14º - Jean-Eric Vergne (STR-Ferrari)
 - 15º - Valtteri Bottas (Williams-Renault)
 - 16º - Esteban Gutierrez (Sauber-Ferrari)
 - 17º - Romain Grosjean (Lotus-Renault)
 - 18º - Pastor Maldonado (Williams-Renault)
 - 19º - Jules Bianchi (Marussia-Cosworth)
 - 20º - Giedo van der Garde (Caterham-Renault)
 - 21º - Charles Pic (Caterham-Renault)
 - 22º - Max Chilton (Marussia-Cosworth)


Odds - GP India
 - Sebastian Vettel (GER/Red Bull) - 1.3€
 - Mark Webber (AUS/Red Bull) - 4.5€
 - Lewis Hamilton (GBR/Mercedes) - 21€
 - Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - 21€
 - Nico Rosberg (GER/Mercedes) - 21€
 - Kimi Räikkönen (FIN/Lotus) - 26€
 - Romain Grosjean (FRA/Lotus) - 151€
 - Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 151€
 - Nico Hülkenberg (GER/Sauber) - 151€
 - Jenson Button (GBR/McLaren) - 201€
 - Sergio Perez (MEX/McLaren) - 301€
 - Daniel Ricciardo (AUS/S. Toro Rosso) - 1001€
 - Esteban Gutierrez (MEX/Sauber) - 1001€
 - Paul di Resta (GBR/Force India) - 1001€
 - Adrian Sutil (GER/Force India) - 1001€
 - Jean-Eric Vergne (FRA/S. Toro Rosso) - 1501€
 - Valtteri Bottas (FIN/Williams) - 2001€
 - Pastor Maldonado (VEN/Williams) - 2001€
 - Giedo van der Garde (NED/Caterham) - 5001€
 - Charles Pic (FRA/Caterham) - 5001€
 - Jules Bianchi (FRA/Marussia) - 5001€
 - Max Chilton (GBR/Marussia) - 5001€

sábado, setembro 28, 2013

Já tínhamos saudades de uma boa guerra Norte-Sul

O FC Porto, perplexo pela veia independentista de Bruno Carvalho, tão depressa vai buscar dois miúdos a Alcochete como se arvora em defensor do Sporting contra os malandros dos árbitros.

A 5.ª jornada do campeonato terminou em beleza.
Beleza é pouco tendo em conta que o treinador do FC Porto guindou o treinador do Benfica à condição de Santo da nossa Igreja. Fazer-se sentir, ou mesmo aparecer, em vários lugares ao mesmo tempo só está ao alcance de gente raríssima como São Gregório, Santo António de Lisboa ou São Nicolau, eméritos taumaturgos.
- Santo António de Lisboa, não! Santo António de Pádua! – gritará Adelino Caldeira furibundo do alto da tribuna de honra do campo do Estoril-Praia num exercício vocal todo ele destinado a combater a macrocefalia da capital.
Mal saberá, porventura, o administrador da SAD portista que em Pádua, para mal dos seus pecados, até existe uma Praça da Fruta. Para mal dos pecados da bela cidade de Pádua, não dos pecados de Adelino Caldeira, obviamente. E é na Praça da Fruta que se ergue, desde o século XIV, o lindíssimo edifício do Palácio da Razão.

Fruta e Razão, Razão e Fruta, tal como os padovanos, andamos nisto há imenso tempo. 
A verdade é que a 5.ª jornada teve o seu quê de miraculoso porque, coisa rara, raríssima, o FC Porto foi prejudicado pelo árbitro numa grande penalidade contra as suas cores. O castigo, com toda a franqueza, não teve razão de existir porque Otamendi jogou a bola com a mão fora da sua área.
Conclusão: não é Rolando quem quer. Jogar a bola com a mão dentro da sua área e passar incólume foi o primeiro e muito visto atributo do antigo central do FC Porto, o saudoso Rolando. Mandaram-no embora, agora queixam-se porque Otamendi, aparentemente, não possui os mesmos dons de inocência.

É mesquinhez discutir se o dito Otamendi devia ou não ter sido expulso minutos antes do polémico lance por ter entrado com tudo e mais alguma coisa sobre Luís Leal, jogador do Estoril. Isso pouco importa. É de somenos.

Mandatório é atirar para cima do Benfica, que foi prejudicado em Guimarães à sevandija, com as responsabilidades aparentemente criminais dos actos do senhor Carlos Xistra, em Alvalade, e do senhor Rui Silva, no Estoril.

Mandatório, repito, porque é esta a palavra certa. Mesmo que ainda não exista no dicionário. Verão como vai existir não tarda nada. Mandatário, por exemplo, já existe.

Mandatório ou mandatário, como preferirem, o treinador do FC Porto, o ex-Paulo Fonseca que a todos nos habituou com uma linguagem fleumática, pairando muito acima das vulgaridades correntes, depois de já ter sido bastante desagradável com José Mota, quando foi a Setúbal, veio agora à liça atacar Jesus dando-lhe os parabéns nada sinceros por ter conseguido pontuar a seu favor em três distintos campos. Milagre, lá está. Taumaturgia, nem menos.

E atirou-se ao árbitro por causa do penalty de Otamendi, o ex-Paulo Fonseca como nunca antes o tínhamos visto fazer. Nem quando, na última jornada, viu o seu Paços de Ferreira sofrer castigo igual por causa de uma falta sobre James que ocorreu, sem grande exagero, praticamente ainda no seu meio campo. Moita-carrasco, conhecem a expressão?
A 5.ª jornada do campeonato teve dois curiosos fait-divers.

O primeiro aconteceu em Guimarães:
Jorge Jesus viu parte do seu prestígio restabelecido entre muitos benfiquistas – nem todos - porque se atirou, sozinho, de peito feito, contra uma carga policial que visava deter dois adeptos que, tão entusiasmados com aquela vitória em condições tão adversas, se atreveram a correr pelo relvado na busca de camisolas dos seus heróis do momento. Preferia que isto não tivesse acontecido mas respeito todas as opiniões.

Respeitando a ordem das ocorrências, o segundo fait-divers aconteceu na Amoreira:
Adelino Caldeira reforçou todo o seu prestígio já adquirido ao contribuir com carolos e palavras para o ambiente de festa que se gerou na tribuna depois do primeiro golo do Estoril-Praia. O mesmo administrador já tinha dado largas ao seu prestígio há uns meses, em Tavira, por ocasião de um jogo de andebol quando se atirou indignado contra a presença de Bruno de Carvalho, o actual presidente do Sporting, que tinha mencionado a palavra «fruta» uns dias antes.

O fait-divers protagonizado por Jorge Jesus quase toda a gente viu. Deu na televisão. O mais recente fait-divers protagonizado por Adelino Caldeira não teve direito a suporte de imagem, o que é pena. Já o seu anterior episódio curricular com Bruno de Carvalho, em Tavira, também ficou órfão de registo audiovisual. 

Dizem-me, com o intuito de serenar os ambientes, que quer Bruno de Carvalho quer Nuno Lobo, o presidente da AF Lisboa, são dois garotos acabadinhos de chegar e que é incrível como se dá guarida às suas declarações incendiárias, sem provas e da mais alta irresponsabilidade.

Não me quero meter sequer nesse assunto. E, com toda a franqueza, penso que nem um nem outro assunto merecem grande perda de tempo embora haja muita gente disposta a passar uma semana inteira a falar da atitude amalucada de Jesus em defesa dos meninos. E porquê? Por necessidade política de fazer barulho distraindo a população com os tais fait-divers.

É importante que se fale e fale e fale de Jesus e de como o treinador do Benfica, sozinho e só com os punhos, dizimou o 7.º Regimento de Cavalaria no relvado irrepreensível do Afonso Henriques, o fundador da nacionalidade.

NO entanto, o que de mais importante, de mais inovador e fraturante se passou no rescaldo da jornada, tem sido unanimemente ignorado pela comunicação e pelos comunicadores.
Tratou-se do momento mandatório – ou mandatário? - em que o ex-Paulo Fonseca meteu o Sporting Clube de Portugal ao barulho, acusando o treinador do Benfica de ser o responsável por Carlos Xistra não ter assinalado, como devia, uma grande penalidade contra o Rio Ave que poderia redundar, sendo convertida, na vitória da equipa de Alvalade.

São notáveis os tempos presentes. E é de reconhecer, sem pejos, que a veia independentista do actual presidente do Sporting está a provocar impensáveis engulhos ao FC Porto que, invulgarmente perplexo e ziguezagueante, tão depressa responde indo buscar dois miúdos de 15 anos à Academia de Alcochete como se arvora, através do seu actual treinador, em defensor do mesmo Sporting lamentando as injustiças dos árbitros contra os irmãos de armas de Alvalade, embora estes, ao que parece, já não o queiram ser.

Este Sporting do presidente garoto e independentista veio baralhar o status quo que vigora há três décadas com enormes vantagens, a todos os níveis para o FC Porto.
Apontemos, e sem hesitações, uma data certa para o início do regime: 7 de Junho de 1980.
O campeonato tinha terminado com a vitória do Sporting e no Jamor jogava-se a final da Taça de Portugal entre o Benfica e o FC Porto. Mário Wilson contra José Maria Pedroto nos dois bancos. Nas bancadas, Benfica e Sporting torcendo em uníssono contra o FC Porto que acabaria por perder a final por 1-0.

Que anormalidade se terá passado para juntar os adeptos dos dois rivais históricos do futebol português contra um adversário comum? Estava no auge a chamada guerra Norte-Sul e o triunfo do Sporting no campeonato, em luta directa e feroz com o FC Porto, tinha provocado entre os sportinguistas resquícios de cariz dialéctico difíceis de assimilar. Daí essa união anti-natura naquela tarde de 7 de Junho de 1980 no Jamor.

O Benfica levou a Taça e o FC Porto aprendeu nesse dia que contra os dois grandes de Lisboa podia pouco. Toda a política externa do FC Porto desde então tem sido rebaixar a rivalidade dos dois grandes de Lisboa a um fundo de incomensurável estupidez escavado algures na Segunda Circular. E assim tem sido em ciclos invariáveis porque o reportório é curto: ou está de bem com o Benfica contra o Sporting ou está de bem com o Sporting contra o Benfica.
Feitas as contas é uma questão de aritmética.

De 1934/35 até 1979/1980, ou seja, enquanto o FC Porto não percebeu e nem tinha condições para perceber que a guerra Sul-Sul lhe era muito mais profícua do que guerra Norte-Sul, os números dos campeões eram estes:
 - Benfica – 23 títulos; Sporting – 15 títulos; FC Porto – 7 títulos.

A partir de 1980/1981, os números são estes:
 - FC Porto – 20 títulos; Benfica – 9 títulos; Sporting – 3 títulos. 

No que diz respeito à Taça de Portugal, os números são igualmente esclarecedores. 
De 1939 até 1980: 
 - Benfica – 16 títulos; Sporting – 10 títulos; FC Porto – 4 títulos.

A partir de 1981:
 - FC Porto – 12 títulos; Benfica – 8 títulos; Sporting – 5 títulos.

Ah, como já tínhamos saudades de uma boa guerra Norte-Sul!"

Fonte: Leonor Pinhão, in A Bola 

quinta-feira, setembro 26, 2013

Jesus quis mudar o mundo

A meio de um programa de debate de futebol, depois de discutirem longamente treinadores e administradores que agridem ou talvez não, apresentador e comentadores concordam felizes: vamos falar de futebol finalmente, e a pergunta seguinte surge de imediato: quem foi mais prejudicado no jogo xis? 

"Fui eu, fomos nós, não foram nada, como consegue dizer isso com esse ar sério?", e depois sorriem, soltam a gargalhada falsa e irónica, por entre mais um "não é possível", como se negar a evidência em televisão fosse já uma arte. Futebol em Portugal é muito isto, quase nada de jogadores, tudo de bastidores.

Os treinadores entraram na dança: Jorge Jesus disse antes dos jogos que os rivais eram favorecidos e Paulo Fonseca respondeu depois das partidas que, com o que disse, Jesus ganhou em três campos. Logo Jesus a ganhar por falar, ele que tem tão pouca habilidade com as palavras. É da tradição: aos primeiros pontos perdidos, a culpa é dos árbitros. Claro que alguns, como Rui Silva ou Carlos Xistra, só ajudam à festa mas são o alvo fácil neste reino do "quem não chora não mama".

Leonardo Jardim, que recusou queixar-se, faz lembrar o soldado que marcha ao contrário de todo o pelotão. Chega a dizer que o seu clube está entre os... habitualmente beneficiados. Está ele certo ou estão os outros? Pelo sim pelo não, falem menos e treinem mais, sugeriu o presidente de Leonardo, logo a seguir.

O resto foi ainda mais fantasmagórico. Jorge Jesus perdeu a cabeça depois de ter ganho (!) e anda pelo campo no meio de adeptos e polícias, a querer mudar o mundo com palmadas e puxões. A intenção inicial podia ser a melhor mas o espectáculo foi deprimente e já não é o primeiro caso. Um administrador do FC Porto, também reincidente em cenas pouco louváveis, reagiu agressivamente ao festejo de um golo do Estoril por parte de um dirigente associativo de Lisboa. Jovem dirigente, benfiquista, logo lhe chamou um velho dirigente, portista.

Nas declarações posteriores ao caso, Lourenço Pinto e Nuno Lobo prestaram um péssimo serviço e às associações que dirigem e aceitaram colocar-se como correias de transmissão (a expressão era outra mas vou conter-me) no terreno minado de uma estúpida guerra entre dois clubes e que tão mal faz ao futebol. É a tempestade perfeita. 

Meu caro e saudoso Vítor Correia, a sua frase histórica está desatualizada: já é a bicicleta que anda de porco.


-Carlos Daniel, Diário de Noticias

quinta-feira, setembro 19, 2013

Alguns sintomas de melhoras


No sábado, a grande novidade que o Benfica apresentou aos seus adeptos no jogo com o Paços de Ferreira, na Luz, não foi Fejsa, um médio defensivo como não existiu em toda a temporada passada e que tanta falta fez. 



Nem foi a presença na equipa de um lateral-esquerdo certificado, como é o caso de Siqueira. Aliás, ouvi dizer no fim do jogo a um adepto eternamente exaltado que “não conseguimos ter um lateral-esquerdo a sério que faça um jogo completo”. Isto porque Siqueira acusou o cansaço da estreia e acabou por ser substituído quando ainda faltavam uns bons minutos para os 90.
A grande novidade do Benfica no jogo com o Paços de Ferreira também não foi, o que muito se lamenta, o facto de o Benfica ter conseguido fazer um jogo inteiro sem sofrer um golo, indício de debilidades que vem acontecendo sempre, em todos os jogos, desde o arranque da pré-temporada.
A grande novidade, o melhor da tarde, foi o Benfica ter conseguido fazer o 3-1, por Garay na sequência de um pontapé de canto, um minuto e meio depois do Paços de Ferreira ter reduzido para 2-1. Ora sabendo como andamos nervosos por razões bem conhecidas, materializou-se logo entre muitos de nós a pérfida ideia de ver o Paços em cavalgadas na busca do empate quando ainda havia tanto tempo para se jogar.
É o que dá ser-se pessimista.

Mas não. Tudo acabou por correr bem porque em minuto e meio “desmaterializou-se” a ideia de sofrer para ganhar um jogo em casa com o já citado Garay a acabar com a discussão.
Aqui está um sintoma de melhoras. Foi isso que registei.

*
Leio num jornal que Hélder, o nosso antigo defesa-central Hélder Cristóvão, actual treinador da nossa equipa B, acredita que o Benfica pode vir a fazer “um brilharete” na já corrente edição da Liga dos Campeões. Para já, começou bem. Refiro-me ao Benfica que venceu anteontem o Anderlecht, como lhe competia. Já iremos a esse assunto.
Mas, para já, estou com o Hélder. Acredito no brilharete. Aliás, acredito sempre no brilharete. Não porque seja supersticiosa, nada disso.
Só que o tempo tem-me dado razão. 
No ano passado, por exemplo, fizemos um brilharete na Europa chegando à final da segunda competição de clubes da UEFA e, se quisermos ser patriotas, fizemos outro brilharete no campeonato nacional, longuíssima prova em que jogámos sempre melhor, apesar de não termos nenhum Fejsa, acabando apenas por soçobrar à vista da meta perante o quase eterno campeão das últimas três décadas.
Se houvesse uma qualquer Liga do Brilharete teríamos, certamente, muitos títulos para gozar, interna e externamente. Mas não há.
Actualmente, ao que parece, estamos condenados a brilhar, mas só mesmo um bocadinho. Tal como brilharete, a palavra em si, sugere. Trata-se de uma alegria fugaz. O Hélder acredita no dito brilharete porque, muito pragmaticamente, brilharetes não nos têm faltado. E uma pessoa vai-se habituando, contrariada, mas vai.
Devo confessar que, por feitio, valorizo sempre todos os brilharetes da vida e neles encontro sobejos motivos para me deleitar em amáveis reminiscências,
Depois de ter pensado um bocado no assunto, arrisco-me a sugerir que passemos a valorizar imediatamente os nossos brilharetes do futebol. Convenhamos numa atitude toda ela diferente só para ver o que acontece.
Amemos os nossos brilharetes. Defendamo-los com unhas e dentes contra a falsa comiseração alheia. Celebremo-los com espumante francês ou com português, desde que seja de primeira qualidade.
Há dias encontrando-me com um grupo de amigos todos em grandes dificuldades para subir a pé uma escadaria até a um quinto andar, sem elevador, ouvi de um outro amigo, mais expedito e melhor filosofo este maravilhoso comentário à miséria alheia:
- Custa-vos a subir porque não valorizam a descida!
É isso mesmo.

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Pelos vistos ainda não acabou o mercado de Verão. Não há, portanto, maneira de termos sossego. Leio que o Nápoles está interessado em Witsel e que o negócio pode vir a ser feito. De Witsel guardo a memória de um jogador de superior qualidade que passou uma época pelo Benfica e que a todos encantou. A mim, encantou-me muito. Apreciei até o facto de se ter esforçado por falar em português apesar de nem ter estado um ano inteiro no nosso país.
Quando saiu para o Zénite de São Petersburgo, logo houve quem lamentasse tão pouco profícuo destino para um jogador da sua categoria. Poderá seguir agora para o Nápoles que também não é propriamente um emblema que rivalize taco-a-taco com os actuais gigantes do futebol europeu.
O primeiro diagnóstico é sempre de origem financeira. Witsel, um jogador muitíssimo acima da média, só se interessa por dinheiro e irá sempre ao encontro de quem lhe pague melhor independentemente do pedigree do comprador. É isto que muita gente diz.
Pela simpatia que nutro pelo belga quero crer que não é este o seu caso. 
Witsel, antes pelo contrário, está-se perfeitamente nas tintas para o dinheiro. Tal como se está marimbando para o nome e o historial do clube que vai representar. É um tipo inteligente, atenção. Do que Witsel gosta é de viajar e, à boleia do seu trabalho, conhecer e viver uma temporada em cidades absolutamente maravilhosas e únicas como Lisboa, São Petersburgo e Nápoles. 
E só por isso o considero um privilegiado.



Quarenta e oito horas depois de ter assinado um contrato que o transforma no jogador de futebol bem mais pago do mundo, Cristiano Ronaldo não perdeu tempo a corresponder com um “hat-trick” à confiança em si depositada. E não foi um “hat-trick” qualquer. Foram logo três golos apontados num jogo a contar para a Liga dos Campeões, a alguns milhares de quilómetros do Santiago Bernabéu, o que ainda valoriza mais o feito.
Como gosto muito de futebol, gosto muito de Cristiano Ronaldo. È um jogador brutal. Também gosto muito do Eusébio que não vi tantas vezes jogar quantas as que já vi Cristiano Ronaldo. E se vi mais, lamento, não me lembro. Questão de idade.
A questão que está hoje na ordem do dia, colocada pelos arautos da pequenez nacional, é precisamente esta: será que se pode gostar de Cristiano Ronaldo e de Eusébio? Gostar dos dois ao mesmo tempo? Dizem-nos que não. Que ou se é de um ou se é do outro.
Comigo não contem. Para mim, são os dois.
E por isso me considero uma privilegiada.

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Anteontem, no jogo com o Anderlecht a grande novidade da equipa do Benfica foi, finalmente, o facto de ter chegado pela primeira vez nesta temporada ao fim de um jogo sem ter sofrido um golo. Já era tempo.


E aqui temos outro sintoma de melhoras no paciente.

Para a generalidade dos observadores, foi muito fácil de apontar a justificação para este milagre do Benfica não sofrer nenhum golo em 90 minutos, mais os descontos: chama-se Fejsa o responsável pela inviolabilidade da baliza de Artur. 
Os adeptos ficaram encantados com o médio defensivo sérvio não só pelas qualidades evidentes do jogador mas também porque, valha a verdade, os adeptos já tinham saudades de ver um médio defensivo qualquer em campo.
E porque Fejsa pegou de estaca e nem precisa de ser moralizado, toda a gente acredita nele e eu também, aponto convictamente outro responsável pela recém-estreada inviolabilidade da baliza de Artur: o próprio Artur.
Esteve muito bem o guarda-redes do Benfica no jogo com o Anderlecht. Impecável melhor dizendo. E este precisa de ser moralizado, não concordam?


Fonte: Leonor Pinhão, jornal A Bola

sábado, setembro 14, 2013

A 8ª maravilha

A prestigiada revista inglesa “FourFourTwo” elaborou uma lista das 20 melhores equipas de sempre. O Benfica de 1959 até 1968 aparece na oitava posição.

Jogadores como Costa Pereira, Eusébio, José Águas, Santana e Coluna são algumas das estrelas que fizeram parte da oitava melhor equipa de sempre.

Nessas 11 épocas, o Benfica conquistou sete Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e acabou com o reinado europeu do Real Madrid, conquistando por duas vezes consecutivas a Taça dos Clubes Campeões Europeus.

Em primeiro lugar da lista aparece o Ajax das épocas entre 65 e 73 com Johan Cruyff a ser a estrela da equipa.

Na segunda posição, está o AC Milan de 87 a 91 liderado pelo trio holandês Gullit, Van Basten e Rijkaard.

A completar o pódio está o Real Madrid de Puskas e Di Stefano das épocas de 55 a 60, que conquistou o penta na Taça dos Clubes Campeões Europeus.

O emblema com mais poderio no futebol mundial foi o Santos, que dominou durante 13 anos. A equipa brasileira ocupa a sétima posição. Notas ainda para o Barcelona 2008–2011 e o… Preston North End, campeão inglês em 1888/1889, na 17.º posição.

Top 20 da FourFourTwo
1º - Ajax (1965 – 1973)
2º - Milan (1987 – 1991)
3º -  Real Madrid (1955 – 1960)
4º - Barcelona (2008 – 2011)
5º - Liverpool (1975 – 1984) 
6º - Internazionale (1962 – 1967)
7º - Santos (1955 – 1968)
8º - BENFICA (1959 – 1968)
9º - Bayern Munique (1967 – 1976)
10º - Torino (1945 – 1949)
11º - Celtic (1965 – 1974)
12º - Manchester United (1995 – 2001)
13º - Independiente (1971 – 1975)
14º - Juventus (1980 – 1986)
15º - Dynamo Kiev (1985 – 1987)
16º - Boca Juniors (1998 – 2003)
17º - Preston North End (1888 – 1889)
18º - Borussia Monchengladbach (1970 – 1979)
19º - Budapest Honved (1950 – 1955)
20º - Nottingham Forest (1977 – 1980)

A verdade e o verdadeiro

Recuso entrar na comparação para ter de concluir quem foi melhor, se Eusébio ou Cristiano Ronaldo. Só a distância (temporal) a que a história obriga nos mostrará quem chegou mais alto. O maior elogio a fazer já ao CR7 é o de nos deixar na dúvida sobre se o trono ainda é do King, questão que tantos julgavam nunca se colocar. São épocas diferentes, tempos tácitos diversos, preparação distinta, bolas, equipamentos e relvados incomparáveis, alterações de lei, equipas de clube e selecções como antes não havia. Nuns casos a evolução favorece um, noutros o outro.

Claro que a memória colectiva favorece os jogadores mais recentes, Lionel Messi face a Diego Maradona, Zinedine Zidane a Michel Platini, Cristiano Ronaldo a Eusébio. Filmados melhor, de vários ângulos e vistos a fazer magia em semanas consecutivas, ganham facilmente vantagem nas nossas análises. Terá Johan Cruijff sido melhor do que Di Stéfano? Muitos juram que não, mas na televisão parece, que é mais agradável rever a laranja mecânica a cores do que ir buscar os vídeos que o tempo fez mais pretos do que brancos do tempo do hispano-argentino.

Há uma injustiça, essa objectiva, cometida com Eusébio, que foi também um erro do jornalismo desportivo, acabando por ter de ser o próprio a lembrar, no que espero não origine um dispensável atrito com Ronaldo.

Como não basta dizer que a economia está a crescer sem comparar com anos anteriores, ou que agora se vendem mais carros do que no ano passado quando não se vendia nada, também não chega dizer que Ronaldo tem mais dois golos do que Eusébio na selecção. É obrigatório referir também que o CR7 fez mais 42 jogos do que Eusébio. Nem é uma questão de respeito por Eusébio apenas, mas de respeito pela verdade, que é o primeiro dever de um jornalista. E aprendi cedo que neste ofício das notícias não basta contar os factos com verdade, deve procurar-se a verdade dos factos.

Quem foi melhor, quem é melhor hoje, Ronaldo outra vez no debate, frente a Messi? A cada um sua verdade, mas com uma premissa indiscutível: Portugal tem actualmente, e já vai para dez anos, um jogador estratosférico. Vi todos os grandes jogadores dos últimos 40 anos, Luís Figo, Rui Costa, João Pinto, ainda Paulo Futre e Fernando Chalana. Português, não vi nenhum como Cristiano Ronaldo, este, o verdadeiro. E estrangeiros só dois ou três, incluindo Zidane. E o outro Ronaldo, o primeiro.

Fonte: Carlos Daniel in DN

sexta-feira, setembro 13, 2013

Enganos para a lateral esquerda são já lendários, para não dizer anedóticos

Bruno Cortez, o lateral-esquerdo que chegou ao Benfica emprestado pelo São Paulo, foi quase sempre titular na pré-temporada e foi sempre titular nos primeiros jogos a sérios desta nova época. Não agradou à torcida, esse é um facto.

Aparentemente também não terá agradado à equipa técnica. No espaço de 24 horas, na semana passada, ficou Cortez a saber que o seu nome não constava da lista dos inscritos para a Liga dos Campeões e, pior ainda, ficou a saber que o Benfica contratou um novo defesa-esquerdo chamado Siqueira, brasileiro, com provas dadas no Granada.

Desejam muito os benfiquistas que Siqueira seja o “tal”. Isto é, o lateral-esquerdo de raiz que o Benfica não tem desde que Leo se zangou com Quique Flores e regressou ao seu Santos.

A não-inscrição de Bruno Cortez na UEFA deu algum brado, o que se compreende. Enganos, enfim, toda a gente tem, mas os enganos do Benfica para aquela posição começam já a ser lendários, para não dizer anedóticos, com o devido respeito por Emerson e pelo próprio Cortez.

Por estas razões, a contratação de Siqueira foi bem recebida pelos adeptos. O noticiado interesse do Real Madrid pelo jogador também deu um forte ânimo aos benfiquistas. Esta coisa de ganhar um jogador em despique com o Real Madrid faz sempre bem à auto-estima, que é uma coisa que na Luz anda muito por baixo desde o último mês de Maio.

No entanto, mais surpreendente do que a exclusão de Cortez da lista para a Liga dos Campeões, terá sido a exclusão de Kelvin da lista de portistas para a mesma competição. Deve estar banzado Kelvin, o mesmo Kelvin que deu o título ao FC Porto e obrigou Jorge Jesus a ajoelhar-se no Dragão foi preterido por Paulo Fonseca. E não há qualquer espécie de razão para duvidar de que Fonseca sabe o que está a fazer.

Do lado do Sporting a situação foi mais preocupante. Nenhum jogador foi inscrito na UEFA. Nem Montero, a estrela deste arranque de temporada em Alvalde.

Fonte: Leonor Pinhão, jornal A Bola